segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

salto de sete quedas

Deixo de lado as motivações um tanto quanto mesquinhas do post anterior para falar brevemente de uma beleza brasileira, nossa, perdida há mais de vinte e cinco anos em nome do progresso pelo progresso.
Todos ouvem falar de Foz do Iguaçu, da maravilha de contemplar a imponente queda d'água que se faz ouvir a quilômetros de distância, espetáculo da natureza. E Salto de Sete Quedas, dizem-nos os que tiveram o privilégio de conhecê-lo, era ainda maior, mais belo, mais digno de superlativos. Situava-se no Rio Paraná e desapareceu completamente quando da originação do lago da usina hidrelétrica de Itaipu, colosso que abastece Brasil e alguns países platinos. Outra das faraônicas obras concebidas em época de ditadura militar que, sem o devido planejamento, cobrou seu preço. Ou alguém acredita que tamanha força da natureza cessa de existir por acaso?
Salto de Sete Quedas. Uma rápida pesquisa no Google nos permite descobrir que o sete era número cabalístico; podiam identificar-se quase vinte diferentes quedas nas "Cataratas do Paraná". O Wikipedia destaca ainda que resquícios do Salto são identificáveis quando do abaixamento do nível de água na usina, ressaltando, ao mesmo tempo, que a magnitude de outrora é irrecuperável mesmo com um improvável esvaziamento da represa.
São outros os tempos agora, foram-se os militares, vive-se à sombra dos estragos de sua época, com os quais é imperativo aprender. Devemos acreditar que um Salto de Sete Quedas não seria destruído nos dias de hoje, não porque agora temos "democracia", mas por haver maior comprometimento com a causa ambiental em toda parte. E em parte desse processo de crença induzida (porém não passiva, irmãos) contribuímos eu neste post e quem mais dedicou seu tempo a este assunto, na Internet ou por outras mídias.
Não se esqueçam de nossas cataratas submersas, mesmo aqueles que nasceram após o desastre, e não por ímpeto masoquista em recordar tristes histórias. Se alguém merece mesmo se incomodar com o sepultamento do Salto a ponto de ter noites mal dormidas são os responsáveis por tal barbárie. A gente lamenta e vai em frente, em nome do que ainda existe e vale a pena preservar.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

uma data para não lembrar

Amanhã, a pessoa a quem enderecei esta carta faz aniversário - boa memória tem suas desvantagens. Estive pensando em reenviar-lhe o e-mail: em meio aos montes de desejos de muitas felicidades em Cristo - pois, sabe, trata-se de alguém bastante popular e que adora afirmar a todos sua fé evangélica, neopentecostal, ou algo que o valha - eu me manifestaria dizendo, você, sob esse seu manto de alegria e luz, tem seu pecadozinho escondido, menosprezou alguém que só queria sua amizade por orgulho, preconceito...eu nunca soube, nunca saberei. Na verdade, até agora, não encontro motivo para não fazê-lo. Pôr uma pedra no passado, como muito se diz? Não pedi para ter esta lembrança; enviando novamente ou não a carta, a data no calendário me fará pensar na idiotice do gesto de quem me enganou. E então eu queria ser D., queria ser quem já esqueceu, mas sou quem ainda não foi capaz de. Então pensei numa coisa um tanto mirabolante: conversar com alguém a respeito antes de bancar, hã, a vilã amarga/amargurada. Logo comunico aqui minha decisão final.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

confirmed dead (comentário sobre o episódio de lost desta semana)


Não é algo que eu faço normalmente, mas este review que escrevi para a comunidade do Orkut Lost Brasil ficou tão bacana (ou seja, longo?) que veio pro blog também. Caia fora imediatamente se não quer ler spoilers!



E aqui estou, após ter assistido ao episódio duas vezes.
Pra começar, tenho de admitir uma coisa: pela primeira vez, desde que comecei a acompanharLost, a quantidade de perguntas não respondidas me incomodou. Um pouco, mas incomodou. Eu estava com um amigo quando vi o episódio pela segunda vez, e na parte em que Charlotte encontra o esqueleto do urso polar, após explicar pro meu brotha (rs) que o símbolo da Estação Hidra estava na coleira do urso, eu disse, "agora quero ver explicar como esse urso foi parar aí", ao que meu amigo respondeu, "se é que vão explicar". Então eu temi, pela primeira vez, por uma possível ausência de respostas, talvez para muitas das coisas estranhas que já vimos. Sei que Lost é um drama, com elementos de ação, ficção e etc., e mais do que tudo quero saber qual vai ser o destino de cada personagem, Oceanic 6 ou não, mas acho que seria muito feio não dar respostas a certas coisas, como por exemplo, à pergunta do Locke sobre o monstro. Para essa e muitas outras, eu não quero um "I don't know".
Pois é, minha fé na ilha sofreu um leve abalo hoje...

Queixa registrada, continuemos...bem, o pessoal que jogou Find 815 - não é meu caso, a propósito - deve ter ficado satisfeito com as referências ao game. Será que perdi muita coisa? E que equipe arrumaram para essa missão de "resgate", não? De todos, o quase-piloto do vôo 815 é o mais normalzinho (o que era aquela vaca?), e o oriental "caça-fantasmas" é o cara da vez para odiar. Pessoas com poderes como o dele não costumam ser retratadas com um temperamento diferente, mais pacífico? Sem contar que eles têm fotos do Desmond, do Ben...estão fazendo coleção ou o quê? rs
E Matthew Abaddon é um dos "bad guys", só pode. No que depender dele, ninguém nem pensa em procurar a ilha. Medo.
No mais: o helicóptero que todos esperavam desde Greatest Hits chegou à ilha. A saber quem vai embarcar nele pra ir para casa, se é que é ele mesmo o veículo de fuga dos Oceanic 6.
E o Ben? Se daqui em diante Lost entrar numa trajetória descendente inimaginável (já bati na madeira não sei quantas vezes; quem está lendo até agora, por favor, faça o mesmo) ainda vai valer a pena continuar assistindo só por ele. Mas que personagem. Nem sozinho e amarrado ele perde a venenosa lábia. E ainda me deixa na maior das dúvidas: dizendo o que sabe sobre o pessoal do helicóptero, ele está agindo no sentido de manipular todo mundo, como de costume, ou ele está mesmo com medo e simplesmente quer sobreviver?
No geral: um episódio inferior à estréia, com o problema de "ah não, perguntas demais" muito à vista, mas com bom ritmo e qualidade bem superior ao abismal Stranger in a Strange Land. Que venha The Economist...

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

mais um desses golpezinhos

Em plena época de folia, olha o que me chega:


Gmail - RACISMO
Aviso Importante


Sr(a) usuário

Recebemos uma denúncia que em seu Profile foi publicado material inapropriado e um de nossos usuários fez uma denúncia. Pedimos que confirme se esta denúncia é verdadeira ou não. Caso não se manifeste no prazo máximo de 24hrs, seu Profile será cancelado. Lembre-se! Você precisa estar ciente que não está de maneira alguma sendo ofensivo com nenhum usuário ou ter publicado alguma imagem ao qual possa ferir a integridade moral de um de nossos membros. Para que você possa nos informar que esta denúncia não procede, por favor siga os passos abaixo:
Passo1 - Clique no link http://www.orkut.com/conf.apx?985372334=myprofile034856304
Passo2 - Ao carregar o site, clique no botao de confirmação informando que essa denúncia relacionada à você não procede.
Passo3 - Aguarde a mensagem de conclusão.



Atenciosamente

Equipe Relacionamentos - Orkut.com

©2007 Google


O pior é que o email tinha símbolo do Orkut no corpo e tudo mais. Podia até ter enganado alguém mais desavisado. Mas ao passar o mouse pelo link que eles fornecem, há um atalho para um site completamente diferente. Lá, provavelmente pedem para o usuário digitar login e senha para resolver essa "situação".
E olha o remetente:

ORKUT-CANCELAMENTO DE CONTA

Não dá para levar a sério um endereço de e-mail digitado em Caps Lock, né?
Ainda assim, pode ser que a pessoa fique encucada. Mas, aqui entre nós...um site te acusa de racismo, e aí? Podem te responsabilizar criminalmente? É complicado, não deve valer a pena. No máximo, eles banem seu perfil. Aí você faz outro, grande coisa. Ou nem faz, vá. Se Orkut fosse útil, a gente não veria tanta atrocidade por lá.
Tem de ser impusivo demais para cair nesses contos. Ou dar muito valor a bobagens.
Ah, e eu nem comentei da "intimação" que recebi, pelo meu email do Yahoo - breve, mais um braço da Micro$oft - que consistia de uma intimação para tomar parte de um processo no Ministério Público Federal. Algo assim. Tinha até selo da instituição no email, não sei se legítimo. Para saber do que se tratava, era clicar num arquivo anexado. E a coisa ainda me foi enviada duas vezes. Por favor!

domingo, 3 de fevereiro de 2008

eu, etiqueta (carlos drummond de andrade)

Em minha calça está grudado um nome
que não é meu de batismo ou de cartório,
um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
que jamais pus na boca, nesta vida.
Em minha camiseta, a marca de cigarro
que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produto
que nunca experimentei
mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
de alguma coisa não provada
por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
minha gravata e cinto e escova e pente,
meu copo, minha xícara,
minha toalha de banho e sabonete,
meu isso, meu aquilo,
desde a cabeça ao bico dos sapatos,
são mensagens,
letras falantes,
gritos visuais,
ordens de uso, abuso, reincidência,
costume, hábito, premência,
indispensabilidade,
e fazem de mim homem-anúncio itinerante,
escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É doce estar na moda, ainda que a moda
seja negar minha identidade,
trocá-la por mil, açambarcando
todas as marcas registradas,
todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
eu que antes era e me sabia
tão diverso de outros, tão mim-mesmo,
ser pensante, sentinte e solidário
com outros seres diversos e conscientes
de sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio,
ora vulgar ora bizarro,
em língua nacional ou em qualquer língua
(qualquer, principalmente).
E nisto me comprazo, tiro glória
de minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
para anunciar, para vender
em bares festas praias pérgulas piscinas,
e bem à vista exibo esta etiqueta
global no corpo que desiste
de ser veste e sandália de uma essência
tão viva, independente,
que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
meu gosto e capacidade de escolher,
minhas idiossincrasias tão pessoais,
tão minhas que no rosto se espelhavam,
e cada gesto, cada olhar,
cada vinco da roupa
resumia uma estética?
Hoje sou costurado, sou tecido,
sou gravado de forma universal,
saio da estamparia, não de casa,
da vitrina me tiram, recolocam,
objeto pulsante mas objeto
que se oferece como signo de outros
objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
de ser não eu, mas artigo industrial,
peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.
E desde sua partida cada cômodo é habitado por um perturbador silêncio. Eu o temo quando a noite chega e a inexorável solidão se atesta.
A todo momento, a folgar na casa que agora é estranha, sem que me dê conta, aguardo seu retorno. E se estou fora, quando vejo os veículos passarem e um deles lembra o seu, meu coração me engana, dizendo que o dia de seu retorno já chegou; ou pior, que nunca houve partida.

o princípio do fim (calma, gente)

Lost voltou nesta última quinta para os norte-americanos e os fãs de outras partes do mundo incapazes de esperar um segundo a mais pela estréia da quarta temporada; como é de se supor, faço parte, com muito orgulho, do último grupo citado. O episódio estava disponível na internet, já com legendas, no final da madrugada do dia 31 para o dia primeiro, horas depois de sua exibição no canal ABC, e antes que a manhã acabasse, já estava bonitinho em meu computador - assisti duas vezes. Ponto para a tecnologia que tornou isto possível - transmissão de dados veloz - e sinceros agradecimentos à legião de fãs doentes encarregados da tradução das falas de cada personagem, da inserção de legendas no vídeo original e também - quanta coisa! - da "quebra" do arquivo em diversas partes para facilitar o download.
Quanto ao episódio em si, mantenho-me fiel à minha política de não divulgar spoilers - fáceis demais de serem encontrados pela rede - e digo que o retorno cumpriu a (enorme) expectativa deste lostmaníaco. Aquele espectador ávido por respostas imediatas pode se desapontar, contudo. Fatos novos são introduzidos, confirmando alguns rumores divulgados pela internet (sempre ela).
O seriado agora toma um rumo sombrio, conseqüência lógica dos eventos finais da temporada anterior, a saber, a morte de Charlie e a iminente chegada à ilha de pessoas cujos interesses são incertos. Começa aqui a preparação de terreno para o famigerado flashforward que mostrava Jack e Kate fora da ilha, mas longe de terem seus problemas resolvidos. Como é de Lost que estamos falando, neste primeiro episódio são apresentadas novas e curiosíssimas peças de um quebra-cabeças ainda distante de ser plenamente elucidado.
Os longos meses de abstinência chegaram ao fim. Isso é uma excelente coisa. Mas isso não torna mais fácil esperar a semana seguinte por mais um episódio novo em folha. E ainda essa greve de roteiristas em Hollywood, que promete, até o momento, cortar a quarta temporada ao meio.
O que será de mim quando Lost acabar? Estou completamente viciado. O dia em que decidi assistir ao episódio piloto pela primeira vez foi o começo do meu fim.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

tropa de elite

Devo ter sido um dos poucos brasileiros que não assistiu a Tropa de Elite no ano passado. Por este motivo, simplesmente não podia rir de boa parte das piadas que circulavam por todos os meios sobre o Capitão Nascimento e seu batalhão. Foi um fenômeno pop, sem dúvida. Não foi sem receio que enfim conferi a fita. A última grande febre nacional foi Cidade de Deus, que poderia ter sido um ótimo filme, mas em minha cotação ficou apenas no bom, tendendo a mediano, por causa da produção pretensiosa que parecia gritar a todo momento "Hollywood, você precisa me amar". Será que este Tropa sofre do mesmo mal?, eu me perguntava. Felizmente, a resposta é não. Não pretendo me alongar aqui; só digo que o filme funciona bem. Dá até para pensar um pouquinho: a ideologia e principalmente as atitudes violentas da tropa se justificam?
E tudo o que falaram do Capitão Nascimento é a mais pura verdade. Acho que estão perdendo tempo: já deveriam tê-lo mandado à caça do Bin Laden. Só para aquecer, claro.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

mundo

É de ontem, vocês se incomodam? E um tanto clichê, também.

Bush pedirá ao Congresso 70 bilhões de dólares para a guerra em 2007

Ah, se não fosse tão necessário fazer a guerra, sempre, fico pensando, o que se poderia fazer com uma dinheirama dessas. Teria de ser algo igualmente lucrativo, sem dúvida. Já se ouviu falar em pessoas passando fome, mas buscar uma solução para esse leve embaraço não encheria os bolsos de capitalista algum.

tecnosonho

Esquisito por demais...
Eu estava conversando com alguém via MSN (ou outro programa desses? bem, quase não uso outro) e assim, sem mais, a pessoa pede minhas senhas na internet (para quê?) e eu, sem mais ainda, passo elas, de boa. Só depois que me ocorre a besteira que fiz e penso, com certa tranqüilidade, que depois devo mudar todas as "palavras-passe" (vi isso uma vez, não lembro onde; não soa engraçado?), agora públicas, mas não sem antes pensar num novo critério para criá-las, porque eu tenho uma "receita" para criar senhas, sim, e você também deveria.
Coisa estranha...


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segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

pink floyd live at pompeii...e minha cabeça oca


A música de Pink Floyd - colorida, criativa, surrealista e muito inventiva - adapta-se muito bem a criação visual. No anfiteatro e nas ruínas da antiga cidade de Pompéia, a banda Pink Floyd leva o público a uma extraordinária experiência audiovisual. O filme foi gravado na arena durante o dia e nas fantásticas paisagens de vulcões em erupção à noite, numa perfeita transição do áudio para o vídeo. As canções começam e terminam com a música "Echoes", do álbum "Meddle" e inclui também as seguintes músicas:

Echoes
Careful With That Axe Eugene
A Saucerful Of Secrets
"Us And Them"
One Of These Days
Mademoiselle Nobs
"Brain Damage"
Set The Controls To The Heart Of The Sun
Echoes

O diretor Adrian Maben nos traz esta versão novíssima de um filme lendário. Somando-se às entrevistas originais realizadas durante a gravação de Dark Side Of The Moon, essa versão apresenta a única e pessoal filmagem da banda trabalhando em "Live at Pompeii" em Paris, tomadas atmosféricas e novos efeitos visuais.



Tenho o DVD desde 2003 - o texto acima, copiei do encarte - e ele estava inexplicavelmente encostado desde então. Uns meses atrás, foi feita justiça: a produção é fantástica, claro. E quem lesse o blog logo iria ficar sabendo. Mas o próprio respectivo post foi parar na gaveta também, até agora. E a culpa nem foi a preguiça de me alongar em minhas impressões acerca do filme; em verdade, nunca tive intenção de fazê-lo. Simplesmente aconteceu. Dois pequenos pecados cometidos diante de uma mesma bela obra. Vergonha...nem a data em que a vi pela primeira vez tenho para registrar.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

heath ledger

Rapaz de 28 anos, talentoso, bem-apessoado, carreira em franca ascensão. Artista.

Morto. Ao que tudo indica, suicidou-se.
Se confirmado, eis mais uma dessas situações em que nada faz sentido algum.

mirante - janeiro

O tempo promete ser muito estranho ao longo deste ano.
Lembro-me de pouquíssimos dias típicos de verão desde que voltei do Rio. No primeiro final de semana do ano e nos dias seguintes, havia sol, mas não o calor insuportável típico da estação, pelo menos não para mim: à minha volta, as pessoas se queixavam dos dias quentes. E não chovia: à tarde, as nuvens se adensavam, mas não caía uma gota sequer; no máximo, as temperaturas caíam durante a noite. E em pleno janeiro, a seca chegou a preocupar, os níveis dos reservatórios de água perigosamente baixos. Então a temperatura resolveu subir, para simultâneos desespero e alívio, respectivamente pelos dias abafados e o retorno, ainda que tímido, das chuvas. E chego agora ao final de semana passado. Aquele com a frente fria que trouxe chuvas quase ininterruputas até, digamos, ontem, e derrubou a temperatura a níveis invernais. Já tivemos dezesseis graus em São Paulo. Dezesseis. Hoje, o sol está de volta, mas o frio destes últimos dias nos deixa uma manhã típica de inverno, das que se reluta em abrir as janelas num primeiro momento. Tudo isso em menos de vinte dias.
E eu queria tanto um feriado com tempo agradável, mas não sei o que esperar. Estações do ano é um conceito comprovadamente obsoleto.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

sobre o (fim do) sarcasmo

É algo que sempre fiz questão de demonstrar, desde que percebi presente em minha personalidade. No meu perfil do Orkut, por exemplo, está lá, assinaladíssimo: humor seco/sarcástico. Eu procurei refiná-lo observando o Chandler de Friends e me considerei amador ao conhecer o dr. House. Sempre gostei quando as pessoas notavam essa minha tendência à acidez.
Agora, porém, não acho que sarcasmo seja algo bom a ser cultivado. E o motivo é essa minha fase, por assim dizer, espiritualista.
Desde que comecei a freqüentar esse centro kardecista, coisa de um mês atrás, comecei a repensar certas atitudes, que julguei em parte responsáveis pelo estado de inquietação em que me encontrava e que podem ter sido responsáveis pela necessidade de buscar ajuda tão inusitada. Também tenho tido acesso a textos de inspiração espírita. Já por várias vezes li que as palavras ferinas atingem também aquele que as pronuncia. Nesses ataques pessoais, sob o disfarce de insights super inteligentes sobre o que o outro tem de falho em sua personalidade, acabamos por revelar mais de nós mesmos. Se vejo tão claro o erro de alguém e o utilizo como arma, a amargura, o descontamento, isso faz parte antes de tudo de mim. Também não me gosto e projeto tal sentimento negativo nos outros, o que só o faz aumentar.
Outra coisa que se diz em minhas leituras: se sua palavra não for positiva, num momento de crise, por exemplo, guarde-a para você. Pensa-se melhor e em seguida você nem lembra o que o deixou nervoso.
O sarcasmo parecia algo tão característico de mim, agora estou trabalhando para eliminá-lo, na tentativa de ser uma pessoa melhor. Ao menos por ora, isso me faz sentido.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

mandamentos

"É melhor ser alegre que ser triste"
Crer em alguma coisa que duvidar de tudo
Fazer melhor hoje que lucubrar sobre o passado
Cultivar o carinho de quem está próximo
Em vez de envolver-se ao frio do mundo.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

E nestes dias parece que a única solução para evitar a insanidade é crer-se possuidor de uma alma, crer que a existência reservada aos seres humanos é muito mais que a ganância, a ambição desenfreada que tomaram conta desta terra e ameaçam lançá-la para sempre nas trevas da devastação e do abandono antes mesmo do apagar de nosso céu. É que para viver sinto necessárias outras luzes, que não cessem ao fechar dos olhos.

domingo, 13 de janeiro de 2008

do fausto (goethe)...

A definitiva palavra de quem sofre de amor...



MARGARIDA (só, fiando)

Perdido tenho o sossego,
Magoado o coração;
Fugiu a paz da minh'alma,
Não a torno a achar, mais, não.

Lugar onde o não encontre
É triste qual sepultura,
O mundo todo parece
Repassado de amargura.

A cabeça desvairada
Tenho, e turvo o pensamento.
Saudades, ai que endoidecem.
São meu contínuo tormento.

Perdido tenho o sossego,
Magoado o coração;
Fugiu a paz da minh'alma,
Mais não torno a achá-la, não.

Quando à janela me chego,
Querem meus olhos buscá-lo;
E quando saio de casa
Somente quero encontrá-lo.

O seu ar é majestoso
E gentil sua estatura,
Que fogo altivo nos olhos!
No sorriso, que doçura!

E se dos lábios lhe correm
Doces falas de de encantar,
Quando a mão ele me aperta,
Quando chega a me beijar!

Perdido tenho o sossego,
Magoado o coração;
Fugiu a paz da minh'alma,
Não a torno a achar, mais, não.

A ele meu peito aspira
Todo em amor abrasado;
Oh, quem me dera tê-lo aqui
Nestes braços apertado.

E tanto tempo beijá-lo
Que me pudesse fartar,
Ainda que de seus beijos
Eu houvesse de expirar!

sábado, 12 de janeiro de 2008

pague-se

E sob o pretexto de destinar mais recursos à saúde pública, há alguns anos foi criada a contribuição hoje conhecida por CPMF. Isso faz uns dez anos. Era para ser algo provisório, está até no nome. A seu favor, além da boa causa da saúde, dizia-se que era imposto impossível de sonegar.
Na época da CPMF a dengue voltou. Voltou para valer. Algo faltou, então. provisório da CPMF era prorrogado e prorrogado, um dinheiro de que o governo dizia não poder abdicar.
Agora, comemora-se por aí o fim da infame contribuição, um dinheiro a menos que o cidadão deve ao Estado. Muito se discutiu para a eliminação, ou não, depende se falamos de oposição ou governo, desse único imposto. E já pagamos outros tantos, mas ninguém se empenha em rever a quantidade desses tributos sobre tributos. Ou de coibir a temida sonegação que não alcançava a contribuição defunta.
Hoje, um surto de febre amarela se avizinha em nossas cidades. Com ou sem CPMF, é um risco real. Enquanto isso, continua-se pagando, continua-se falando demais.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

madrox

Mais um gibi "velho" que merece review. É de 2004, foi publicado aqui em 2006, e eu só li essa semana. Enrolado, não? E ainda quero contar uma historinha...
Fatos e fotos. Eu, quatorze anos de idade, fã do desenho dos X-Men - aquele citado no post anterior. Não demorou e me tornei também leitor do gibi dos X-Men; à época, um daqueles formatinhos da Abril. Descobri que os quadrinhos mutantes eram um universo bem mais amplo que o mostrado na telinha. Já na minha primeira revista, conheci um punhado de personagens novos, a citar alguns: Jamie Madrox, o Homem Múltiplo; e um cara fortão chamado Guido Carosella. Em princípio, achei que fossem vilões, mas na saga dos mutantes que peguei em andamento ficou claro que eles estavam sob domínio do Rei das Sombras (ei, esse eu já conhecia). Verdadeiro vilão vencido, muitos mutantes bonzinhos no mesmo lugar: logo de cara presenciei uma reformulação nas equipes X - ingênuo que era, para mim a coisa era definitiva. Madrox e Guido passaram a fazer parte de uma equipe mutante subordinada ao governo norte-americano, o X-Factor, ao lado de outros personagens novos para mim, como Destrutor, Polaris e Lupina, mas que o tempo mostrou terem muita história antes de formada a equipe. E suas aventuras eram publicadas, ufa, em X-Men. Chamavam atenção as altas doses de humor nas situações vividas pelo grupo, algo que até então me parecia inconcebível num gibi de super-heróis - eu ainda não havia sido apresentado à Liga da Justiça de Keith Giffen e J.M. deMatteis, pioneira nessa abordagem. O codinome de Guido, o cara fortão, era...Fortão. De qualquer modo, eu gostava bastante daquelas histórias, e agora vejo o X-Factor cômico como uma das poucas coisas nos quadrinhos mutantes dos anos noventa digna de ser lembrada.
E então surgiu esta minissérie, Madrox. O fator nostalgia bate forte na hora de pegar e ler o gibi: além do personagem-título, Lupina e Fortão também estão lá, e o escritor é o mesmo daquele bom X-Factor, o talentoso Peter David. Mas a história tem seus méritos próprios.
Jamie Madrox agora é um detetive particular num canto de Nova York denominado Cidade Mutante. Ele tem dois intrigantes casos em mãos: o de uma mulher que duvida da fidelidade do marido, um mutante paralítico mas capaz de criar uma projeção astral de si mesmo, e o de uma cópia sua que aparece esfaqueada e à beira da morte após retornar de Chicago, cidade bem violenta mesmo na vida real. Lupina, Fortão e uma outra cópia vão investigar o possível adultério, e o Jamie original encaminha-se a Chicago saber quem tentou matá-lo e por quê. Neste último plot concentra-se a parte noir da trama, como o narrador - o próprio Jamie - faz questão de dizer a si mesmo o tempo todo.
Peter David teve uma idéia muito interessante para trabalhar Madrox. Um homem múltiplo não precisa fazer escolhas, não à maneira que nós, pessoas "inteiras", estamos acostumados: optando por caminhos que nos desviarão irremediavelmente de outros. Ele pode ir em qualquer direção imaginável, bastando para isso criar uma cópia e dizer, "vá". Então ela retorna e Jamie absorve o conhecimento adquirido. E há cópias de Madrox por toda a parte, assimilando todo tipo de experiência - há um Jamie shaolin! Como efeito colateral, contudo, as cópias criam um ponto de vista próprio sobre as realidades vivenciadas, criando certa confusão na mente do original e também colocando-o, vez ou outra, em boas enrascadas.
Assim, o inusitado, tão bem-vindo nas histórias dos mutantes da Marvel - e inexplicavelmente escasso na maioria delas - marca presença nas páginas desta mini, extremamente indicada para eternos fãs que há muito evitam os títulos X devido ao marasmo dos mesmos, situação que já dura longos anos e nos faz buscar, quase sempre, lá no passado a lembrança de boas sagas.
As aventuras de Madrox e dos outros continuam na nova série do X-Factor, também de Peter David, que breve devorarei com o mesmo gosto, assim espero.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

eu convoco o poder total da tempestade!

Dá pra acreditar que esta frase, mais do que digna a figurar no rol de coisas mais toscas já proferidas por personagens fictícios em todos os tempos, não tinha nenhuma ocorrência no Google até agora? Bem, acabei de mudar isso.
Ouvir a Tempestade invocando os elementos ao usar seus poderes era uma das coisas mais duras de agüentar no desenho dos X-Men dos anos 90, que passou por um bom tempo na Rede Globo.
E falando nisso...
Sabe o que me faria convocar o poder total da tempestade? A nulidade chamada Big Brother Brasil, atualmente em sua oitava edição. Sempre que isso volta ao ar, eu penso: há ainda interessados no programa da casa cheia de gente vazia? Mas todos os potenciais espectadores devem se fazer a mesma pergunta e, em vez de usar o bom senso, voltam a dar ibope para a coisa, perpetuando a máxima "é ruim, mas como tem quem veja, vai continuar". E sempre há quem alegue falta de opção...sabe, pessoas a quem a alternativa desligue a televisão não foi apresentada.
E, pelo que andei lendo, BBB está garantido até o ano de 2011, no mínimo. Até lá, vamos ver se manifesto poderes climáticos...mas dispenso o discurso empolgado da Tempestade do desenho: a tevê já tem chatonildos de sobra.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008


E viva a falta de pauta...

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

a globo pode?

Alguém mais já reparou que, em transmissões em rede nacional - por exemplo, pronunciamentos oficiais, como o de Lula, agora há pouco -, o sinal da Rede Globo, e somente o dela, está sempre defasado em relação ao de outras emissoras? Coisa de um segundo, mas o atraso existe; é algo de que estou ciente desde garoto. Qual o motivo disso? Quem é o "culpado" por essa falta de sincronia?

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

natal em casa

Uma mesa repleta de comidas deliciosas. Compradas com o dinheiro de meu pai e preparadas por minha mãe. Desfrutada por todos os membros de nossa pequena família - a qual, apesar dos temores, nao sumirá.
Não recebemos visitas; pouco depois dos estouros de champanhe e fogos, todos nos preparamos para nos recolher. Não se duvide, entretanto, de que havia amor sob nosso teto.

sábado, 22 de dezembro de 2007

E esta tarde por pouco não comprei um filme pirata. Sério.
Foi ontem que vi o título que me interessou e quase me fez contribuir com essa...rede de criminosos. Fiquei olhando e olhando o título que até o momento não conhecia e me despertou um interesse absurdo e por pouco não consumo a compra. Chegando em casa, maquinei crime ainda mais terrível: baixar o filme pela Internet!
O dia já é hoje. A conexão está ruim e desisto do download. Tenho de sair de novo, faço um caminho estranho na volta, comprido e que passe de novo pela barraquinha de DVDs e CDs "alternativos". Bem mais cheia desta vez, muita gente olhando. Não encontro o que buscava e nem me atrevo a perguntar a respeito. Ao abandonar definitivamente meu intento, penso nos filmes que de fato quero ter em minha coleção e comprarei quando o dinheiro vier, virá que eu vi. E sim, evitei um mau emprego do pouco que hoje possuo.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

pessoas...

O IBGE diz que já somos mais quase 184 milhões de brasileiros.
No mundo inteiro, os seres humanos já devem ser quase sete bilhões. Sete bilhões.
Mamãe, ainda assim, quer que eu contrarie toda argumentação lógica - unclusive a não explicitada aqui - e ainda espera que eu tenha filhos, para torná-la avó, como algumas de suas amigas já são, e pretexto de "não fazer sumir nossa família".

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

cidade limpa

Minha ida a Campinas domingo último confirmou (o óbvio): a Lei Cidade Limpa, a qual eu julgava jamais passaria de boa intenção ano passado, foi das melhores coisas acontecidas à cidade de São Paulo nos últimos tempos, e acostuma facilmente os olhos de seus cidadãos.
Campinas ainda é tomada pelos anúncios. Aqueles gigantes curiosamente batizados em nosso país como outdoors, fachadas e símbolos que parecem capazes de engolir os estabelecimentos comerciais cuja localização indicam. Particularmente agressivas ao olhar são as enormes peças publicitárias afixadas a grandes prédios, mais comuns no centro da cidade. Mal me recordo de como era São Paulo antes da proibição deste tipo de feiúra - no mínimo dez vezes pior, se utilizarmos como critério de comparação o número de habitantes das duas metrópoles.
Que o exemplo paulistano logo alcance novas praças. Seria um colírio - com o perdão do lugar-comum.

Ainda sobre poluição visual: nunca havia notado os postes sem cabos elétricos na Rebouças. Fico imaginando a cidade inteira daquele jeito.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Tive um lindo sonho mas ao acordar tudo que eu tinha era a realidade.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

menina de ouro

Inspirado por Clint Eastwood...
Cante como no refrão de Menina Veneno, do Ritchie. Rimas pobres, mas é paródia e é pop, então não dou a mínima.


menina de ouro
você é um tesouro
precioso demais
eu já provei do seu beijo
e quero mais
e quero mais
e quero mais...

casa da mentira

A mentira, vejo-a como o mais desconfortável lar que alguém pode escolher para habitar. Estranhamente, porém, seu único residente se esforça ao máximo para fazer parecer a si mesmo que está num local aconchegante. Ignora as infiltrações no teto, finge que o piso é firme. Ele deslumbra com gosto a parede carcomida como a uma recém-pintada; mal repara, entretanto, na mobília desgastada que escolheu, e esta vai se sujando sempre.
O imóvel já era pequeno originalmente e a cada dia o dono sente ter de se encolher mais para ali caber.
E se alguém quer entrar nessa casa - sem convite, por razões óbvias - todo cuidado é pouco para impedir que o visitante ultrapasse a porta de entrada; o morador se posta à frente dela também para não notarem que ela está roída por cupins. Como desculpa, cita uma arrumação que, em seu íntimo, não sabe quando e como será feita.
A vergonha sentida pelo solitário mentiroso precisa ser imperceptível a ele próprio.
Ainda assim, ele não se desaloja facilmente desse lugar agourento; torna-se parte da decoração imunda, une-se a ela em seu abandono. Casa e morador estão mutuamente contidos, como naqueles jogos em que uma imagem se repete indefinidamente, quem é dono de quem.

fazendo a própria sorte (lost)

Tricia Tanaka Is Dead

Hurley: Stop feeling sorry for yourself (...) Look, I don't know about you, but things have really sucked for me lately, and I could really use a victory. So let's get one, dude. (...) Let's look death in the face and say 'Whatever, man'. Let's make our own luck. What do you say?


terça-feira, 11 de dezembro de 2007

fuga

Certo dia, alguém disse que eu vivia num mundo à parte, bonito, criado por mim mesmo. E foi algo que jamais esqueci. Para começar, a pessoa que o afirmou é bastante inteligente, e é uma das poucas neste planeta com quem eu compartilhe algo que pode ser definido como verdadeira amizade. A expressão "mundo à parte" remete quase instantaneamente ao caso de meu irmão, identificado como portador de traços de autismo e a cada dia mais determinado, se posso usar aqui tal palavra, a proceder única e exclusivamente conforme suas vontades não verbalizadas. Além disso, a mencionada beleza do mundo de André explicaria minha delicada relação com os sons musicais e minha empatia e inquietação por um mundo natural irremediavelmente modificado pelas mãos da lógica e da ganância.
Sobretudo, chama atenção aquela ser a maior verdade nunca antes dita a meu respeito.
Começo, entretanto, a enxergar com maus olhos minha gritante individualidade. Estou preso a este mundo inventado - meu refúgio, meu espesso cobertor em dias muito frios, minha inesgotável fonte de gozo - a ponto de não saber como me colocar fora dele. A todo momento esse gesto é necessário, e jamais procedo de maneira realmente satisfatória. É estranho demais: sou capaz de aconselhar a qualquer pessoa a tomar decisões lógicas e racionais num mundo lógico e racional ou então, se nada me for perguntado, balançar a cabeça para aquele menino tão simpático a meus olhos porque ele insiste em viver de ideais num mundo definido pela palavra concessão. Mas eu mesmo sigo aprisionado num mundo fantástico. Ainda acredito que posso viver uma felicidade idealizada, inclusive no campo profissional, se não em tempo integral, o suficiente para dizer, sou mais alegre que triste.
Mas isso não soa pueril demais? Adultos sofrem. Sempre, sempre. Por que não é possível "cair na real"?
Quando começou o isolamento? O mais óbvio palpite seria o momento em que vi minha preciosa infância ameaçada, tendo de partir para nunca mais, e tive muito medo. Mas não terá começado antes? Minha meninice não terá sido mágica demais? (imaginem se eu tivesse sido rico, então.) Ou existiria algum tipo de propensão ao mutismo e à misantropia em minha família, o qual se manifesta de forma mais evidente e até patológica em meu irmão, mas tão presente em meu ser também? Genética é um ramo da ciência capaz de fazer o homem acreditar em destino?...
Estou numa bela ilha tropical, perdida em algum lugar ao sul, envolvido por delícias imaginadas, e mesmo aqui não me livro do medo avassalador do mundo dos homens.

E meu primeiro post mais elaborado em semanas ficou uma porcaria, incoerente, mal escrito.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

domingo, 2 de dezembro de 2007

outra divisão

É difícil acreditar que tenha realmente acontecido. Mas é real. Pela televisão, vejo gente chorando pelo ocorrido. Para mim, comover-se a esse ponto é que é digno de lamentação.
Acontece que, no fundo, seja por mo]tivos racionais, como eu, ou por paixão futebolística, o rebaixamento era uma impossibilidade. Não era, e não é mais; tornou-se fato.
Quase dá vontade de voltar a ser são-paulino.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

se quando dormimos
morremos por um instante
ao fingir que dormimos
simulamos a própria morte
ocorre porém que passamos
quase toda a história do universo
assim
mortos
e perante o infindo
a vida nossa
é de uma brevidade
impossível
Já lhe dei a ordem.

domingo, 25 de novembro de 2007

acordar cedo, pátio do colégio, promúsica, leitura solene, cultura-criança, painéis de pierre mendell, comer sem exigências, herança indígena, yoko ono faz e dita arte, visão do amor impossível, corpo e alma a esmo, facilidades de um mundo, volta ao lar. Meu domingo!

domingo, 18 de novembro de 2007

errante

Deslizo por rios caudalosos a bordo da jangada que construí antes da morte de meu pai. Logo mais estarei novamente diante de meu povo. Minhas jornadas são longas e solitárias, gosto delas assim. Sempre saio silenciosamente de casa, meu ideal é o rio ser a única testemunha de minha partida, mas é impossível numa comunidade tão pequena. Sei que me olham com desconfiança por me acharem assim tão reservado, mas ao mesmo tempo há uma certa reverência em sua contemplação curiosa, eis o jangadeiro. A necessidade de velejar me impele mais que tudo a singrar terras, embora me disponha a nunca voltar de mãos vazias de minhas andanças, sem nada além de histórias enfadonhas aos ouvidos que me cercam; trago presentes aos pequenos, muito coloridos, eles me divertem. Nunca vou até o mar. Penso às vezes em grandes viagens, longas, a se perder na memória o horário e o local de partida. Em meu íntimo aguardo o dia em que empreenderei a mais longa de minhas jornadas, e não haverá ninguém a se surpreender com o fato de eu jamais retornar.


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Onde foi parar o tempo que eu ainda agora tinha de sobra?

sábado, 17 de novembro de 2007

alice acorrentada

Esta noite abri o LimeWire - meu atual programa de compartilhamento de arquivos; cumpre bem sua função - e digitei Beside You, na tentativa de encontrar uma música do Iggy Pop com esse título. Não achei o que queria (pô!) mas um dos resultados da busca foi um mp3 de Heaven Beside You, do Alice In Chains, banda velha conhecida minha, mas que andava meio esquecida até então. Agora digito o nomeEntão deu-se uma coisa interessante: uma volta à adolescência, sem traumas.
O Alice In Chains era, de certa forma, o lado negro do grunge, suas guitarras pesadas responsáveis por um clima mais sombrio entre as médias das músicas de bandas de Seattle do começo dos anos noventa. Este pé no metal, entretanto, não confere ao som do grupo a cacofonia insana, quase insensata de bandas assumidamente barulhentas. É que Alice in Chains é musical, mesmo. Há algo de blues nos riffs da banda - queria ser mais versado em música popular para poder dizer mais a respeito. Além disso, as melodias grudam tão facilmente no ouvido. A música começa, dois ou três versos e já estamos no refrão. Nem ponte existe. O som é barulhento mas é pop feito Spice Girls.
Não se pode deixar de falar também na nítida melancolia no som da banda, um prato cheio para quem não tem medo dessas coisas. Música não tem de ser sempre "pra cima"; o importante é haver algum sentimento.
Foi uma interessante redescoberta. Voltamos a qualquer momento com mais.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

estradas musicais

A música, forma de expressão tão fascinante. Cite ao menos um indivíduo que a despreze, se puder; é coisa raríssima. A paixão de alguns de nós pelos sons musicais pode chegar a tal ponto que apenas apreciá-los não basta, é preciso buscar formas de interagir com os mesmos. Então há quem cante, dance, aprenda algum instrumento. Em casos mais avançados de paixonite pelos tons melodiosos, existe o caminho da profissionalização, e pode-se vir a dominar a escrita e a fluência musical tão bem quanto a falada, ou até melhor.
Difícil entender, entretanto, os pensamentos dos pesquisadores japoneses que conceberam uma vereda, digamos, menos abstrata: uma estrada capaz de emitir notas musicais à passagem de automóveis. Observando os entalhes feitos por uma escavadeira no asfalto, percebeu-se que cada um destes produzia, ao ser atravessado, um som diferente, como num instrumento musical usual.
Para ouvir com clareza a música que veio a produzir, o motorista deve manter os vidros do carro fechados e estar a uma velocidade de 45 quilômetros por hora.
Não é mentira.
E ainda se busca entender o porquê.

sábado, 10 de novembro de 2007

silêncio

Ainda há pouco, surpreendi-me com a notícia da morte de Helena Samara, aos 71 anos, por falência múltipla dos órgãos. E pouquíssimos sabem quem ela é.
É questão de ligar o nome a uma voz. Helena era dubladora, uma profissional competente numa área ingrata e mal reconhecida. (Aliás, um dia faço uma lista de profissões valorizadas neste país, só para me decepcionar amargamente com o resultado.) Entre seus trabalhos, pode-se citar a Mamãe de Futurama, e deve-se listar, sobretudo, seu mais conhecido personagem: a Dona Clotilde, a Bruxa do 71 do incontestavelmente clássico Chaves, que diverte gerações de brasileiros, crianças de agora e as já crescidas, há mais de vinte anos.
Uma triste perda, e o fato de não ser notícia que ganhe o devido destaque a torna ainda mais lamentável.
A seguir, uma lista de alguns dubladores também falecidos, cujas vozes fizeram parte do encantamento de séries, desenhos e filmes que nos deslumbraram, sem se importarem em ficar "escondidos" atrás de personagens muito mais celebrados que eles jamais seriam.

Newton da Matta - Bruce Willis em diversos filmes; morto em 2006
Marcelo Gastaldi - Chaves, Chapolin, Charlie Brown; 1995
Mário Vilela - Seu Barriga, Nhonho
Aldo César - Bender (Futurama); 2001
André Filho - Superman (dublagem original dos primeiros filmes) e filmes mais antigos de Sylvester Stallone; 1997
Older Cazarré - Zé Colméia, Dom Pixote, Homem Fluido (Os Impossíveis), Jaiminho (Chaves); 1992
Olney Cazarré - Pica-Pau, Hadji (Johnny Quest); 1991
André Luiz "Chapéu" - Brutus (Popeye), Tigrão (Ursinho Puff)

rené magritte


La condition humaine



The son of man

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

alberto caeiro

Que é Fernando Pessoa, que fala de André.


Quando eu não te tinha
Amava a Natureza como um monge calmo a Cristo...
Agora amo a Natureza
Como um monge calmo à Virgem Maria,
Religiosamente, a meu modo, como dantes,
Mas de outra maneira mais comovida e próxima.
Vejo melhor os rios quando vou contigo
Pelos campos até à beira dos rios;
Sentado a teu lado reparando nas nuvens
Reparo nelas melhor...
Tu não me tiraste a Natureza...
Tu não me mudaste a Natureza...
Trouxeste-me a Natureza para ao pé de mim.
Por tu existires vejo-a melhor, mas a mesma,
Por tu me amares, amo-a do mesmo modo, mas mais,
Por tu me escolheres para te ter e te amar,
Os meus olhos fitaram-na mais demoradamente
Sobre todas as cousas.

Não me arrependo do que fui outrora
Porque ainda o sou.
Só me arrependo de outrora te não ter amado.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

patch adams no roda viva

Meu primeiro contato com esse simpático senhor e seu trabalho, a que o rótulo "medicina humanizada" pode parecer pouco eficaz, como é comum quando se rotula, mas não deixa de ser um começo.
Todo mundo deveria ter visto a entrevista de ontem. Todo mundo mesmo. Adams dá palestras por universidades mundo afora; porém, no meio acadêmico as pessoas pensam a todo momento - ou deveriam fazê-lo - então talvez seu discurso humanitário, aquele que vai além da já mencionada humanização nas relações médico-paciente, não seja tão impactante como na televisão.
O choque causado pelo doutor começa pela sua indumentária: brinco em forma de garfo, camisa florida e calças vermelhas largas como as de palhaço. Que ninguém se engane com esse ar bufão: mesmo em momentos mais descontraídos, a fala de Patch Adams é contundente. Ele inicia criticando o filme baseado em sua vida, estrelado por Robin Williams, que reduz seu trabalho à máxima "rir é o melhor remédio". A cinebiografia pode ter aumentado, e muito, as contribuições financeiras a seu hospital modelo nos Estados Unidos, onde se atende de graça, mas não passa de uma, digamos, hollywoodianização de seus ideais.
E o médico com cara de palhaço se revela um grande provocador. Ele afirma que a indústria farmacológica é nefasta, que os grandes hospitais não são nada além de grandes instituições comerciais/financeiras. O sistema de saúde norte-americano exclui automaticamente 50 milhões de pessoas porque elas não possuem dinheiro.
Adams não se restringe à medicina, uma vez que a mudança de atitude que ele exige dos médicos deve valer para todos. E os petardos continuam. Noventa por cento dos americanos não pensa. As três pessoas mais ricas do mundo possuem renda igual à das 48 nações mais pobres. Torcer por multimilionários jogadores de futebol é uma lastimável perda de tempo - ele se referia ao football, mas nada impede de aplicarmos isso ao "nosso" soccer. Pessoas ricas que nada fazem além de se exibir são completamente vazias. Ele nos exorta várias vezes à questão da Amazônia.
Patch Adams: o capitalismo é a pior coisa que já aconteceu ao mundo!!!
A televisão fica pequena e tímida diante das idiossincrasias do doutor. Ele não tem controle. Fala palavrões e põe convidados e entrevistadores a cantar. Em certo momento, levanta-se da cadeira, arregaça as pernas da calça para mostrar o personagem que interpreta ao apartar - com sucesso em 100% dos casos, segundo ele próprio - brigas entre pessoas que nunca havia visto. Sim, aquelas desentendimentos para os quais qualquer outro ser humano dá as costas. É a revolução de Adams.
Em cada gesto, em cada palavra, a segurança de quem acredita no que está fazendo, que é possível um outro mundo, baseado em fraternidade, cordialidade, amor incondicional, em vez deste nosso corroído pela ganância por poder e dinheiro, e há fome e miséria ali ao lado.
E se todo mundo tivesse visto essa entrevista...todo mundo mesmo...e repensasse a vida...por que não?

numbers

everyday i hear countless voices talking and talking but i only listen to the ones that tell forever things.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

spice girls, dez anos depois

Porque o tempo passa :)
Victoria agora é Beckham e, ao lado de uma Geri mais magrinha, faz triplicar o número de louras no grupo; Emma não é mais única. Mel B. não assusta mais ninguém, com a provável exceção de Eddie Murphy. E Mel C. parece ter deixado a fama de esportista lá atrás no passado.
Que ninguém espere inovações artísticas, contudo. Claro. Elas continuam tão pré-fabricadas quanto na década passada, quando ainda eram, de fato, garotas. Headlines (Friendship Never Ends) é muito, muito parecida mesmo com tanta coisa que já se ouviu. Mas algo ainda está lá que garanta a nostalgia dos fãs, também eles mocinhas, e mocinhos, de outrora.


quinta-feira, 1 de novembro de 2007

em meio à festa

O São Paulo é campeão no ano em que deixo de ser torcedor.

Força de vontade, meu garoto.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Eu uso lápis mas não quero ter um apontador. A idéia é simplesmente me virar.

domingo, 21 de outubro de 2007

bem amigos...

Pouco mais de um ano atrás, perguntei-me se o brasileiro ainda se interessava por Fórmula 1. Naquelas circunstâncias, julguei que o típico marasmo da categoria estaria ainda mais claro aos olhos do público, devido à ausência de pilotos brasileiros com chances reais de triunfo. Hoje, contudo, pude constatar que havia muita gente interessada em saber quem levaria o campeonato recém-encerrado. O fato de a última corrida ser disputada em Interlagos; a presença de um brasileiro na pole position, ainda que fora da grande peleja; a possibilidade de triunfo de um piloto negro, tão simpático aos olhos dos espectadores deste país: cada um desses fatores teve sua contribuição para o sucesso da temporada vendida como a mais disputada dos últimos tempos na Fórmula 1 (Galvão Bueno deve ter repetido isso à exaustão, ou à hipertensão, dependendo da fonte). Os homens por trás daqueles carros possantes e dos montes de dinheiro que eles rendem encontraram um meio de manter o interesse dos não tão amantes da velocidade, também conhecido como grande público, e colhem seus tenros frutos. E sobre o resultado das pistas, curiosamente, não deu a lógica: levou o título quem menos tinha chance. Mas o ambiente não se revelou totalmente incomum, uma vez que o campeão se valeu de um estratagema conhecido nas pistas, particularmente por nós, brasileiros. Felipe Massa foi o Barrichello de Raikonnen. Tudo pela equipe, tudo pela Fórmula 1.

***

O título deste ano ainda pode ser revisto em (mais uma) decisão fora das pistas. É esperar para ver.

***

Saiu na Folha de hoje uma matéria sobre um ex-piloto inglês que poderia ter sido o que Lewis Hamilton é agora. Ambos, o bem-sucedido e o falido, foram apadrinhados pela McLaren/Mercedes ainda no kart. Foi quando começaram os problemas. Hamilton logo cresceu, e o outro, cujo nome não me peçam para recordar, foi aos poucos deixado de lado, talvez devido à aposta do time num futuro piloto negro. Hoje, o preterido rapaz não tem em casa nada que lhe recorde os dias de corridas - por recomendação psiquiátrica - e é jardineiro.

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quarta-feira, 17 de outubro de 2007

incômodo

Você não me decifra num único olhar, por maior que seja seu desejo. Não espere de mim a condescendência supreendentemente irrestrita do mundo. Percorra os caminhos intrincados que lhe indico com sabedoria, em minha condição de único guia plenamente preparado, e chegando ao fim da trilha, surpreenda-se ao perceber a lógica simples, quase tola, de cada passo.
Não é com pesar que me despeço, não o pesar que você supõe. Sinto é pela incapacidade sua de fazer diferente, de fazer diferença. Se você não pode me mudar, contudo, por que me deixar atingir pela impossibilidade de mudar você? Deito-me consolado, durmo.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

dia do professor

Texto que é uma bela homenagem a esse profissional tão importante e injustiçado.



quinta-feira, 11 de outubro de 2007

oct 11th

lábios projetados

Lábios projetados convidam para o que não há recusa. Em sua posição privilegiada encontra-se também a promessa de um prazer imediato. À língua são necessários maiores e estonteantes malabarismos para umedecê-los. Não se acompanha tal frenética dança somente com os olhos. Tocar lábios protuberantes encerra o risco de envolver-se neles eternamente, seus beijos grandes sugam a essência sem jamais exaurir, cai mais uma vítima de irrevogável lei da natureza que beneficia o mais capaz, o mais bem equipado, e a presa não contesta a disposição, mas antes a endossa. Boca tão farta e ainda exige mais: a carne destes lábios pequeninos já não mais me pertence.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

edward hooper


Nighthawks




New York Movie

mansão e quebrada

Olá a todos. Sou uma celebridade. Tenho uma ONG, mas quase ninguém sabe. Acima de tudo, forneço entretenimento gratuito à nossa população. Por conta disso, sou extremamente capacitado a escrever umas linhas bem mal escritas num dos jornais de maior circulação do país esbravejando indignado com uma injustiça que me ocorreu - outras pessoas escreveriam em blogs, mas para mim isso é pouco. A essa altura duvido que alguém não saiba do que me aconteceu de tão grave, dado o meu status de pessoa pública, mas repito mesmo assim: eu senti na pele a violência desse país. Fui assaltado, levaram meu relógio, podiam ter tirado a minha vida, a vida de uma celebridade, o povo me choraria nas ruas, o Jornal Nacional e outros veículos de comunicação exaltariam meu legado, deixariam claro quanta falta eu faria ao povo, a meus amigos. Registrariam o luto de minha família célebre, meus anjinhos, abalada para sempre pela maior das tragédias. Só digo uma coisa: algo precisa ser feito. O Brasil, do jeito que está, não dá.



É nóis. Sou da favela. Ergo-me como a voz de uma periferia massacrada, oprimida por quem mais deveria cuidar dela. Dar casa decente, escola boa, emprego e tal. Mas não cuida. Aí a gente tem de lutar. Primeiro a gente tem de aprender a dizer que tem orgulho que é da periferia, usar tipo um símbolo para deixar claro. A patente, deixa que eu registro. Porque a gente não está só confinado nos bairros distantes em que o sistema nos fez morar. A gente sai, trabalha longe, vê o mundo também. É atravessar a ponte e chegar aos lugares onde as pessoas vivem bem, têm as coisas que querem porque têm como comprar. Só que a gente quer isso também. Às vezes é complicado arrumar dinheiro para se manter apenas, mas só isso não basta. Eu acho que, para conseguir isso que o rico tem tão fácil, qualquer coisa é justificada. Até tirar a força de quem tem sobrando. Está sobrando, mesmo. É um negócio em que todos saem ganhando. Aponto a arma na cara do riquinho ali, ele me dá o que eu quero. Ele continua vivo e o mano arranja alguma coisa legal que pode ficar para ele ou virar dinheiro para outra coisa mais bacana. Talvez até dinheiro para financiar mais roubos. O que não importa, afinal; o riquinho vai sempre ter sobrando. Ah, e como eu sou controverso, sou polêmico, a voz da favela, apareço no jornal defendendo essas idéias.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

eu suplico!

Por obséquio, entidade superior encarregada de minha pessoa, faça-me ignorar o deplorável pão e circo movido a dinheiro imundo que vem a ser o futebol. Por mais que a lógica não se aplique aos jogos da modalidade, é inconcebível um time como o São Paulo sofrer derrotas consecutivas para duas equipes indiscutivelmente inferiores e desmoralizadas na atual competição. Somente uma armação explica o nonsense.


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sábado, 6 de outubro de 2007

jogos mortais, ou a busca por michael emerson

Alguns grandes atores integram o elenco de Lost. Freqüentemente encabeçando a lista de melhores está Michael Emerson, que interpreta Ben, o manipulador líder dos Outros. O excelente trabalho de Emerson no seriado incentiva o fã a procurá-lo em outros papéis. O ator, contudo, foca-se mais em teatro; aparições suas em cinema e televisão são raras. Uma delas é o primeiro filme da bem-sucedida série de terror Jogos Mortais, cujo quarto volume encontra-se em vias de ser lançado. Este revisor, pouco chegado a filmes do gênero, ainda não havia podido dar seu veredicto à fita em questão. Com o incentivo da presença de um grande ator no elenco, chegara o momento de dar uma chance à cinessérie.
Ao término do filme, entretanto, duas constatações decepcionantes. A primeira é de que Michael Emerson possui muito pouco tempo de tela, triste conhecer seu talento e vê-lo assim desperdiçado. A outra é mais geral: Jogos Mortais está longe de ser considerado bom.
Na trama, dois homens despertam acorrentados em um banheiro imundo, sem a menor idéia de como foram parar ali. Há também um cadáver no chão, uma arma na mão e a cabeça ensangüentada Aparentemente, os dois são vítimas de um jogo no qual o prêmio é manter-se vivo e dar mais valor a esse fato, mesmo que a morte de um deles se apresente como necessária à sobrevivência do outro. A pessoa por trás desse sadismo se comunica com os "jogadores" através de gravações e bilhetes misteriosos e é conhecida da polícia pela alcunha de Jigsaw.
A premissa não é ruim, mas o resultado não convence. Há momentos interessantes aqui e ali, mas no geral vê-se a tentativa do diretor James Wan em compensar evidentes falhas na execução do filme - cenas mal trabalhadas, atuações fracas, Emerson subaproveitado - com recursos controversos, como edição ultrarrápida à videoclipe, closes cirúrgicos em corpos mutilados e o pior: a reviravolta que conduz o filme à inevitável seqüência e parece querer dizer ao espectador, "veja o que guardamos na manga, como somos espertos". Os mais incautos podem até se deixar levar por essa conversa, mas para o espectador esperto tal artifício falha miseravelmente. Depois do festival de desacertos, o desfecho soa forçado demais.
Michael Emerson não retorna em outros volumes de Jogos Mortais, o que é mais um motivo para dar adeus à fraca série. Repassarei sua cinebiografia a fim de conferir mais de seu bom trabalho. E fevereiro de 2008, data da estréia da quarta temporada de Lost, custa muito a chegar.

parêntese

Estou relendo Cem Anos de Solidão.
Me pergunto o que esperar das releituras cinematráficas de O Amor nos Tempos do Cólera, do mesmo Garcia Márquez, e Ensaio sobre a Cegueira, de Saramago. O grande "charme" das obras desses autores é a narrativa ímpar de cada um. Imagino que, por melhores que os filmes se revelem enquanto filmes e nada além, estarão fadados ao rótulo de obras menores, em relação aos livros que os inspiraram.


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quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Um dia minha respiração parou durante o sono e jamais encontrei reconforto sobre esta terra. Despertei para uma existência sem sonhos, incapaz de precisar quando o pesadelo havia começado. Ratos e outras criaturas indesejáveis vinham até mim, perseguiam-me emitindo os mesmos ruídos sem descanso; as palavras de desdém que eu lançava não os repeliam, para tanto, teria sido necessário lançar um sortilégio não totalmente esquecido, mas cuja execução jamais pude levar a termo. Meu olfato identificava cada vez mais e melhor o podre, nem a mim mesmo digo o porquê. Minha voz, irremediavelmente cansada, sofria vitimada por uma pressão, um esforço que jamais lhe tinha sido exercido, que mais havia se acumulado ali como a poeira e a fuligem que tomam o telhado de uma bela casa, all that junk in the attic had never bothered me before. A busca de certas traduções não possui significado. Nunca estive tão perto da morte; permaneci vivo assim por décadas.

recall

Acabei de receber...este blog também é prestação de serviço, por que não?
A ASSOCIAÇÃO DOS CAMELÔS DA 25 DE MARÇO CONVOCA TODOS OS PROPRIETÁRIOS DAS CAMISETAS DO CORINTHIANS EM QUE CONSTA A ESTRELA DO CAMPEONATO BRASILEIRO DE 2005, PARA SUBSTITUIÇÃO POR UMA COMPLETAMENTE ATUALIZADA (sem a estrela grafada) PARA QUE NINGUÉM SE SINTA PREJUDICADO!!!

A ASSOCIAÇÃO ESTARÁ SERVINDO, DURANTE ESSE RECALL, UM CHURRASCO GREGO E UM SUCO GRÁTIS!!

ESSA OPERAÇÃO (RECALL) SÓ FOI POSSÍVEL GRAÇAS À PRONTA INTERVENÇÃO DO SR. ALBERTO DUALIB, SEM A QUAL NÃO TERIA SIDO VIÁVEL.


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quarta-feira, 3 de outubro de 2007

informe do blog: marcadores

Estreando aqui os marcadores, também conhecidos como tags...espero que gostem. Tive a idéia de usá-los pela primeira vez há quase um ano; na ocasião, listei uma certa quantidade de temas sob os quais achei que poderia classificar meus posts. Conste que essa lista original possui 23 entradas... mas ainda não estou certo se usarei todas. Devo adicionar algumas novas também.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

concerto - 07/10


Da infinda série "antes que eu me esqueça". Estou de coralista convidado, por assim dizer. O trabalho da regente é ótimo e a missa que faremos, muito bonita.

domingo, 30 de setembro de 2007

mônica salmaso


Sim! Mônica Salmaso no Municipal! Perdi uma temporada inteira de shows dela mas esta chance eu agarrei. E nossa, como valeu a pena. A voz dela é exatamente aquela dos CDs: Mônica tem um dos timbres mais lindos da MPB. E ela é uma simpatia no palco: leva na esportiva as derrapadas do pessoal da iluminação, conta pequenos e divertidos "causos", agradece o carinho da presença de todos...Os músicos que a acompanham - Toninho Ferraguti no acordeon e Teco Cardoso alternando sax e flauta - são fantásticos e até ganham seus momentos de "estrelas" do show. Apenas ao final surge um grande problema: o concerto é curto demais! A vontade que dá é de ouvir Mônica por horas e horas, mas só resta aplaudir de pé e bem forte depois do bis. Um final de tarde maravilhoso.


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terça-feira, 25 de setembro de 2007

vertigem

Mais que o temor da queda, o real assombro é experimentar outra força trazendo-me abaixo, além da gravidade: uma estranha vontade de querer cair, ver o chão cada vez mais próximo, ouvir a própria voz descontrolada, sentir-me deslocando o ar que se torna único freio ao irresistível movimento.


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sábado, 22 de setembro de 2007

dia mundial sem carro (?)

Aqui, na metrópole repleta de ruas e onde muitos dos que dependem de transporte público sonham com o dia de se livrar do mesmo, a campanha massiva para hoje não adiantou; as pessoas não deixaram os carros nas respectivas garagens. Esta é, ao menos, a percepção deste blogueiro ao retornar de seu compromisso matinal: atravessei a cidade, vi limusine, carro esportivo e até peguei trânsito em local costumeiro. E o paulistano médio não pode sequer pensar em ficar sem seu carrinho nem um único dia.




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quinta-feira, 20 de setembro de 2007

verbo

Não sou gramatiqueiro, mas gosto de verbos. É coisa tão flexível, umas letras a mais, ou a menos, e muda não apenas a palavra, mas quando e como ela se usa, de quem ou quantos quero falar. Verbo se conjuga, é tão interessante. Não é como se observa ao estudar línguas em que palavras como substantivos e adjetivos apresentam casos, como o morto latim e o complicado alemão - onde estava com a cabeça? - mas a palavra em si é a mesma, não se altera em significado ou idéia, o que se fez foi alterar sua função gramatical. Verbo não tem isso: eu sou, ele é, outros são, e se somos todos nós incluí-me onde há pouco não estava. A todo momento, pessoas fazem, estão fazendo, mas sem abusos, por favor. E também estamos sempre a ouvir do que outros fizeram, faziam mas hoje não mais, ou mesmo tinham feito antes de outros ditos. E os grandes e pequenos planos que se realizarão, ou vão dar certo se deus quiser; eu confessaria a você aquele desejozinho que queria ver concretizado se a lembrança não me fizesse mal. Melhor pensar nas tarefas diárias que devo cumprir. Mas então é curioso. Não dou ordens a mim mesmo, peça você, ordenem vocês, mandemos nós que assim não contradigo a regra. Tanto pode ser dito, tantos outros além destes, mas que vontade de usar todos os tempos ao tempo que se pede e pode.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

19/09

O tempo está seco. Parece que, todos os dias, alguém queima alguma coisa aqui nas redondezas. Olho em volta e em alguma direção sempre vejo fumaça; sempre que saio, retorno com as roupas mal cheirosas, trazendo poluição de fora, que se une à poluição próxima, assim como se carregam e se mesclam os grãos de plantas, só que a união de gases não traz vida nova ao mundo, mas antes subtrai o tempo das que já existem. À noite, quando escovo os dentes, é como se algo se abrisse no interior de meu sistema olfativo e sinto o ar carregado como nunca, uma sujeira invisível da qual parece não haver escapatória. Penso que a casa concentra a fumaça de hoje, a de dias anteriores e mesmo a de invernos fechados; por mais que se abram portam e janelas, uma casa tem que ser assim fechada, e muito do que entra acaba concentrado aqui. Aprisionado, e aprisionando também.
Se a fumaça é eterna, reclamo dela para sempre também.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

o quanto antes!

Aqui nas imediações, à noite: uma família andando na rua, papai falando.

"Olha, meu filho, olha como o papai anda, que nem homem..."

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

missa em si menor - bach

Há anos eu não ia à Sala São Paulo...praticamente esqueci como era estar lá: a arquitetura, o ar de "primeiro mundo" - para o bem e para o mal - o som cristalino da orquestra, e do coro, quando este se fazia presente.
Voltei para lá no sábado. E foi quando me apaixonei.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

(...)

O blog contaminou o que teriam sido páginas de diário. Talvez para sempre.

Tenho essa necessidade de me entregar. Todos a possuem, na verdade, por melhor ou pior que lidem com ela. Não arrisco dizer como o faço hoje.
Não é possível sair e se entregar livre e facilmente a cada um, não a quem primeiro aparecer, não é são, não é saudável. Sei disso. Mas por vezes isso não basta para me manter mais tranqüilo. Sonho, imagino, uma total entrega, um confiar plenamente, a alguém sem rosto, o que é bom e mau. Bom por não haver o eventual risco de repetir as tolices do passado, aquelas cujo simples nome dói pensar sobre. Mau porque...ora, quem é você mesmo? Onde está que não me aparece? E assim se vive sem paixão. Então chegam aqueles dias em que me toma a vontade louca de dar nome, rosto e corpo a esse meu desejo, você que me é tão familiar, você com quem tenho essa proximidade, a você eu me daria, e faria sentir da mesma forma que eu. Tenho essa impressão de que funcionaríamos bem juntos.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

máquina

Sou uma máquina rangente. Executo aquilo para que fui projetada. Não conheço causa nem avalio conseqüência. Não existo para discutir diretrizes. Apenas faço. O único som que produzo é o relativo a meu trabalho. Não são como as palavras articuladas que às vezes ouço, capazes de transmitir o concreto e o abstrato, e que agora busco reproduzir de forma rudimentar, visto que tal faculdade está distante de minha verdadeira função como máquina. Não. Meu rangido é simplesmente o som do trabalho, o som necessário. Não me acomete felicidade de medida alguma se sou manuseada com cuidado e eficiência. Da mesma forma, saber que sou utilizada incorretamente não é motivo de desapontamento ou frustração. Tudo é trabalho. Sou uma máquina. Apenas faço. Até o momento de ser substituída.

do que se passa em minha cabeça durante viagens

Sigo adiante...movo-me a grande velocidade, deslocando com minha passagem uma coluna de ar. Estendo a mão para sentir esse vento entre meus dedos...
Um dia, estarei morto, e não terei mais dedos para experimentar essa percepção; sequer terei percepção de coisa alguma.
sempre um não-sei-o-quê quando me lembro da morte. Morte de pessoas próximas. Mortes em família. A minha própria. Um dia, saberei a resposta para o grande enigma que envolve o "pós-vida" e não será possível comunicar essa informação a ninuém que eu tenha conhecido e ainda não esteja onde estou. Estar morto pode ser como um sono profundo do qual não se acordará, se pensarmos que há algo de nós além de nosso próprio corpo, algo que jamais se desfaça. Seria, então, como num sonho? Eu saberia estar sonhando, como normalmente me acontece? Sonhos que jamais se interrompem.
Ou ainda, tudo o que somos simplesmente se dissipe muito mais rápido que a matéria. Digamos, instantaneamente, a consciência desapareça. Que pensamento! Como é simplesmente não ser mais? Sei existir, isto é tão fácil, o oposto é simplesmente assustador.
Então percebo: não é realmente a morte que me assusta, mas a interrupção brusca da vida. O descanso eterno após uma vida repleta de realizações não vai mal...deve haver um momento na vida, se bem vivida, em que se diz, não há mais nada por aui, melhor fechar. Mas e o jovem que mal iniciou seus passos? E o não tão jovem ainda perdido em meio a possiblidades de que ainda nem se deu conta, envolto em dúvidas decorrentes de erros anteriores? É perder-se para sempre ou seguir um rumo.
Este não seja o momento de pensar na morte. Deixar para quando ela estiver próxima...e quando isso acontecer, já não haverá muito mais sobre o que pensar. Estendo a mão para sentir o vento entre meus dedos...e ainda há tanto por sentir.

solitary

Dizem que, se você ficar bem quieto, consegue ouvir coisas que ninguém mais pode. Vozes que falam direta e unicamente a você.



sexta-feira, 31 de agosto de 2007

tocqueville

...e o mundo que não queremos.

"Vejo uma multidão inenarrável de homens, iguais e semelhantes, que giram sem descanso sobre si mesmos com o único fim de satisfazer os pequenos e vulgares prazeres com que enchem suas almas. Cada um deles vive à parte, alheio ao destino de todos os demais. Seus filhos e seus amigos constituem para ele a espécie humana. Enquanto concidadãos, está junto deles sem vê-los; toca-os sem o sentir; só existe em si e para si mesmo. Se lhe resta uma família, pode-se dizer que já não lhe resta uma pátria. Acima de todos eles eleva-se um poder imenso e tutelar que se encarrega, sozinho, de garantir seus prazeres e de velar por eles. Este poder é absoluto, minucioso, regular, previdente e apacível. Pareceria um poder paternal se, como este, tivesse por objetivo preparar os homens para a idade viril; ao contrário, porém, busca apenas fixá-los irrevogavelmente na infância. Não lhe desgosta que os cidadãos gozem, sempre e quando só pensem em gozar. Trabalha com gosto para fazê-los felizes, mas quer ser o único agente, o único árbitro. Supre sua segurança, provê suas necessidades, facilita seus gozos, gestiona seus assuntos importantes, dirige sua indústria, regula suas sucessões, divide sua herança. Ah, se pudesse livrá-los inteiramente do incômodo de pensar e da dor de viver!"

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

sabores americanos

Se quiséssemos listar, como exercício, as contribuições mais relevantes de cada civilização majoritária de nossa história ao mundo tal como o percebemos, e encontrássemos dificuldade em definir o legado cultural dos Estados Unidos - talvez o último grande império -, uma boa resposta seria fornecida pela estigmatizada imagem que temos do norte-americano médio, aquele um tanto obeso, estirado no sofá diante de sua televisão grande, empanturrando-se com bebidas e petiscos dos mais calóricos já imaginados.
Olhos fixos nessa imagem, atentaríamos às citadas guloseimas, possivelmente devido à lembrança de seu aroma: todas essas comidas que os americanos criaram, ou popularizaram, tão conhecidas e, mesmo que seu consumo regular não seja recomendável para uma alimentação saudável, devoradas mundo afora.
Refrigerantes, sorvetes, batatas chips, cachorros-quentes. Alimentos cujas histórias podem ser conferidas no programa Sabores Americanos, atração das noites de quarta-feira (21:00) no History Channel. Depoimentos de profissionais da indústria alimentícia e estudiosos, acrescidos da apresentação de uma cronologia com os fatos mais relevantes relativos à produção e à venda de cada produto (um por semana), tornam o programa um registro curioso sobre algo que os americanos definitivamente ensinaram o mundo a fazer como nenhum povo antes: consumir coisas não necessárias pelo mais puro prazer.

Então, logo a seguir, assiste-se ao Álbuns Clássicos, com os melhores trabalhos de Queen, Pink Floyd, The Who, Elton John, e pode-se pensar que a principal contribuição da Inglaterra ao mundo foi a música popular de grande qualidade. Mas isso é outro capítulo de história.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

(anexo)

Meus olhos estão abertos para as trevas que os rodeiam. Todos estão em seus lugares.

"Everything under the sun is in tune
but (...)"

ondas da vida

As máquinas rangentes escavaram e encontraram algo com que não podiam lidar. Era bruto e secreto, indissociável e insondável. Aquela energia não serviria para mover qualquer engrenagem, mas o que está sob sua ação opera em moto-contínuo. É misterioso e tão elementar: a pergunta a qual estamos habituados não haver resposta. Todo este horizonte e jamais abandonamos a superfície, que acontece quando se atinge um orgasmo.


O mundo é uma loucura, mas deixar-se levar unicamente por ele, ou antes por aquilo que se convencionou ser ele, não serve como base para uma total compreensão, não daquilo que existe para compreender, ou confundir de fato. O que vejo com os olhos que me foram dados é a realidade, mas, se vejo as coisas sob quaisquer estados alterados, apresentam-se outras realidades, outras percepções, inteligíveis ou não, fonte de soberba ou não, possíveis de se viver com ou. O mundo é louco; vã, porém, é sua loucura. O mais certo é atingir uma certa para-insanidade.


Agora ainda, temi as palavras que escrevi, as palavras que já escrevo; temi por me tirarem minutos de sono; temi a hesitação em dizê-las; temi o medo de perdê-las. Estranhamente, temi também o que elas significassem a mim ou quem quer que fosse, interpretações desviadas ou iluminadas me assustavam igual. Temi também o caminho de treva que tive de percorrer para anunciar tais palavras; como criança, tive irracional medo do escuro, eu o (ir)racionalizei dizendo a mim mesmo que as trevas atacariam a fim de calar-me, eu tão pequeno e, sem o saber, poderia estar a versar sobre a natureza das trevas, do nada, para onde tal conhecimento me levaria, mais respostas, mais temores, mais delícias, mais nada. Deixem-me.

domingo, 26 de agosto de 2007

urso polar

Grande. Forte. Imponente. Fascinante. O urso polar, nobre habitante dos recônditos mais setentrionais e inóspitos do planeta, é tudo isso. O pêlo espesso, claro como o gelo em seu habitat natural, o torna dos mais belos animais ainda vivos sobre a terra. Por quanto tempo, porém, ainda não se sabe: as mudanças climáticas ocorrendo globalmente têm reduzido a superfície de mares congelados onde os ursos buscam alimento - focas, principalmente. Nas terras quentes, temos Knut, o ursinho-celebridade (foto acima, de meses atrás), que se mudou recentemente do zoológico onde nasceu; ao mesmo tempo, o mundo dos ursos selvagens está ficando menor, talvez de maneira incontornável, certamente mais rápido que um próximo salto evolutivo. Triste para todos nós que um animal desse porte se mostre tão vulnerável e se converta num símbolo sobre o que há de mais errado no mundo.
Mas a intenção aqui não é deprimir, e sim homenagear esse bicho, que felizmente ainda está entre nós, permitindo o de novas imagens lindas, lindas. Tentem descobrir qual delas estou usando como papel de parede - adianto que é a mais inusitada e menos fofa.

flashback

Queria fechar os olhos e enxergar para trás, no tempo, ver a vida tal como era no passado: as árvores que deram lugar a essas torres artificiais; as pequenas construções, simples como o outrora; ouvir a água fresca correr livre e senhora dessa profusão de criaturas: não sei qual a mais espantosa. Queria vislumbrar por um instante o não mais.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

o terceiro do ciclo

Queria estancar este sangue, mas as mesmas feridas tornam a reabrir quase espontaneamente. E essa dor.

trágica

Não posso com o peso do mundo, pobres de meus braços e costas. Convocam-me para um, dez, doze, inúmeros trabalhos, não dou conta de executá-los, logro êxito em uns poucos deles pois a fortuna não me abandona de todo, embora por vezes eu o desejasse. Encontro-me aprisionado em estranho local de onde jamais encontro a saída, tamanha dificuldade, já segui por este caminho antes. Agora uma criatura diante de mim, dentes como serra, cabelos longos e ondulantes, a língua cor de coisa morta. Mal posso fitar-lhe os terríveis olhos. Parece que posso vencê-la, ao que ela se transformará no mais ostentoso troféu, meu mais alto vôo. Mas estou paralisado, nada posso fazer. Todo dia, sinto me arrancarem parte importante do corpo, mas momentos após a terrível dor sinto um alívio imenso, penso que jamais terei de passar por aquilo novamente, mas o membro extirpado regenera e o ciclo se renova.


A minha história, não sei como termina.

bestial

Em minha alma está contida toda a raiva capaz de sentir somente quem não tem alegrias em vida. O que me rodeia é objeto de ódio, pois esse é o único sentimento que conheço. Sou constantemente atormentado pela angústia de quem espera e espera não se sabe o quê. Meus olhos nada enxergam com definição. É como se todo o mundo exterior estivesse como me sinto por dentro, distorcido, um ser outrora humano, um mero rabisco. E, mais que tudo, eu abomino minha ausência de forma.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

crianças trabalhando

Ontem saí de ônibus e no meu trajeto deparei com três crianças, uma na ida e duas na volta, vendendo doces no interior do coletivo. Assim, como um adulto faria, estendendo uma mercadoria à mão de cada passageiro e anunciando seu preço. Só faltou mesmo o tradicional discurso, "desculpe estar incomodando a viagem de vocês", e coisa e tal.
Não são as primeiras nem as últimas crianças a serem obrigadas a trabalhar, mas nunca antes a exploração infantil me deixou tão indignado. Devo ter me imaginado no lugar delas, perdendo meus primeiros anos queridos. Por pouco não disse à primeira garotinha que ela não deveria estar fazendo tal coisa. À ocasião, eu até aceitaria um daqueles pacotinhos de balas, mas me recusei a comprar, com a convicção de que não ajudaria a manter aquela injustiça.
Minha infância foi muito feliz; em minha época, inclusive, custei a aceitar que ela estivesse chegando ao fim, mas isto é outra história. Se fui tão feliz em minha meninice, era principalmente porque gozava de total liberdade para ser uma criança de verdade: sonhadora, despreocupada, curiosa, alegre. Poupado de maiores compromissos ou atribulações. Sim, pois estes cabem à vida adulta. E tirar de uma criança o que ela possui de mais autêntico é desnecessário ato de apressar o curso da vida, além de crime dos mais absurdos. Sem dúvida, há no mínimo um adulto por trás de cada inocente pequeno vendedor de rua, pedinte, o que for. No mínimo um contraventor. Tratar-se de alguém da família, então, só piora as coisas.
A infância não pode ser perdida em nome de mais alguns trocados para ajudar a sustentar a casa. Pais, arranjem-se de outra maneira, pois esse é seu papel: preservar, física e moralmente, seus pequenos. O que tiver de ser aprendido sobre a dureza da vida, o será em seu devido tempo.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

campo minado...o filme

Adaptações de videogames para o cinema estão com tudo!

terça-feira, 14 de agosto de 2007

que teima

Será que consigo viver bem num mundo tão poluído? Daqui de onde mal se percebe a luz solar nem se enxerga o céu?
Existe amor? É possível viver do belo?
Nada nos resta senão o "dançar conforme a música"? Qual o grande risco em compor nossa própria?
A todos, não resta que a mediocridade? Cada um de nós tão único - tantos ignorantes de sua individualidade - e o único jeito é buscar o igual?

domingo, 12 de agosto de 2007

uma estréia

Antes que eu esqueça novamente...olha o cartaz das apresentações do meu novo coral! Mais Mozart na minha vida! Concertos em São Paulo e Campinas...quem vai? :)

aquele em que o domingo começou cedo

O domingo começou muito, muito cedo...Às cinco e meia nem havia sol. Provinha às oito. Vendo pelo lado bom: breve pode ser que eu tenha salário. O sono desaparece durante e logo após o calor do momento e deve voltar com tudo em alum momento do dia.
O abraço de dia dos pais só veio depois do exame, o qual simplesmente deixei lá na lonjura da Vila Maria. Não penso nele tão cedo. Quanto ao presente, não teve mesmo. Sou pobre e anti-capitalista. Às vezes, me sinto no lucro pelo simples fato de ser amado por um pai...
Aí eu estava passando pela Marginal a caminho de casa e deu Marisa Monte cantando Bem Que Se Quis na rádio...e eu achei impressionante como a minha mente pôde voar tão longe numa hora tão adiantada, após uma noite tão atípica. Eu lembrei que Marisa estava fazendo shows ali pertinho, no Tom Brasil Nações Unidas, e que estou com muita vontade de assistir...será que con$igo? Pensei também que a música pouco tinha a ver com o que a cantora está gravando nos últimos tempos, que consiste num repertório mais identificado com a assim chamada MPB. Bem Que Se Quis, ao contrário, é mais uma cançãozona americana, dá até para imaginar uma daquelas negras de voz fantástica cantando o original em inglês - que nunca ouvi, por sinal. De volta ao Brasil, Bem Que Se Quis pode não ter muito a ver com a Marisa Monte de hoje, mas creio que seja impossível imaginar a música fora de um show seu; afinal de contas, foi o primeiro grande hit...trilha sonora da novela Salvador da Pátria...o que a coloca como sucesso de 88, 89...quase vinte anos! Marisa Monte tem uns vinte anos de carreira...e eu me lembro da música que a projetou nacionalmente. Somos dois velhos hoje, ela ainda canta, e muito bem, eu também tenho uma voz, embora sem a excelência e o sucesso da outra. A temporada no Tom Brasil vai até começo de setembro, eis uma boa chance para mim. Até lá, não sei se ainda terei um dinheiro meu, mas deve haver um jeito de eu chegar a esse show. Será possível pagar o ingresso parcelado?

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

sommer (?)



Da galeria de imagens do meu micro para o blog. Queria saber mais a respeito da imagem. Alguém?
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segunda-feira, 6 de agosto de 2007

special

It's weird when you feel you're special and know exactly why but you have no idea how to show it.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

primeiro de agosto

Enfim, após o que foram os dias e noites mais gelados de que já me recordo em minha curta existência, o tempo voltou a esquentar, com a possibilidade de firmar-se novamente o calor. Até fui capaz de tirar as blusas e usar apenas camiseta: aconteceu hoje por volta das quatro da tarde e ainda é possível assim permanecer, ao menos até a inevitável queda de temperatura decorrente do desaparecimento do sol permitir.
Foi-se o tempo em que eu adorava tempo frio. O que havia em minha cabeça à época, não sei dizer.