segunda-feira, 31 de março de 2008

Que magnífica manhã! Abro a janela - meu quarto dá para o sol nascente - e a primeira saudação do dia é dupla: vem da luz intensa da estrela-mãe há pouco erguida do horizonte, vibrando, espraiando novidade de vida, e de uma brisa fresca, que bem poderia ter dado volta ao mundo durante a madrugada, pois parece trazer agora a paz que envolve o merecido descanso dos seres. Recebê-las assim juntas, é como se algo as infundisse e derramasse o melhor de ambas sobre esta terra, o resultado final é precioso. É fonte a mais segura de necessária renovação para a semana recém-iniciada, sopro para o qual basta içar velas, definir curso e avançar sempre.

sábado, 29 de março de 2008

fotos de celular

Analisando assim, friamente, o telefone celular, nome genérico dado a esse artefato multitarefa que boa parte das pessoas não totalmente excluídas da sociedade de consumo atual possui, o qual também pode ser utilizado como aparelho de telefonia móvel, é uma das invenções mais peculiares da história. Não pelo aparelho em si, mas devido ao retrato que nos revela da humanidade.
E note-se que, num primeiro instante, alguém poderia pensar que o celular, ao contrário, aos poucos nos desumaniza. Capture isto: uma pessoa se aproxima, falando, mas não é a você que ela se dirige. Nem a alguém próximo, aliás: seu interlocutor é um ser invisível, ele ou ela também a falar "consigo" em outra parte. Mas esta é uma foto à parte no álbum que ora contemplamos. Quase todos já ouviram da boca de alguém o dito "não vivo sem meu celular" e, a partir do que se apresenta nas próximas linhas, tal dependência se mostrará aos olhos legítimo sinal de...bem, tire o leitor sua conclusão.
Falamos acima sobre uma pessoa já engajada em uma conversação ao telefone. Mais interessante ainda, entretanto, é notarmos a posse do aparelhinho antes de qualquer palavra ser dita, quando ouvimos um daqueles toques ou ringtones tão correntes quanto extravagantes. Se o celular toca seqüências de peças eruditas ou pior, uma campainha de telefone, ele não poderia ser mais arcaico. Hoje muito se escolhe, basicamente, entre os hits do momento e os inventivos toques falados - quem já ouviu sabe, impossível descrevê-los. Quer algo marcante de verdade e as opções anteriores não satisfazem? Ninguém deixará de olhar em volta procurando aquele telefone que tocou o tema da clássica cena do assassinato em Psicose ou rugiu como o monstro de fumaça da ilha de Lost.
Completa-se a ligação. Agora, por favor, não seja indelicado e procure fechar os ouvidos à conversa alheia. Se, por um motivo qualquer, porém, a pessoa se vê obrigada a elevar o tom de voz...então seja bem-vindo, por um instante, à vida de um completo desconhecido. Seu papel é o de um confidente involuntário. E creia, não se experimenta o real constrangimento até o dia de ouvir a primeira briga ao celular. Um boi faz falta é nessas ocasiões, com o perdão da liberdade tomada ao dito popular. Os mais maldosos não seguram as risadas.
Álbum pitoresco, não? Teríamos mais cenas assim fascinantes, a seu modo, se prosseguíssemos. Nunca o criador do telefone celular deve haver imaginado que seu invento seria utilizado como um modo de expressão tão contundente.

quarta-feira, 26 de março de 2008

vida é para se maravilhar

Há uma espécie de cigarra que passa dezessete anos em estágio larval, sob a terra, alimentando-se de seiva extraída de raízes arbóreas. Quando esse longo período chega ao fim, o animal "emerge" do solo, escala a árvore que o alimentou por tanto tempo, troca de pele e se torna uma cigarra adulta, asas que o permitem voar e pronto a completar seu objetivo nesta vida: encontrar um parceiro e se reproduzir. Se o inseto for macho, emitirá aquele canto tão característico, contínuo, pressuroso. A fêmea produz um único som, semelhante a um estalar de dedos, proveniente do ato de bater uma asa contra a outra, sinal de que aceitou a corte de um macho e está pronta para a cópula. Uma cigarra adulta não vive por mais de duas semanas.

marca

Você é capaz de deixar suas pegadas sobre o deserto - prova incontestável de sua presença no mundo hostil - ou sua espécie não foi talhada para isso?

terça-feira, 18 de março de 2008

Acordo insone no bairro dormitório
Quem se perde entre paredes familiares
conta apenas consigo próprio
Tateio no escuro sem encontrar
o remédio que não cura
O que tenho comigo
preencheria um mundo de diferenças
(...)
Então eu estava seguindo meu caminho dentro de uma daquelas famigeradas vans - "dá um passinho pro fundo, pessoal". Quase invariavelmente o aparelho de som desses carros está nas alturas, o rádio tocando uma dessas músicas bem ao gosto popular, e a meu desgosto. Mas nesta viagem o som estava num volume até civilizado, e ouvia-se uma música gravada por algum cantor ligado a alguma dessas igrejas pentecostais. Melhor que a alternativa, pensei. E de repente, um clique: a melodia era idêntica, idêntica mesmo, à do jogo Bobby Is Going Home, do eterno Atari. Fiquei notadamente pasmado. Não sei se a música "existia" antes do videogame; se alguém puder, ajude-me aqui. Mas ouvir algo tão familiar de uma maneira tão inesperada...nem sei o que mais dizer.

Fiz um midi para a melodia do joguinho, até mesmo porque não encontrei nenhum na Internet (que absurdo). Só que o Blogger não hospeda esse tipo de arquivo, então não posso mostrar aqui este fruto de meu trabalho.

segunda-feira, 17 de março de 2008

canto: eu já sabia!

Cristina Gawlas Viena, 16 mar (EFE).- Cantar não é apenas uma das formas de expressão mais antigas do ser humano, mas também pode curar muitos males, garantem cada vez mais médicos, que recomendam a prática do canto com regularidade, embora os estudos sobre seus efeitos benéficos do canto sejam recentes.
Até pouco tempo atrás, não existiam estudos científicos a respeito do assunto, mas resultados de pesquisas recentes confirmam inclusive que cantar deveria ser receitado pelos médicos, afirma a doutora Gertraud Berka-Schmid, psicoterapeuta e professora da Universidade de Música e Artes de Viena.
A especialista critica pais e professores que tentam proibir as crianças de cantar porque "não sabem", pois assim as privam de sua capacidade de "personificação" e o acesso à experiência do som.
"Isso faz com que a consciência da personalidade mude, reduzindo seu desenvolvimento, porque poder levantar a voz, ser ouvido, ser reconhecido e aceito é de importância vital para um ser eminentemente comunicativo como o ser humano", afirma Berka-Schmid em declarações à revista de medicina austríaca "Medizin Populär".
"Cantar é a respiração estruturada", afirma a médica, explicando o efeito fisiológico da respiração abdominal - a mais profunda -, que prevalece quando se canta e que se transforma em massagem para o intestino e em alívio para o coração.
Além disso, garante a doutora, essa respiração fornece ar adicional aos alvéolos pulmonares, impulsiona a circulação sanguínea e pode melhorar a concentração e a memória.
Na opinião da especialista, cantar é um ótimo remédio para os males específicos do nosso tempo, porque equilibra o sistema neurovegetativo e reforça a atividade dos nervos parassimpáticos, responsáveis pelo relaxamento do corpo.
Cantar gera harmonia psíquica e reforça o sistema imunológico, importantes frente a problemas tão freqüentes hoje em dia, como os transtornos do sono, as doenças circulatórias e a síndrome de
burnout - a exaustão emocional.
As conseqüências de um estímulo nervoso excessivo são típicas dos tempos atuais, afirma a especialista: as pessoas não agüentam os próprios impulsos, se isolam, se bloqueam e paralizam ou acumulam agressividade.
Através da voz, o ser humano é capaz de expressar seus sentimentos de tal maneira que pode se desfazer de uma série de más sensações.
Em algumas ocasiões, isso não é possível apenas falando normalmente e, por isso, o canto desempenha um papel essencial.
Lembrando o ditado "quem canta, seus males espanta", não há diferenças em cantar sozinho, em dupla, em coro ou no banheiro, assim como não importa se a pessoa desafine, garante Berka-Schmid.
O corpo é o instrumento de que dispomos para nos comunicar e jogar fora a ira acumulada. A respiração varia de acordo com as emoções, pois quem está agitado, por exemplo, tende a respirar de forma diferente daquele que se encontra triste.
Na prática, observou-se que pacientes com Mal de Alzheimer, graças a uma música conhecida, recuperaram algumas lembranças, e pessoas que sofreram apoplexia conseguiram voltar a falar através do canto, segundo a especialista.



Li no Yahoo. Esta merecia o copy/paste integral. Quem me conhece sabe que vou discordar um pouquinho da parte em que se diz "não importa se a pessoa desafine". Se eu perco o tom e percebo - quase sempre percebo - fico mal; já a pessoa que viaja demais na afinação perto de mim ganha uma careta. No mais, é isso mesmo: ai de mim se eu não cantasse. Você deveria tentar também.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Já tive esse mesmo sonho outras vezes nas últimas semanas. Vários livros aparecem abertos diante de mim, começo a lê-los em voz alta ou apenas mentalmente. Os temas são familiares, compreendo cada palavra, mas não me recordo de nada ao acordar, perco todas as informações. Hoje vi também pedaços de papel com anotações feitas à mão; essas, tenho certeza de que sequer consegui ler.
Conversei com uma amiga iniciada em espiritismo a respeito e ela acredita que posso estar prestes a receber uma mensagem, algo que devo divulgar, quando chegar a hora desse conteúdo se revelar.

sábado, 8 de março de 2008

felipe carrillo puerto

Felipe Carrillo Puerto nasceu na cidade de Motul, México, em 1874. Foi governador de seu estado natal, Yucatán, entre os anos de 1922 e 1924. Progressista, teve como principais bandeiras a reforma agrária, o voto feminino e a conquista de direitos pelos índios maias. Era conhecido como Dragão Vermelho com Olhos de Jade por seus inimigos e Apóstolo dos Índios por seus admiradores. Teve mais treze irmãos, e praticamente todos lutaram pela melhoria nas condições de vida dos povos maias, exceto um. Puerto foi assassinado em janeiro de 1924. Quando ele foi morto, três de seus irmãos, Wilfrido, Benjamin e Edesio, também perderam a vida, além de oito amigos.
Puerto viveu um romance com a jornalista norte-americana Alma Reed, o qual foi celebrado na canção "La Peregrina".
Duas cidades mexicanas têm seu nome, nos estados de Quintana Roo e Oaxaca. Há também uma avenida na periferia da cidade de São Paulo, Brasil, chamada Felipe Carrillo Puerto.

Adaptado do Wikipedia. Clique para ler o artigo original (em inglês).

sexta-feira, 7 de março de 2008

obama citando sandman

No banner abaixo, o clássico duelo de palavras entre Sandman e um demônio (com a cara do David Bowie, pelo que me lembro) na quarta edição do aclamadíssimo título escrito por Neil Gaiman, transposto para a disputa para a vaga dos Democratas (de lá) à eleição deste ano. Obama se põe no papel do vencedor, claro.

PS1: Não apóio qualquer dos postulantes à eleição americana, com ou sem o apelo quadrinístico.
PS2: Preciso fazer um favor a mim mesmo um dia desses e ler Sandman completo.
PS3: O gif é do Universo HQ, porque não deu certo fazer o upload da imagem gravada do meu micro.

quarta-feira, 5 de março de 2008

manhã

As manhãs ainda são belas, apesar do que fazemos. Um céu tão azul, a luz esplêndida que empresta ainda mais vida ao verdefolha e ao multicolorido de asas pétalas. Pássaros cantando a liberdade, voando junto ao chão, saboreando levar-se pelas altas correntes. Sorrisos puros, vozes cristalinas. As coisas estão onde devem ser procuradas.
Eu tenho tanto medo de me apaixonar.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

chance rara

O ano terrestre tem, aproximadamente, 365 dias e seis horas. De modo a não jogar fora essas horas "de sobra", a cada quatro anos surge uma data diferente em nosso calendário, inserida no final do mês de fevereiro. É o ano bissexto.
Isso é coisa que qualquer um sabe. Ou deveria saber.
Se o blogueiro não posta nada num dia 29 de fevereiro, se simplesmente o deixa passar, só terá outra oportunidade em quatro anos. Muito pode acontecer até lá. O blog pode perder o interesse. Circunstâncias adversas - cito falta de tempo como a menos trágica - podem limitar a disponibilidade do usuário.
Mas a situação mais chata seria deixar a data passar batida de novo por puro desleixo após tão grande lapso de tempo.
Na dúvida, o melhor é postar, mesmo que não se diga nada muito útil.

***

O texto original para o post acabava aqui. Felizmente, porém, encontrei pauta. Para minha sorte, ela está relacionada à idéia de chance rara. É que acabei de assistir o episódio de Lost desta semana e, nossa, achei espetacular. Coisa nesse nível de excelência na série, eu vi pela última vez no final da terceira temporada. E na televisão em geral...atrevo-me a dizer nunca. O volume de coisas que vi e o que me fizeram sentir...Longe de mim parecer fanático, mas Lost é para entrar na história, mesmo.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

loucuras

Estava eu a checar a grafia de uma palavra para minha mãe na edição antiga do Aurélio que temos em casa e meio sem querer deparei com a definição de manicômio segundo o próprio: "hospital de loucos". Tal significado não me pareceu adequado a constar de uma obra que se julgue tão importante à lingua portuguesa, então corri a ver que diziam outros dicionários - em suas versões online, pois não sou lexicógrafo nem gramatiqueiro. O Houaiss, minha primeira escolha, só o assinante UOL pode acessar. O Michaelis define manicômio como "hospital de doentes mentais" - melhor que loucos. Encontrei no Priberam, um serviço português, coisa ainda melhor, que transcrevo integralmente, mantendo a grafia de lá:

manicómio

do It. manicomio, Gr. manías, louco + kom, r. de komeín, tratar
s. m.,
hospital ou instituição asilar onde se tratam doenças mentais.

Algo mais digno de dicionário, a meu ver. Que não se deixe de atentar, contudo, à etimologia da palavra: a tradução literal dos radicais gregos que lhe dão origem de fato dizem manicômio tratar-se de "hospital de loucos". Mas isso só ficaria bem no dicionário se antes especificassem a definição como popular, vulgar, que seja.
A propósito, não é a primeira vez que o Aurélio surpreende assim, negativamente. O verbete efeminado, ao menos nesta versão antiga, não me deixa mentir.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

seis milhões...e contando

Seis milhões é o número de veículos emplacados na cidade de São Paulo atualmente. Estima-se que tal marca será alcançada hoje.
E contando, pois logo todos estarão parados num congestionamento monstruoso e ficará fácil dizer qual o número exato deles "na mão".
Previsões apocalípticas à parte: a média habitante/carro de São Paulo é a mesma de Paris. Seria chique, se os parisienses não tivessem à sua disposição uma rede de trens metropolitanos que atravessam todos os arrondissements da cidade. Já o nosso metrô é aquela coisinha insignificante que bem conhecemos. E quando finalmente se dispõem a ampliar a malha...
Transporte de massa aqui na cidade sempre foi tão coisa de pobre que foi deixada para último plano ao longo dos anos. E o resultado são centenas de ruas e avenidas entupidas de carros, a maioria deles com um único ocupante - o condutor. Coisa triste de constatar; faça o exercício.
E lá vamos nós rumo a razão um por um?

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

sem-eclipse

No dia do único eclipse lunar total do ano, o céu está todo encoberto, porque não teve chuva forte hoje, pela primeira vez em muitos dias.
Quando não é para ser...

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

quero andar de bicicleta...

Meu sonho de consumo de jovem adulto paupérrimo é uma bicicleta. É a primeira coisa que providenciarei quando houver um dinheirinho que chegue. Não estou nem um pouco por dentro dos modelos à venda, das vantagens de cada um e se seus preços justificariam o investimento. Isso é o menos; encontro quem me assessore...alguém que não seja um vendedor.
Penso na bike e nos passeios bacanas que posso fazer com ela, e já é possível bolar alguns programas, mesmo numa cidade sem muitas alternativas de locomoção além de ruas congestionadas. Ciclovia é coisa raríssima, há poucos bicicletários, e pedalar aspirando toda essa poluição não deve ser moleza. Mas devagar devagarinho, surgem uns prós. Durante os finais de semana e nos feriados, os ciclistas podem pegar carona nos metrôs e trens da CPTM, das 15 às 20 horas aos sábados (um tanto restrito, infelizmente) e das 7 às 20 horas aos domingos. Embarca-se no último vagão e, claro, não é permitido pedalar dentro da estação. Ah, ir a parques com a magrela sem muito se cansar, mesmo que eles fiquem meio longe de casa. Ou pegar aquele cineminha sem a preocupação de achar lugar para estacionar ou, pior ainda, esperar ônibus.
Mas meu espírito "radical" ainda iria querer mais; tornar a bicicleta o meio de transporte preferencial o deixaria mais calminho. Mas só seria isso possível morando perto de meus compromissos. Mundo louco. Até lá, tenho minhas leituras para aquelas intermináveis horas em coletivos.
Bem se vê, não quero a bike unicamente como objeto de lazer, ou para atender à correta ordem de praticar exercícios. Há um idealismo irresistível na idéia de pedalar; depender, de fato, apenas de si no simples ato de ir até ali e depois voltar.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

salto de sete quedas

Deixo de lado as motivações um tanto quanto mesquinhas do post anterior para falar brevemente de uma beleza brasileira, nossa, perdida há mais de vinte e cinco anos em nome do progresso pelo progresso.
Todos ouvem falar de Foz do Iguaçu, da maravilha de contemplar a imponente queda d'água que se faz ouvir a quilômetros de distância, espetáculo da natureza. E Salto de Sete Quedas, dizem-nos os que tiveram o privilégio de conhecê-lo, era ainda maior, mais belo, mais digno de superlativos. Situava-se no Rio Paraná e desapareceu completamente quando da originação do lago da usina hidrelétrica de Itaipu, colosso que abastece Brasil e alguns países platinos. Outra das faraônicas obras concebidas em época de ditadura militar que, sem o devido planejamento, cobrou seu preço. Ou alguém acredita que tamanha força da natureza cessa de existir por acaso?
Salto de Sete Quedas. Uma rápida pesquisa no Google nos permite descobrir que o sete era número cabalístico; podiam identificar-se quase vinte diferentes quedas nas "Cataratas do Paraná". O Wikipedia destaca ainda que resquícios do Salto são identificáveis quando do abaixamento do nível de água na usina, ressaltando, ao mesmo tempo, que a magnitude de outrora é irrecuperável mesmo com um improvável esvaziamento da represa.
São outros os tempos agora, foram-se os militares, vive-se à sombra dos estragos de sua época, com os quais é imperativo aprender. Devemos acreditar que um Salto de Sete Quedas não seria destruído nos dias de hoje, não porque agora temos "democracia", mas por haver maior comprometimento com a causa ambiental em toda parte. E em parte desse processo de crença induzida (porém não passiva, irmãos) contribuímos eu neste post e quem mais dedicou seu tempo a este assunto, na Internet ou por outras mídias.
Não se esqueçam de nossas cataratas submersas, mesmo aqueles que nasceram após o desastre, e não por ímpeto masoquista em recordar tristes histórias. Se alguém merece mesmo se incomodar com o sepultamento do Salto a ponto de ter noites mal dormidas são os responsáveis por tal barbárie. A gente lamenta e vai em frente, em nome do que ainda existe e vale a pena preservar.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

uma data para não lembrar

Amanhã, a pessoa a quem enderecei esta carta faz aniversário - boa memória tem suas desvantagens. Estive pensando em reenviar-lhe o e-mail: em meio aos montes de desejos de muitas felicidades em Cristo - pois, sabe, trata-se de alguém bastante popular e que adora afirmar a todos sua fé evangélica, neopentecostal, ou algo que o valha - eu me manifestaria dizendo, você, sob esse seu manto de alegria e luz, tem seu pecadozinho escondido, menosprezou alguém que só queria sua amizade por orgulho, preconceito...eu nunca soube, nunca saberei. Na verdade, até agora, não encontro motivo para não fazê-lo. Pôr uma pedra no passado, como muito se diz? Não pedi para ter esta lembrança; enviando novamente ou não a carta, a data no calendário me fará pensar na idiotice do gesto de quem me enganou. E então eu queria ser D., queria ser quem já esqueceu, mas sou quem ainda não foi capaz de. Então pensei numa coisa um tanto mirabolante: conversar com alguém a respeito antes de bancar, hã, a vilã amarga/amargurada. Logo comunico aqui minha decisão final.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

confirmed dead (comentário sobre o episódio de lost desta semana)


Não é algo que eu faço normalmente, mas este review que escrevi para a comunidade do Orkut Lost Brasil ficou tão bacana (ou seja, longo?) que veio pro blog também. Caia fora imediatamente se não quer ler spoilers!



E aqui estou, após ter assistido ao episódio duas vezes.
Pra começar, tenho de admitir uma coisa: pela primeira vez, desde que comecei a acompanharLost, a quantidade de perguntas não respondidas me incomodou. Um pouco, mas incomodou. Eu estava com um amigo quando vi o episódio pela segunda vez, e na parte em que Charlotte encontra o esqueleto do urso polar, após explicar pro meu brotha (rs) que o símbolo da Estação Hidra estava na coleira do urso, eu disse, "agora quero ver explicar como esse urso foi parar aí", ao que meu amigo respondeu, "se é que vão explicar". Então eu temi, pela primeira vez, por uma possível ausência de respostas, talvez para muitas das coisas estranhas que já vimos. Sei que Lost é um drama, com elementos de ação, ficção e etc., e mais do que tudo quero saber qual vai ser o destino de cada personagem, Oceanic 6 ou não, mas acho que seria muito feio não dar respostas a certas coisas, como por exemplo, à pergunta do Locke sobre o monstro. Para essa e muitas outras, eu não quero um "I don't know".
Pois é, minha fé na ilha sofreu um leve abalo hoje...

Queixa registrada, continuemos...bem, o pessoal que jogou Find 815 - não é meu caso, a propósito - deve ter ficado satisfeito com as referências ao game. Será que perdi muita coisa? E que equipe arrumaram para essa missão de "resgate", não? De todos, o quase-piloto do vôo 815 é o mais normalzinho (o que era aquela vaca?), e o oriental "caça-fantasmas" é o cara da vez para odiar. Pessoas com poderes como o dele não costumam ser retratadas com um temperamento diferente, mais pacífico? Sem contar que eles têm fotos do Desmond, do Ben...estão fazendo coleção ou o quê? rs
E Matthew Abaddon é um dos "bad guys", só pode. No que depender dele, ninguém nem pensa em procurar a ilha. Medo.
No mais: o helicóptero que todos esperavam desde Greatest Hits chegou à ilha. A saber quem vai embarcar nele pra ir para casa, se é que é ele mesmo o veículo de fuga dos Oceanic 6.
E o Ben? Se daqui em diante Lost entrar numa trajetória descendente inimaginável (já bati na madeira não sei quantas vezes; quem está lendo até agora, por favor, faça o mesmo) ainda vai valer a pena continuar assistindo só por ele. Mas que personagem. Nem sozinho e amarrado ele perde a venenosa lábia. E ainda me deixa na maior das dúvidas: dizendo o que sabe sobre o pessoal do helicóptero, ele está agindo no sentido de manipular todo mundo, como de costume, ou ele está mesmo com medo e simplesmente quer sobreviver?
No geral: um episódio inferior à estréia, com o problema de "ah não, perguntas demais" muito à vista, mas com bom ritmo e qualidade bem superior ao abismal Stranger in a Strange Land. Que venha The Economist...

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

mais um desses golpezinhos

Em plena época de folia, olha o que me chega:


Gmail - RACISMO
Aviso Importante


Sr(a) usuário

Recebemos uma denúncia que em seu Profile foi publicado material inapropriado e um de nossos usuários fez uma denúncia. Pedimos que confirme se esta denúncia é verdadeira ou não. Caso não se manifeste no prazo máximo de 24hrs, seu Profile será cancelado. Lembre-se! Você precisa estar ciente que não está de maneira alguma sendo ofensivo com nenhum usuário ou ter publicado alguma imagem ao qual possa ferir a integridade moral de um de nossos membros. Para que você possa nos informar que esta denúncia não procede, por favor siga os passos abaixo:
Passo1 - Clique no link http://www.orkut.com/conf.apx?985372334=myprofile034856304
Passo2 - Ao carregar o site, clique no botao de confirmação informando que essa denúncia relacionada à você não procede.
Passo3 - Aguarde a mensagem de conclusão.



Atenciosamente

Equipe Relacionamentos - Orkut.com

©2007 Google


O pior é que o email tinha símbolo do Orkut no corpo e tudo mais. Podia até ter enganado alguém mais desavisado. Mas ao passar o mouse pelo link que eles fornecem, há um atalho para um site completamente diferente. Lá, provavelmente pedem para o usuário digitar login e senha para resolver essa "situação".
E olha o remetente:

ORKUT-CANCELAMENTO DE CONTA

Não dá para levar a sério um endereço de e-mail digitado em Caps Lock, né?
Ainda assim, pode ser que a pessoa fique encucada. Mas, aqui entre nós...um site te acusa de racismo, e aí? Podem te responsabilizar criminalmente? É complicado, não deve valer a pena. No máximo, eles banem seu perfil. Aí você faz outro, grande coisa. Ou nem faz, vá. Se Orkut fosse útil, a gente não veria tanta atrocidade por lá.
Tem de ser impusivo demais para cair nesses contos. Ou dar muito valor a bobagens.
Ah, e eu nem comentei da "intimação" que recebi, pelo meu email do Yahoo - breve, mais um braço da Micro$oft - que consistia de uma intimação para tomar parte de um processo no Ministério Público Federal. Algo assim. Tinha até selo da instituição no email, não sei se legítimo. Para saber do que se tratava, era clicar num arquivo anexado. E a coisa ainda me foi enviada duas vezes. Por favor!