domingo, 8 de fevereiro de 2015
por que ver o Jogo da Imitação
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
estacionamento: a rua é de todos. logo, ela não é sua.
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Consciência Negra "versus" consciência humana
quinta-feira, 6 de junho de 2013
protesto contra o aumento da passagem: o (pouco) que vi, o que penso
sábado, 6 de outubro de 2012
justos?
quinta-feira, 12 de julho de 2012
acaso
Não há.
Há quem diga que acaso não existe. Será?
a morte
segunda-feira, 7 de maio de 2012
vivaldi
O disco, importado, data de 1991 e deve ter chegado em casa nesse mesmo ano, ou no seguinte. O preço de ter sido nosso primeiro CD foi que simplesmente não tínhamos onde tocá-lo. Como ninguém manifestasse, à época, um franco interesse em escutar Vivaldi ou qualquer outro desses grandes compositores - apesar de meu tímido gosto por música instrumental, não necessariamente erudita, na infância -, o cdzinho teve de esperar.
E esperou mesmo. Somente no final de 1995 adquirimos o primeiro aparelho de som com CD player - que orgulhosamente ficou em meu quarto; tantas emoções me proporcionou! Mas ainda levou um bom tempo para tirar a poeira daquele primeiro disquinho da casa.
Foi numa noite de sábado, não me lembro o ano. Eu estava sozinho em casa (por quê?) e simplesmente me veio a vontade de pôr o Vivaldi para tocar. Tirei o disco do "esconderijo" dele, abri a gaveta do tocador de CD e fui em frente.
As Quatro Estações era uma única e enorme primeira faixa do CD, mais de 41 minutos de duração. As outras duas músicas tinham oito e dez minutos cada. Será que conseguiria ouvir aquilo tudo um dia? Comecei do começo. Foi quando pela prmeira vez ouvi o primeiro tema da Primavera - a música do sabonete Vinólia - de maneira voluntária. Nada mal. Nada mal mesmo. Vamos em frente, apagar a luz para dar "mais clima" e deitar na cama - ei, tomara que eu não durma.
Creio que cheguei até o final do Verão nessa primeira orelhada. Eu só vim a conhecer os movimentos do concerto depois; o encarte do CD não ajudou, limitando-se a dizer que as estações eram quatro (uau!) começando pela primavera. O fato é que eu havia gostado, a ponto de querer ouvir outras vezes. O CD então saiu da gavetinha escondida na estante da sala para a minha pequena mas orgulhosa coleção, para diante dos olhos (e ouvidos) de quem o quisesse.
Não faltou tempo para as outras duas faixas, também. A segunda era um concerto para flauta e orquestra, pelo qual não me apaixonei de início, mas acabou acontecendo; e a última, um concerto para sopros, violino e cordas, bem interessante, mas que não me atrai tanto nos dias atuais.
Tenho hoje mais um CD da Nona de Beethoven, dois de Tchaikovsky (três; um é duplo), um de coros russos e uma Carmina Burana. O grosso de meu acervo erudito, e de meu acervo em geral, está em meu computador (os torrents, tantas outras emoções). Dificilmente comprarei muito mais CDs. Mas a história desse CD do Vivaldi eu gosto de lembrar.
E já que contei essa história, permitam-me comentar algo que ocorreu agora, ouvindo uma vez mais essas músicas, antes e ao escrever. As Quatro Estações e os dois concertinhos aqui são peças, por assim dizer, didáticas, acessíveis, como que de encomenda para quem quer aprender a gostar de música erudita. Pois, convenhamos, há peças muito difíceis de ouvir, e mesmo por demais enfadonhas, para que está tendo um primeiro contato com esse repertório. Não é o caso aqui: o ouvinte iniciante põe um pequeno movimento ali - nem é preciso ser uma Estação inteira -, aprecia e volta depois; em pouco tempo, terá ouvido o concerto grosso inteiro, abrindo ouvidos e mente para os concertos seguintes, depois para outras composições, outros autores...
Pensando bem, didático assim é o piano de Chopin, e tenho comigo que os criadores por trás dos episódios de Tom e Jerry e do Pica-Pau também o sabiam, não por acaso colocando várias peças do compositor como trilha sonora desses desenhos. Aí, um belo dia você se dá conta que gosta dos "clássicos" e nem sabia.
Para terminar, segue um vídeo da segunda faixa desse meu CD, o Concerto para Flauta e Orquestra nº 2 em Sol Menor OP. 10 (La Notte)...apreciem...
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
são paulo no rumo certo. para a vala
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
caminho do sol - minha primeira cicloviagem
domingo, 15 de janeiro de 2012
noite e sangue
terça-feira, 13 de setembro de 2011
sobre o belas artes e patrimônio
A intenção, portanto, é das mais nobres e ainda envolve uma questão inovadora no entendimento a respeito do que a cidade de São Paulo deve considerar como bem que não pode ser perdido.
Uma observação mais atenta, entretanto, que essa inovação não é integral. Pensemos na localização do cinema. É uma área nobre, ainda das mais valorizadas de São Paulo. Sob a justificativa de preservar a paisagem urbana o mais próximo possível do original - impedindo, por exemplo, a construção de edifícios altos - foram tombados bairros inteiros, como o Jardim América, Interlagos e, mais recentemente, o City Lapa. Todos elitizados desde o momento de sua concepção. Ora, parece bastante questionável a atitude de preservar somente espaços nobres, num momento em que o mercado promove a mais ferrenha especulação imobiliária já testemunhada por esta cidade. Vemos quarteirões inteiros de certos bairros indo ao chão, suas casas e sobrados simples cedendo espaço a prédios de gosto no mínimo duvidoso onde os antigos moradores e pessoas de poder aquisitivo similar não terão condição de morar. Isso para não falar dos habitantes de favelas em áreas mais centrais, esses são sistematicamente expulsos pelo própio poder público, este por sua vez atendendo aos interesses de empresários do setor imobiliário.
Que não se entenda mal, entretanto: o Belas Artes deve continuar, e continuar onde está, até pela tradição. Perdê-lo para ter em seu lugar, por exemplo, um centro comercial de qualquer natureza - pois agora ele é vizinho de uma estação de metrô - seria uma perda irreparável, mais uma. Mas sua preservação não deveria acontecer via decreto. O movimento pela preservação do cinema deveria sensibilizar o dono do prédio sobre a importância de manter o cinema ali, ainda que isto lhe traga lucros menores.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
o anjo da história
Abaixo, o Angelus Novus, de Paul Klee.

Sobre ele, Walter Benjamin, pensador antiautoritário, escreveu o seguinte (transcrito daqui):
“Há um quadro de Klee que se chama Angelus Novus. Representa um anjo que parece querer afastar-se de algo que ele encara fixamente. Seus olhos estão escancarados, sua boca dilatada, suas asas abertas. O anjo da história deve ter esse aspecto. Seu rosto está dirigido para o passado. Onde nós vemos uma cadeia de acontecimentos, ele vê uma catástrofe única, que acumula incansavelmente ruína sobre ruína e as dispersa a nossos pés. Ele gostaria de deter-se para acordar os mortos e juntar fragmentos. Mas uma tempestade sopra do paraíso e prende-se em suas asas com tanta força que ele não pode mais fechá-las. Essa tempestade o impele irresistivelmente para o futuro, ao qual ele vira as costas, enquanto o amontoado de ruínas cresce até o céu. Essa tempestade é o que chamamos de progresso.”
Caio Túlio afirma que "ninguém, mais do que os libertários (anarquistas), olharam para a história como o Angelus Novus", "pasmados pela barbárie que o homem produziu".
E o que tenho a dizer sobre isso?...
Na verdade, apenas digo que tal proposição é um ponto de partida para inúmeras reflexões. Primeiro, trata-se de buscar uma perspectiva distinta da História, mais ampla, não focada em datas e nem sob a necessidade de crer numa ideia de progresso ao longo dos mais distintos fatos e períodos históricos. E afinal, o que de fato é progresso? Existem eras denominadas de prosperidade em nossa História que representaram de fato melhoras nas condições de vida da população como um todo? Quem define o que se chama de progresso? As massas populares têm vez nos processos de mudanças sociais e econômicas experimentados ao longo do processo histórico? Tiveram alguma vez? Terão algum dia? Ou a história se repete sempre e não o percebemos?
quinta-feira, 28 de julho de 2011
capitães do mato, antes e agora
O caso me lembrou quase imediatamente estas cenas do recomendadíssimo filme Quanto Vale Ou É por Quilo.
Capitão-do-mato era uma função que ninguém queria, era malvista tanto pela elite, que a julgava necessária para a solução efetiva de ocorrências "indesejáveis" - como a fuga de escravos - , tanto pela população humilde, vítima de seus abusos e arbitrariedades e onde se recrutavam esses "profissionais". O capitão era o mais duro repressor direto da própria classe de origem.
E os seguranças de hoje? É o emprego que conseguem com a baixa escolaridade que, em geral, possuem. A elite precisa se sentir segura, ou, enquanto proprietária de um meio de produção, passar uma imagem de segurança para sua clientela. Aí entram em cena os guardas vestidos a rigor. O serviço pode ser visto como necessário, mas isso está longe de significar valorização da carreira. O segurança é o trabalhador explorado típico: baixos salários, treinamento insuficiente, vínculos empregatícios precários - afinal, "é tudo terceirizado". Mas foi o emprego que apareceu, e é preciso pôr comida na mesa...o negócio é fazer cara feia e sair marcando suspeitos com olhares e atitudes - sem parar para pensar que, sem a gravata e as credenciais da empresa, ele próprio seria tomado como suspeito em potencial por seus pares.
Estão incutidos nesse empregado os piores preconceitos que seus contratadores podem ter. Ele os reproduz com crueldade.
Para o capitão-do-mato que vi em ação hoje, a moradora de rua transtornada era menos que gente, merecendo, assim, ser colocada para fora, como o lixo que o restaurante produz. Se ele, segurança, se vê tão distinto daquele com quem mais se parece mais, a ponto de criminalizá-lo, o que não vai pensar sobre uma pessoa totalmente marginalizada, ele simplesmente não está preparado para lidar com alguém nessas condições. E talvez nem queira sabê-lo.
"Ah, mas você está exagerando nessa comparação, os seguranças podem ser uns brutos, mas pelo menos não matam." Não? Favor não se esquecer de uma certa ocorrência numa loja das Casas Bahia na periferia de São Paulo.
sexta-feira, 22 de julho de 2011
jovens têm de sair de abrigos aos 18 anos
Aos 18 anos, jovens em abrigos perdem lar
Justiça dita que, a partir dessa idade, quem não foi adotado deve se tornar independente
ah, desculpe, achávamos que fossem gays ou mendigos (Thiago Arruda)
Ah, desculpe, achávamos que fossem gays ou mendigos.
Thiago Arruda
Ah, desculpe, foi um engano: achávamos que fosse um mendigo. Foi isso que disseram, no ano de 1997, em Brasília, os jovens de classe média que assassinaram o índio pataxó Galdino Jesus dos Santos. O caso ganhou ampla repercussão. O grupo simplesmente resolveu atear fogo ao corpo do homem que dormia sob o abrigo de uma parada de ônibus da cidade. Sadismo e ódio de classe lhes ofereceram motivos suficientes para isso.
Na última sexta-feira, 15 de julho de 2011, um novo engano. Pai e filho são agredidos brutalmente em São João da Boa Vista, cidade localizada no interior de São Paulo. Os agressores julgaram que eles eram gays; julgaram, e condenaram, mesmo diante da resposta negativa das vítimas. O pai teve parte da orelha cortada. Os autores não foram presos, são desconhecidos.
O que há de comum entre o gay e o mendigo? Algo que autoriza a violência. Algo que, aos olhos de alguns, pode justificá-la. O que o pequeno engano cometido pelos jovens brasilienses e pelo grupo de paulistas revela é que alguns – alguns muitos – são a ralé, uma sub-raça, um tipo inferior e que, portanto, devem apanhar, ou mesmo morrer. Para que aprendam, ou simplesmente para que seus carrascos possam dar vazão a toda a raiva que a mera existência desses vermes lhe provoca, ao poluírem o seu mundo. A essas criaturas, não resta humanidade, muito menos direitos.
É profundamente emblemático que um dos agressores paulistas tenha sido tão claro ao afirmar: “agora que liberou, vocês têm que dar beijinho”. Quantas vezes não escutamos um “não sou preconceituoso, apenas tenho o direito de não ver dois homens [ou duas mulheres] se agarrando” ou algo parecido? No fundo, trata-se da invenção absurda do direito de que o outro não faça, não seja, não exista. É o direito que o homofóbico proclama a si mesmo de que o outro se esconda, envergonhe-se de si e da forma como ama.
É daí que vem o seu direito de atacar. Cortar a orelha do “culpado”, aliás, é um castigo antigo. Em algumas civilizações, o ato significava que o acusado não ouvira bem, não compreendera bem a “voz da lei”. De fato, os que não se submetem a heteronormatividade esquivam-se de dar ouvidos ao imperativo hegemônico da sexualidade. Frequentemente, são castigados por isso; pelos homofóbicos que proclamam sua lei, proclamam o direito de que o outro não exista e tentam fazê-la cumprir a ferro e fogo. É assim que a relação se inverte: as vítimas são punidas; os vitimizadores punem e permanecem impunes, espalhando ódio por praças, igrejas...
O machismo nunca se deu bem, é verdade, com intensas demonstrações de carinho entre pai e filho. Logo, não é tão estranho que essa relação seja confundida com a relação entre namorados do mesmo sexo. No entanto, o mais grave é que há aqueles cuja revolta, declaradamente ou não, dirige-se contra a incapacidade dos agressores em diferenciar gays de pais e filhos – ou mendigos de não-mendigos (não que os índios sejam bem tratados, não o são). Algo como “que absurdo, esses loucos atacando cidadãos de bem”. Preserva-se, assim, um silêncio; no espaço não-pronunciado, persiste, firme, forte e bruta, a autorização da violência contra os seres sub-humanos que entopem os bancos das praças ou fazem sexo porcamente: se fossem mesmo, se não se tratasse de um engano, se fossem o que achavam que eram, não faria diferença. O problema permanece. Não se deveria a isso toda a repercussão na mídia que teve o caso da última sexta-feira? Quantos gays, lésbicas, travestis e transexuais são agredidos todos os dias no Brasil? Os relatos são constantes; a repercussão, bem menos intensa. O fato de a TV Globo ter, recentemente, censurado a participação de um casal gay na trama de uma das suas novelas é também revelador nesse sentido.
Cuidado. Você pode ser confundido com um gay, uma lésbica, ou um mendigo por aí. Portanto, comporte-se.
domingo, 3 de julho de 2011
sobre meninos, meninas e gibis
Se futebol é tema assim tão inescapável, vejo que cada um pode dar pitaco, mesmo quem não faça questão de se inteirar muito a respeito. Como eu, por exemplo. Mas, para não fazer tão feio, meterei meu bedelho partindo de uma analogia com algo de que entendo mais - ainda que se trate também de modelo de entretenimento que eu não acompanhe com a regularidade de outrora.
Vejo o pessoal reclamando da seleção masculina e penso em gibis de super-heróis. Sim. Ocorre que, todo mês, religiosamente, deve haver ao menos uma revista nova dos X-Men, do Superman, do Homem-Aranha, do Batman, que seja. Tem de estar lá. Pelos fãs? Pela arte? Pela marca. Os prodigiosos justiceiros mascarados são franquias que precisam se manter vistas, faladas, consumidas. Por isso jamais acabarão. Mesmo que vejamos o Capitão América ou o Homem-Morcego morrerem, um novo personagem assumirá a respectiva identidade secreta e, tempos depois, esteja certo de que os originais estarão de volta com uma explicação mirabolante a reboque. Aliás, isso de fato ocorreu recentemente, com os mesmos heróis citados. É um osso de que os cães da Marvel e da DC não largam mão. Que saia (no mínimo) um gibi novo de nossos personagens mais famosos, ainda que pareça impossível manter a qualidade das histórias publicadas. Aliás, parece, não: acredite em mim, li quadrinho por muito tempo e é impossível sair história boa sempre. O que leva a apelações como mortes, retornos, clones, uniforme novo, corte de cabelo novo, poder novo, versão maligna...já vi de tudo um pouco. Coisas que podem levar meses, até anos, para serem resolvidas. Quando são resolvidas. Mas, ei, todo mês tem história nova do seu herói preferido, não importa quão boçal ou repetitiva ela soe.
Mas, enfim, de volta ao futebol. A seleção brasileira é uma marca. Uma senhora marca. Que o digam a Rede Globo, a Brahma, a Nike, o Ricardo Teixeira. Como os gibis, ela prima por resultados, e não necessariamente por qualidade, mas de uma maneira diferente. A seleção não deixa a desejar porque tem de jogar todo mês. É a forma como se montam as equipes. Via de regra, simplesmente são escolhidos os jogadores que mais estejam em maior destaque pelo futebol jogado em seus times. Entao espera-se que tais profissionais sejam capazes de se relacionar bem numa equipe, mesmo que, para a maioria dos torneios, não haja tempo hábil para tal. Porque eles estão ocupados nas equipes com que mantêm vínculo empregatício e, portanto, presos a uma série de compromissos ao longo de todo o ano. Por mais que todos gostem de acompanhar a "pátria de chuteiras", o negócio seleção brasileira não pode interferir de forma tão incisiva no negócio torneios de futebol no Brasil - e mesmo em outros países onde outros jogadores selecionáveis atuem. Ora, mas esses jogadores são bons, os melhores, e precisamos de uma seleção brasileira, os patrocinadores e as emissoras de TV - ou seria a emissora? - estão contando com isso. Ah, tem o torcedor também. Mas é o de menos, todos os grandes selecionados devem seguir essa mesma lógica burocrática e no fim o mais que temos são jogos e torneios idem; mal-aventurados os saudosos daquele futebol arte.
Talvez o futebol devesse perder essa característica tão "na cara" de empreendimento. Evidentemente, os cães das grandes entidades futebolísticas e associados também não largarão o osso. Mas há que achar um equilíbrio. As meninas estão aí mostrando que, no mundo do espetáculo esportivo, menos pode ser bem mais. Mais consistência, mais regularidade, mais futebol de verdade. E com os gibis se dá o mesmo: todo leitor se pega em algum momento em recordações sobre os "tempos mais simples" de outrora, com histórias menos ambiciosas, complexas em termos de bagagem cronológica e, sobretudo, melhores. Menos negócio, mais diversão, é o que o entretenimento deveria ser.
Mas não, mesmo na remota hipótese de o futebol seguisse essa receita, eu não voltaria a assistir aos jogos. É entretenimento, como qualquer outra coisa na TV, ou como quadrinhos. Cada um escolhe o que lhe agrada.
sábado, 25 de junho de 2011
os jovens e a participação política
Umas conclusões óbvias podem se tirar daí. Primeiro, e isto não é novidade para quase ninguém, que os partidos políticos, mais notadamente os grandes, estão muito distantes dos anseios da população em geral, comprometidos que estão com interesses outros, daqueles que as siglas de maior representatividade parecem de fato representar. Faça-se a mesma pesquisa com banqueiros, grandes empresários, ruralistas; a elite, enfim: esse grupo, se sincero for, afirmará que sente grande identificação com a maioria dos partidos mais próximos do poder.
Falei dos grandes, mas essa sensação de frustração com o sistema partidário atinge também os partidos pequenos, que possuem discurso diferenciado em relação à práxis dominante mas não conseguem crescer porque estamos desiludidos com partidos em geral.
A outra ideia é uma resposta à possível pergunta: então o jovem não se interessa por política? Por essa política partidária, definitivamente, não, mas isso é lá com os partidos decidir se querem sua participação ou não. O fato é que militar num partido não é a única forma de se manifestar politicamente, de agir em prol de uma causa coletiva. Estão aí essas grandes manifestações ocorrendo em todo o país de prova. Protestos conta o aumento da passagens de ônibus, o Churrascão da Gente Diferenciada em São Paulo, e marchas como a da Liberdade e a das Vadias, todos foram organizados de forma espontânea e apartidária pela internet - este, sim, o grande veículo de mobilização. Assim convocados para marcar presença e deixar claras suas posições, os jovens saem às ruas e erguem as bandeiras com as quais se identificam, mais notadamente aquelas com as quais os grandes partidos não podem (não querem?) se comprometer. A bancada evangélica, por exemplo, possui membros no governo e na oposição majoritária, o que torna o ativismo pelos direitos das mulheres e dos gays dentro de alguma dessa lógica de poder. O mesmo se aplica em relação à bancada ruralista e a luta contra o Código Florestal.
Enfim, os jovens estão aí, buscando participar de alguma forma. Se não há espaço para levantar a voz dentro da política tradicional, que se faça política ganhando as ruas. É fácil encontrar bandeiras de pequenos partidos de esquerda nessas manifestações. Estes devem ter percebido o movimento como uma oportunidade de mudar a própria política partidária, aproximando-a daquilo que a sociedade realmente deseja - e transformando isso em votos, evidentemente. E os partidos grandes? Silenciar-se a essas novas demandas não é possível. A tática de cooptação também não funciona como antes. Que atitude vão tomar?
quarta-feira, 15 de junho de 2011
professores do ifsp fazem paralisação
Carta Aberta do C.A. Geografia
em Apoio à Paralisação dos Professores do IFSP
Nos próximos dias 15 e 16 de junho os professores do IFSP irão realizar uma paralisação em defesa do trabalho docente, em resposta ao processo de sucateamento da educação dentro do Instituto. Tal precarização ocorre devido à expansão das vagas que não é acompanhada dos investimentos necessários para manter a qualidade de ensino e que foi agravada pelo corte de R$ 3 bilhões, na verba para a educação, feito pelo governo Dilma para 2011. Dentre os elementos mais sentidos pelos professores estão a ausência de um plano de carreira, defasagem salarial e o recente aumento da carga horária imposta à categoria. Este último item impede que nossos professores disponham de tempo adequado para elaborar suas aulas, atender o discente e para pesquisar e atualizar seus conhecimentos - elementos considerados essenciais para manter a qualidade de ensino.
Por outro lado, nós alunos também sentimos de perto a precarização pela qual passa o Instituto. Sofremos com uma infraestrutura insuficiente, que vai desde o acervo da biblioteca, goteiras nas salas de aula, poucas verbas para trabalho de campo e para assistência estudantil, a quase inexistência de programas de pesquisa e extensão e principalmente com a falta de professores. Neste semestre, por exemplo, algumas disciplinas só foram iniciadas no mês de maio, pois infelizmente o IF aplica uma política de contratação de “professores substitutos” que dura no máximo dois anos. Essa política traz enorme insegurança para nosso curso, pois além da grande rotatividade de professores, todo ano temos que enfrentar a enorme burocracia para tais contratações e o conseqüente atraso para início das disciplinas.
Todos esses problemas que rebaixam nossa qualidade de ensino levam ao Centro Acadêmico da Geografia a manifestar publicamente seu apoio à paralisação dos professores nos próximos dias. Fazemos um chamado aos alunos dos outros cursos para que apóiem a paralisação em defesa do trabalho docente e da qualidade de ensino dentro do IF, nos mobilizando para exigir da reitoria que acate as reivindicações dos professores e também as nossas


