segunda-feira, 19 de março de 2007

fim de semana na praia, parte 2

18/3

Notaram que, de um certo momento em diante, o texto de ontem fica poser?
Acorda cedo quem dorme cedo. Antes das oito já estava desperto. O céu continuava fechado, mas havia uma vaga promessa de que o tempo poderia melhorar.Perto das dez, praia. O sol bem que tentou se impor, mas era complicado vencer aquelas nuvens. Pelo menos havia mais claridade. Bom para as fotos. Até permiti que me tirassem uma, de costas, staring at the sea.
A água já não trazia tantos galhos e folhas à costa, mas a espuma amarela persistia. Novamente me recusei a molhar mais que os pés.Antes do meio-dia deixei a praia louco para cair na piscina do lugar onde nos hospedamos. Mas a água estava fria, fria...
Uma da tarde. Hora de pegar a estrada. Arrisquei uns cliques na subida da serra. Se eu tivesse me sentado no lado esquerdo do carro, teria feito mais e mais belas fotos.
Foram duas horas até chegar em casa. Fui correndo ao micro descarregar fotinhas. Algumas ficaram tão escuras. No geral, porém, um registro bacana.
A viagem acabou. Hora de voltar às divagações e encanações rotineiras. Uma delas tem nome e endereço, e com elas tenho de acertar as contas essa semana...mas, vão me perdoar o clichê, isso é outra história.

domingo, 18 de março de 2007

fim de semana na praia

17/3

Hoje estou em Suarão. É um bairro da cidade litorânea de Itanhaém, São Paulo. Suarão. Nunca gostei desse nome, desde criança. Evito até pronunciá-lo. Nem é nome. É um verbo. Suar. Futuro do presente, terceira pessoa do plural. Como isso virou o nome de um lugar?
Eu nem queria vir, sabe. Ontem choveu a noite inteira. E o dia começou nublado. Podia ficar em São Paulo, sozinho. Curtir. Mas vim pra praia fria. Ao menso, a natureza proporcionou umas paisagens bacanas durante a viagem. Represa e mata, fica bonito até sem sol. E neblina na serra, então? Pena eu não ter fotos. Só aqui embaixo, parado, para tirar algumas.
Praia fria é praia vazia. Bonita também. Mas a água estava tão suja. Folhas e galhos e mais vestígios de chuva, e o pior: uma espuma amarela, pegajosa. Espirrava e ficava na areia. Enxergá-la fazia mal. Apenas molhei os pés e senti a brisa nas orelhas.
A igreja do bairro é bonitinha. A torre chama atenção da estrada. Mas árvores próximas impedem uma boa foto frontal do templo.
Fim da tarde, fui à vizinha Peruíbe. Garoa - mais frio - pé de serra e casas chiques. Praia vazia e céu carrancudo continuaram rendendo bons cliques.
Volta ao bairro de nome estranho, voltinha noturna. Músicas populares, feira de bugigangas. Cidadezinha qualquer.
O passeio, até agora, não foi perdido. Graças, em parte, a meu mais novo hobby, fotografia. Amanhã subimos de volta, à tarde.

sexta-feira, 16 de março de 2007

dois em um

(título sem leituras ocultas - os textos são independentes entre si.)

São almas incompreendidas, incompreensíveis, sem terem quem as decifre as mais recônditas necessidades. São únicas, solitárias em sua unicidade.

***

Sempre olhei para vocês esperando primeiramente atenção, depois o suave ar de compreensão e, por fim, o doce alento. Em vocês repousava minha única chance de redenção: como quis que me dissessem, você não é feio por dentro! Jamais o disseram. Jamais o dirão, não da maneira que por tempos aguardei...será que ainda aguardo? Feriram-me e nem sequer sabem disso, feriram-me com uma chama lancinante, a dor que senti, nunca poderei esquecê-la, nada a fará parar, mesmo quando ela não se fizer presente. A tocha foi acesa e o fogo jamais se extinguirá. Quero culpá-los pelo que me aconteceu, chegar-me a cada um de vocês e chamá-los seres da mais pura maldade. Sou humano, sempre busco culpados, sempre busco punição, mas a este caso talvez não se aplique. As coisas são. A chama arde. Em vocês, ela me consome.

terça-feira, 13 de março de 2007

perdido!

Calma, não estou passando por nenhuma crise de identidade. É que ontem finalmente tive meu primeiro contato com o tão badalado seriado Lost. Vi os três episódios iniciais e achei interessante o bastante para continuar assistindo.
A menos que ontem à noite eu tivesse me tornado um grande detrator da série, creio que não compensaria me alongar muito comentando seu início. O show está atualmente em sua terceira temporada na TV paga, os fãs brasileiros mais ardorosos aguardando a estréia do talentoso Rodrigo Santoro. Mesmo quem acompanha Lost pela Rede Globo vê agora - ou terminou de ver recentemente, não sei ao certo - seu segundo ano. Telespectadores apaixonados, esses capazes de esperar acordados até o horário esdrúxulo que a emissora reservou para o seriado. Continuando, não me aprofundarei muito em minhas considerações sobre o seriado, mas também não posso deixar de registrar as palavrinhas que de costume vêm-me à mente após uma peça de entretenimento que me tenha chamado a atenção. Vamos a elas. Há bastante mistério na série, envolvendo a queda no avião, aquela que pode se chamar a "vida passada" de alguns de seus passageiros e praticamente tudo que se vê ou não na ilha. O modo fragmentado como a história é contada, seja por meio de flashbacks, seja ilustrando uma mesma cena sob diferentes ângulos, deixa o suspense sempre no ar, mantendo o interesse do telespectador. Claro, em algum momento serão exigidas algumas respostas, e a sobreposição de enigmas sem solução pode cansar, mas, para este início, está bem e, ao menos por enquanto, Lost justifica o hype. A idéia de pessoas perdidas numa ilha misteriosa soa batida, mas o desenvolvimento inicial da trama realmente atrai. E lá vou eu me perder em mais um universo ficcional.

quinta-feira, 8 de março de 2007

histórias minhas

Tenho esta estranha situação com histórias. Eu as adquiro, na forma de gibis ou livros, num ritmo mais rápido que aquele em que posso lê-las. Conseqüentemente, possuo sempre uma pilha de leituras pendentes. Já quanto às minhas histórias, as que brotam de meu cérebro, idéias para elas surgem inesperadamente, e dificilmente as escrevo como imagino, porque isso simplesmente não me ocorre. Ao retomar o famoso fio da meada, sei como recomeçá-las, mas não me recordo das passagens anteriores com detalhes, e algumas coisas brilhantes acabam ficando para trás, lá onde se guarda o que foi esquecido e só pode ser reencontrado por acaso.
O segundo caso é fácil de resolver. Farei resumos das idéias para minhas histórias grandes. Quando houver tempo, desenvolvo-as. A pilha "a ler", por outro lado, creio que existirá sempre. Coisa de leitor voraz e, bem, um tanto enrolado. Hoje leio mais e melhor que no passado, quando o papel começou a se acumular, mas já há tanto livro e gibi à minha espera que jamais direi, preciso comprar alguma coisa pois simplesmente não tenho o que ler!

domingo, 4 de março de 2007

foto e texto não relacionado

(registros de um dia quebrado)


E hoje me disseram que fico bem de azul. Agora há pouco, na verdade.

Ainda bem que só falam comigo em português. Minha mente, porém, não pára.

sexta-feira, 2 de março de 2007

olhe para o céu!

Sábado tem eclipse...detalhes aqui. Evento cósmico para nós, tão pequeninos.

a tv diz compre

A Polishop é uma espécie de herdeiro do Grupo Imagem, só que aparenta ser bem maior que o eterno vendedor das Facas Ginsu e do Ambervision, entre tantas outras maravilhas. Além das costumeiras inserções nos intervalos comerciais de emissoras, a nova rede possui canal próprio, que anuncia, o dia todo, ofertas disponíveis apenas por televendas. A mesma exaltação ao consumismo invade também os "buracos" na programação, especialmente no período matutino. de canais fechados: são os famigerados infomerciais.
Se algo incomoda na televisão, a menos que se trate de alguma atração realmente ofensiva, o correto é mudar de canal. Por isso, não cabe aqui criticar mais essa modalidade de comércio. Televenda é coisa antiga, por sinal. Uma das razões de ser do SBT de Silvio Santos é vender ao povão Telesenas e carnês do Baú da Felicidade. Muitas mulheres já sonharam em parecer-se com a atriz da novela; se não é possível uma semelhança física, ao menos podem-se comprar suas roupas e acessórios. E as garotinhas (algumas nem tanto...) que queriam todos os produtos da Xuxa?
Claro, as máquinas de fazer suco que nada desperdiçam e a frigideira do George Foreman são as estrelas da Polishop, vendendo-se sem intermediários famosos e estampando seus respectivos preços e formas de pagamento, como se estivéssemos diante de uma vitrine correta. Mas elas apenas mostram a realidade com menos sutileza.
Televisão vende. Sempre vendeu. Mesmo seu programa favorito pode ter, hoje em dia, dentre os muitos produtos licenciados com sua marca, uma caixa de DVDs com seus grandes momentos, para ter para sempre e assistir quando quiser. Sem intervalos comerciais. Não que seja possível livrar-se deles. Novos shows aparecem a todo momento, precisando de sua audiência, a qual atrairá anunciantes, que mantem o programa no ar com seu dinheiro. E anunciantes precisam vender, sabe? Que outros comprem: relaxe em sua poltrona e ignore o supermercado virtual. Caso não resista à coceira no bolso, nada de pânico: ao menos com a Polishop, se não ficar satisfeito, eles garantem a devolução de seu dinheiro.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

choro




Preciso chorar
verter lágrimas
não pelo mundo
por suas maravilhas
as que encontro
ou as que já se perderam
não pela grandeza
que ecoará pela eternidade
preciso chorar
por minha pequena vida
pela tragédia
por mim representada
todos os dias
mas meus olhos
estão secos
não tenho lágrimas
para mim
nunca aprendi
a prantear minhas desgraças
preciso chorar
e já choro tanto.

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Não raras são as pessoas que, em certos momentos, caminham pelo mundo sem saber qual seria seu destino, ou mesmo sem dar-se conta de que estão indo a algum lugar de fato. Tais andanças não deixam rastro: a falta de rumo as torna irrelevantes, são varridas pelo vento.
Eu tinha um caminho a seguir, e sabia perfeitamente para onde ele me levaria. Eu temia, por jamais tê-lo trilhado. Alguns entre meus passos foram erráticos, vacilantes até. Vi-me diante da perspectiva de não realizar meu tão profundo desejo.
Minha caminhada podia ser, ela também, esquecida.
Mas andei, e meu objetivo estava ali, bem ao alcance de minhas capacidades.
Eu consegui. E fui muito feliz.
E quer saber (de) uma coisa? Isto bem pode ser, em realidade, não um desfecho, mas o início de nova e mais marcante jornada.
Mais memorável...mais inesquecível.
Que tal?

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

contando um final

Porque o tarde demais sempre chega. Ainda mais neste mundo maluco. Tanta poeira. Tanto sangue.
E eu estou destruído. Ninguém vê. A terra quando é devastada, como as que vimos, todos notam, mas eu?
Ninguém o conhecia melhor que eu. Nem mesmo seus parentes, seu pai, sua mãe. E muito menos essa pessoa que se apresentou em meu lugar, usurpando o que deveria ser meu por direito.
Tenho agora somente minhas lembranças. São só minhas. Porque do pouco que vivemos, que poderia ter sido ainda mais intenso se eu tivesse dado ouvidos a mim mesmo a partir de suas palavras, do pouco que vivemos, foi o que restou.
Breve foi nossa história, assim o destino quis. Se eu tivesse agido diferente...o que poderia ter sido? Ah, jamais saberei.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

paraíso


Belo filme. Não somente pela história, ou pelas boas atuações, mas também pela fotografia, uma das mais belas de que cosigo me recordar no cinema recente. Mesmo a mais singela cena é captada de maneira espetacular. Este fotógrafo amador foi ao delírio.
Olha, não sabia nada sobre o filme antes de decidir assisti-lo, talvez por isso, não escreverei nenhuma sinopse, ao contrário do que normalmente faço. Vou apenas citar os dois nomes que me atraíram a este colírio.
Tom Twyker, de Corra Lola Corra, é o diretor. Ele também compôs duas canções para a trilha sonora do filme.
E sou fascinado por Cate Blanchett desde que ela foi Galadriel.

sábado, 3 de fevereiro de 2007

suspiro

Deu na Globonews hoje cedo. Foi divulgado um relatório da ONU estimando algumas das conseqüencias decorrentes do aquecimento global causado pela ação humana. Até o ano de 2100, a temperatura média do planeta pode se elevar enttre 1,8 e 4 graus e o nível dos oceanos, entre 26 e 43 centímetros. Catástrofes climáticas se tornarão mais freqüentes e letais, infringindo grandes danos principalmente às populações mais pobres, as quais sofrerão também com uma esperada diminuição na oferta de alimentos, a ser comprometida, também, por anomalias climáticas e ambientais resultantes de atividades humanas nocivas, por exemplo, à sobrevivência de animais e plantas cuja criação tem algum interesse comercial.Quanto às espécies silvestres, boa parte delas, cada vez mais pressionadas pelas mudanças em seus habitats, sofrerá sério risco de extinção.
...

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

tempo.


O primeiro mês do ano já chegou ao fim. Isso mesmo. Não adianta nada ficar pensando se você aproveitou ou não esses trinta e um dias tanto quanto podia.

***

Com todo esse tempo livre em casa e o monte de canais de TV a cabo, estou procurando assistir a filmes que eu tenha perdido ao longo de meus anos. E são tantos! Pela segunda vez em dois dias, encontrei esta noite uma atração inédita (para mim) por acaso, zapeando canais. E não foi outro senão Beavis e Butt-Head Detonam a América. Peço a todos que não me odeiem. Não vi o longa dos dois moleques retardados na época do seu lançamento e não podia deixar escapar a chance de matar a saudade da série, um sucesso em meus dias de...bem, moleque retardado. E o filme Beavis e Butt-Head é mesmo um episódio esticado do antigo show. Só faltaram os videoclipes. Ao menos a "retardadice" dos dois ainda me fez rir. Ou foi apenas saudosismo?

***
Ah, uma risada boa no filme foi esta aqui: Butt-Head está quase morrendo e, bang, vê sua vida passar diante dos olhos. Ou seja, ele e Beavis rindo diante da TV desde a primeira infância. Aí ele conclui que a vida foi muito maneira*.

*Sim, traduziram cool como maneiro(a) (os) (as) na exibição de hoje. Eu cresci lendo cool como legal! That sucks.

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

uma prece

Entrego-me a ti neste momento.
Ergo a fronte e tu me cinges com o ungüento de fragrância mais delicada. As mazelas cotidianas curvam-me as costas, tua mão de pronto traz o conforto reedificante.
Quando contemplo as belezas deste mundo, é a ti que minha sensibilidade está direcionada.
Ninguém acompanha meus passos com maior interesse e afetuosidade. Agora que a fadiga me obriga a interromper momentaneamente esta jornada, cuidarás de mim em meu leito, para que dentro de instantes eu retome meu caminho em paz. Seja qual for meu próximo destino.
Tens minha total confiança, e sempre será assim.
Queria fazer mais que simplesmente agradecer-te.

domingo, 28 de janeiro de 2007

calling you

Não sou muito de postar letras de músicas, mas o que fazer quando se tem blog e uma melodia retorna à sua cabeça após...dezoito anos? Eu era só um garotinho e essa música me assustava como poucas coisas na época. Hoje, descubro que ela virou tema de um filme chamado Bagdad Cafe, em cartaz esta semana no Telecine Cult. E está na chamada dele, também. Mas hoje a música me dá arrepios de outra maneira, sabe? Muito bonita, tocante, digo. E estranha: não é música pop de jeito nenhum.
Mas e o medo de antes, como se explica? Talvez a carga de emoção da música fosse demais pra meu eu molequinho suportar.
A desert road from vegas to nowhere
Someplace better than where you`ve been
A coffee machine that needs some fixin'
In a little cafe just around the bend

I am calling you
Can't you hear me?
I am calling you

A hot dry wind blows right through me
The baby`s crying and I can`t sleep
But we both know that a change is coming
Come in closer, sweet release
I am calling you
I know you hear me?
I am calling you

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

o labirinto do fauno


Quando a realidade é dolorosa, ou simplesmente não nos satisfaz, apela-se ao escapismo. E nunca o mundo dos homens é tão aterrador como na guerra. E se houver uma saída definitiva?

Acompanhando a mãe em viagem ao quartel comandado pelo pai de seu futuro irmão, a pequena Sofia, apaixonada por histórias fantásticas, descobre ser ela mesma uma personagem de conto de fadas. Para retornar a seu mundo, deve cumprir as tarefas impostas por um velho e misterioso fauno. Ao mesmo tempo, o general Vidal persegue os rebeldes ao regime de Franco - e quem quer que julgue estar em seu caminho no cumprimento de seu dever - com implacável severidade e violência.

retorno

Reapareceu, como surgido de nada além da leve brisa noturna. Logo o reconheci, senti movimentação por toda a superfície de meu corpo, fagulhas em torno da chama interna que as gerou. Forças primárias da natureza agora se manifestam, das que somente se aplacam sob a ação de uma outra, similar mas oposta, aos pares.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

bart vende sua alma

(sujeito a revisão)
Nesse episódio de Os Simpsons, por fazer todo mundo cantar rock'n'roll durante um culto, sem autorização do reverendo - não era uma dessas celebrações modernas - Bart é obrigado, juntamente com seu comparsa, e delator, Milhouse, a limpar os tubos do órgão que "profanou". Enquanto cumpre o castigo, o garoto Simpson revela não acreditar em alma ou em qualquer coisa relacionada a espiritualidade, ao menos aquela que conhece da igreja. Para prová-lo, aceita os cinco dólares que Milhouse lhe oferece para ter sua alma, um pedaço de papel no qual se escreveu "Bart Simpson's soul".
A partir disso, coisas estranhas começam a acontecer. A porta automática do mercadinho ignora Bart e funciona normalmente para os outros clientes. O cachorro e o gato o hostilizam. As coisas se tornam preocupantes de fato quando ele se vê incapaz de rir assistindo a Comichão e Coçadinha e a um acidente doméstico com Homer. O riso é a linguagem da alma, diz sua irmã Lisa, citando Pablo Neruda. E Bart sai para recuperar sua alma perdida.
Mas o que realmente motiva Bart em sua busca - e também este autor a escrever sobre o episódio - é um sonho perturbador. Nele, as crianças de Springfield se divertem ao lado de suas respectivas almas, descritas como "brinquedos que nunca se quebram". Num dado momento, um dos garotos propõe que todos escolham um parceiro para irem de canoa até uma cidadela. Cada um escolhe sua alma; Milhouse vai com a sua própria e a de Bart, o qual, por falta de uma companhia, não consegue acompanhar os outros. Ao final do episódio, após reaver sua alma com a ajuda de Lisa, Bart revisita o sonho anterior, mas, desta vez acompanhado, pode chegar à cidadela e, no caminho, atrapalhar o menino cdf.
Difícil tentar explicar os fatos ocorridos ao Bart "desalmado". Antes que alguém diga, "é só um desenho", convém lembrar que coisas inexplicáveis acontecem o tempo todo; nomeá-las todas como coincidências soa apressado.
Fato é que o inexplicável impressiona Bart de modo a levá-lo a procurar por algo em que sequer acreditava. Pode-se dizer que ele se converteu. Não a alguma religião, mas à crença de que existe algo misterioso por trás de nossa existência, responsável pelas características únicas de cada ser humano. Algo que, uma vez perdido, devido a nossas ações, torna-nos irreconhecíveis a nossos próprios olhos. Podemos chamá-lo de alma. No entanto, de onde ela vem? Trata-se de algo com que nascemos, ou ela é adquirida a partir de nossas experiências, sobretudo as mais dolorosas, como diz Lisa enquanto Bart engole sua alma de papel? O garoto fica com a primeira opção; cada um de nós pode escolher a sua.

***

É interessante o motivo pelo qual Milhouse entrega Bart. Ele pensa, ao repetir as palavras amedrontadoras do reverendo, na punição que receberia. Religiosos maus podem render piadas boas, das finas.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

arte e atitude

O que é preciso para ser um bom músico? Talento é esencial, sem dúvida.Treino? Horas incontáveis. Não basta, porém. Um verdadeiro músico, ou artista em geral - falo especificamente de música por estar mais próximo dessa expressão artística - deve ter também atitude, algo que o póssibilite colocar-se diante de qualquer pessoa e transmitir sua mensagem. Pois a arte não é impessoal, quem a produz se expôe mais que em qualquer outro ofício.
Foi algo em que pensei assistindo Escola de Rock, esta noite. No divertido filme, Jack Black interpreta um roqueiro falido que se faz passar por professor numa escola primária para conseguir uns trocados. Ele descobre em alguns de seus alunos uma aptidão musical surpreeendente e envolve toda a classe na formação de uma banda de rock para disputar um torneio e seu grande prêmio em dinheiro. Tudo o mais escondido possível dos pais das crianças e do corpo pedagógico, claro.
Cabe ao "professor" despertar nos instrumentistas de seu conjunto o necessário para se tornarem legítimos roqueiros. E não se trata de apenas dizer a eles, não toquem aqui como em suas aulas de música erudita. Deve-se também compreender o rock e sobretudo expressá-lo. Sentir-se meio revoltado com o mundo, extravasar em alto e bom som o inconformismo diante de tarefas diárias enfadonhas e do respeito às convenções. Isso é atitude rock'n'roll, baby.
E todo artsta precisa de atitude. sem ela, um ator não se torna seu personagem e sente-se ridículo apneas de imaginar suas cenas. Um solista, vocal ou instrumental, não tem seu momento de brilho, pois terá receio de desafinar ou soar mal.
Atitude é crença nas próprias capacidades e na verdade de seu trabalho. Certamente, a quaidade que, uma vez adquirida pelo aluno, mais satisfação traz a seu mestre.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

notas e mais notas...

Que chato...só me aparece inspiração para escrever quando estou "sentido". Queria era ser como J. K. Rowling e conseguir contar histórias bacaninhas sem relação aparente comigo mesmo. Minha única idéia para uma narrativa mais longa cada vez mais é só uma idéia...
Ei, falando em J, K, Rowling, faz uma semana que terminei o sexto Harry Potter. É legal, mas não tanto quanto o quinto, em que acontece aquele montão de coisas. Mas funciona muito bem no sentido de criar expectativa para o último capítulo da saga. Ah, aquela traição terrível - de que eu já sabia antes de ler, mas ainda assim não dou o spoiler - você aprontou, dona J. K. ! Vai ser longa, a espera.
Agora estou lendo o último livro da interessante série do Mochileiro das Galáxias. A resposta para todos os anseios humanos está próxima...e, até lá, mais do humor fino de Douglas Adams.
O próximo da fila é um Saramago. Obrigado por me desejar sorte.

***

Mereço coisas ultralegais na minha vida. Você não acha?

***

Sabe o que não é fácil? Cantar em casa. Nem um pouco. Falo do canto lírico, claro. A voz, parece que sai gigante e feia. Dá medo. Hoje foi apenas a primeira vez que tentei, e isso porque minha mãe estava fora...mas tudo bem, o berreiro vai virar hábito. Garanto.

***

Topa ou não topa?? Tá bom, eu gosto de Silvio Santos! Ainda vou escrever sobre o cara.

***

Buuuu.

grandeza

Sou grande, sou imenso. Um simples aceno meu e o que está ao redor muda. Ergo os braços, partículas se movem, como que abrindo passagem a quem devem total respeito. Minha envergadura parece crescer a cada instante, eu poderia envolver um universo num abraço caloroso.
Minha voz ressoa tonitruante em todas as direções. Os que a ouvem jamais são os mesmos, ela pode despedaçar almas. De minha boca saem somente verdades absolutas, por vezes não facilmente compreensíveis aos que me cercam; conheço inumeráveis idiomas.
A energia que emana de meus dedos é bela como a aurora boreal, há quem a tome por sagrada. Em minhas mãos forma-se uma esfera, inicialmente branca; não demora, porém, e ela passa a cintilar em infinitas cores, irradiando vida: mais um pensamento e reinvento a existência.
Sou imenso, vasto. Minha grandeza não pode ser medida, ou mesmo expressa por um simples verbete.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

estranho mundo

Sinto como se não quisesse sentir mais nada. Não que haja algo errado com o sentir por si só. O problema é com o mundo. Aqui sou obrigado a fazer nova ressalva, perdão se sôo repetitivo. É que devo especificar qual mundo chamo de problemático. E esse não é o mundo natural, de céu limpo e ar agradável, de plantas multicoloridas e animais vivazes. Nele, tudo de alguma forma faz sentido, encaixa-se...é natural. Até mesmo nós. Mas criamos mundo à parte, o mundo humano, repleto de problemas somente nossos, por nós inventados. Complicamos absurdamente o que deveria ser descomplicado. Descomplicado porque natural. Mas nossos rituais absurdos dificultam tudo. E se queremos algo além do humanizado em oferta, somos nós os complicados. Tornamo-nos confusos, inseguros, incertos. Oprimidos por questões que não deveríamos fazer a nós mesmos. Sei disso em meu íntimo.
Não quero uma volta às árvores. Quero ser homem, e natural também.
Enquanto esse ideal não se atinge, o artificial me coloca fora de mim, e volto para casa como que buscando tornar-me um feto novamente.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

verdade

(texto que comecei em novembro passado, tentei terminar hoje e ainda está inacabado)
A minha verdade é aterradora, creio que poucos estejam preparados para ouvi-la.
(...)
Às vezes, quando em grupo, eu a pronuncio, a ver se o mundo se desequilibra diante das palavras que pronunciei. Soa uma única gargalhada, a minha; não me foi conferida a devida atenção. Assim, o traço mais temível torna-se uma piada não compreendida.
Ocorre também que temo os desconhecidos. Por não saber quem são, julgo que possam atravessar-me com o olhar e me desvendar. É uma apreensão momentãnea e tola. (...)Minha verdade é tão minha, somente eu posso trazê-la à percepção do mundo. Apenas não concebo como.

sábado, 13 de janeiro de 2007

uma pessoa confusa...

dia 1

O dia está tão bonito...não há praticamente nenhuma nuvem no céu, creio que pela primeira vez desde que o ano começou. Dá pra tirar umas fotos lindas...preciso sair para qualquer canto.

Estava na van...até tentei conversar...verbalmente e também pelo olhar, a ver se havia alguma correspondência...não aconteceu...uma pena...tinha rosto tão simpático...bonito, até....uma pena.

Estou oficialmente mal...depressivo...pra baixo...isso tudo. De novo. Incomodado porque não tenho o que mais quero. E percebo que quero uma coisa muito bonita. Bem que a mediocridade podia me satisfazer. Às vezes acho que me basta, mas estou muito enganado. Pelo menos por ora. E é o suficiente para sofrer bastante.
Estou mal e quase perco a fome por isso....almoço fora de meu horário habitual.

Uma voltinha antes de partir...será que faço fotos bacanas? Enquanto caminho, uma trilha sonora triste em minha cabeça.

Volto de meu passeio. Ainda não estou bem e não há com quem falar sobre o que sinto. Bem, posso tentar escrever.

Não há palavras para expressar minha tristeza, mas há músicas. Músicas para desesperançados...eu preciso te falar...te encontrar de qualquer jeito...por que sou assim?
Não choro, mas canto.

Fim de tarde, um céu tão bonito. Mais fotos.

Nem todas as fotos ficaram boas. Que chato.

entre dia 1 e dia 2

(Diálogo. Outras palavras, mesma idéia.)
- Ainda bem que não estou apaixonado! Não tem coisa pior.
- Paixão só é ruim quando não é correspondida.
- ...

dia 2

Engraçado...o rosto de ontem me voltou à mente, sozinho, logo que acordei. Ontem mesmo mal me lembrava dele ao chegar em casa. Agora, eu o reconheceria num novo encontro. Mas não faz muita diferença.
Quero sair hoje de novo. Imagine se por acaso...ora, por acaso o quê?

Saí...como andei! Diz que quando a gente faz exercício alguma substância é liberada...que deixa a gente animado. Será?

Isso.

Banho e músicas bacaninhas. TV.

Terminar o dia bem é um final feliz pra esta história. Pois é isso mesmo que acontece. Ótimo.

sábado, 6 de janeiro de 2007

tantas fotos...

Estou pensando em fazer um fotolog. A esta hora. Aguardem novidades.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

Que é essa coisa, que tira o sono, faz a cabeça dar mil voltas, mas essas são as de um parafuso espanado e jamais resolvem nada, por mais que se aperte?
Que coisa é essa pela qual se morre ou mata, e pela tragédia é impossível culpar ou absolver plenamente, sem ressalvas?
Que ignora de todo a razão, invalidando a argumentação mais eloqüente com sua mera existência?
Isso que torna tão perturbado quem, de outra forma, estaria bem?

Meu amor, você não sabe?

sábado, 30 de dezembro de 2006

sem título

O homem diante de mim não aparenta a idade que tem, de forma alguma. Claro, alguns olhos clínicos podem identificar traços que denunciem a passagem do tempo, a qual ele às vezes sente nublar sua vista e curvar-lhe as costas. Mas não é algo que todos notem, o homem deve ficar feliz consigo mesmo, pois aparenta ser mais jovem. Chamo-o homem pois conheço sua idade. Externamente, porém, ele mais parece um menino. Um menino que só há pouco encontrou pistas interessantes sobre o mundo e sua composição.
Ele tem o mundo à sua espera, não há dúvida.
Digo isso tudo a ele sem palavras. A nós dois, basta nos vermos nos olhos, e tudo se entende. Ele se sente grato pela atenção, gosta de saber que é querido. Uma única lágrima escorre de seu olho direito. Com satisfação o homem percebe que pode chorar sem parecer uma criança desesperada, como tantas vezes ocorrera, mesmo após o término de sua infância. Por isso mesmo ele sorri, é um sorriso franco, lindo, convenhamos, lindo é quem o sorri e é menino o suficiente para fazê-lo.
Despedimo-nos sem cerimônias. Dou meia-volta e vou em frente.
Ouço alguém dizer parabéns.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

confidência e tentativa de auto-ajuda


Preciso dizer: eu desanimo com as coisas. Se me proponho uma determinada tarefa e começo a encontrar dificuldades em cumpri-la, sinto-me perdido, acho que tudo está muito errado, dá vontade de desistir. Sou o oposto do brasileiro do slogan. Acontece que detesto me sentir derrotado, não lido bem com adversidades.
Pensando bem, sou assim desde criança. Nunca gostei de perder. Se começava mal uma partida de videogame, por exemplo, logo procurava o botão reset. Para parecer que nunca havia feito nada errado, sabe? Tudo que eu fizesse devia beirar o impecável. Isso explica também por que eu chorava na quarta série quando não tirava dez em alguma prova - acredite, não é uma coisa fácil de admitir.
Sem contar meu total desinteresse por esportes coletivos. De vez em quando penso: o que me desmotivava de fato? Eu era naturalmente ruim e não valia a pena tentar, ou eu era ruim e não iria me expor?
Já desisti de várias coisas nesta vida. De algumas, talvez, por me recusar a lidar com as dificuldades peculiares a cada caminho.
Mas por quê? Todos sofrem, nada é fácil, às vezes nem mesmo para os bem-nascidos. Custei a perceber isso e, ainda hoje, ciente dessa verdade, minhas cabeçadas ainda provocam dores intensas, próximas do insuportável. Não posso continuar agindo dessa maneira. Sou adulto, preciso ser prático, tomar decisões e, sim, manter-me firme, convicto, aceitando todos as implicações, especialmente as ruins, de ter seguido por uma estrada e não por outra. A vida não tem um botão reset - eu o utilizava quase sem pensar no Atari. As dificuldades de nosso percurso continuam registradas. E isso é bom. Um dia a gente alcança a linha de chegada, olha para trás e pensa: "olha só o que eu venci".

violência, de novo

E ontem foi a vez do Rio. Ao longo do dia, a mídia falou e falou dos ataques "covardes" a alvos policiais e ônibus ocorridos desde a madrugada anterior. Aliás, bastante espertos, os bandidos: suas ações podem estragar o mais badalado réveillon do Brasil - duvido que não ostente esse título, tem cobertura da Globo!
De uma hora para outra, o Rio de Janeiro se tornou perigosíssimo, como aconteceu com São Paulo meses atrás. Nada de revanchismo bairrista aqui. Na verdade, o medo é uma constante para quem mora em qualquer grande cidade brasileira. A situação é mais assustadora ainda em regiões periféricas, mas disso não há necessidade de falar o tempo todo. Vez ou outra, porém, em que a bandidagem decide que o terror deve tomar conta de todos. Neste caso específico, a ordem foi estragar a sua, a nossa festa, a de quem viesse. Talvez não houvesse muito a comemorar.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

sobre o fim de ano...anos atrás

Algo que escrevi há exatos dois anos, em meu antigo diário, e agora está aqui porque penso praticamente da mesma forma. Em vez de escrever a mesma coisa outra vez, aproveito o texto antigo.
Transcrevo-me sem alterações, deixando à mostra pequenos erros que hoje não cometeria. Entendam, naqueles dias eu nem pensava em publicar.

(...)
Ontem eu estava pensando no quanto esta semana é estranha. Sim, porque o ano praticamente acabou, mas o ano que vem...bom, não veio ainda. Até certo ponto, esta é uma semana indefinida. Esquisito achar isso da época em que se faz aniversário, mas não posso evitar. Tirando o fato de eu soprar velinhas, o que não é lá muito relevante para o resto do mundo, fica a sensação de que tudo de realmente importante relativo a 2004 já aconteceu, e agora estamos apenas cumprindo tabela.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

natal

Lá fora, mais precisamente nos Estados Unidos e na Europa Ocidental, tão influentes em nossa cultura - não se pode negar - Natal bonito de verdade é aquele em que faz bastante frio, as pessoas têm de usar roupas pesadas para se aquecerem. O ideal é haver neve. Ver os flocos caindo levemente durante a noite e no dia seguinte acordar com as ruas e as casas cobertas de branco. As crianças adoram, fazem bolas e bonecos de gelo.
Mas estamos no Brasil. Um país tropical. Neve é coisa raríssima, ocorre apenas no sul, quando ocorre, entre julho e agosto. Nada de Natal branco por aqui.
Hoje está chovendo. Puxando pela memória, certamente me recordarei de outros Natais igualmente chuvosos. Não é algo totalmente inesperado. O verão teórico começou há pouco e até mesmo existe um tipo de precipitação que tem como, digamos, sobrenome essa estação do ano.
Chuvas de verão são bem-vindas após um dia de imenso calor. Mas talvez não no Natal. Afinal, chuva em dia de festa é chato por si só.
E se a água, antes de chegar ao chão. passasse por um resfriamento absurdo e se tornasse neve branquinha? Talvez não reclamássemos tanto, apesar de todo o incômodo. Decerto os pequenos adorariam ter um Natal igual ao dos filmes na tevê. Eu mesmo teria adorado, em minha época. Hoje, posso reclamar da chuva, mas prefiro de longe a neve, a qual acredito firmemente que só é bonita de longe. A um hemisfério de distância, mais ou menos.
***
Meu brinquedo de Natal preferido é a nova câmera da família! Breve, por aqui e no meu Orkut, algumas de minhas fotinhas.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

feliz ano novo pra você!

Menos de 35% da população mundial comemoram o Ano Novo no dia 1o. de Janeiro próximo. Minha fonte é o National Geographic Channel.
Chineses, indianos, muçulmanos, judeus...cada um desses povos possui calendário próprio, o ano podendo começar antes ou depois do nosso.
Assim, quando disserem na televisão que o mundo festeja a chegada de 2007, pense num mundo um tanto menor. Tipo, aquele sob influência ocidental e cristã.
Um barato, dar-se conta das dferenças.

domingo, 17 de dezembro de 2006

messias

Foi realmente uma pena: não pude participar da apresentação de ontem. A baixa disponibilidade de ônibus típica de um sábado não permitiu que eu chegasse a tempo de apanhar o veículo que levaria os coralistas ao local do concerto. Pelo mesmo motivo, minha tentativa heróica de ir até o mosteiro de São Bento por conta própria para cantar fracassou: à minha chegada, coro e orquestra já estavam no palco; o espetáculo já havia começado. Mais tarde, uma coralista comentaria a decepção estampada em meu rosto.
Assisti à apresentação de longe, o terno que tomara emprestado horas antes para o evento - e cujo cabide havia se partido durante o melancólico trajeto Campinas-Vinhedo - sempre em mãos. Perdi a primeira peça, meu adorado Ave Verum, de Mozart, mas essa voltou no bis. Ouvi a seguinte, uma ária de Alessandro Scarlatti para soprano, e depois a conhecidíssma Ária da Quarta Corda.
Finda a parte inicial, foi anunciado o Messias. Doeu-me o coração ouvir os primeiros acordes do coro And the Glory of the Lord, ausentei-me da sala do concerto por alguns instantes, ouvindo a música de um corredor adjacente. Foi quando mais quis estar no palco. Esse sentimento, porém, passou logo, e antes mesmo da metade do já referido coro voltei a ser platéia. Permaneci na sala praticamente até o final; apenas fui esticar um pouco as pernas quando quando o Hallelujah ressurgiu, no bis.
O concerto foi maravilhoso. Identifiquei um ou outro erro nos baixos - e talvez na orquestra, não me arrisco a afirmar - bem como algumas vozes de coralistas "furando" seus naipes, mas nada capaz de comprometer o espetáculo, que classifico como excelente e de alto nível. Sim, deixar de cantar após dois meses de trabalho moldando voz e espírito para a apesentação machuca, e muito, mas busco alento na idéia de que ajudei a construir o concerto e tenho condições de tomar parte em projetos musicais de grande qualidade. Se ontem tive de conferir tal qualidade da platéia, foi por azar, não incapacidade.
***
Só mais umas coisas.
Após a apresentação, alguns coralistas - poucos - disseram que eu deveria ter vestido o paletó e subido ao palco entre uma peça e outra. Isso não me pareceu certo por várias razões.Jamais faria tal coisa sem consentimento do regente. Talvez até me metesse a ser o "coralista que chegou depois" em algum compromisso menos formal do Zíper na Boca, mas nunca numa apresentação de gala, quase todos no palco músicos profissionais - justamente eu era uma das pouquíssimas exceções. Além disso, todos já estavam ali há quase duas horas, em clima de apresentação, aquecidos e concentrados. Não seria honesto de minha parte "chegar chegando" sem ao menos estar descansado. E, por favor, estamos falando de um mosteiro. Já estive lá cinco anos atrás. É simplesmente um local à parte neste mundo maluco. Todos - maestro, cantores, musicistas - já haviam absorvido a atmosfera do santo lugar. Quanto a mim, era apenas cansaço e nervosismo.
Após o concerto, o regente, católico, falou-me algo como "Deus não quis que você cantasse". Não sei se realmente acredito num deus, mas talvez houvesse mesmo um motivo para que as coisas se dessem da mnaeira como descrevi. Fico apenas me perguntando se a razão é de ordem "esotérica", ou se algo menos complexo explica tudo. Algo em minha vida cotidiana, por exemplo. Quem sabe?
Isto é cidade grande com clima de interior:

Uma loja de shopping center (um dos maiores do país) anunciando em carro de som, desses com locutor de voz bem brega.

Juro que vi isso agora há pouco.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

objeto

A decepção jaz sobre a cama. É onde ela assume inusitada forma corpórea, redentora para uns, indesejada para outros, sob diferentes ângulos. A respeito disso, entretanto, a opinião do maior de todos os juízes é a única relevante, e esse todos sabemos o que pensa, embora sua voz não se faça ouvir, não agora.

domingo, 10 de dezembro de 2006

intangível/inatingível

Como eu não há outro. Soa estúpido, não? Por tão óbvio. Um, um qualquer, nunca é igual a outro. E não escapo disto. Ali, na multidão, apontam-me, e me torno um qualquer, o que, sabe-se, é bem distinto de ser qualquer um, mas disso não falo aqui.
Digo: como eu não há outro. Claro. Somos todos diferentes.
Então eu?
Sou mais diferente que os outros.
A meu redor, pessoas se entendem, pessoas de todo tipo, e é um milagre. O que as torna únicas não faz diferença. Estão unidas.
Mas eu. Sobro. Sempre sobro. Às vezes levo tempo para perceber, às vezes está claro desde logo. Tenho apenas minha peculiar companhia, talvez a única a mim adequada.
Não sei por quê.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

aviõezinhos

Só eu acho que vem se dando muito espaço na mídia sobre a questão do tráfego aéreo? Por acaso isso é problema que afete toda a população? Pouquíssimos brasileiros andam de avião. Por outro lado, quando acontece de se reajustar tarifa de ônibus, simplesmente dizem, com dois, três dias de antecedência, vai subir para tanto, aí sobe e não se toca mais no assunto.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

falo mas não digo

(pelo menos por enquanto...)

Sempre que me acontece algo "estranho", procuro você.
Estou balançado por bem-sei-o-quê e quero saber como você está se virando.
Se está bem, se tem seus probleminhas.
Se a vida vem lhe pregando das suas. Também (?)
Se posso ajudar.

Altruísmo é o cacete. Quero minha recompensa.

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Eu estava deitado na cama de meus pais, num quarto bastante semelhante àquele em que eles dormiam, mas um tanto maior. Era fim de tarde, talvez umas quatro horas. A luz do sol atravessava as cortinas cerradas e chegava fraca até o leito. Eu iria tirar um bom cochilo.
Prestes a adormecer, fui desperto pela chegada de outra pessoa ao quarto, que havia se deitado também. Eu a conheço de vista - e de voz, porque canta. Possui um corpo moreno, bonito, escultural mesmo.
Dormiu instantaneamente, ao que parecia. Estava de costas para mim. Num dado momento, virou-se em minha direção. O peito estava nu, cabe mencionar. O mamilo direito se encontrava bem diante de meus olhos.
Desejei aquele corpo como nunca. Aproximei-me, buscando senti-lo junto a mim de alguma forma. Mas a bela figura, ainda em seu sono, afastou-se. Desisti; virei-me para o outro lado.
Pouco depois, ainda sem dormir, notei que me roubavam o lençol. A criatura, até então apenas parcialmente coberta, enrolou-se nele por completo. Senti-me provocado, invadido em minha resignada quietude. Decidi agir.
Ergui-me da cama. Arranquei minha blusa, que, de tão fina, mais lembrava uma camiseta de mangas compridas. Vestia, ainda, uma camisa - como eu não sentia calor antes? Fui até o guarda-roupa apanhar outra coberta. Aquela seria minha. Em poucos minutos, eu a estenderia discretamente sobre a cama toda e de maneira lenta e progressiva me aproximaria daquele corpo...o sentir...o toque...
Acordei com o dia raiando e não tive mais sono.

sábado, 25 de novembro de 2006

imagético

(devia haver uma foto aqui...)



Queria encontrar-me, dizer 'eu me amo' com mais freqüência.

terça-feira, 21 de novembro de 2006

calado!

Mais um sonho esta noite. Só que ele é impublicável. Não adianta insistir.

Uma pena, viu? Porque o texto ficou muito bacana ;)

meu medo é esquecer

Meu medo é esquecer; não mais atinar com fatos cotidianos, tudo embaçado ao meu redor. Virar páginas e páginas apenas para verificar a perda das lições passadas. Não saber mais do que me torna quem sou. Abrir os olhos e perceber-me velho, cinzento, empoeirado. Um casarão abandonado que viu uma enorme família crescer e hoje nada possui que faça recordar a alegria de outrora.

sexta-feira, 17 de novembro de 2006

noventa

Músicas dos anos 90 que tocaram no rádio essa noite...e sobre as quais queria dizer umas palavrinhas.


A Letter to Elise

Até agora, a música do Cure que mais ouvi na vida. É que o clipe passava direto na MTV entre o final de 92 e o começo de 93. Eu era fã, mas passei anos sem ouvi-la. De uns tempos para cá, venho descobrindo algumas das maravilhas que a banda produziu ao longo dos anos 80 e, numa comparação baseada em minha memória, A Letter to Elise perdia feio para essas "velhinhas". Mas meu ouvido era outro á época do hit...uma nova audição e agora faço justiça. A Letter... é uma bela e melancólica canção. Não compreendo toda a letra, mas os vocais de Robert Smith se encarregam de atribuir à melodia o tom pesaroso exigido. O leve acompanhamento instrumental também merece nota. Como resultado, temos aí outro clássico do Cure e uma das mais belas músicas do começo da década passada.


Tears of a Dragon

Iron Maiden, todo mundo conhece. É célebre mesmo entre seus piores detratores. Em meados da década de 90, o então vocalista Bruce Dickinson se afastou da banda - divergências artísticas eram a causa oficial padrão dessas saídas; não me recordo bem, mas deve ter sido essa a razão alegada nesse caso também. Em pouco tempo, ele se lançou em carreira solo. Não ouvi o disco todo, mas, inegavelmente, o hit Tears of a Dragon poderia figurar entre um dos trabalhos do Iron. A voz de Bruce está lá, e tudo mais soa como a banda. Apenas os instrumentistas são outros. Quanto à música, nada de mais, assim como Iron Maiden não tem nada de mais. Nunca fui ou quis ser metaleiro.


Crazy

O Aerosmith ressusrgiu do pó - livre interpretação - no final da década de 80, trazendo de volta sua formação original e tendo em mãos a fórmula do sucesso: gravar hits ao gosto dos adolescentes. OK, de vez em quando surgem composições mais inspiradas, mas, em geral, é um pop rock sem grandes variações entre uma faixa e outra da coletânea de maiores sucessos. Apenas divida-os em dois grupos: o pop mesmo (por falta de denominação melhor) e as lentas. Crazy é das lentas. O negócio aqui é falar de amor e filmar videoclipes contando histórias de lindos jovens. Crazy tem Alicia Silverstone e Liv Tyler - filha do vocalista da banda, Steve, e então futura Arwen Undómiel - curtindo a vida juntas, grandes amigas que são, divertindo-se entre si, ou com alguns moços, essas coisas. E viva a juventude: ela garante os milhões na conta bancária dos velhinhos do Aerosmith.


November Rain

Pretensão. Egolatria. Isto é Axl Rose. Os que se lembram desta canção e de seu videoclipe, e são também dotados de algum bom senso, não podem discordar. A música: nove longos minutos pouco inspirados (mas que agradavam a molecada...) alternando piano, orquestra, coro meia-boca, o indefectível vocal esganiçado de Axl e solos sonolentos do superestimado Slash. OK, a parte final é passável, e só, mas e chegar até ela? O megalômano clipe: Axl vê (revê?) seu casamento em sonho. A noiva, coitada, aceita entrar na igreja com um vestido que não lhe cobre as pernas. O padrinho, Slash, após entregar ao noivo a aliança - na verdade, um anel de roqueiro - deixa a nave e vai tocar guitarra no deserto. Contra o vento, óbvio. Ah, convém lembrar aqui que os pombinhos do vídeo se uniram na vida real também. Em alguns meses se divorciaram. No clipe, o matrimônio termina de forma mais trágica: a noiva morre pouco depois da cerimônia. Uma questão de dias, talvez, não fica claro. Para quem acha que exagero ao falar em mania de grandeza, tem mais. Entre casamento, solos na areia, festinha e velório, são exibidas algumas cenas da banda - Guns n' Roses...é a primeira vez que os menciono - num show. O visual de Axl no palco lembra John Lennon.
Sucesso absoluto na MTV à época. Totalmente esquecível. Que é do Sr. Rose agora?

domingo, 12 de novembro de 2006

Raramente sonho, e quando acontece, é isto: mal me lembro do que vi. Quem sabe escrevendo não trago de volta alguns detalhes.
Protagonistas: eu e um colega - que eu não esperaria me aparecer em sonhos. Estávamos envolvidos numa dessas brincadeiras em que um procura irritar mais o outro e vice-versa, por meio de comentários jocosos. De algum modo, a coisa se tornou física, com tapas e coisas do tipo. Não era briga. Num movimento mais brusco de minha parte, não sei bem como, ele acertou a cabeça num poste. Em cheio. (Estranhíssimo, pois, ao que me lembro, estávamos o tempo todo na sala onde costumamos nos ver...bem, era um sonho.)
Curiosas, as pessoas ao redor correram ao local do incidente, ver como o rapaz estava. Ele se levantou rapidamente. Estava bem. Checou a armação dos óculos, que haviam se danificado um pouco, e seguiu com o grupo quase como se nada houvesse acontecido. Quase, pois ele já não me dava mais atenção, mesmo que eu ainda o provocasse. Havia um fio de sangue escorrendo de sua testa, único vestígio do choque - ele havia guardado os óculos.

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

notas felizes

E já se vão três meses desde minha estréia como solista no coral. Ontem, em mais uma apresentação, tive novamente a chance de ser o astro - meu solo é dividido em duas partes e no total tem uns trinta segundos de duração, mas tudo bem. Após o concerto, quando já estávamos, eu e o coro, uma garota se aproximou de mim. Ela disse que me viu como solista no dia de minha estréia e que se arrepia ao ouvir minha voz...para ela, eu já era um artista, como ela também afirmava ser. O ego acariciado, agradeci o carinho, e ela se foi, afirmando que ainda gostaria de me ouvir muitas vezes.
Puxa vida. No momento, me considero um cantor em construção. Ao cantar, no coro ou nas aulas, penso quase exclusivamente em técnica. Em minha boca, as melodias não possuem minha cara, minhas emoções - com a possível exceção de meu medo de errar. Entretanto, já ouço um elogio desse nível. Pergunto-me o que dirão quando eu estiver mais seguro.

***

O blog faz um ano hoje.

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

pós-feriado, agora com divagação

Como mencionado anteriormente, dormi por quatorze horas seguidas. Meu período de sono mais longo até hoje.
Por volta de sete da manhã, acordei e, tendo tomado consciência do tempo que havia passado desde minha decisão de ir para a cama, ainda na tarde anterior, lembrei-me de algo ocorrido em 1986 - socorro, minhas recordações mais antigas já remontam a duas décadas!
Eu ainda estava na primeira série, estudava de manhã. Nesse dia cheguei em casa um pouco doente; o que tinha, não faço mais idéia. Comi, provavelmente menos que o normal, e em pouco tempo estava deitado. Já era noite quando acordei, entre sete e oito horas. Estava bem. Parecia-me ter dormido por mais de um dia. Por um instante, tal impressão me deixou aflito. Teria eu perdido aulas? A preocupação logo passou, e tudo seguiu seu rumo habitual.
Doce lembrança da mais doce das épocas. Eu amava a escola, e adorava mais ainda tirar notas altas. Ah, era inocente a ponto de crer que uma doençazinha de nada me poria de cama por um período prolongado. Sempre fui tão saudável! Mais ainda, temi que, se de fato me acontecesse algo de grave, meu aproveitamento escolar seria irremediavalmente prejudicado.
A ingenuidade é, talvez, a característica mais divertida da infância: lembrei-me sorrindo do que acabei de relatar. O tempo passa, porém, e se encarrega de criar situações capazes de liquidar nossa inocência em partes, até que esta suma por completo.
Devo ter fugido de várias "tocaias" do destino a fim de manter minha puerilidade intacta. Ao menos, enquanto havia esconderijos, e esses podem ter resistido por tempo demais.
De qualquer forma, a hora sempre chega. A hora de mudar.

pós-feriado

Passei o feriado em Londrina (PR), em viagem com o Zíper. Festival de corais. Após três dias de sono irregular, embarques e desembarques, ensaios além da conta - porque sempre há quem ache que vida de artista é apenas glamour - as apresentações correram dentro das expectativas e, na madrugada de domingo, partimos em direção a Campinas.
Chegamos no começo da tarde de ontem. Tudo que eu queria era um bom café da manhã atrasado e deixar o almoço para o horário da janta. Mas só havia leite em casa, e eu teria de andar muito sob o sol para conseguir pão. Apenas bebi. Estava sozinho em casa e, para passar o tempo, tentei ler um gibi. O cansaço não permitiu. Logo chegou gente, e fomos comprar comida. Almoçamos em casa. Conversamos um tanto, ouvimos música, eu sempre estirado no sofá. Eram cinco horas quando fui para a cama. Acordei, já era hoje, sete da manhã.
Participar de festivais de coros tão longe de casa é desligar-se do mundo exterior por alguns dias. O tempo todo, ou estamos pensando em cumprir os compromissos do evento, ou não se pensa absolutamente nada, pois é preciso descansar minimamente para os próximos concertos. Agora me chegam algumas notícias do mundo. O São Paulo me deixa contente com a vitória sobre o Santos no domingo apenas para me supreender negativamente com o empate de quarta com a Ponte Preta. Em nome de um estado iraquiano democrático, Saddam Hussein será enforcado. Um projeto de lei quer exigir identificação prévia de usuários de Internet. Entre outras tantas novidades, agradáveis ou não. Devagar, volta-se à vida.

quarta-feira, 25 de outubro de 2006

ismos

Há pouco apropriei-me
de palavras litúrgicas
- da doutrina dominante -
e afirmei, ou antes pedi:
dizei uma palavra
e serei salvo.
Mas agora penso...
e se sou eu
aquele a quem cabe
o cabalístico dizer?
Todos fazemos o que não se deve.
E é o que somos.

terça-feira, 24 de outubro de 2006

de dois, inúmeros

Lula e Alckmin adoram números. Os dois candidatos procuravam, a todo momento, fundamentar suas críticas mútuas com dados numéricos. Alguns pareciam incompreensíveis até para quem os citava, mas uma ou outra pesquisa era mais acessível.
Em dada ocasião, Lula acusou Alckmin de aumentar os impostos de x para y por cento durante sua gestão em São Paulo, sendo x e y números decimais com duas casas após a vírgula. O candidato do PSDB, que vem insistindo em sua promessa de baixar impostos - seriam os tucanos republicanos? - replicou com palavras similares a estas:
"Queria que o candidato me dissesse o nome de um imposto que aumentei. Eu posso citar duzentos que mandei abaixar."
Números que não valem nada. Levá-los a sério, bem como tantas outras coisas ditas ao longo desta campanha eleitoral, é bobagem. A menos que se abstraia o contexto, com a intenção de ver o lado engraçado.

polêmica

Deu na CBN. Era uma discussão que peguei pela metade.
Uma senhora, cansada de testemunhar ataques de bandidos a pessoas em filas (INSS? deve ser), resolveu tomar uma atitude. Arranjou um revólver e, diante de novo assalto, ameaçou o criminoso. Como resultado, este foi preso, assim como a mulher. Ela não tinha porte de armas, e aquela que portava, pertencente à filha, estava em situação irregular.

abstinência

Devido a circunstâncias alheias à minha vontade (malditos..) quase não tenho acessado a Internet nos últimos dias. Dá para imaginar este rato sem computador? Desnecessário dizer que isto me prejudica. A rede é minha principal fonte de notícias. Para compensar, tenho ouvido a CBN sempre que possível, em casa. Mas apenas isto não basta: vejam, esqueci-me do debate Lula/Alckmin de ontem, na Record. Uma conversa rápida me pôs a par da atração televisiva poucas horas antes de sua transmissão. Algo assim jamais aconteceria se eu estivesse usando Internet da forma habitual.
Os supérfluos necessários, por assim dizer, andam ainda mais esquecidos. Não leio e-mails desde sábado (!) e minha última conversa via MSN data do dia anterior. Notícias e artigos sobre quadrinhos também deixam saudades.
E o blog? Fosse algo físico, teria bastante poeira acumulada agora. Há textos prontos aguardando postagem, e outros que sequer foram digitados.
Essa situação muda hoje. Vou à luta! Pelo direito ao ócio virtual.

(O tom jocoso desta última frase é notório, certo? Nâo? Aimeudeus.)

quarta-feira, 18 de outubro de 2006

clique

Triste é quem não consegue rir de si mesmo.
Lugar-comum? Concordo. Mas teve uma hora no dia de hoje em que isso fez tanto sentido...

terça-feira, 17 de outubro de 2006

sinfonia de outubro

Há algo diferente soando a meu redor.
Ainda há pouco, chovia, e nada se ouvia além da água a atingir o chão, os telhados, tudo que lhe interrompesse a queda.
E quando a chuva por fim cessou, quando se esperava um momento de total silêncio, surgiu um novo som. Não é som da natureza, como água caindo. Curioso, busco ouvi-lo mais atentamente, saber do que se trata.
Logo o identifico. É música.
Essa canção, eu a percebo como o primeiro movimento de uma peça orquestral inédita. Poucos instrumentos são necessários para sua execução. Eles cantam docemente. Apenas o começo.
Antes da música, já havia outro som. Os músicos afinavam seus instrumentos antes da grande aparesentação. Isso, porém, levou tempo. A espera me deixou inquieto. Aquilo não era música! Parti, e foi como se deixasse minha poltrona na sala de espetáculos sem intenção de retornar. Não demorou para que a chuva caísse, encobrindo qualquer outro ruído.
Agora, a introdução de uma obra sinfônica. Avidamente aguardo o que virá a seguir. Melodias leves, agradáveis, como boas conversas. Trechos tensos, toda a orquestra em fortíssimo, acordes dissonantes. Ah, talvez um grandioso tema capaz de ecoar na mente por um bom tempo, ainda que seja executado uma única vez durante toda a peça.
Gosto de pensar nessa última possibilidade. Mas, acima de tudo, alegra-me saber que há, de fato, música soando aqui. Não estou ouvindo demais: é uma agradável surpresa.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006

mudanças e o tempo

Noite de domingo. Uma nova semana está para começar. Mais um ciclo, pequeno ciclo, em nossas mensuráveis vidas humanas.
Quando um novo e marcante ciclo se inicia, é quase natural fazermos planos, em conformidade com nossos anseios - pense nas resoluções de Ano Novo. Anseios capazes de refletir pequenas, ou grandes, frustrações. Antes de tudo, desejamos que tudo dê certo dessa vez, desejamos afastar o sofrimento.
Planos para a semana, daqueles grandes, para mudar completa ou significamente a vida, não são assim tão usuais. Uma pequena mágoa a ser curada, uma rua diferente a ser tomada no trajeto para casa, preencher novos horários; eis mudanças comuns entre uma semana e outra. Talvez boa parte de nós considere esse espaço de tempo curto para levar a cabo decisões impactantes. Um pensamento saudável, de que nem todos compartilham. E dói.
Na natureza, tudo são processos. É bobagem marcar data para a felicidade chegar. As coisas ocorrem a seu tempo, o qual pode parecer extremamente lento para nós, seres apressados, por vezes ultralógicos. Acostumados à obrigação de cumprir prazos sempre e a todo momento, queremos impor essa mesma rigidez a aspectos não-práticos da vida. Porque não somos atendidos como e quando requisitamos à indomável fortuna, nascem as frustrações. E, pobres, sentimos a passagem do tempo como a de um rolo compressor sobre as cabeças aos brados de "quando serei feliz?', "por que tanta desilusão?", e outros.
O remédio: trabalhar continuamente até a causa do desassossego na vida ser dirimida. Sem prazos, sem neuroses. Sem buscar milagres. Isto, sim, parece adequado para uma semana. Esta que começa, e tantas outras forem necessárias.

***

Nossa, não era nada disso que eu pretendia escrever ao pegar caderno e caneta. Para dizer a verdade, eu estava no time dos desesperados. Não planejaria esta minha semana em função de prazos por puro pessimismo. E agora...passou. Mesmo. Bom, basta ler o texto aí em cima para perceber.
Não vou deixar de escrever jamais.

***

Olha, o link que vou passar a seguir não tem nada a ver com o que escrevi até agora, mas eu não estava a fim de criar um novo post só para esta matéria do UOL. Entendam como um serviço do tipo "conheça seus políticos". Conheçam e sintam sua cara cair...

quinta-feira, 5 de outubro de 2006

carmen (bizet)

Scène X

10. Chanson et Duo

Carmen (avec intention en regardant souvent Don José qui se rapproche peu à peu)

Près des remparts de Séville
chez mon ami Lillas Pastia,
j'irai danser la seguedille
et boire du Manzanilla,
j'irai chez mon ami Lillas Pastia.
Oui, mais toute seule on s'ennuie,
et les vrais plaisir sont à deux;
donc pour me tenir compagnie,
j'ammènerai mon amoureux!
Mon amoureux!.. il est au diable!
Je l'ai mis à la porte hier!
Mon pauvre coeur, très consolable,
mon coeur est libre comme l'air!
J'ai des galants à la douzaine;
mais ils ne sont pas à mon gré.
Voici la fin de la semaine:
qui veut m'aimer? je l'aimerai!
Qui veut mon âme? Elle est à prendre!
Vous arrivez au bon moment!
Je n'ai guère le temps d'attendre,
car avec mon nouvel amant
près des remparts de Séville,
chez mon ami Lillas Pastia,
j'irai danser la seguedille
et boire du Manzanilla,
dimanche, j'irai chez mon ami Pastia!

quarta-feira, 4 de outubro de 2006

agora sim...sobre as eleições

(as palavras pensadas que fiquei devendo...texto em "germinação" desde dois dias atras)

São Paulo, manhã de segunda. Nada de sol. O céu está tomado por nuvens, de onde cai uma chuva fina e intermitente. Faz frio, como é praxe quando há garoa. Isto pode soar clichê, mas, em virtude dos fatos tristes do dia anterior, parece que até mesmo o dia acordou carrancudo.
Eleição e copa do mundo tem suas semelhanças. Esses dois eventos mobilizam a nação, por mais que sempre haja quem deseje não se envolver de forma alguma com eles. Dentre os participantes, há favoritos e azarões, há odiados e respeitados. Há torcida, a favor e contra. Há expectativa. A diferença entre a festa do esporte e a da democracia é que, na última, um bom desempenho não depende apenas onze protagonistas, muitos entre os quais mais interessados no dinheiro a ser ganho ou nas mulheres que poderão conquistar ao longo da carreira. O sucesso, ou fracasso, de um ideal politico, ou do ideal de um politico, está nas mãos dos eleitores. E esses são milhões, milhões de pessoas, tão iguais, ao contrário dos futebolistas, poucos e dotados de talento ímpar. Os eleitores são iguais, pois têm acesso aos mesmos dados sobre todos os postulantes. O uso dessas informações é livre para cada indivíduo, mas, aqui entre nós: a partir de algumas delas, poderiamos esperar que se desenvolveu um senso comum capaz de nos fazer dizer "não!" a quem sequer deveria se lançar candidato.
Contudo, pessoas comuns, gente como a gente, perpetuaram comportamentos imperdoáveis, incompativeis com o grau de esclarecimento que se espera após vinte anos de democracia e boas frustrações. Assim, foram eleitos - em alguns casos, reeleitos, pior ainda - costumazes corruptos, auto-proclamadas "celebridades" e eternos caciques ultraconservadores, ou seus representantes. Somos todos povo, gente sofrida que se diz cansada de um Brasil ao mesmo tempo rico e pobre. Não é fácil explicar os resultados das urnas.
A seleção brasileira, perca à vontade, mesmo os mais fanáticos logo se aquietam, pois isso em nada afeta nossas vidas de fato. Já os resultados da votação de domingo têm o amargo sabor de uma goleada aos que torcem por nosso pais. E seu efeito é duradouro, quatro anos no minimo, ao final dos quais mais uma vez seremos chamados a escolher quem nos representará, entre dignos e indignos.
À tarde, o sol voltou a aparecer. Pode-se pensar que alguém acima de nós ainda crê em nossa capacidade de aprendizado, mesmo a base de bordoadas. Aqui, em terra firme, muitos estão profundamente decepcionados. Esses continuarão a enxergar os dias bonitos lá fora, mas, ao se perguntarem sobre o que esperar daqueles que nos governam, tudo ficará cinza, feio, nublado.

segunda-feira, 2 de outubro de 2006

animo-me!

Vou participar de um pequeno coral que apresentará o Messias de Haendel acompanhado por uma orquestra de câmara. O concerto acontecerá no dia 9 de dezembro, às 20:30, no Mosteiro de São Bento, em Vinhedo.

domingo, 1 de outubro de 2006

ao povo brasileiro (essa era a intenção)

Já temos os resultados, parciais ou totais, das eleições de hoje. Estou triste. Mesmo. Por meio deste post, em princípio, eu manifestaria minha indignação, sem me preocupar em parecer rude ou desrespeitoso. Em vez disso, porém, calo-me. Neste momento, meu corpo e minha mente precisam de repouso. Mas não fica assim...uma vez descansado, prometo - e não como um político faz - pensar em palavras melhores sobre o que não pode deixar de ser mencionado sobre hoje.
Ainda desejo a todos uma boa noite.

sábado, 30 de setembro de 2006

Já se viu obrigado a fugir, fugir um sem número de vezes, que num dado momento não fosse mais capaz de se esconder, não por sentir-se exausto, mas por que não havia mais para onde escapar?

sexta-feira, 29 de setembro de 2006

ansiedades

Breve estarei diante de todos os meus amores, aguardo ansiosamente para me reencontrar com eles. Agora mesmo, ouço suas vozes em minha mente, eles me chamam, me dizem, cada um a sua maneira peculiar, venha, venha, viveremos momentos felizes juntos, lado a lado. Nenhum me completa a existência da mesma maneira, por isso tenho vários, vários amores, que amo diferentemente. Ainda estou distante deles e penso, meu Deus, não haverá tempo para todos eles, há pouco eu disse a alguém, o tempo é aquele que temos, mas não posso chegar aos amores que "sobrarem" quando dos encontros e dizer isso a eles. Não está certo. O ideal seria eu ser vários, como vários eles são, para ter tempo para me alegrar ao lado de todos. Mas espere...eu já sou muitos por amar de modos tão diversos, sou um, único, com a característica de ser muitos. Se me quebrasse em muitos de fato, cada um deles seria menos que um, incompleto, querendo mais, os outros. Penso melhor, meus amores me entendem, se o tempo para algum ou alguns deles me faltar, quem mais sofre com isso sou eu mesmo, mas meus lindos amores me consolam, estando presentes a todo momento, aguardando pacientemente que minha hora para eles chegue. Então não está mal ser um, um para todos, e todos me tornam esse um.
Breve estarei diante de meus amores. Podem me ouvir? Não podem. Eu ouço vocês. Estou chegando!

quinta-feira, 28 de setembro de 2006

antivoto

O titulo do post é auto-explicativo, certo? Confiram minha lista. Notem que estou respeitando a ordem da urna eletrônica.

Deputado federal: Paulo Maluf

Analisando a lista de candidatos, o páreo é até duro...Levy "Aerotrem" Fidélix, Fleury, Celso Russomano, Celso Pitta...Frank Aguiar (é sério)...mas a razão nos diz: o Malufão é imbatível.

Deputado estadual: Afanasio Jazadji

Truculento, preconceituoso, defensor da pena de morte...por isso e por tantos outros motivos.

Senador: Guilherme Afif Domingos

Nada contra o candidato em particular, mas ser candidato pelo PFL e ainda por cima apoiando o Serra? Duas palavras...não dá!
Mas eu queria mesmo era que meu voto tivesse algum poder em Alagoas, para que o Collor não fosse eleito.

Governador: Orestes Quércia

Minha rejeição pelo ex-governador consegue ser maior que a que sinto pelo vampiro sem palavra José Serra. É que o Quércia não só aprontou muito em sua época, como ainda gerou o Fleury.

Presidente: Geraldo Alckmin

Sobrou pro Picolé de Chuchu. Já citei minha ojeriza à dobradinha PSDB-PFL.
Outro em quem eu jamais votaria é o Eymael. Sim, ele é um candidato folclórico, sem chance alguma, mas...eu odeio aquele jingle!

não anuncie aqui

Segundo projeto de lei aprovado na última terça, de autoria do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, outdoors e painéis eletrônicos estão proibidos na cidade. Os já existentes deverão ser retirados das ruas ate o fim deste ano.
A publicidade externa não está totalmente extinta: ela será limitada ao denominado mobiliário público - pontos de ônibus e relógios, por exemplo. A implantação de anúncios nesses locais estará sujeita a licitações, ou seja, totalmente vinculada ao poder público. A prefeitura avalia que mais de três quartos das peças publicitárias na cidade são irregulares. Com a nova legislação, a fiscalização de anúncios se tornará muito mais simples.
Surpreendente medida, tomada com o objetivo de combater a poluição visual. Num primeiro momento, é difícil imaginar Sao Paulo, ou qualquer outra metrópole, sem outdoors. Muitos os consideram peças fundamentais na paisagem urbana, tão indissociáveis desta quanto prédios ou grandes monumentos. Contudo, a implantação de anúncios saiu de controle na cidade, já caótica em tantos aspectos, e era necessário tomar alguma atitude.
Resta saber se a prefeitura de São Paulo terá êxito nessa iniciativa, aparentemente benéfica a todos, frente aos interesses dos empresários de publicidade exterior. Estima-se um número elevado de demissões no setor com a perda de receita decorrente da nova lei. Esses profissionais não abdicariam facilmente de tão elevada parcela de seus lucros. Não com a mera intenção de colaborar em tornar a cidade mais agradável.

terça-feira, 26 de setembro de 2006


This heart
This lonely heart
Full of expectations

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

hopi hari


Sábado fui ao Hopi Hari passar um dia divertido. Foi minha primeira vez no parque.
Permanecendo quase o tempo todo ao lado do grupo - em sua totalidade ou dividido - que me acompanhou no passeio, brinquei em praticamente todas as atrações bacanas. Apenas por um momento me separei dos colegas: era quase meu horário habitual de almoço e eu não estava disposto a entrar numa fila. Larguei mão do brinquedo da vez e fui dar uma volta.
A caminhada solitária foi proveitosa. Primeiro, por me permitir observar melhor as pessoas. Também graças a ela, pude encontrar o lago - artificial, acho - às margens do parque. Lembro-me de admirá-lo da estrada em viagens quando mais novo, algumas delas ocorridas antes mesmo de a primeira palavra em hopês ter sido pronunciada. E naquele momento, lá estava eu diante daquelas águas sempre calmas, com ou sem parque. Junto ao lago, a algazarra ao meu redor parecia mais distante do que realmente estava.
Por fim, durante esse passeio solitário, pensei um pouco sobre parques de diversões, já vislumbrando idéias de textos para o blog (estou ficando obcecado em escrever?)
Na verdade, a onda introspectiva havia começado antes, com o primeiro brinquedo do dia. Subir e descer da imensa torre da foto acima me fez recordar minha última e desconfortável ida ao Playcenter, cinco anos atrás, ocasião na qual fugi de quase todas as atrações perguntando a mim mesmo que loucura levaria pessoas a gostar de sentir medo - e até pagar por isso! Alguns frios na barriga depois, já durante minha "voltinha", associei os brinquedos mais assustadores e a tal necessidade humana de enfrentar os medos, reais ou imaginários. Lembrei-me mesmo do filme Minha Vida, em que a personagem de Nicole Kidman dizia ao marido, vivido por Michael Keaton, que não se segurasse na trava da montanha-russa, perdesse o medo de cair. Isso servia de metáfora para outras coisas que perturbavam o personagem de Keaton. Não lembro exatamente quais eram, pois não vejo o filme há anos, mas a mensagem era certamente a de superar nossos receios para viver plenamente.
Esse tema poderia ter gerado um texto, se eu não o tivesse considerado corriqueiro. Fui procurar minha turma novamente e me divertir. Não me entendam mal, minhas reflexões não foram perda de tempo, eu precisava ficar um pouco só, ter um tempo comigo mesmo, mas não seria certo passar um dia inteiro introspectivo num Hopi Hari.
Assim, poupo meus leitores de um texto de auto-ajuda. Em vez disso, transmito a "receita" para aproveitar ao máximo um parque de diversões. Nada muito fora do trivial também, mas não importa. Ai vai:
Medo de algum brinquedo? Ande nele. Mesmo. Experimente as sensações de que você quer fugir. Grite, chame a mamãe. No final, saia gargalhando. Primeiro, porque foi bom demais. Segundo, de você mesmo, por ter cogitado privar-se desse pequeno prazer.
E tenho dito. Ou, como se diz em hopês...ora, ninguém acredita que eu realmente saiba isso, certo?



quarta-feira, 20 de setembro de 2006

apenas pensei...

E eram olhos claros, muito belos. Lembravam pequenos lagos, plácidos, límpidos, quase translúcidos. Quem dera fosse possível enxergar a alma por trás daqueles olhos, como quem vê o fundo do leito de um lago, ou de um rio, de águas tão claras.

terça-feira, 19 de setembro de 2006

minha cabeça

A partir de notícias de fora (um suicídio) e de experiências minhas (importa?), vislumbrei o autismo, a loucura e a morte. Tudo me pareceu extremamente condenável. No entanto...

sábado, 16 de setembro de 2006

que me diz?

Um número, por si só, é apenas um número.
Não é nada além da quantidade, do valor que expressa.
Insensível, duro, irrefutável.
Absoluto.
O número é "aquilo".
Pouco, ou nada, a acrescentar.

Palavras são relativas. Sempre.
São, por si mesmas, multifacetadas.
A verdade por trás delas? "Depende".
Quem as falou
Como as falou
Quando as falou? Pode ser.
Em que circunstâncias falou.
- Por que falou?

A palavra falada pode dizer qualquer coisa
Inclusive o exato oposto do que parece ter sido dito
Ou algo que não se deve dizer diretamente,
Por um motivo qualquer.
Quando se compreende o real significado por trás da palavra
É que ela pode ser dura, mais dura que um número.
Pois nela é possível estar, justamente,
Aquilo que jamais gostaríamos de ouvir.
Mesmo não "ouvindo" de verdade.
E aquelas palavrinhas, em vez de confortarem,
De oferecerem o acalento desejado,
Empurram, lançam ao chão, fustigam.
Ferem, e como ferem.

O número ignora que faz doer.
A palavra, matreira,
Ri-se da confusão por ela causada.
- Ah, agora você entendeu?

sexta-feira, 15 de setembro de 2006

censura??

Leiam...é de amargar.



Caricatura de José Sarney provoca censura em blogs

Por Marcus Ramone (15/09/06)

"Xô!"Censurar blogs por motivos políticos parece não ser mais privilégio de países regidos por sistema ditatorial. Agora, o Brasil pode se enquadrar nesse rol.

Em Macapá, no Amapá, uma caricatura do senador José Sarney (PMDB) compondo a expressão "Xô!", feita pelo cartunista Ronaldo Rony no muro de sua casa, gerou um precedente com repercussão até em outros países.

Uma foto do muro foi publicada no blog da jornalista amapaense Alcilene Cavalcante, o que gerou indignação na coligação partidária capitaneada por Sarney, candidato à reeleição pelo Amapá. Assim, no último dia 25 de agosto, a Justiça Eleitoral determinou que a imagem fosse retirada do ar (ou isso, ou R$ 2.000,00 por dia de não cumprimento da determinação).

Como se não bastasse, o blog inteiro acabou sendo retirado do ar por ordem judicial.

Alcinéa Cavalcante, irmã de Alcilene e também jornalista, republicou a foto em seu blog e listou outros que também o fizeram. Até agora, cerca de 80 blogs se uniram ao Movimento Xô Sarney, em repúdio a esse ato de censura do ex-presidente do Brasil.

"É inaceitável que indivíduos que se dizem jornalistas armem uma longa teia de comunicação na internet para a prática de crimes", disse o texto de uma das nove representações impetradas contra o Repiquete, blog de Alcinéia, que no dia 1º de setembro também saiu do ar.

Segundo uma dessas representações da coligação União por Amapá, eleitores, jornalistas e internautas, inclusive de outros países, estão sendo convocados a "compor um bando de criminosos". A rede de blogueiros, assim, estaria "organizada em prol de atingir a boa imagem do candidato".

A jornalista Alcinéa Cavalcante migrou seu blog para um servidor no exterior. E o Movimento Xô Sarney continua.

quinta-feira, 14 de setembro de 2006

mais uma página de diário

Esta última noite foi a mais mal dormida. Talvez me sentisse mais descansado se tivesse escrito durante a madrugada. Impossível saber. O fato é que as anotaçõees, necessárias anotações, tomam lugar agora.
(Com os diabos, não consigo resistir ao impeto de escrever "bonito". Observação feita, vamos prosseguir...)
Sigo minha vida, seja lá para onde, com a certeza de que jamais deixarei de ser uma criança. Na realidade, o(a) garotinho(a) de nossos primeiros dias não desaparece jamais - ou ao menos não deveria, pois é remédio certo naqueles momentos em que nossa existência parece insuportável. Ah, mas minha versão mirim, quando desperta, traz comichão por toda parte do corpo, torna a voz mais clara e possante; o cerébro vai a toda parte e recusa descanso. É de uma intensidade, a alegria é tanta que o adulto sujeito a todo tipo de regras desaparece e aquele que o substitui - penso comigo - bem poderia fazê-lo em definitivo.
Ontem, dois acontecimentos me fizeram experimentar essa breve loucura. Um deles, confesso, é futil: recuperei minhas lentes escuras. Perdidas há semanas, estavam fazendo falta nesses dias de sol inclemente. Do outro, direi apenas que criou em mim enorme expectativa, deixando entreaberta a porta para algo novo e...acho que falei demais.
Os dois fatos vieram quase em seqüência; a sensação do primeiro, que se esperaria efêmera, juntou-se à emoção causada pelo posterior. Daí minha noite de sono curta e este texto empolado.
Queria era não depender tanto desses surtos para me sentir bem. Pois não demora e a euforia passa, volto a ser o mesmo de sempre. Desinteressante e por vezes chato. Sonho encontrar um equilíbrio entre o moleque entusiasmado e o "velhote" calejado.

sábado, 9 de setembro de 2006

hoje, em casa (sp)

Pois é, nunca estamos completamente sós, mesmo quando não se espera algum tipo de companhia.
Esta tarde pus para tocar um CD com trechos do Quebra-Nozes. Não é o tipo de coisa que ouço em baixo volume, por isso creio que esses belos acordes ressoem pelas redondezas, possivelmente incomodando alguns viznhos. Aos olhos de alguns deles, devo ser o excêntrico. Nada que tire meu sono.
Mais à noite, uma vizinha veio procurar minha mãe e me perguntou se era eu quem estava ouvindo música "clássica" momentos atrás. Respondi que sim, confirmando algo quase certo na cabeça dela: quem mais se interessaria por tal repertório além de mim, um coralista? Então, a surpresa. A vizinha disse gostar de ouvir os clássicos de vez em quando, ainda que por tabela, como hoje, para relaxar. Ok, o comentário foi clichê, e estou longe de achar que as intensas composições de Tchaikovsky sejam capazes de acalmar os nervos de qualquer mortal, mas nem por isso o pequeno elogio ao bom gosto deixou de agradar.
Em meu íntimo, talvez quisesse me sentir menos solitário naquele mundo de músicas belas. Apenas, insisto, não esperava que pudesse acontecer.

quinta-feira, 7 de setembro de 2006

mordendo a língua!

Num post anterior, torci o nariz para uma "versão jamaicana" de Dark Side of the Moon, antes mesmo de ouvi-la. Pois bem. Baixei o álbum inteiro tempos atrás e hoje à tarde, caçando músicas em minha playlist, resolvi finalmente dar a ele uma chance. E não é que achei bacana? Todo fã do álbum original deveria largar mão de rabugices (aqueles que as têm) e conferir Dub Side of the Moon, gravado pelo...vamos checar o nome aqui...Easy Star All-Stars. Dub? É o gênero musical jamaicano sobre o qual a foi concebida a releitura. Esse mesmo estilo inspirou algumas composições do Police, Walking on the Moon o exemplo mais óbvio.
Voltando ao Dub Side, vale mesmo a pena, nem que seja como mera curiosidade. As faixas instrumentais são particularmente interessantes. On the Run, por exemplo, ganhou um clima que lembra o jungle (lembram-se desse estilo, também de raízes jamaicanas?), mas sem perder a identidade. A versão de Time foi a unica que me causou certo estranhamento: no lugar do tradicional solo de guitarra, umas vozes, certamente recitando frases em acordo com o tema da cancão, mas musicalmente...não me "desceu".
De resto, um bom trabalho. Merece esta minha nota de "desculpas".

terça-feira, 5 de setembro de 2006

freddie mercury 60 anos

Apenas para não deixar a data passar em branco...







Valeu por tudo, Fred! :)


pérolas eleitorais - mais

Após recordar nossa primeira chance de escolher um presidente em anos, vamos conferir o que as eleições paulistas recentes já nos trouxeram de...bom.

Para começar...uma lenda!

Maluf, o candidato do coração.

São Paulo é Paulo
porque Paulo é trabalhador,
Sao Paulo é Paulo
É Maluf sim senhor.

Frase e jingle de campanha...90 e 92, acho. Na última, o eleitorado conservador da capital caiu nessa e elegeu o Malufão! Rouba-mas-faz na cabeça.
E o pior é que o povão quis mais...

Não deixe São Paulo parar
Não deixe a peteca cair
Quem achou seu caminho
tem que prosseguir...
PITTA!

Em 96, não era possível a reeleição, logo, Paulo Salim precisava de um sucessor. O novo candidato do coração foi o até então desconhecido Celso Pitta, secretário de Finanças da gestão Maluf - o quanto não terão roubado juntos, Frankenstein e monstro.

Vejam como Paulo confiava em seu discípulo:

"Votem no Pitta. E se ele não for um grande prefeito, nunca mais votem em mim novamente."

Mas eles romperam anos depois. Celso não correspondeu às expectativas. Maluf, entretanto, continua recebendo votos toda vez que se candidata.

A milionária campanha de Pitta (e poderia ser diferente?) gerou jingles que não me saíram da cabeça jamais.

Pitta!
Pra continuar é Pitta!
A gente acredita
Em tudo que foi feito
e o prefeito tem que ser
Pitta!

Mas sem dúvida o mais infame era este. Na época, urna eleitoral ainda era novidade, e convinha esclarecer os eleitores sobre como usá-la...

Aprendendo a votar!!
Primeiro aperte o 1 duas vezes (UM! UM!)
Espere até o Pitta aparecer (Olha!)
Depois aperte o verde e confirme a decisão...(ruido)
Obrigado coração!
(Vamos ensinar mais uma vez...)
Primeiro aperte o 1 duas vezes (UM! UM!)
Espere ate o Pitta aparecer (EEEEE!)
Depois aperte o verde e confirme a decisão...(ruido)
Obrigado coração!!!

Acabou...eu juro que acabou.

Aliás, quase todo candidato a prefeito em 96 devia ter uma música orientando o eleitor no uso da tecnológica urna. Mas só me lembro de mais essa...e é só uma frase:

Aperte o 1, aperte o 2, aperte o verde depois!

Francisco Rossi! Ex-prefeito de Osasco, sonhando com a capital. Em 94, na campanha ao governo do Estado, ele tinha um jingle bonitinho,

Francisco Rossi pra governador

A gente tem alguém em quem acreditar
Francisco Rossi pra governador
É hora da verdade, ele vai falar...

Sim, vamos todos acreditar no cara que, na eleição seguinte, atacou o Maluf até não poder mais no primeiro turno, quando as pesquisas que os dois candidatos decidiriam o pleito, e ao se ver do páreo não teve dúvidas em apoiar a candidatura do "rival". Esse tem palavra. Ele e o Serra.

E o jingle da Marta em 98? "Governadora é Marta..." Rapaz, se não fossem as pesquisas dizendo que ela não tinha a menor chance contra o "nefasto" Paulo Maluf, a mãe do Supla poderia ter chegado ao segundo turno. No lugar dela, Mário Covas, com vantagem de cerca de 75 mil votos. Sim, só isso. Bem, de qualquer maneira, o mal foi vencido.

Para encerrar, passamos dos figurões aos folclóricos:

"Nós vamos construir o aerotrem e fazer do rio Tietê e do rio Pinheiros rios subterrâneos!!"
Levy Fidélix

Não caçoem dele...não vou admitir...ele e o Collor são do mesmo partido.


(voltamos a qualquer momento com mais pérolas)

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

dói muito...

...muito mesmo, ouvir o que aquele grupo, Black Eyed Peas, fez com a maravilhosa, empolgante Misirlou, de Dick Dale, conhecida mundo afora graças ao iluminado Quentin Tarantino, que a colocou na trilha sonora de seu Pulp Fiction. Para os admiradores da canção original, a gravação de hoje, sucesso em rádios pop, é uma afronta, um acinte. Foram acrescidos berros e grasnidos a uma música que não precisava de palavras para ser reverenciada. Tais ruídos, antes, ultrajam a obra. Felizmente, neste caso, fomos poupados dos habituais gemidos sexuais quase obrigatórios na black music atual.
A penúria no gênero já vem de algum tempo: aberrações como as produzidas pelo já citado conjunto - tem-se como outro exemplo uma versão de Mas Que Nada, composta por Jorge Benjor e bastante conhecida na interpretação de Sergio Mendes - existem desde o final dos anos noventa, quando Puff Daddy escarrou sobre clássicos de Police e Led Zeppelin. O apelo, digamos, erótico nas gravações provavelmente surgiu na mesma época, e garante boas vendas até hoje.
Aos ouvintes de bom gosto, o consolo de que nem sempre as coisas foram assim. Estes já sabem que os nomes realmente dignos de menção na música negra esbanjam qualidade e criatividade, bem ao contrário de quem grava os hits lançados a toque de caixa hoje em dia.