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domingo, 1 de junho de 2008

como no primeiro mundo. como, no primeiro mundo?

Foi inaugurado ontem ao público o Shopping Cidade Jardim, localizado na Marginal Pinheiros, entre as pontes de acesso à Avenida dos Bandeirantes e a novíssima ponte estaiada. Não ainda a pleno vapor; muitas lojas ainda estão fechadas ou mesmo em obras. Atrás do shopping estão também em construção quatro edifícios, a se tornarem os mais altos da cidade.
Não estive na inauguração, obviamente. De fato, adentrar o lugar não está em meus planos em tempo algum. Nem se eu fosse absurdamente endinheirado. De quantos templos de consumo extravagante a cidade ainda precisa? Há a monstruosa Daslu sem acesso para pedestres do outro lado da Marginal, onde também se constrói o futuro shopping de Vila Olímpia - numa área de trânsito complicado - e os já veteranos (e vizinhos) Morumbi e Market Place não estão longe.
Foi pelo jornal de hoje que soube da abertura do shopping, com o qual não simpatizo desde o início das obras. Quase todos os visitantes adoraram a sensação de estar no "primeiro mundo", torrar dinheiro como se estivessem em outro país. Pois fazê-lo com a imagem de um Brasil na cabeça não deve ser tarefa fácil, por mais "elite" que o visitante do shopping se sinta. Quando as obras estiverem completas e o cheiro do Rio Pinheiros não se insinuar tanto no local, como agora acontece - segundo o jornal, sempre - talvez a atmosfera primeiro-mundista se construa mais facilmente.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

mundo

É de ontem, vocês se incomodam? E um tanto clichê, também.

Bush pedirá ao Congresso 70 bilhões de dólares para a guerra em 2007

Ah, se não fosse tão necessário fazer a guerra, sempre, fico pensando, o que se poderia fazer com uma dinheirama dessas. Teria de ser algo igualmente lucrativo, sem dúvida. Já se ouviu falar em pessoas passando fome, mas buscar uma solução para esse leve embaraço não encheria os bolsos de capitalista algum.

sábado, 12 de janeiro de 2008

pague-se

E sob o pretexto de destinar mais recursos à saúde pública, há alguns anos foi criada a contribuição hoje conhecida por CPMF. Isso faz uns dez anos. Era para ser algo provisório, está até no nome. A seu favor, além da boa causa da saúde, dizia-se que era imposto impossível de sonegar.
Na época da CPMF a dengue voltou. Voltou para valer. Algo faltou, então. provisório da CPMF era prorrogado e prorrogado, um dinheiro de que o governo dizia não poder abdicar.
Agora, comemora-se por aí o fim da infame contribuição, um dinheiro a menos que o cidadão deve ao Estado. Muito se discutiu para a eliminação, ou não, depende se falamos de oposição ou governo, desse único imposto. E já pagamos outros tantos, mas ninguém se empenha em rever a quantidade desses tributos sobre tributos. Ou de coibir a temida sonegação que não alcançava a contribuição defunta.
Hoje, um surto de febre amarela se avizinha em nossas cidades. Com ou sem CPMF, é um risco real. Enquanto isso, continua-se pagando, continua-se falando demais.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

patch adams no roda viva

Meu primeiro contato com esse simpático senhor e seu trabalho, a que o rótulo "medicina humanizada" pode parecer pouco eficaz, como é comum quando se rotula, mas não deixa de ser um começo.
Todo mundo deveria ter visto a entrevista de ontem. Todo mundo mesmo. Adams dá palestras por universidades mundo afora; porém, no meio acadêmico as pessoas pensam a todo momento - ou deveriam fazê-lo - então talvez seu discurso humanitário, aquele que vai além da já mencionada humanização nas relações médico-paciente, não seja tão impactante como na televisão.
O choque causado pelo doutor começa pela sua indumentária: brinco em forma de garfo, camisa florida e calças vermelhas largas como as de palhaço. Que ninguém se engane com esse ar bufão: mesmo em momentos mais descontraídos, a fala de Patch Adams é contundente. Ele inicia criticando o filme baseado em sua vida, estrelado por Robin Williams, que reduz seu trabalho à máxima "rir é o melhor remédio". A cinebiografia pode ter aumentado, e muito, as contribuições financeiras a seu hospital modelo nos Estados Unidos, onde se atende de graça, mas não passa de uma, digamos, hollywoodianização de seus ideais.
E o médico com cara de palhaço se revela um grande provocador. Ele afirma que a indústria farmacológica é nefasta, que os grandes hospitais não são nada além de grandes instituições comerciais/financeiras. O sistema de saúde norte-americano exclui automaticamente 50 milhões de pessoas porque elas não possuem dinheiro.
Adams não se restringe à medicina, uma vez que a mudança de atitude que ele exige dos médicos deve valer para todos. E os petardos continuam. Noventa por cento dos americanos não pensa. As três pessoas mais ricas do mundo possuem renda igual à das 48 nações mais pobres. Torcer por multimilionários jogadores de futebol é uma lastimável perda de tempo - ele se referia ao football, mas nada impede de aplicarmos isso ao "nosso" soccer. Pessoas ricas que nada fazem além de se exibir são completamente vazias. Ele nos exorta várias vezes à questão da Amazônia.
Patch Adams: o capitalismo é a pior coisa que já aconteceu ao mundo!!!
A televisão fica pequena e tímida diante das idiossincrasias do doutor. Ele não tem controle. Fala palavrões e põe convidados e entrevistadores a cantar. Em certo momento, levanta-se da cadeira, arregaça as pernas da calça para mostrar o personagem que interpreta ao apartar - com sucesso em 100% dos casos, segundo ele próprio - brigas entre pessoas que nunca havia visto. Sim, aquelas desentendimentos para os quais qualquer outro ser humano dá as costas. É a revolução de Adams.
Em cada gesto, em cada palavra, a segurança de quem acredita no que está fazendo, que é possível um outro mundo, baseado em fraternidade, cordialidade, amor incondicional, em vez deste nosso corroído pela ganância por poder e dinheiro, e há fome e miséria ali ao lado.
E se todo mundo tivesse visto essa entrevista...todo mundo mesmo...e repensasse a vida...por que não?

terça-feira, 9 de outubro de 2007

mansão e quebrada

Olá a todos. Sou uma celebridade. Tenho uma ONG, mas quase ninguém sabe. Acima de tudo, forneço entretenimento gratuito à nossa população. Por conta disso, sou extremamente capacitado a escrever umas linhas bem mal escritas num dos jornais de maior circulação do país esbravejando indignado com uma injustiça que me ocorreu - outras pessoas escreveriam em blogs, mas para mim isso é pouco. A essa altura duvido que alguém não saiba do que me aconteceu de tão grave, dado o meu status de pessoa pública, mas repito mesmo assim: eu senti na pele a violência desse país. Fui assaltado, levaram meu relógio, podiam ter tirado a minha vida, a vida de uma celebridade, o povo me choraria nas ruas, o Jornal Nacional e outros veículos de comunicação exaltariam meu legado, deixariam claro quanta falta eu faria ao povo, a meus amigos. Registrariam o luto de minha família célebre, meus anjinhos, abalada para sempre pela maior das tragédias. Só digo uma coisa: algo precisa ser feito. O Brasil, do jeito que está, não dá.



É nóis. Sou da favela. Ergo-me como a voz de uma periferia massacrada, oprimida por quem mais deveria cuidar dela. Dar casa decente, escola boa, emprego e tal. Mas não cuida. Aí a gente tem de lutar. Primeiro a gente tem de aprender a dizer que tem orgulho que é da periferia, usar tipo um símbolo para deixar claro. A patente, deixa que eu registro. Porque a gente não está só confinado nos bairros distantes em que o sistema nos fez morar. A gente sai, trabalha longe, vê o mundo também. É atravessar a ponte e chegar aos lugares onde as pessoas vivem bem, têm as coisas que querem porque têm como comprar. Só que a gente quer isso também. Às vezes é complicado arrumar dinheiro para se manter apenas, mas só isso não basta. Eu acho que, para conseguir isso que o rico tem tão fácil, qualquer coisa é justificada. Até tirar a força de quem tem sobrando. Está sobrando, mesmo. É um negócio em que todos saem ganhando. Aponto a arma na cara do riquinho ali, ele me dá o que eu quero. Ele continua vivo e o mano arranja alguma coisa legal que pode ficar para ele ou virar dinheiro para outra coisa mais bacana. Talvez até dinheiro para financiar mais roubos. O que não importa, afinal; o riquinho vai sempre ter sobrando. Ah, e como eu sou controverso, sou polêmico, a voz da favela, apareço no jornal defendendo essas idéias.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

crianças trabalhando

Ontem saí de ônibus e no meu trajeto deparei com três crianças, uma na ida e duas na volta, vendendo doces no interior do coletivo. Assim, como um adulto faria, estendendo uma mercadoria à mão de cada passageiro e anunciando seu preço. Só faltou mesmo o tradicional discurso, "desculpe estar incomodando a viagem de vocês", e coisa e tal.
Não são as primeiras nem as últimas crianças a serem obrigadas a trabalhar, mas nunca antes a exploração infantil me deixou tão indignado. Devo ter me imaginado no lugar delas, perdendo meus primeiros anos queridos. Por pouco não disse à primeira garotinha que ela não deveria estar fazendo tal coisa. À ocasião, eu até aceitaria um daqueles pacotinhos de balas, mas me recusei a comprar, com a convicção de que não ajudaria a manter aquela injustiça.
Minha infância foi muito feliz; em minha época, inclusive, custei a aceitar que ela estivesse chegando ao fim, mas isto é outra história. Se fui tão feliz em minha meninice, era principalmente porque gozava de total liberdade para ser uma criança de verdade: sonhadora, despreocupada, curiosa, alegre. Poupado de maiores compromissos ou atribulações. Sim, pois estes cabem à vida adulta. E tirar de uma criança o que ela possui de mais autêntico é desnecessário ato de apressar o curso da vida, além de crime dos mais absurdos. Sem dúvida, há no mínimo um adulto por trás de cada inocente pequeno vendedor de rua, pedinte, o que for. No mínimo um contraventor. Tratar-se de alguém da família, então, só piora as coisas.
A infância não pode ser perdida em nome de mais alguns trocados para ajudar a sustentar a casa. Pais, arranjem-se de outra maneira, pois esse é seu papel: preservar, física e moralmente, seus pequenos. O que tiver de ser aprendido sobre a dureza da vida, o será em seu devido tempo.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

verídica, infelizmente

Madrugada, poucas horas para o início do dia. Uma vizinha bate à porta de uma família muito amiga sua, em total desespero. Ele pede ajuda, ainda que em prece. Diz que sua filha, que estuda no interior, tinha sido seqüestrada. Em sua casa, estariam conversando com o seqüestrador. Tinham ouvido também a menina, aos prantos. Da casa onde agora todos estão despertos, a mãe sai, acompanhando a abalada vizinha.
Volta alguns minutos depois. Tinham conseguido falar com a garota na casa que divide com outros estudantes. Ela está bem.
Nunca houve seqüestro. Era um golpe.
Tarde da noite.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

senhor do mal

Wagner Canhedo, ex-dono da Vasp, foi preso em flagrante por porte ilegal de armas em uma de suas fazendas, onde, na mesma operação, feita em conjunto entre IBAMA e Polícia Federal, foram encontrados indícios de crimes ambientais, como desmatamento ilegal e lançamento de esgotos em rios. Canhedo era presidente da Vasp à época da intervenção judicial sobre a companhia, ocasião em que o empresário teve seus bens bloqueados.
Parece coisa de vilão caricato de ficção, que pratica maldades em todos os departamentos. Bem, se há gente ruim no faz-de-conta, é porque existe na vida real.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

what the world needs now (burt bacharach)

Mais que adequada a estes dias...compreende? ;)


What the world needs now
Is love, sweet love
It's the only thing
That there's just too little of

What the world needs now
Is love, sweet love
No not just for some
But for everyone

Lord we don't need another mountain
There are mountains and hillsides
Enough to climb
There are oceans and rivers
Enough to cross
Enough to last
Till the end of time

What the world needs now
Is love, sweet love
No not just for some
But for everyone

Lord we don't need another meadow
There are cornfields and wheatfields
Enough to grow
And there are sunbeams and moonbeams
Enough to shine
So listen, Lord
If you want to know

What the world needs now
Is love, sweet love
It's the only thing
That there's just too little of

What the world needs now
Is love, sweet love
No not just for some
But for everyone

terça-feira, 1 de maio de 2007

compra de vagas

Que o caminho para estudar numa universidade conceituada é mais fácil para os endinheirados, é fato incontestável. Mas as notícias divulgadas ontem sobre um esquema de compra direta de vagas em faculdades de medicina, públicas e particulares - o valor praticado por uma cadeira nas primeiras seria mais elevado - mostram em nossa já terrível realidade um lado ainda mais sombrio.
Feita a devida articulação, alunos já matriculados em escolas de medicina prestariam vestibular novamente em nome dos filhos de quem os contratou para tal, pela quantia de seis mil reais. Quantia que, se bem pensarmos, não é grande coisa para esses bem nascidos. Não há espaço para ética na mente desses criminosos, e vemos uma suja perpetuação de privilégios. Sem contar que o profissionalismo de tais futuros médicos, tanto mercadores quanto consumidores de vagas, é desde logo altamente questionável.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

violência, de novo

E ontem foi a vez do Rio. Ao longo do dia, a mídia falou e falou dos ataques "covardes" a alvos policiais e ônibus ocorridos desde a madrugada anterior. Aliás, bastante espertos, os bandidos: suas ações podem estragar o mais badalado réveillon do Brasil - duvido que não ostente esse título, tem cobertura da Globo!
De uma hora para outra, o Rio de Janeiro se tornou perigosíssimo, como aconteceu com São Paulo meses atrás. Nada de revanchismo bairrista aqui. Na verdade, o medo é uma constante para quem mora em qualquer grande cidade brasileira. A situação é mais assustadora ainda em regiões periféricas, mas disso não há necessidade de falar o tempo todo. Vez ou outra, porém, em que a bandidagem decide que o terror deve tomar conta de todos. Neste caso específico, a ordem foi estragar a sua, a nossa festa, a de quem viesse. Talvez não houvesse muito a comemorar.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

aviõezinhos

Só eu acho que vem se dando muito espaço na mídia sobre a questão do tráfego aéreo? Por acaso isso é problema que afete toda a população? Pouquíssimos brasileiros andam de avião. Por outro lado, quando acontece de se reajustar tarifa de ônibus, simplesmente dizem, com dois, três dias de antecedência, vai subir para tanto, aí sobe e não se toca mais no assunto.

terça-feira, 24 de outubro de 2006

polêmica

Deu na CBN. Era uma discussão que peguei pela metade.
Uma senhora, cansada de testemunhar ataques de bandidos a pessoas em filas (INSS? deve ser), resolveu tomar uma atitude. Arranjou um revólver e, diante de novo assalto, ameaçou o criminoso. Como resultado, este foi preso, assim como a mulher. Ela não tinha porte de armas, e aquela que portava, pertencente à filha, estava em situação irregular.

quarta-feira, 16 de novembro de 2005

caviar ameaçado

"Você sabe o que é caviar/nunca vi nem comi eu só ouço falar"

Os versos do Zeca Pagodinho aí em cima se aplicam a mim e a todas as pessoas que conheço...tirando um ou outro amigo rico :)
Acabei de ler no UOL que o peixe que produz o tal caviar - o esturjão - está ameaçado de extinção, devido à pesca indiscriminada. O "lar" dos esturjões é o Mar Cáspio, que banha repúblicas da antiga União Soviética. Nesses países empobrecidos, o desemprego é alto, e uma das poucas formas de obter renda é a pesca, quase sempre ilegal e incentivada pelas máfias locais.
Sem investimento governamental, seja na fiscalização da pesca ou na abertura de postos de trabalho, a tendência é o esturjão sumir mesmo. Bem como o caviar, claro. Mas não é só o caviar (que dizem ser horrível, por sinal) que define quem é rico, mesmo. Do mesmo modo, com ou sem o seu emprego de pôr o esturjão cada vez mais raro (e mais caro) na mesa dos ricos, os habitantes da região do Mar Cáspio vão continuar miseráveis, se não forem assistidos por quem deveria fazê-lo.