terça-feira, 6 de novembro de 2007

patch adams no roda viva

Meu primeiro contato com esse simpático senhor e seu trabalho, a que o rótulo "medicina humanizada" pode parecer pouco eficaz, como é comum quando se rotula, mas não deixa de ser um começo.
Todo mundo deveria ter visto a entrevista de ontem. Todo mundo mesmo. Adams dá palestras por universidades mundo afora; porém, no meio acadêmico as pessoas pensam a todo momento - ou deveriam fazê-lo - então talvez seu discurso humanitário, aquele que vai além da já mencionada humanização nas relações médico-paciente, não seja tão impactante como na televisão.
O choque causado pelo doutor começa pela sua indumentária: brinco em forma de garfo, camisa florida e calças vermelhas largas como as de palhaço. Que ninguém se engane com esse ar bufão: mesmo em momentos mais descontraídos, a fala de Patch Adams é contundente. Ele inicia criticando o filme baseado em sua vida, estrelado por Robin Williams, que reduz seu trabalho à máxima "rir é o melhor remédio". A cinebiografia pode ter aumentado, e muito, as contribuições financeiras a seu hospital modelo nos Estados Unidos, onde se atende de graça, mas não passa de uma, digamos, hollywoodianização de seus ideais.
E o médico com cara de palhaço se revela um grande provocador. Ele afirma que a indústria farmacológica é nefasta, que os grandes hospitais não são nada além de grandes instituições comerciais/financeiras. O sistema de saúde norte-americano exclui automaticamente 50 milhões de pessoas porque elas não possuem dinheiro.
Adams não se restringe à medicina, uma vez que a mudança de atitude que ele exige dos médicos deve valer para todos. E os petardos continuam. Noventa por cento dos americanos não pensa. As três pessoas mais ricas do mundo possuem renda igual à das 48 nações mais pobres. Torcer por multimilionários jogadores de futebol é uma lastimável perda de tempo - ele se referia ao football, mas nada impede de aplicarmos isso ao "nosso" soccer. Pessoas ricas que nada fazem além de se exibir são completamente vazias. Ele nos exorta várias vezes à questão da Amazônia.
Patch Adams: o capitalismo é a pior coisa que já aconteceu ao mundo!!!
A televisão fica pequena e tímida diante das idiossincrasias do doutor. Ele não tem controle. Fala palavrões e põe convidados e entrevistadores a cantar. Em certo momento, levanta-se da cadeira, arregaça as pernas da calça para mostrar o personagem que interpreta ao apartar - com sucesso em 100% dos casos, segundo ele próprio - brigas entre pessoas que nunca havia visto. Sim, aquelas desentendimentos para os quais qualquer outro ser humano dá as costas. É a revolução de Adams.
Em cada gesto, em cada palavra, a segurança de quem acredita no que está fazendo, que é possível um outro mundo, baseado em fraternidade, cordialidade, amor incondicional, em vez deste nosso corroído pela ganância por poder e dinheiro, e há fome e miséria ali ao lado.
E se todo mundo tivesse visto essa entrevista...todo mundo mesmo...e repensasse a vida...por que não?

numbers

everyday i hear countless voices talking and talking but i only listen to the ones that tell forever things.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

spice girls, dez anos depois

Porque o tempo passa :)
Victoria agora é Beckham e, ao lado de uma Geri mais magrinha, faz triplicar o número de louras no grupo; Emma não é mais única. Mel B. não assusta mais ninguém, com a provável exceção de Eddie Murphy. E Mel C. parece ter deixado a fama de esportista lá atrás no passado.
Que ninguém espere inovações artísticas, contudo. Claro. Elas continuam tão pré-fabricadas quanto na década passada, quando ainda eram, de fato, garotas. Headlines (Friendship Never Ends) é muito, muito parecida mesmo com tanta coisa que já se ouviu. Mas algo ainda está lá que garanta a nostalgia dos fãs, também eles mocinhas, e mocinhos, de outrora.


quinta-feira, 1 de novembro de 2007

em meio à festa

O São Paulo é campeão no ano em que deixo de ser torcedor.

Força de vontade, meu garoto.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Eu uso lápis mas não quero ter um apontador. A idéia é simplesmente me virar.

domingo, 21 de outubro de 2007

bem amigos...

Pouco mais de um ano atrás, perguntei-me se o brasileiro ainda se interessava por Fórmula 1. Naquelas circunstâncias, julguei que o típico marasmo da categoria estaria ainda mais claro aos olhos do público, devido à ausência de pilotos brasileiros com chances reais de triunfo. Hoje, contudo, pude constatar que havia muita gente interessada em saber quem levaria o campeonato recém-encerrado. O fato de a última corrida ser disputada em Interlagos; a presença de um brasileiro na pole position, ainda que fora da grande peleja; a possibilidade de triunfo de um piloto negro, tão simpático aos olhos dos espectadores deste país: cada um desses fatores teve sua contribuição para o sucesso da temporada vendida como a mais disputada dos últimos tempos na Fórmula 1 (Galvão Bueno deve ter repetido isso à exaustão, ou à hipertensão, dependendo da fonte). Os homens por trás daqueles carros possantes e dos montes de dinheiro que eles rendem encontraram um meio de manter o interesse dos não tão amantes da velocidade, também conhecido como grande público, e colhem seus tenros frutos. E sobre o resultado das pistas, curiosamente, não deu a lógica: levou o título quem menos tinha chance. Mas o ambiente não se revelou totalmente incomum, uma vez que o campeão se valeu de um estratagema conhecido nas pistas, particularmente por nós, brasileiros. Felipe Massa foi o Barrichello de Raikonnen. Tudo pela equipe, tudo pela Fórmula 1.

***

O título deste ano ainda pode ser revisto em (mais uma) decisão fora das pistas. É esperar para ver.

***

Saiu na Folha de hoje uma matéria sobre um ex-piloto inglês que poderia ter sido o que Lewis Hamilton é agora. Ambos, o bem-sucedido e o falido, foram apadrinhados pela McLaren/Mercedes ainda no kart. Foi quando começaram os problemas. Hamilton logo cresceu, e o outro, cujo nome não me peçam para recordar, foi aos poucos deixado de lado, talvez devido à aposta do time num futuro piloto negro. Hoje, o preterido rapaz não tem em casa nada que lhe recorde os dias de corridas - por recomendação psiquiátrica - e é jardineiro.

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quarta-feira, 17 de outubro de 2007

incômodo

Você não me decifra num único olhar, por maior que seja seu desejo. Não espere de mim a condescendência supreendentemente irrestrita do mundo. Percorra os caminhos intrincados que lhe indico com sabedoria, em minha condição de único guia plenamente preparado, e chegando ao fim da trilha, surpreenda-se ao perceber a lógica simples, quase tola, de cada passo.
Não é com pesar que me despeço, não o pesar que você supõe. Sinto é pela incapacidade sua de fazer diferente, de fazer diferença. Se você não pode me mudar, contudo, por que me deixar atingir pela impossibilidade de mudar você? Deito-me consolado, durmo.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

dia do professor

Texto que é uma bela homenagem a esse profissional tão importante e injustiçado.



quinta-feira, 11 de outubro de 2007

oct 11th

lábios projetados

Lábios projetados convidam para o que não há recusa. Em sua posição privilegiada encontra-se também a promessa de um prazer imediato. À língua são necessários maiores e estonteantes malabarismos para umedecê-los. Não se acompanha tal frenética dança somente com os olhos. Tocar lábios protuberantes encerra o risco de envolver-se neles eternamente, seus beijos grandes sugam a essência sem jamais exaurir, cai mais uma vítima de irrevogável lei da natureza que beneficia o mais capaz, o mais bem equipado, e a presa não contesta a disposição, mas antes a endossa. Boca tão farta e ainda exige mais: a carne destes lábios pequeninos já não mais me pertence.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

edward hooper


Nighthawks




New York Movie

mansão e quebrada

Olá a todos. Sou uma celebridade. Tenho uma ONG, mas quase ninguém sabe. Acima de tudo, forneço entretenimento gratuito à nossa população. Por conta disso, sou extremamente capacitado a escrever umas linhas bem mal escritas num dos jornais de maior circulação do país esbravejando indignado com uma injustiça que me ocorreu - outras pessoas escreveriam em blogs, mas para mim isso é pouco. A essa altura duvido que alguém não saiba do que me aconteceu de tão grave, dado o meu status de pessoa pública, mas repito mesmo assim: eu senti na pele a violência desse país. Fui assaltado, levaram meu relógio, podiam ter tirado a minha vida, a vida de uma celebridade, o povo me choraria nas ruas, o Jornal Nacional e outros veículos de comunicação exaltariam meu legado, deixariam claro quanta falta eu faria ao povo, a meus amigos. Registrariam o luto de minha família célebre, meus anjinhos, abalada para sempre pela maior das tragédias. Só digo uma coisa: algo precisa ser feito. O Brasil, do jeito que está, não dá.



É nóis. Sou da favela. Ergo-me como a voz de uma periferia massacrada, oprimida por quem mais deveria cuidar dela. Dar casa decente, escola boa, emprego e tal. Mas não cuida. Aí a gente tem de lutar. Primeiro a gente tem de aprender a dizer que tem orgulho que é da periferia, usar tipo um símbolo para deixar claro. A patente, deixa que eu registro. Porque a gente não está só confinado nos bairros distantes em que o sistema nos fez morar. A gente sai, trabalha longe, vê o mundo também. É atravessar a ponte e chegar aos lugares onde as pessoas vivem bem, têm as coisas que querem porque têm como comprar. Só que a gente quer isso também. Às vezes é complicado arrumar dinheiro para se manter apenas, mas só isso não basta. Eu acho que, para conseguir isso que o rico tem tão fácil, qualquer coisa é justificada. Até tirar a força de quem tem sobrando. Está sobrando, mesmo. É um negócio em que todos saem ganhando. Aponto a arma na cara do riquinho ali, ele me dá o que eu quero. Ele continua vivo e o mano arranja alguma coisa legal que pode ficar para ele ou virar dinheiro para outra coisa mais bacana. Talvez até dinheiro para financiar mais roubos. O que não importa, afinal; o riquinho vai sempre ter sobrando. Ah, e como eu sou controverso, sou polêmico, a voz da favela, apareço no jornal defendendo essas idéias.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

eu suplico!

Por obséquio, entidade superior encarregada de minha pessoa, faça-me ignorar o deplorável pão e circo movido a dinheiro imundo que vem a ser o futebol. Por mais que a lógica não se aplique aos jogos da modalidade, é inconcebível um time como o São Paulo sofrer derrotas consecutivas para duas equipes indiscutivelmente inferiores e desmoralizadas na atual competição. Somente uma armação explica o nonsense.


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sábado, 6 de outubro de 2007

jogos mortais, ou a busca por michael emerson

Alguns grandes atores integram o elenco de Lost. Freqüentemente encabeçando a lista de melhores está Michael Emerson, que interpreta Ben, o manipulador líder dos Outros. O excelente trabalho de Emerson no seriado incentiva o fã a procurá-lo em outros papéis. O ator, contudo, foca-se mais em teatro; aparições suas em cinema e televisão são raras. Uma delas é o primeiro filme da bem-sucedida série de terror Jogos Mortais, cujo quarto volume encontra-se em vias de ser lançado. Este revisor, pouco chegado a filmes do gênero, ainda não havia podido dar seu veredicto à fita em questão. Com o incentivo da presença de um grande ator no elenco, chegara o momento de dar uma chance à cinessérie.
Ao término do filme, entretanto, duas constatações decepcionantes. A primeira é de que Michael Emerson possui muito pouco tempo de tela, triste conhecer seu talento e vê-lo assim desperdiçado. A outra é mais geral: Jogos Mortais está longe de ser considerado bom.
Na trama, dois homens despertam acorrentados em um banheiro imundo, sem a menor idéia de como foram parar ali. Há também um cadáver no chão, uma arma na mão e a cabeça ensangüentada Aparentemente, os dois são vítimas de um jogo no qual o prêmio é manter-se vivo e dar mais valor a esse fato, mesmo que a morte de um deles se apresente como necessária à sobrevivência do outro. A pessoa por trás desse sadismo se comunica com os "jogadores" através de gravações e bilhetes misteriosos e é conhecida da polícia pela alcunha de Jigsaw.
A premissa não é ruim, mas o resultado não convence. Há momentos interessantes aqui e ali, mas no geral vê-se a tentativa do diretor James Wan em compensar evidentes falhas na execução do filme - cenas mal trabalhadas, atuações fracas, Emerson subaproveitado - com recursos controversos, como edição ultrarrápida à videoclipe, closes cirúrgicos em corpos mutilados e o pior: a reviravolta que conduz o filme à inevitável seqüência e parece querer dizer ao espectador, "veja o que guardamos na manga, como somos espertos". Os mais incautos podem até se deixar levar por essa conversa, mas para o espectador esperto tal artifício falha miseravelmente. Depois do festival de desacertos, o desfecho soa forçado demais.
Michael Emerson não retorna em outros volumes de Jogos Mortais, o que é mais um motivo para dar adeus à fraca série. Repassarei sua cinebiografia a fim de conferir mais de seu bom trabalho. E fevereiro de 2008, data da estréia da quarta temporada de Lost, custa muito a chegar.

parêntese

Estou relendo Cem Anos de Solidão.
Me pergunto o que esperar das releituras cinematráficas de O Amor nos Tempos do Cólera, do mesmo Garcia Márquez, e Ensaio sobre a Cegueira, de Saramago. O grande "charme" das obras desses autores é a narrativa ímpar de cada um. Imagino que, por melhores que os filmes se revelem enquanto filmes e nada além, estarão fadados ao rótulo de obras menores, em relação aos livros que os inspiraram.


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quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Um dia minha respiração parou durante o sono e jamais encontrei reconforto sobre esta terra. Despertei para uma existência sem sonhos, incapaz de precisar quando o pesadelo havia começado. Ratos e outras criaturas indesejáveis vinham até mim, perseguiam-me emitindo os mesmos ruídos sem descanso; as palavras de desdém que eu lançava não os repeliam, para tanto, teria sido necessário lançar um sortilégio não totalmente esquecido, mas cuja execução jamais pude levar a termo. Meu olfato identificava cada vez mais e melhor o podre, nem a mim mesmo digo o porquê. Minha voz, irremediavelmente cansada, sofria vitimada por uma pressão, um esforço que jamais lhe tinha sido exercido, que mais havia se acumulado ali como a poeira e a fuligem que tomam o telhado de uma bela casa, all that junk in the attic had never bothered me before. A busca de certas traduções não possui significado. Nunca estive tão perto da morte; permaneci vivo assim por décadas.

recall

Acabei de receber...este blog também é prestação de serviço, por que não?
A ASSOCIAÇÃO DOS CAMELÔS DA 25 DE MARÇO CONVOCA TODOS OS PROPRIETÁRIOS DAS CAMISETAS DO CORINTHIANS EM QUE CONSTA A ESTRELA DO CAMPEONATO BRASILEIRO DE 2005, PARA SUBSTITUIÇÃO POR UMA COMPLETAMENTE ATUALIZADA (sem a estrela grafada) PARA QUE NINGUÉM SE SINTA PREJUDICADO!!!

A ASSOCIAÇÃO ESTARÁ SERVINDO, DURANTE ESSE RECALL, UM CHURRASCO GREGO E UM SUCO GRÁTIS!!

ESSA OPERAÇÃO (RECALL) SÓ FOI POSSÍVEL GRAÇAS À PRONTA INTERVENÇÃO DO SR. ALBERTO DUALIB, SEM A QUAL NÃO TERIA SIDO VIÁVEL.


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quarta-feira, 3 de outubro de 2007

informe do blog: marcadores

Estreando aqui os marcadores, também conhecidos como tags...espero que gostem. Tive a idéia de usá-los pela primeira vez há quase um ano; na ocasião, listei uma certa quantidade de temas sob os quais achei que poderia classificar meus posts. Conste que essa lista original possui 23 entradas... mas ainda não estou certo se usarei todas. Devo adicionar algumas novas também.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

concerto - 07/10


Da infinda série "antes que eu me esqueça". Estou de coralista convidado, por assim dizer. O trabalho da regente é ótimo e a missa que faremos, muito bonita.

domingo, 30 de setembro de 2007

mônica salmaso


Sim! Mônica Salmaso no Municipal! Perdi uma temporada inteira de shows dela mas esta chance eu agarrei. E nossa, como valeu a pena. A voz dela é exatamente aquela dos CDs: Mônica tem um dos timbres mais lindos da MPB. E ela é uma simpatia no palco: leva na esportiva as derrapadas do pessoal da iluminação, conta pequenos e divertidos "causos", agradece o carinho da presença de todos...Os músicos que a acompanham - Toninho Ferraguti no acordeon e Teco Cardoso alternando sax e flauta - são fantásticos e até ganham seus momentos de "estrelas" do show. Apenas ao final surge um grande problema: o concerto é curto demais! A vontade que dá é de ouvir Mônica por horas e horas, mas só resta aplaudir de pé e bem forte depois do bis. Um final de tarde maravilhoso.


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terça-feira, 25 de setembro de 2007

vertigem

Mais que o temor da queda, o real assombro é experimentar outra força trazendo-me abaixo, além da gravidade: uma estranha vontade de querer cair, ver o chão cada vez mais próximo, ouvir a própria voz descontrolada, sentir-me deslocando o ar que se torna único freio ao irresistível movimento.


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sábado, 22 de setembro de 2007

dia mundial sem carro (?)

Aqui, na metrópole repleta de ruas e onde muitos dos que dependem de transporte público sonham com o dia de se livrar do mesmo, a campanha massiva para hoje não adiantou; as pessoas não deixaram os carros nas respectivas garagens. Esta é, ao menos, a percepção deste blogueiro ao retornar de seu compromisso matinal: atravessei a cidade, vi limusine, carro esportivo e até peguei trânsito em local costumeiro. E o paulistano médio não pode sequer pensar em ficar sem seu carrinho nem um único dia.




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quinta-feira, 20 de setembro de 2007

verbo

Não sou gramatiqueiro, mas gosto de verbos. É coisa tão flexível, umas letras a mais, ou a menos, e muda não apenas a palavra, mas quando e como ela se usa, de quem ou quantos quero falar. Verbo se conjuga, é tão interessante. Não é como se observa ao estudar línguas em que palavras como substantivos e adjetivos apresentam casos, como o morto latim e o complicado alemão - onde estava com a cabeça? - mas a palavra em si é a mesma, não se altera em significado ou idéia, o que se fez foi alterar sua função gramatical. Verbo não tem isso: eu sou, ele é, outros são, e se somos todos nós incluí-me onde há pouco não estava. A todo momento, pessoas fazem, estão fazendo, mas sem abusos, por favor. E também estamos sempre a ouvir do que outros fizeram, faziam mas hoje não mais, ou mesmo tinham feito antes de outros ditos. E os grandes e pequenos planos que se realizarão, ou vão dar certo se deus quiser; eu confessaria a você aquele desejozinho que queria ver concretizado se a lembrança não me fizesse mal. Melhor pensar nas tarefas diárias que devo cumprir. Mas então é curioso. Não dou ordens a mim mesmo, peça você, ordenem vocês, mandemos nós que assim não contradigo a regra. Tanto pode ser dito, tantos outros além destes, mas que vontade de usar todos os tempos ao tempo que se pede e pode.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

19/09

O tempo está seco. Parece que, todos os dias, alguém queima alguma coisa aqui nas redondezas. Olho em volta e em alguma direção sempre vejo fumaça; sempre que saio, retorno com as roupas mal cheirosas, trazendo poluição de fora, que se une à poluição próxima, assim como se carregam e se mesclam os grãos de plantas, só que a união de gases não traz vida nova ao mundo, mas antes subtrai o tempo das que já existem. À noite, quando escovo os dentes, é como se algo se abrisse no interior de meu sistema olfativo e sinto o ar carregado como nunca, uma sujeira invisível da qual parece não haver escapatória. Penso que a casa concentra a fumaça de hoje, a de dias anteriores e mesmo a de invernos fechados; por mais que se abram portam e janelas, uma casa tem que ser assim fechada, e muito do que entra acaba concentrado aqui. Aprisionado, e aprisionando também.
Se a fumaça é eterna, reclamo dela para sempre também.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

o quanto antes!

Aqui nas imediações, à noite: uma família andando na rua, papai falando.

"Olha, meu filho, olha como o papai anda, que nem homem..."

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

missa em si menor - bach

Há anos eu não ia à Sala São Paulo...praticamente esqueci como era estar lá: a arquitetura, o ar de "primeiro mundo" - para o bem e para o mal - o som cristalino da orquestra, e do coro, quando este se fazia presente.
Voltei para lá no sábado. E foi quando me apaixonei.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

(...)

O blog contaminou o que teriam sido páginas de diário. Talvez para sempre.

Tenho essa necessidade de me entregar. Todos a possuem, na verdade, por melhor ou pior que lidem com ela. Não arrisco dizer como o faço hoje.
Não é possível sair e se entregar livre e facilmente a cada um, não a quem primeiro aparecer, não é são, não é saudável. Sei disso. Mas por vezes isso não basta para me manter mais tranqüilo. Sonho, imagino, uma total entrega, um confiar plenamente, a alguém sem rosto, o que é bom e mau. Bom por não haver o eventual risco de repetir as tolices do passado, aquelas cujo simples nome dói pensar sobre. Mau porque...ora, quem é você mesmo? Onde está que não me aparece? E assim se vive sem paixão. Então chegam aqueles dias em que me toma a vontade louca de dar nome, rosto e corpo a esse meu desejo, você que me é tão familiar, você com quem tenho essa proximidade, a você eu me daria, e faria sentir da mesma forma que eu. Tenho essa impressão de que funcionaríamos bem juntos.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

máquina

Sou uma máquina rangente. Executo aquilo para que fui projetada. Não conheço causa nem avalio conseqüência. Não existo para discutir diretrizes. Apenas faço. O único som que produzo é o relativo a meu trabalho. Não são como as palavras articuladas que às vezes ouço, capazes de transmitir o concreto e o abstrato, e que agora busco reproduzir de forma rudimentar, visto que tal faculdade está distante de minha verdadeira função como máquina. Não. Meu rangido é simplesmente o som do trabalho, o som necessário. Não me acomete felicidade de medida alguma se sou manuseada com cuidado e eficiência. Da mesma forma, saber que sou utilizada incorretamente não é motivo de desapontamento ou frustração. Tudo é trabalho. Sou uma máquina. Apenas faço. Até o momento de ser substituída.

do que se passa em minha cabeça durante viagens

Sigo adiante...movo-me a grande velocidade, deslocando com minha passagem uma coluna de ar. Estendo a mão para sentir esse vento entre meus dedos...
Um dia, estarei morto, e não terei mais dedos para experimentar essa percepção; sequer terei percepção de coisa alguma.
sempre um não-sei-o-quê quando me lembro da morte. Morte de pessoas próximas. Mortes em família. A minha própria. Um dia, saberei a resposta para o grande enigma que envolve o "pós-vida" e não será possível comunicar essa informação a ninuém que eu tenha conhecido e ainda não esteja onde estou. Estar morto pode ser como um sono profundo do qual não se acordará, se pensarmos que há algo de nós além de nosso próprio corpo, algo que jamais se desfaça. Seria, então, como num sonho? Eu saberia estar sonhando, como normalmente me acontece? Sonhos que jamais se interrompem.
Ou ainda, tudo o que somos simplesmente se dissipe muito mais rápido que a matéria. Digamos, instantaneamente, a consciência desapareça. Que pensamento! Como é simplesmente não ser mais? Sei existir, isto é tão fácil, o oposto é simplesmente assustador.
Então percebo: não é realmente a morte que me assusta, mas a interrupção brusca da vida. O descanso eterno após uma vida repleta de realizações não vai mal...deve haver um momento na vida, se bem vivida, em que se diz, não há mais nada por aui, melhor fechar. Mas e o jovem que mal iniciou seus passos? E o não tão jovem ainda perdido em meio a possiblidades de que ainda nem se deu conta, envolto em dúvidas decorrentes de erros anteriores? É perder-se para sempre ou seguir um rumo.
Este não seja o momento de pensar na morte. Deixar para quando ela estiver próxima...e quando isso acontecer, já não haverá muito mais sobre o que pensar. Estendo a mão para sentir o vento entre meus dedos...e ainda há tanto por sentir.

solitary

Dizem que, se você ficar bem quieto, consegue ouvir coisas que ninguém mais pode. Vozes que falam direta e unicamente a você.



sexta-feira, 31 de agosto de 2007

tocqueville

...e o mundo que não queremos.

"Vejo uma multidão inenarrável de homens, iguais e semelhantes, que giram sem descanso sobre si mesmos com o único fim de satisfazer os pequenos e vulgares prazeres com que enchem suas almas. Cada um deles vive à parte, alheio ao destino de todos os demais. Seus filhos e seus amigos constituem para ele a espécie humana. Enquanto concidadãos, está junto deles sem vê-los; toca-os sem o sentir; só existe em si e para si mesmo. Se lhe resta uma família, pode-se dizer que já não lhe resta uma pátria. Acima de todos eles eleva-se um poder imenso e tutelar que se encarrega, sozinho, de garantir seus prazeres e de velar por eles. Este poder é absoluto, minucioso, regular, previdente e apacível. Pareceria um poder paternal se, como este, tivesse por objetivo preparar os homens para a idade viril; ao contrário, porém, busca apenas fixá-los irrevogavelmente na infância. Não lhe desgosta que os cidadãos gozem, sempre e quando só pensem em gozar. Trabalha com gosto para fazê-los felizes, mas quer ser o único agente, o único árbitro. Supre sua segurança, provê suas necessidades, facilita seus gozos, gestiona seus assuntos importantes, dirige sua indústria, regula suas sucessões, divide sua herança. Ah, se pudesse livrá-los inteiramente do incômodo de pensar e da dor de viver!"

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

sabores americanos

Se quiséssemos listar, como exercício, as contribuições mais relevantes de cada civilização majoritária de nossa história ao mundo tal como o percebemos, e encontrássemos dificuldade em definir o legado cultural dos Estados Unidos - talvez o último grande império -, uma boa resposta seria fornecida pela estigmatizada imagem que temos do norte-americano médio, aquele um tanto obeso, estirado no sofá diante de sua televisão grande, empanturrando-se com bebidas e petiscos dos mais calóricos já imaginados.
Olhos fixos nessa imagem, atentaríamos às citadas guloseimas, possivelmente devido à lembrança de seu aroma: todas essas comidas que os americanos criaram, ou popularizaram, tão conhecidas e, mesmo que seu consumo regular não seja recomendável para uma alimentação saudável, devoradas mundo afora.
Refrigerantes, sorvetes, batatas chips, cachorros-quentes. Alimentos cujas histórias podem ser conferidas no programa Sabores Americanos, atração das noites de quarta-feira (21:00) no History Channel. Depoimentos de profissionais da indústria alimentícia e estudiosos, acrescidos da apresentação de uma cronologia com os fatos mais relevantes relativos à produção e à venda de cada produto (um por semana), tornam o programa um registro curioso sobre algo que os americanos definitivamente ensinaram o mundo a fazer como nenhum povo antes: consumir coisas não necessárias pelo mais puro prazer.

Então, logo a seguir, assiste-se ao Álbuns Clássicos, com os melhores trabalhos de Queen, Pink Floyd, The Who, Elton John, e pode-se pensar que a principal contribuição da Inglaterra ao mundo foi a música popular de grande qualidade. Mas isso é outro capítulo de história.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

(anexo)

Meus olhos estão abertos para as trevas que os rodeiam. Todos estão em seus lugares.

"Everything under the sun is in tune
but (...)"

ondas da vida

As máquinas rangentes escavaram e encontraram algo com que não podiam lidar. Era bruto e secreto, indissociável e insondável. Aquela energia não serviria para mover qualquer engrenagem, mas o que está sob sua ação opera em moto-contínuo. É misterioso e tão elementar: a pergunta a qual estamos habituados não haver resposta. Todo este horizonte e jamais abandonamos a superfície, que acontece quando se atinge um orgasmo.


O mundo é uma loucura, mas deixar-se levar unicamente por ele, ou antes por aquilo que se convencionou ser ele, não serve como base para uma total compreensão, não daquilo que existe para compreender, ou confundir de fato. O que vejo com os olhos que me foram dados é a realidade, mas, se vejo as coisas sob quaisquer estados alterados, apresentam-se outras realidades, outras percepções, inteligíveis ou não, fonte de soberba ou não, possíveis de se viver com ou. O mundo é louco; vã, porém, é sua loucura. O mais certo é atingir uma certa para-insanidade.


Agora ainda, temi as palavras que escrevi, as palavras que já escrevo; temi por me tirarem minutos de sono; temi a hesitação em dizê-las; temi o medo de perdê-las. Estranhamente, temi também o que elas significassem a mim ou quem quer que fosse, interpretações desviadas ou iluminadas me assustavam igual. Temi também o caminho de treva que tive de percorrer para anunciar tais palavras; como criança, tive irracional medo do escuro, eu o (ir)racionalizei dizendo a mim mesmo que as trevas atacariam a fim de calar-me, eu tão pequeno e, sem o saber, poderia estar a versar sobre a natureza das trevas, do nada, para onde tal conhecimento me levaria, mais respostas, mais temores, mais delícias, mais nada. Deixem-me.

domingo, 26 de agosto de 2007

urso polar

Grande. Forte. Imponente. Fascinante. O urso polar, nobre habitante dos recônditos mais setentrionais e inóspitos do planeta, é tudo isso. O pêlo espesso, claro como o gelo em seu habitat natural, o torna dos mais belos animais ainda vivos sobre a terra. Por quanto tempo, porém, ainda não se sabe: as mudanças climáticas ocorrendo globalmente têm reduzido a superfície de mares congelados onde os ursos buscam alimento - focas, principalmente. Nas terras quentes, temos Knut, o ursinho-celebridade (foto acima, de meses atrás), que se mudou recentemente do zoológico onde nasceu; ao mesmo tempo, o mundo dos ursos selvagens está ficando menor, talvez de maneira incontornável, certamente mais rápido que um próximo salto evolutivo. Triste para todos nós que um animal desse porte se mostre tão vulnerável e se converta num símbolo sobre o que há de mais errado no mundo.
Mas a intenção aqui não é deprimir, e sim homenagear esse bicho, que felizmente ainda está entre nós, permitindo o de novas imagens lindas, lindas. Tentem descobrir qual delas estou usando como papel de parede - adianto que é a mais inusitada e menos fofa.

flashback

Queria fechar os olhos e enxergar para trás, no tempo, ver a vida tal como era no passado: as árvores que deram lugar a essas torres artificiais; as pequenas construções, simples como o outrora; ouvir a água fresca correr livre e senhora dessa profusão de criaturas: não sei qual a mais espantosa. Queria vislumbrar por um instante o não mais.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

o terceiro do ciclo

Queria estancar este sangue, mas as mesmas feridas tornam a reabrir quase espontaneamente. E essa dor.

trágica

Não posso com o peso do mundo, pobres de meus braços e costas. Convocam-me para um, dez, doze, inúmeros trabalhos, não dou conta de executá-los, logro êxito em uns poucos deles pois a fortuna não me abandona de todo, embora por vezes eu o desejasse. Encontro-me aprisionado em estranho local de onde jamais encontro a saída, tamanha dificuldade, já segui por este caminho antes. Agora uma criatura diante de mim, dentes como serra, cabelos longos e ondulantes, a língua cor de coisa morta. Mal posso fitar-lhe os terríveis olhos. Parece que posso vencê-la, ao que ela se transformará no mais ostentoso troféu, meu mais alto vôo. Mas estou paralisado, nada posso fazer. Todo dia, sinto me arrancarem parte importante do corpo, mas momentos após a terrível dor sinto um alívio imenso, penso que jamais terei de passar por aquilo novamente, mas o membro extirpado regenera e o ciclo se renova.


A minha história, não sei como termina.

bestial

Em minha alma está contida toda a raiva capaz de sentir somente quem não tem alegrias em vida. O que me rodeia é objeto de ódio, pois esse é o único sentimento que conheço. Sou constantemente atormentado pela angústia de quem espera e espera não se sabe o quê. Meus olhos nada enxergam com definição. É como se todo o mundo exterior estivesse como me sinto por dentro, distorcido, um ser outrora humano, um mero rabisco. E, mais que tudo, eu abomino minha ausência de forma.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

crianças trabalhando

Ontem saí de ônibus e no meu trajeto deparei com três crianças, uma na ida e duas na volta, vendendo doces no interior do coletivo. Assim, como um adulto faria, estendendo uma mercadoria à mão de cada passageiro e anunciando seu preço. Só faltou mesmo o tradicional discurso, "desculpe estar incomodando a viagem de vocês", e coisa e tal.
Não são as primeiras nem as últimas crianças a serem obrigadas a trabalhar, mas nunca antes a exploração infantil me deixou tão indignado. Devo ter me imaginado no lugar delas, perdendo meus primeiros anos queridos. Por pouco não disse à primeira garotinha que ela não deveria estar fazendo tal coisa. À ocasião, eu até aceitaria um daqueles pacotinhos de balas, mas me recusei a comprar, com a convicção de que não ajudaria a manter aquela injustiça.
Minha infância foi muito feliz; em minha época, inclusive, custei a aceitar que ela estivesse chegando ao fim, mas isto é outra história. Se fui tão feliz em minha meninice, era principalmente porque gozava de total liberdade para ser uma criança de verdade: sonhadora, despreocupada, curiosa, alegre. Poupado de maiores compromissos ou atribulações. Sim, pois estes cabem à vida adulta. E tirar de uma criança o que ela possui de mais autêntico é desnecessário ato de apressar o curso da vida, além de crime dos mais absurdos. Sem dúvida, há no mínimo um adulto por trás de cada inocente pequeno vendedor de rua, pedinte, o que for. No mínimo um contraventor. Tratar-se de alguém da família, então, só piora as coisas.
A infância não pode ser perdida em nome de mais alguns trocados para ajudar a sustentar a casa. Pais, arranjem-se de outra maneira, pois esse é seu papel: preservar, física e moralmente, seus pequenos. O que tiver de ser aprendido sobre a dureza da vida, o será em seu devido tempo.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

campo minado...o filme

Adaptações de videogames para o cinema estão com tudo!

terça-feira, 14 de agosto de 2007

que teima

Será que consigo viver bem num mundo tão poluído? Daqui de onde mal se percebe a luz solar nem se enxerga o céu?
Existe amor? É possível viver do belo?
Nada nos resta senão o "dançar conforme a música"? Qual o grande risco em compor nossa própria?
A todos, não resta que a mediocridade? Cada um de nós tão único - tantos ignorantes de sua individualidade - e o único jeito é buscar o igual?

domingo, 12 de agosto de 2007

uma estréia

Antes que eu esqueça novamente...olha o cartaz das apresentações do meu novo coral! Mais Mozart na minha vida! Concertos em São Paulo e Campinas...quem vai? :)

aquele em que o domingo começou cedo

O domingo começou muito, muito cedo...Às cinco e meia nem havia sol. Provinha às oito. Vendo pelo lado bom: breve pode ser que eu tenha salário. O sono desaparece durante e logo após o calor do momento e deve voltar com tudo em alum momento do dia.
O abraço de dia dos pais só veio depois do exame, o qual simplesmente deixei lá na lonjura da Vila Maria. Não penso nele tão cedo. Quanto ao presente, não teve mesmo. Sou pobre e anti-capitalista. Às vezes, me sinto no lucro pelo simples fato de ser amado por um pai...
Aí eu estava passando pela Marginal a caminho de casa e deu Marisa Monte cantando Bem Que Se Quis na rádio...e eu achei impressionante como a minha mente pôde voar tão longe numa hora tão adiantada, após uma noite tão atípica. Eu lembrei que Marisa estava fazendo shows ali pertinho, no Tom Brasil Nações Unidas, e que estou com muita vontade de assistir...será que con$igo? Pensei também que a música pouco tinha a ver com o que a cantora está gravando nos últimos tempos, que consiste num repertório mais identificado com a assim chamada MPB. Bem Que Se Quis, ao contrário, é mais uma cançãozona americana, dá até para imaginar uma daquelas negras de voz fantástica cantando o original em inglês - que nunca ouvi, por sinal. De volta ao Brasil, Bem Que Se Quis pode não ter muito a ver com a Marisa Monte de hoje, mas creio que seja impossível imaginar a música fora de um show seu; afinal de contas, foi o primeiro grande hit...trilha sonora da novela Salvador da Pátria...o que a coloca como sucesso de 88, 89...quase vinte anos! Marisa Monte tem uns vinte anos de carreira...e eu me lembro da música que a projetou nacionalmente. Somos dois velhos hoje, ela ainda canta, e muito bem, eu também tenho uma voz, embora sem a excelência e o sucesso da outra. A temporada no Tom Brasil vai até começo de setembro, eis uma boa chance para mim. Até lá, não sei se ainda terei um dinheiro meu, mas deve haver um jeito de eu chegar a esse show. Será possível pagar o ingresso parcelado?

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

sommer (?)



Da galeria de imagens do meu micro para o blog. Queria saber mais a respeito da imagem. Alguém?
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segunda-feira, 6 de agosto de 2007

special

It's weird when you feel you're special and know exactly why but you have no idea how to show it.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

primeiro de agosto

Enfim, após o que foram os dias e noites mais gelados de que já me recordo em minha curta existência, o tempo voltou a esquentar, com a possibilidade de firmar-se novamente o calor. Até fui capaz de tirar as blusas e usar apenas camiseta: aconteceu hoje por volta das quatro da tarde e ainda é possível assim permanecer, ao menos até a inevitável queda de temperatura decorrente do desaparecimento do sol permitir.
Foi-se o tempo em que eu adorava tempo frio. O que havia em minha cabeça à época, não sei dizer.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

a escotilha foi reaberta


Deve fazer pouco mais de uma hora que assisti ao final da terceira temporada de Lost. É, não deu pra esperar pela AXN, não. Tinha companhia e os últimos episódios - na verdade, um episódio duplo - baixados da net e mandei ver. Atrasei janta, banho (nesse frio!), enfim, parei tudo, como já tem sido costume para Lost, como nunca antes havia acontecido para nada na televisão. E...
Olha, não gosto de spoilers, evito todos sempre e a todo custo; seguindo esta lógica, não vou soltar nenhum aqui.
O que posso dizer é que não faltam emoção e tensão, como cabe à série. Estoura o grande confronto entre os sobreviventes e os Outros, pessoas inevitavelmente morrem, e no final...os escritores conseguiram. Conseguiram "abrir uma escotilha novamente". Falo assim porque, como ao final da primeira temporada, estamos diante de uma situação sobre a qual é praticamente impossível adivinhar e acertar na mosca sobre o que virá a seguir. No último episódio da temporada anterior, claro, bastante coisa ficou em aberto, mas era evidente que os até então bastante misteriosos Outros mostrariam mais as caras, e os dentes. Mas agora, hoje, ao pensar na série, só consigo pensar: o quê?
Lost até agora:
1a. temporada - adaptação à ilha
2a. temporada - a escotilha
3a. temporada - os Outros
4a. temporada - um enorme ponto de interrogação
A série está totalmente em aberto. A sensação é de que se parte para um novo começo. Num primeiro instante, as questões e conjecturas sobre os personagens e a ilha parecem não fazer mais tanto sentido. E falta muito, muito mesmo, para um novo episódio aparecer - fevereiro de 2008, nos EUA - e nos arrastar de volta àquele mundo que às vezes dá vontade de xingar, mas do qual nós, fãs fanáticos, não podemos mais deixar de ficar sem, não até o final definitivo, daqui a três anos. Final que não faço a menor idéia de como será. E isso faz parte do encanto, do arrebatamento da série.

***

É a quarta vez que cito Lost diretamente neste blog. ;)

terça-feira, 24 de julho de 2007

ratatouille


É preciso ser meio ranheta para não gostar dos trabalhos da Disney/Pixar. Tecnicamente, a qualidade das animações melhora a cada filme; parece não haver limites para o aprimoramento de cenários, movimentação de personagens e outros detalhes que os olhos do espectador embasbacado podem captar. E as histórias, via de regra, têm bom apelo sobre o público em geral, sem parecer muito bobas aos adultos que levam suas crianças ao cinema, ou os que vão por sua própria conta. Ratatouille é ótimo exemplo. E digo mais: a história do ratinho cozinheiro está a par com as melhores produções da casa, como Toy Story, Procurando Nemo e Os Incríveis.
O protagonista Remy - não, seu nome não é Ratatouille, o título se explica mais para o final do filme - possui paladar muito mais apurado que o dos outros ratos, que logo o consideram "fresco" por se recusar a comer qualquer coisa, como eles. Um dia, ao entrar numa casa à procura de comida boa, conhece a história do renomado chef Auguste Gusteau (nome espetacular!), conhecido não somente por sua boa cozinha, mas também pela sua teoria de que "qualquer um pode cozinhar". Remy decide se tornar ele mesmo um cozinheiro, também.
Gusteau, porém, tem a carreira destruída pelo implacável crítico Anton Ego, opositor declarado de suas idéias, e morre pouco tempo depois. Seu fantasma (?) acompanha Remy numa jornada até Paris, onde está seu antigo restaurante. Mas como um rato pode ser bem-sucedido numa cozinha, ainda por cima de restaurante? Escondido, é claro, mais precisamente sob o chapéu do mais novo contratado do Gusteau's, o atrapalhado Linguini. Essa dupla tem a chance de fazer o restaurante voltar aos seus saudosos brilhantes dias.
Se compararmos a sessão de cinema de Ratatouille com o pedido de um fino restaurante, podemos dizer que o delicioso prato principal inclui dois ótimos acompanhamentos: como entrada, o ótimo Quase Abduzidos, o tradicional curta-metragem da vez, e um pequeno aperitivo, o trailer de Wall-E, a ser lançado em 2008 e que tem tudo para ser o filme mais sombrio lançado pela Disney, com ou sem Pixar.
Em tempo: em vez do pôster que tradicionalmente acompanha meus posts de cinema, temos acima uma cena do filme. É que a Paris de Ratatouille é mesmo encantadora e merecia ter uma imagem estampada por aqui.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

o fim de acm

Eu não gostava de Antônio Carlos Magalhães. Assim como a maioria das pessoas dotadas de algum bom senso em relação ao que acontece nesta terra.
Ele era um dos mais notáveis exemplos sobre o que há de pior na política brasileira. Apoiou e tomou parte de quase todo governo brasileiro desde a ditadura militar - só com Lula as coisas não deram muito certo. Era médico de formação, mas foi ministro das Comunicações e presidente da Telebrás, dominando esse estratégico setor à sua maneira e de seus aliados.
E ainda posava como grande pai do povo baiano, quando sempre foi evidente a única causa que respaldava: manter a influência de seu grupo político, cujo principal expoente era ele próprio.
Agora, está morto. Pensamentos como "já vai tarde" e sobre vasos ruins escapam, ainda que sem querer, pois morte e o conseqüente pesar que se abate sobre familiares e amigos da vítima não são coisas que se desejem, assim aprendemos. Porque é bom recordar que, fosse quem fosse, o falecido era humano e tinha seus sentimentos. Suas idas e vindas a hospitais nos últimos tempos indicam que ACM sofreu e sofreu até receber o mais definitivo dos remédios.
Eis o que é sua morte. Ela não significa trajetória interrompida, como a de seu filho, nove anos atrás. O que ACM fez está feito, bem ou mal, dependendo da perspectiva. Querer-lhe o fim da vida como grande castigo, revanche, não era apenas condenável segundo várias correntes de pensamento, mas também completamente inútil. Seu modo de fazer política resistirá, ainda que seus seguidores não mais o tenham como exemplo vivo. E, mais importante, as conseqüências de um dia ter havido ACM custarão a morrer. O povo baiano chorará sua partida em cortejo público e ao tempo de luto que se seguirá. Por muito tempo lembrarão o grande herói que fazia tudo por sua terra amada e se comovia com as demonstrações de afeto rendidas por seus "filhos". E pouco importa se o meu, o seu esclarecimento martele em nossas cabeças o quanto isso era falso, que em boa parte do país, especialmente a mais sofrida, o controle de difusoras de rádio e televisão e o poder político tenham o mesmo dono.
E pouco importa se também nos cansamos de ouvir as mesmas bocas bradando por princípios éticos e democráticos quando estes lhe convinham: as mesmas que se calavam diante das atrocidades cometidas durante as épocas mais escuras de nossa história, talvez cheias após terem se fartado com os ganhos de um modo de governar que pode ter selado para sempre miséria para uma parcela considerável de brasileiros.
ACM vai descansar depois de um longo período de labuta, como alguém honrado. E nós continuamos por aqui, lutando sob o legado dele e de tantos outros para nosso amado país.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

downtown

Música bastante conhecida na voz de Petula Clark. Está aqui porque estou cada vez mais perdido em Lost...e porque eu agora conheça uma Downtown para mim.
When you're alone, and life is making you lonely
You can always go
Downtown

When you've got worries, all the noise and hurry
Seems to help, I know
Downtown

Just listen to the music of the traffic in the city,
Linger on the sidewalk where the neon signs are pretty
How can you lose? The lights are much brighter there...
You can forget all your troubles; forget all your cares, and go
Downtown -- things will be great when you're
Downtown -- you'll find a place for sure
Downtown -- everything's waiting for you

Downtown .... Downtown...

Don't hang around, and let your problems surround you,
There are movie shows
Downtown
Maybe you know some little places to go to
Where they never close
Downtown
Just listen to the rhythm of a gentle Bossa Nova
You'll be dancing with 'em too before the night is over,
Happy again...
The lights are much brighter there,
You can forget all your troubles; forget all your cares, and go
Downtown -- where all the lights are bright
Downtown -- waiting for you tonight
Downtown -- you're gonna be all right now...

Downtown...Downtown...Downtown...

Downtown!

Downtown!

And you may find somebody kind to help and understand you;
Someone who is just like you and needs a gentle hand to
Guide them along...
So maybe I'll see you there,
We can forget all our troubles; forget all our cares, and go
Downtown -- things will be great when you're
Downtown -- don't wait a minute more
Downtown -- everything's waiting for you...


terça-feira, 17 de julho de 2007

o destinatário sabe...

Como é capaz de me dizer tanto sem pronunciar sequer uma palavra? Se busco parecer indiferente a você, minto, pois sua mensagem, somente eu a recebo dessa forma que não ouso tentar descrever. Na realidade, ela sou eu.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

verídica, infelizmente

Madrugada, poucas horas para o início do dia. Uma vizinha bate à porta de uma família muito amiga sua, em total desespero. Ele pede ajuda, ainda que em prece. Diz que sua filha, que estuda no interior, tinha sido seqüestrada. Em sua casa, estariam conversando com o seqüestrador. Tinham ouvido também a menina, aos prantos. Da casa onde agora todos estão despertos, a mãe sai, acompanhando a abalada vizinha.
Volta alguns minutos depois. Tinham conseguido falar com a garota na casa que divide com outros estudantes. Ela está bem.
Nunca houve seqüestro. Era um golpe.
Tarde da noite.

domingo, 15 de julho de 2007

aos olhos

Entre as nuvens escuras, espessas, havia como que uma pequena fenda, um fio azul em meio ao cinza, quase negro, que faltava pouco para a noite. E lá se via uma estrela.

sábado, 14 de julho de 2007

superman: entre a foice e o martelo

Nesta minissérie em três edições com o selo Túnel do Tempo, o foguete trazendo o bebê que se tornará o Homem de Aço cai na União Soviética, e o kryptoniano cresce como um herói do regime comunista. Quais as conseqüências disso para o mundo? O papel de guardião do socialismo será suficiente para aquele que, em outra realidade, teria sido o maior herói do mundo?
A mitologia do Super-Homem transposta de maneira excepcional para o contexto da Guerra Fria. Também comparecem versões de outros medalhões da DC Comics.
O gibi foi publicado em 2004, eu o adquiri à epoca do lançamento, mas só agora tive a decência de tirá-lo da pilha "a ler". Um ou outro dito popular devem garantir-me o perdão.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

credo

Às vezes, quando os típicos problemas de minha vida, aqueles que a tornam tão unicamente difícil, me assolam e por muito pouco não me deitam ao chão, prostrado, eu queria ter alguém a quem recorrer. Digamos, alguma entidade superior, a quem eu recorreria em prece e, bem, se tudo magicamente não se resolvesse, ao menos magicamente me sentiria mais tranqüilo, mais em paz, por acreditar que minhas palavrinhas teriam chamado a atenção de um deus e de seu exército de bondade e eles olhariam por mim e uma solução para o mal estaria mais próxima. Mas não pode mais ser assim: não sei mais se creio em entidades superiores a se ocuparem dos seres humanos. Seres além da compreensão, caso existam mesmo - é uma questão sobre a qual prefiro não me manifestar - teriam mais e melhor a fazer que ocupar-se do coitado e arrogante ser humano, que por montar umas pecinhas de matéria e por mudar tudo ao redor para uma vida confortável para si mesmo se julga tão inteligente. Ora, se é tão esperto assim, que aprenda a cuidar melhor de sua saúde mental, mandando às favas o pânico paralisador. O problema é seu, e não da natureza, de Alá, de Baal, ou qualquer outro equivalente. O homem precisa ter força. Eu preciso ter força. E competência.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

quarteto fantástico e surfista prateado


Nos cinemas, a Marvel decidiu: Quarteto Fantástico não é para ser levado a sério. Enquanto cinesséries como Homem-Aranha e X-Men têm apresentado equilíbrio entre seqüências de ação e momentos dramáticos, garantindo momentos memoráveis e que valem a revisita, as aventuras da família fantástica são marcadas por um clima leve, descompromissado, situações engraçadinhas surgindo mesmo nos momentos de maior tensão, como se assistíssemos a algum sitcom estrelado por superpoderosos. Ou ainda, já que falamos de filmes, a alguma inócua sessão da tarde. Duro é pensar que havia potencial para mais.
Os pequenos dilemas humanos dos quatro protagonistas são tratados de forma rasa - mesmo para um filme de justiceiros fantasiados. Ficamos sabendo que Sue, às vesperas do casamento, anseia por uma vida normal, sem supervilões ameaçando sua felicidade. Reed, o noivo, tenta conciliar os deveres com sua amada e as exigências de trabalho à sua mente privilegiada. O imaturo e mulherengo Johnny observa Ben e Alicia juntos e sente falta de um relacionamento do tipo em sua vida...mas são informações randômicas em meio às piadas.
Está bem, a receita "divertidinha" funciona no filme anterior, ainda que de maneira irregular, e na primeira metade dessa seqüência, garantindo diversão satisfatória - mesmo a troca de poderes rendeu bons momentos - mas a coisa desanda após o retorno do Doutor Destino, justamente quando deveria esquentar. Nos gibis, ele é um vilão espetacular, inteligente e de fala pomposa(?). No filme, Destino é só um cara com ar arrogante e sacana. A canastrice do ator também não ajuda.
A grande decepção, porém - grande mesmo - é Galactus. Concebe-se o Devorador de Mundos no filme como uma nuvem cósmica na qual apenas se vislumbra, por um breve instante, a silhueta do capacete utilizado pelo gigante antropomórfico dos quadrinhos.
Mesmo o Surfista surge subaproveitado. Visualmente, ele é um primor, como já se via nos trailers. Grande trabalho foi feito em mesclar o gestual de Doug Jones e a voz (alterada) de Laurence Fishburne para a composição do personagem. Mas ele mesmo é raso, como quase tudo no filme. Um personagem cujo nome está no título da produção poderia ter um background mais interessante.
Não falha a memória, Sue diz algo sobre a família cansar. E ela está certa. O modo Quarteto Fantástico de fazer filmes não segura uma série sólida de longas-metragens, ao contrário de cinesséries de heróis mais bem-sucedidas, justamente por terem mais a oferecer. A decisão sensata, em termos criativos, sem levar em conta somente lucro fácil, seria parar neste segundo filme. Melhor sorte a outros heróis - Surfista Prateado é uma boa opção. Para dar certo, o ideal seria reaproveitar a dobradinha Jones-Fishburne e, sobretudo, levar o personagem um pouco mais a sério.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

pedido especial

por um motivo também especial...

Agora que o mundo todo se recolhe, peço-lhe também que descanse. Encolhido diante de sua cama, em silêncio, suplico que sua vida encontre paz. Em silêncio, pois sei que minhas palavras, não é capaz de compreendê-las. Afinal de contas, não sei realmente se é você quem necessita de paz, pois, no fundo, não tem culpa por seus arrebatamentos. Se eles simplesmente ocorrem, não faz sentido exigir qualquer controle. Não há. Isso é você. Isso é sua vida e é impossível saber seu nível de consciência a respeito dela. O correto talvez seja pedir não por você, mas por mim. Pedir por algo sobrehumano, sobre mim, que me permita maior aceitação e uma melhor vida a seu lado. Chega a noite e o mundo se recolhe. Que todos descansemos bem e eu acorde melhor e mais capaz. É o que pode ser feito.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

parabéns, Eduardo


Em casa, comemorando o aniversário do meu irmão, anteontem à noite. Ele estava bastante agitado, o que comprometeu o clima de celebração, mas a data não podia passar em branco. Temos aí uma foto - não muito boa, é verdade - e esse bolo estava uma delícia.

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segunda-feira, 18 de junho de 2007

do dicionário André

imperscrutável
Palavra difícil* que se diz de pessoas idem.

*levei um tempão até acertar a ortografia e pronunciar sem dor.

senhor do mal

Wagner Canhedo, ex-dono da Vasp, foi preso em flagrante por porte ilegal de armas em uma de suas fazendas, onde, na mesma operação, feita em conjunto entre IBAMA e Polícia Federal, foram encontrados indícios de crimes ambientais, como desmatamento ilegal e lançamento de esgotos em rios. Canhedo era presidente da Vasp à época da intervenção judicial sobre a companhia, ocasião em que o empresário teve seus bens bloqueados.
Parece coisa de vilão caricato de ficção, que pratica maldades em todos os departamentos. Bem, se há gente ruim no faz-de-conta, é porque existe na vida real.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

cena

Passo por um conhecido - bem, nem tão conhecido assim - e ele me cumprimenta, todo efusivo. E aí, beleza? Faço um sinal de positivo e digo que está tudo tranqüilo. Uma grande mentira, evidentemente. Mas que dia horrível eu tive. Sinto-me tão mal, a cabeça explodindo, os olhos em brasa. Estaria o descontraído colega disposto a ouvir a verdade? Não. Ele só queria parecer educado. E bem humorado. Sua receita para uma vida mais suportável, talvez.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

|aplausos|


O primeiro sudoku que termino. Nada mau para quem pratica tão esporadicamente e conhece o jogo há um tempo relativamente curto.
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quarta-feira, 13 de junho de 2007

what the world needs now (burt bacharach)

Mais que adequada a estes dias...compreende? ;)


What the world needs now
Is love, sweet love
It's the only thing
That there's just too little of

What the world needs now
Is love, sweet love
No not just for some
But for everyone

Lord we don't need another mountain
There are mountains and hillsides
Enough to climb
There are oceans and rivers
Enough to cross
Enough to last
Till the end of time

What the world needs now
Is love, sweet love
No not just for some
But for everyone

Lord we don't need another meadow
There are cornfields and wheatfields
Enough to grow
And there are sunbeams and moonbeams
Enough to shine
So listen, Lord
If you want to know

What the world needs now
Is love, sweet love
It's the only thing
That there's just too little of

What the world needs now
Is love, sweet love
No not just for some
But for everyone

segunda-feira, 11 de junho de 2007

dia feliz

Todos precisam de um dia feliz.


(idéia para um texto, que espero ver concretizada logo.)

sábado, 9 de junho de 2007

uma carta

D.,

Seguramente, deve surpreender o fato de eu lhe escrever uma carta, a qual sequer acredito que lerá até o final, isso se a leitura tiver mesmo sido iniciada. A recente constatação de que não faço mais parte de seu seleto grupo de amigos, reais, virtuais, ou outros, é o que me motiva a redigir tal missiva. Caso contrário, jamais me daria ao trabalho de fazê-lo, ou mesmo de buscar dirigir-me à sua pessoa, o que, em última instância, era sua intenção em seu gesto simbólico, ou nem tanto, de excluir-me de sua existência.
O que coloco em questão é se você tinha o direito de fazê-lo da forma deliberada que procedeu. Não é possível para mim acreditar que se tratou de algum engano pois, sem falsa modéstia, apesar de minha timidez, não sou pessoa de que se esquece facilmente. Eu fico na lembrança das pessoas por uma história ou outra, e muitas vezes essa experiência esta relacionada à música.
Aquele ano de 2004, estávamos os dois no mesmo grupo coral. Você, a descontração em pessoa, em poucos instantes de conversa já fazendo graça com as pessoas. Eu, mais reservado, buscando me concentrar no canto quase como questão de honra. Não que você fosse displicente em relação ao coro, eu que era mais caxias. Além disso, a música espantava minhas recentes preocupações sobre a vida. E eu não podia suspeitar que uma nova fonte de problemas estava prestes a surgir.
A arte, a expressão musical reunindo pessoas as mais variadas imagináveis. Pessoas diferentes. Eis que você me chama atenção. E foi algo sem precedentes em minha vida. Não me culpo pelo que surgiu e, claro, ficou restrito à minha pessoa. Certamente não é de sua conta, e você nem precisava saber disso diretamente de mim, mas já me culpei bastante. Sofri muito. Aquele incidente em C. - por favor, não diga que não se lembra, não acredito - foi o ponto culminante de minha dor. Nada daquilo foi planejado, jamais. Fui um idiota, passei aquela noite quase sem dormir, e por mais alguns dias senti-me o pior dos seres humanos pelo fato de não saber manter-me fiel ao que havia prometido a mim mesmo. E, pior ainda, você parecia ter se assustado demais com o que havia acontecido; que monstro eu era? Por um tempo, acreditei, convencido por você, sabe?, que minhas preocupações eram exageradas. Tinha como certo, entretanto, que deveria esquecer...esquecer...pois as preocupações volta e meia retornavam, será que aquela coisa impensada de C. se repetiria? Isso eu deveria fazer sozinho. E venci. Mas eu queria que você estivesse OK comigo também, será que aquele "cara estranho" ainda merecia algum crédito de sua parte? Então tivemos uma conversa dias antes do Natal, via eletrônica, em que você se despediu dizendo: "foi legal conhecer você esse ano". Era o que eu precisava para ter boas e tranqüilas festas, principalmente porque pareciam palavras tão sinceras.
Terminei aquele ano, depois de enfrentar uma boa leva de atribulações (...), confortado com a idéia de que, malgrado meu grande "erro" de enxergar você como uma pessoa especial, você ainda me considerava um colega. Logo o tempo cuidou de desfazer tão errônea impressão. Assisti, calado, a seu primeiro gesto unilateral de cortar laços comigo, limando-me de seu MSN. Eu disse a mim mesmo que talvez tivesse sido melhor assim, que o correto seria evitar ao máximo o surgimento de novos embaraços para ambos; que nos encontrássemos apenas casualmente (...) e nada mais. Assim se fez, e logo aquele sentimento maluco tornou-se mais uma em minhas lembranças, parte de um passado definidor, mas antes de tudo passado.
Então, inesperadamente, veio o desagradável. Este ano, escrevi-lhe em seu aniversário, usando de um tom afável, e tudo que recebi em troca foi silêncio e, como vim a saber depois, a certeza de que a presença de algo que remetesse à minha pessoa em seu mundo particular não era bem-vinda.
D., virou-me as costas como se eu nada fosse, você que, de maneira incomum - estou ciente de que você usaria outro adjetivo, um capaz de me atingir - você que foi o que foi para mim.
Agora mesmo, estou falando de coisas que jamais me veria dizendo a você, se é que você está de fato acompanhando estas palavras; poupei você de ouvi-las, sofrendo sozinho quando mais a verdade em mim se fazia arder, por volta de três anos atrás. Passada a maior das dores, reergui-me, pronto a seguir com minha vida, tornando você apenas uma recordação casual, que me fazia rir em minha própria tolice. Então, em sua atitude de varrer o único e remoto contato comigo - com o que fui? - a ferida é reaberta. Era impossível ficar calado, não me desculpe.
Não lhe peço, de forma alguma, que goste de mim, que me considere parte de sua vida em qualquer sentido. Não o pedi no ano em que nos conhecemos e não o faço agora. São outros os tempos, eu sou outro. Sequer exijo que você desfaça o que fez, não sem que sua consideração pela minha pessoa seja realmente sincera. Sua atitude aparentemente amigável já me levou a cair em erro uma vez, por que devo acreditar que tal coisa não se repetiria? Por que duvidar que, em seu sentimento, ao qual me ocorre um nome aqui, mas não quero rotulá-lo, você me enxerga como alguém inferior, indigno de sua atenção? Talvez até mesmo menos que humano? Afinal, sempre fui um "cara estranho", não é verdade?
Não, D., não preciso de quem me menospreze; em meus caminhos achei tanta gente capaz de gostar de mim, de me respeitar de fato, de ao menos tentar me compreender. Não estou lhe implorando que faça o mesmo. Só quero postar-me diante de você e dizer, conste que. Conste que existo. Conste que vivo. Conste que sou ser humano, falível, inteligente, capaz de sentir. O mais engraçado é que, se você tivesse ficado na sua, sem tentar me espantar como um mosquito, eu jamais teria sentido necessidade de ter feito nada disso.
Não vou cobrar nenhuma resposta a esta carta, nem sei se ela vai ser lida. Simplesmente faça o que sua consciência sem rótulo mandar.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Auditório, como estava o centro de São Paulo ontem, auditório??




ASSIM, Ó!!!

exposé

minhas mãos contra seu corpo
minha língua em seus ouvidos
meus lábios se movendo...
você sente o que quero que sinta.
você me sente.
Eis minha verdade revelada.
Como é pra você?

insignificante

Um mosquito de aspecto incomum na parede.
A reação instintiva é matá-lo.
Mas por que fazer mal ao bicho? Ele apenas procura sobreviver em um mundo de humanos que seus ancestrais não conheceram.
Por outro lado, e se ele for vetor de alguma doença? Digamos, dengue?
Melhor não arriscar.
O golpe não o mata. O inseto voa apressado para outro canto. É o instinto de autopreservação.
Talvez ele sequer tenha sido atingido.
É quase como se fosse dito que ele não deve morrer.
Nova pancada.
Menos um mosquito no mundo.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

notas para o dia menos frio em sabe lá quanto tempo...

Já chega de frio, não?

Pessoas fofas, não fiquem espantadas por eu não ter postado nada ontem, Dia Mundial do Meio Ambiente. Não me ocorreu nada a dizer, foi só isso, meu lado ecólogo não morreu. Até assisti a um programa legal sobre o impacto das ações humanas sobre o mundo natural no NatGeo. O tema não me cansa.
Mas não resisto e acabo fazendo um comentário: com o frio que anda fazendo, eu incrivelmente não percebo a quantas anda a umidade do ar. É só sair de casa, porém, e dar de cara com aquela faixa acinzentada no céu para sentir o drama.

Olha, tenho evitado fazer o gênero não-vi-e-não-gostei, mas algumas coisas merecem desprezo prévio. Um exemplo é Gilmore Girls, batizado por aqui como Tal Mãe, Tal Filha quando o SBT exibiu alguns episódios e depois tirou do ar, como sempre faz. Eu vejo as chamadas da série e digo a mim mesmo, "cara, isso é muito ruim". Daí, estou comemorando o final do seriado, a ser exibido esta semana (hoje?). Vai tarde, essa bobagem.
Outra que estava para ir à terra dos pés juntos era The OC...mas essa eu até vi alguns pedacinhos antes de começar a detestar. Adolescentes riquinhos e suas vidinhas não tão cor-de-rosa...zap!
Por outro lado, eu acompanho, e me divirto fazendo isso, Desperate Housewives, a vida bagunçada de donas de casa aparentemente típicas dos subúrbio norte-americanos e obviamente loucas por Botox. Questão de gosto, mesmo.
Dois dias, dois filmes apenas medianos.
Os Infiltrados merecia o Oscar? Não! Tecnicamente, o filme é um primor, Jack Nicholson é Jack Nicholson e mesmo DiCaprio está bem, mas estamos anos-luz de um filme realmente memorável. Scorsece ganhou foi um prêmio pelo conjunto da obra.
Agora, O Pagamento não tinha muitas chances, mesmo. Nem o fato de ser adaptado de uma obra de Philip K. Dick - dos livros dele saíram Blade Runner e Minority Report - nem a presença de Uma Thurman contrabalançaram o peso de um John Woo pouco inspirado e do sempre insosso Ben Affleck. Mas é possível assistir até o final.
Preciso de um filme bom de fato. Se a minha companhia não der furo, vejo Extermínio 2 hoje. Nesse estou botando fé.

segunda-feira, 4 de junho de 2007

fora de si

Veja, assim, a vida como um ciclo; grande, pequeno, isso é questão de perspectiva. Veja o ciclo, está bem? Imagine a sua primeira paixão, aquela pessoa que fazia você se sentir um completo idiota quando você estava diante dela sem razão lógica - você estava apaixonadinho, né? Mas isso passou, sabe como são essas coisas de adolescente. A vida seguiu, você fez coisas que jamais teria imaginado em seus idos, tenros anos, tornou-se o adulto de hoje. Apaixonou-se outras vezes e foi menos azarado nessas ocasiões, aprendeu umas coisinhas sobre o amor e demais tópicos relacionados. Aprendeu, aprendeu e...ei, passando logo ali na frente de casa, não é aquela pessoa? A primeira? Dando sopa? E agora pense, e se toda minha experiência até agora, eu não a acumulei para viver feliz-feliz ao lado de quem, veja só, estava destinada a ser minha - e eu dela! - há tanto tempo?
Conseguiu visualizar a situação? Foi fácil?
Você chegou a vislumbrar a possibilidade de a coisa acontecer de verdade?
Então, leitor(a) querido(a), peço-lhe que cresça. Isso é um conto de fadas teen dos mais sem-vergonhas. É duro engolir que pessoas tão calejadas na vida possam acreditar que uma história dessas possa se concretizar em nosso plano de realidade...num cinema perto de você, quem sabe?
E pare de pensar nisso! Agora! Já se vão o quê, quinze minutos suspirando e rindo feito besta? Faça-se o favor!

sexta-feira, 1 de junho de 2007

mercadolivre...

Someone is there, waiting for my song
I'm only looking for someone who sings along.
when all my dreams, finally reach yours
we will uprise and maybe find our true love,
we will uprise and maybe find our true love.

Alguém tem o que você procura, alguém procura o que você tem.

Será?

terça-feira, 29 de maio de 2007

ego e nada mais

A verdade é que ninguém se importa. Não existe nada além do próprio nariz. É irrelevante a quem quer que seja se você está concentrado em sua leitura, se fumaça de cigarro é fumaça, se aquele som incomoda. Um esbarrão na rua não é motivo para se desculpar com alguém. A pessoa à frente, ou logo atrás, tem pressa e pronto.
(...)

águas rasas

Há uma música, obscura mas legal, chamada What I Am, gravada por Edie Brickett, que contém os seguintes versos, já traduzidos livre e literalmente para o nosso belo idioma:

Afogue-me nas águas rasas
antes que eu vá muito fundo

Faz sentido, isso, pra alguém? Porque, para mim, fez hoje...e até agora, não era mais que umas palvavras opostas entre si colocadas numa mesma frase pra...pra quê? Mas hoje, como dito, fez sentido. Até demais. É que enxerguei uma relação dos versinhos com meus próprios pensamentos, anseios, percepções, etc. Que gente varrida!, eu e quem fala de mim.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

todos latino-americanos!

Do UOL, pelo Reuters.

"A empresa de pesquisa Datanalisis mostrou que quase 70 por cento dos venezuelanos são contra o fechamento (da emissora RCTV), mas a maioria citou a perda das novelas favoritas como motivo, e não preocupações com a limitação da liberdade de expressão."

amores perdidos

Choremos os amores perdidos...lamentemo-nos pelo que jamais se repetirá. Não se repetirá, a não ser assim, em flashes diante de nossos olhos dos tantos beijos, das carícias que bem podiam ter nos percorrido indefinidamente, difícil seria saber se era o tempo ou o corpo que jamais acabava. Ainda agora, sentimos aquele abraço nos apertar, e é só a triste lembrança de que aqueles braços não mais tornarão a envolver-nos. Repassemos as promessas que não se fizeram cumprir, as verbais e as mais eloqüentes que palavras. Que o digam estas lágrimas...sim, pranteemos os amores perdidos, por tão difíceis de serem apagados da memória, e do corpo. Choremos o que se foi e vamos sair à procura de novas paixões, sob as quais pesarão as terríveis incertezas, que as decepções, as perdas, as lágrimas, podem voltar a surgir, mas nada podemos fazer a esse respeito, amor não é algo que assim se rejeite buscar, encontrar quem sabe, é ainda pior viver sem esperança de achá-lo. Em que pese ao temor da perda.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

douglas adams tem algo a dizer sobre mim...

"Na verdade, estou começando a agir de forma bastante estranha, ou talvez não esteja realmente começando a agir estranhamente, mas começando a agir de uma forma que é estranhamente diferente das outras formas estranhas como eu realmente ajo."

terça-feira, 22 de maio de 2007

quem

Mas quem livrará o homem daquilo que é mais que ele pode suportar? Quem será capaz de pôr em seus lábios as palavras que lhe garantirão a bem-aventurança? Em verdade, qualquer pequena graça ser-lhe-ia o maior dos gozos, tamanha é sua atribulação.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

de não dormir

Triste mal é a insônia. Querer, mais que tudo, dormir e não ser capaz de. Pois o sono é o descanso do mundo. Livrar os ombros, ter afrouxados cabrestos, aplacar chamas. Para despertar e tudo de novo outra vez, renascido. Basta recolher-se ao leito e cerrar os olhos. Não para o insone. Mas há algo pior que a incapacidade. A impossibilidade. A obrigação de permanecer em vigília. Ter de manter desperto um corpo que precariamente sustenta erguidas as pálpebras, quando todo o resto está por se entregar. Afinal, para que mostrar esses olhos vermelhos...? Vive mal quem perde o sono, qualquer seja o motivo - embora os que o fazem forçados vivam das piores torturas. São horas que não se deveriam suportar.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

amador

Sou novo no amor. Recém-iniciado. Por esse motivo, faz-se por bem relevar minha nítida inabilidade ao tocar no referido assunto. Mas urge falar de amor, urge falar, uma vez que antes calava-me justamente por não haver comentários.
Amar, amar é muito fácil. È que é natural. Porque não se esquece. Tudo, a todo momento, lembra-me o amor. Palavras, gestos, cores, formas, odores, aromas. Estimulem-me e tragam-me a presença do amor à mente. Até totais desconhecidos o fazem. Em parte porque o amor me era um desconhecido também. Em parte que há ainda pequeno vestígio daquela inquietação antiga, de uma busca quase invariavelmente inglória, que a beleza externa de quem passava me fazia lembrar em dor. E agora? Tenho o que preciso, o que os olhos trazem não me angustia, não inquieta, não faz buscar outro, mas me conforta: tenho o amor de que preciso.
Se pareceu pouco é porque mal comecei.

hein?

Quisera eu demolir as pedras desta caverna a que estou confinado a fim de permitir à luz do sol invadir tudo. Quem disse que deveríamos nos emparedar, afinal?
"Calaboca bixinha. Tah kerendo pagar de gatchynha pra cima da bunitaki? Tah bowa? Chupa kiridjinha"

terça-feira, 15 de maio de 2007

viver em dúvida

Ao ser humano, a dúvida. Tendo se tornado tão inteligente, capaz de pensar, medir suas decisões, essa maravilha da natureza, o Homo sapiens sapiens (a repetição é para afastar dúvidas?) adquiriu ampla, às vezes quase covarde, vantagem sobre qualquer outro animal nesta Terra para lidar com o novo. Penso, logo existo, e se me adapto, sobrevivo, e sobrevivo bem. Mas a tal capacidade de raciocínio pode ser uma maldição. Pois existe sempre a possibilidade de, raios, as escolhas seguidas se revelarem as mais erradas e, racionais que somos, é provável nos fixarmos no "e se...?" a ponto de temer decidir sobre qualquer assunto, do mais corriqueiro ao mais vital.
Viver em dúvida por acaso é viver? Quem é bem-sucedido na vida, humano ou não, corre riscos. É ousar para ser feliz.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

com o papa veio o frio

A chegada do chefe de Estado do Vaticano e suprema autoridade da Igreja Católica promete alterar a rotina dos paulistanos, fiéis - praticantes e afastados - ou não. E coincidiu com uma abrupta mudança no clima que derrubou a temperatura agradável dos últimos dias em muitos graus. É como se o tempo quisesse se adequar ao visitante. Um absurdo, evidentemente; uma pessoa, por mais influente que seja, não nos obriga a tirar do armário as vestimentas mais pesadas, mas por que não aproveitar a circunstância para pensar sobre esta ilustre vinda?
Bento XVI, o papa, não é das pessoas mais carismáticas. Convenhamos! Na comparação com seu antecessor, João Paulo II, homem vigoroso e de fala mansa - ao menos, até começar a definhar até o triste fim diante de nossos olhos - o visitante de hoje perde feio. O pontífice atual, na realidade, é mais lembrado por suas declarações de cunho conservador, daquelas que confirmam a muitos de nós o quão distante está o pensamento da cúpula católica em relação à realidade do mundo (evita-se o uso do adjetivo "mundana" para não causar falso entendimento).
Aí chegamos a um ponto interessante. O número de católicos vem caindo, e os que abandonam o rebanho do papa não necessariamente se tornam evangélicos, como se poderia supor, mas também escolhem outras crenças distintas, ou simplesmente não seguem mais religião alguma. Seja qual for o caso, temos uma situação em que o catolicismo tenta melhorar sua imagem. E um dos motes da visita de Bento XVI a nossas terras é a canonização de Frei Galvão. Sim, um santo brasileiro, e ainda por cima o primeiro deles. Um belo golpe de marketing. Mas o dito popular está correto, já que esse santo de casa não fará milagre algum. As posições da igreja continuarão as mesmas. O pessoal do Congresso disposto a levar adiante um plebiscito sobre a legalização do aborto vai ouvir a sua. Idem para os "fomentadores da promiscuidade" que levam educação sexual a alunos pré-adolescentes e distribuem preservativos por aí a quem quiser usá-los.
Papa no Brasil é megaevento, uma benção a quem a toma como tal. Contudo, mesmo parando o trânsito e provocando comoção coletiva à maneira, digamos, de um popstar, a igreja é a mesma de sempre, que ninguém se engane. E isso não é uma crítica. Cada um tem suas crenças. Os chefes católicos possuem suas próprias convicções e, baseados nelas, tomam decisões sobre a instituição que governam. Com certa frieza, pode-se notar.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

pedra

Tenho uma pedra no bolso de minha blusa favorita. Minhas intenções, evidentemente, são belicosas. Quero meu melhor arremesso. Meus inimigos, aqueles que desejo atingir, não possuem rosto definido, ou mesmo um traje em comum que os defina como tais; suas atitudes identificam-nos. Faz-se desnecesssária uma observação mais atenta, não há disfarces, camuflagens sob as quais enxergar. Assim, toda minha concentração volta-se para a pedra que agora manuseio. Sinto sua aspereza enquanto a faço caminhar sob meu punho cerrado, cócegas nos dedos e na palma da mão. Ela, a pedra, é suja, recoberta de areia que já foi também rocha e de poeira incapaz de me contar sua vasta história, da qual prender-se em meus dedos é mero apêndice numa biblioteca de volumes sem conta. A pedra abandona minha mão. Ou antes eu a abandono, não sei qual direção ela toma, não a vejo, a fim de não me denunciar. Jamais saberei se minha odiosa vontade se concretizou.

lost tem seu final marcado!

Acabei de ler. Olha, adoro a série e coisa e tal, e é exatamente por isso que estou vibrando com a notícia. Se os produtores se mantiverem fiéis à data estipulada, maiores são as chances de a série passada na ilha mais louca do mundo ter um final consistente e digno de seu enorme sucesso. Além disso, uma hora, tanto mistério sem resposta cansa. Impossível manter o interesse simplesmente atirando novos enigmas ou adiando soluções para os anteriores. As coisas precisam acabar um dia. Quando o final chegar, quero ter saudades de Lost como um todo, não somente das temporadas mais antigas.

terça-feira, 1 de maio de 2007

compra de vagas

Que o caminho para estudar numa universidade conceituada é mais fácil para os endinheirados, é fato incontestável. Mas as notícias divulgadas ontem sobre um esquema de compra direta de vagas em faculdades de medicina, públicas e particulares - o valor praticado por uma cadeira nas primeiras seria mais elevado - mostram em nossa já terrível realidade um lado ainda mais sombrio.
Feita a devida articulação, alunos já matriculados em escolas de medicina prestariam vestibular novamente em nome dos filhos de quem os contratou para tal, pela quantia de seis mil reais. Quantia que, se bem pensarmos, não é grande coisa para esses bem nascidos. Não há espaço para ética na mente desses criminosos, e vemos uma suja perpetuação de privilégios. Sem contar que o profissionalismo de tais futuros médicos, tanto mercadores quanto consumidores de vagas, é desde logo altamente questionável.

?

Que aconteceu? Antes você falava mais...sempre arrumava alguma coisa pra dizer, com esse seu jeito meio diferente de dizer...mas agora...nem isso!
O que está errado? É algo de que você não esteja disposto a falar? E que, nesse esforço doido de deixar a coisa guardada, nada mais sai?
...
Fez um dia tão bonito hoje.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

make your own kind of music

Mais uma da seção "músicas que não saem da cabeça". "Mama" Cass Elliot canta, e é fácil adivinhar onde eu a ouvi pela primeira vez.

Nobody can tell ya
There's only one song worth singing
They may try and sell ya
Cause it hangs them up to see someone like you

But you've gotta make your own kind of music
Sing your own special song
Make your own kind of music
Even if nobody else sings along

You're gonna be nowhere
The loneliest kind of lonely
It may be rough going
Just to do your thing's the hardest thing to do

But you've gotta make your own kind of music
Sing your own special song
Make your own kind of music
Even if nobody else sings along

So if you cannot take my hand
And if you must be going
I will understand

You've gotta make your own kind of music
Sing your own special song
Make your own kind of music
Even if nobody else sings along

You've gotta make your own kind of music
Sing your own special song
Make your own kind of music


terça-feira, 24 de abril de 2007

segunda-feira, 9 de abril de 2007

clima 2

Tempo indeciso durante todo o dia: uma hora, raios de sol incidiam sobre o solo sem obstáculo visível, tornando mais belo o que nasceu para brilhar; no momento seguinte, nuvens espessas e carrancudas obstruíam nossa visão do céu, e com elas vinha um ventinho frio típico dos dias mais tristonhos. Até umas gotas de chuva caíram, pouquíssimas, pelo curto espaço de um minuto - talvez menos - servindo apenas para assustar quem tinha roupa no varal. A água veio, mas é como se tivesse desistido de molhar qualquer coisa.
Aí o céu tem essa simultaneidade de tons claros e cinza que é adorável, dizendo que tudo pode acontecer, mas nem acontece nada.