sexta-feira, 30 de junho de 2006

watchmen 1: "à noite, todos os agentes..."



Difícil escrever sobre Watchmen. Sobretudo porque trata-se de uma HQ fundamental. Como conseqüência, não posso deixar de pensar, ao escrever estas simples linhas, que pessoas mais gabaritadas já realizaram um trabalho muito mais apurado ao analisar a série, enaltecendo suas inúmeras qualidades e frisando possíveis desacertos - existe algum? Ou seja, Watchmen amedronta pela quantidade de superlativos a ela associados. Num primeiro momento, este escritor medíocre tem ganas de simplesmente dizer, leia a história e veja por si mesmo o quanto ela é boa. Mas qualquer coisa me impede de resumir meus comentários a isso. E aqui vamos nós.
É outubro de 1985 em Nova York. Por força de um decreto federal, a Lei Keene, os vigilantes mascarados estão aposentados há alguns anos. Apenas dois deles tem permissão para atuar livvremente: o fantástico Dr. Manhattan e o patriótico Comediante. O assassinato deste último é o ponto de partida para a história. Quem teria sido capaz de invadir o apartamento de Edward Blake e atirá-lo de sua janela? Rorschach, vigilante que viola abertamente a Lei Keene, resolve investigar o ocorrido por conta própria, bem como alertar seus antigos companheiros sobre a possibilidade de o criminoso ser uma ameaça a todos os vigilantes.
Neste primeiro número, seguindo os passos de Rorschach, somos apresentados a alguns deses agentes e conhecemos o paradeiro de outros, cujos nomes são apenas citados. Ainda não se diz ao certo por que se promulgou uma lei federal proibindo a ação dos vigilantes; contudo, o leitor pode colher algumas pistas por si mesmo. A frase "who watches the watchmen?" (tradução: quem vigia os vigilantes?), pichada em vários muros desta Nova York fictícia, mostra que os pretensos guardiões da justiça não gozavam de grande popularidade entre os cidadãos comuns.
Outra evidência é o comportamento dos heróis. O Dr. Manhattan parece pouco se importar com a perda de uma vida humana, ainda que esta seja a de um antigo colega, o Comediante. Em sua primeira aparição, Manhattan se mostra um Super-Homem frio, destituído de humanidade. Rorschach não hesita em infligir sofrimento físico àqueles que considera inferiores por deixarem de zelar pelos valores que ele toma por corretos. Sua violência é a provável razão de sua permanência nas ruas: quem se atreveria a fazê-lo cumprir a proibição? Nem mesmo o recém-falecido Edward Blake poderia ser considerado um indivíduo exemplar. Não após uma tentativa de estupro contra uma ex-colega.
Nota-se que os protagonistas de Watchmen estão muito distantes do ideal de super-herói ao qual estamos habituados: um ser cuja capacidade de discernimento o previne de cometer atos equivocados do ponto de vista moral. Quem melhor representa esse ideal, bem o sabemos, é o Super-Homem, personagem que, ironicamente, caiu no esquecimento num mundo onde combatentes do crime em fantasias coloridas existem de fato.
O símbolo deu lugar à realidade, e esta se revelou extremamente amarga. Pessimismo é a marca de Watchmen, com seus super-heróis falíveis. Veja o discurso de Júpiter, a única vigilante mulher mostrada neste primeiro número. Ela se mostra desiludida com a antiga vida. Para ela, tudo que ela e os outros faziam nada significou.
Já Daniel Dreiberg, o segundo Coruja, um vigilante "tecnológico", sente falta dos tempos de combate ao crime. Isso transparece nas conversas com seu antecessor, Hollis Mason. Contudo, Daniel crê que as grandes aventuras pertencem ao passado. Ele parece paralisado em sua resignação, mas talvez o estímulo correto o faça pensar novamente.
Já falamos de Dr. Manhattan e Rorschach. Para entender como a situação chegou à realidade de outubro de 1985, entretanto, é necessário ir mais a fundo na história de todos os personagens, o que é feito nos volumes seguintes.
Os primeiros dois capitulos do livro escrito pelo primeiro Coruja encerram esta edição. Neles, Mason confirma a influência do Super-Homem - e de outros heróis dos quadrinhos dos anos 30, como Doc Savage e o Sombra - em sua decisão de se tornar o segundo vigilante da história - o primeiro surgiu na mesma época e foi chamado pela imprensa de Justiceiro Encapuzado.
Fechando este empolgante primeiro tomo, tem-se a certeza de que a história possui um enorme potencial e, dada sua aclamação por fãs de quadrinhos do mundo todo, parece impossível que os próximos números decepcionem.

música, mais uma vez

Tem acontecido comigo freqüentemente de uns tempos para cá: a redescoberta de canções que não me agradavam no passado. Via de regra, me vejo obrigado a admitir que, sim, a música "resgatada" é muito boa, como, aliás, suponho sempre tê-la considerado em meu íntimo: apenas não me permitia, ou não podia, afirmar isso antes.
Meu modo de ouvir e perceber música mudou, e bastante, nesses últimos anos. È como se minha cabeça e meus ouvidos tivessem sido abertos por meio de alguma "cirurgia espiritual" ou algo que o valha, e só a partir de então pude atentar para sutilezas que tornavam uma determinada canção única, tremendamente especial. Creio já ter mencionado algo parecido quando escrevi sobre Save A Prayer, do Duran Duran, música que eu odiava e agora amo. Há inúmeras outras obras a respeito das quais minha opinião mudou radicalmente.
Não é sem uma ponta de remorso que redescubro uma canção. È quase inevitável um pensamento do tipo: puxa, onde eu estava com a cabeça que nunca havia notado antes o quanto isso é legal?
Pois a cada música que me arrebata, é como se minha existência se tornasse mais completa. De verdade. Estou quase certo de que jamais serei de capaz de exprimir plenamente, por meio de palavras, meus sentimentos diante das preciosidades que mais gosto de ouvir. E entre essas maravilhas, admito, há muita música pop. Não as mesmices ultra comerciais de hoje, com prazo de validade estampado em suas melodias. Refiro-me às canções de outrora que fazem um bem danado até hoje.
Passado o breve arrependimento de que já falei, reencontrar essas músicas me deixa contente. É quando percebo com mais clareza o quanto mudei. Para melhor. Pois nada, além de preconceito, pode explicar minha antiga resistência a sons tão cativantes.

segunda-feira, 26 de junho de 2006

brasil X gana

Felizmente, o circo acontecerá em horário de almoço. O país deve voltar à vida depois das duas.
"Assim espero."

pombos.

Por que eles existem? Criaturas detestáveis. Só sabem arrulhar e fazer sujeira.
Quanto maior a degradação de um local, mais pombos podem ser vistos em seu entorno. Não admira os centros das grandes cidades estarem repletos deles - ou seria melhor dizer infestados? Impossível deixar de pensar que, se esses bichos não fossem tão numerosos, veríamos mais aves nativas por aí. Elas poderiam ter se adaptado ao sistema urbano, como o fizeram os pombos. Pássaros invasores, eles e os pardais. Infelizmente, mais bem-sucedidos em nosso mundo escasso de árvores e pródigo em...lixo. Eis a razão do sucesso dos pombos. Comem qualquer porcaria, inclusive as que lhes oferecem de bom grado alguns humanos. Até salgadinhos "de isopor" servem de alimento para essas coisas. Isso, aliado à sua tendência em habitar lugares sujos - o telhado de sua residência é limpo? - os torna vetores de diversas doenças. Um exemplo é a toxoplasmose...toxoplasmose. Palavra horrorosa. Só poderia mesmo estar associada a pombos. Nada agradável se diz dessas criaturas.

Nota: O autor do texto não é nenhum ornitólogo nem possui grandes conhecimentos sobre a vida dos pombos. Ele apenas sabe do que não gosta.

sábado, 24 de junho de 2006

fórmula 1

Alguém aí ainda acompanha? Em época de Copa do Mundo e com os pilotos brasileiros bastante apagados no campeonato, creio que só mesmo os mais fanáticos têm dispensado alguma atenção a esse esporte.
Hoje assisti aos minutos iniciais do treino classificatório pára o Grande Prêmio do Canadá...é que a televisão do restaurante onde almocei estava ligada na Rede Globo. Foi tempo suficiente para colher algumas informações sobre a atual temporada.
O primeiro colocado, Fernando Alonso, já tem 74 pontos ganhos e pode decidir o campeonato já nas próximas duas corridas - a do Canadá, amanhã, será a nona. Lembro-me de que, na primeira temporada que acompanhei, em 1987, Nelson Piquet se sagrou campeão com 73 pontos (ou algum número próximo disso) e restando somente dois Grandes Prêmios a serem disputados. Está certo que o campeonato de dezenove anos atrás foi um dos últimos realmente competitivos até o final, com mais de dois pilotos disputando o título, já que a partir do ano seguinte cada temporada teve uma escuderia hegemônica, e dificilmente o título escapava das mãos de algum de seus pilotos. Quadro que se mantém até hoje, por sinal: em 2006, quem sobra nas pistas é a equipe Renault.
Uma novidade muito interessante foi introduzida nos treinos que definem o grid de largada. Hoje, eles são divididos em três partes, as duas primeiras durando quinze minutos e a última, vinte. Na primeira etapa, todos os pilotos buscam fazer suas melhores voltas. Os seis mais lentos não podem correr no período seguinte, ao final do qual outros seis carros são eliminados. Restam, assim, dez pilotos para os vinte minutos restantes de treino aptos a disputar a pole position.
Há um piloto de sobrenome Rosberg - é Niko seu primeiro nome? - na categoria este ano, sem dúvida parente do campeão finlândes, Keke.
De resto, pouco mais a dizer. O campeonato continua pouco disputado: o segundo colocado, Michael Schumacher, ainda na Ferrari, não é páreo para Alonso, indiscutivelmente dono do melhor carro. Os demais pilotos não ameaçam os dois líderes. O novo escudeiro de Schumacher, o brasileiro Felipe Massa, até recebeu um leve puxão de orelha do alemão por não estar dando trabalho a Alonso como deveria. O antigo capacho, Rubens Barrichello, sequer foi mencionado enquanto eu acompanhava o treino. Deve estar mais por baixo que nunca.

quinta-feira, 22 de junho de 2006

eu não acredito que vou ler vingadores

Sabe qual foi o último gibi que comprei? Os Novos Vingadores 28, da Panini. Fato surpreendente, pois o grupo nunca havia me atraído antes. Não gostei das poucas histórias desses heróis que li, e sempre achei os personagens pouco interessantes, alguns até bem chatos. Para piorar, a equipe conta com o Capitão América em suas fileiras...meu discreto anti-americanismo me fazia sentir uma repulsa enorme ao personagem. Mas agora resolvi dar uma chance ao grupo, que por sinal mudou completamente. Dos membros tradicionais, restam apenas o Capitão e o Homem de Ferro. Entre os novos Vingadores, Homem-Aranha, Mulher-Aranha, Luke Cage, o negão...ops, Herói de Aluguel, e o onipresente Wolverine. A série está sendo escrita por Brian Bendis, o cara que está arrasando nas histórias do Demolidor publicadas por aqui. Deve ser no mínimo interessante.
No mix da revista, também temos o título solo do Capitão América, de contornos sombrios e bastante elogiado lá fora, uma minissérie do Thor e os novíssimos Jovens Vingadores. Estou dando uma chance aos mais tradicionais personagens da Marvel. Me propus até mesmo a deixar de lado meu já mencionado preconceito contra o mais patriótico dos soldados americanos.
Só um problema: a revista que comprei mostra a seqüencia de histórias que já haviam começado em números anteriores. Preciso adquiri-los para nâo bagunçar a leitura. Então eu apenas pude folhear o gibi até agora. É incrível: a arte de todas as histórias é caprichadíssima, sem exceções. Espero poder dizer o mesmo das tramas em breve.
E a capa? Vejam se é possível deixar um gibi bonitão desses na banca, mesmo com a leitura atrasada.

rabugices (sobre a Copa, claro)

Daqui a alguns instantes, e pela terceira vez em menos de duas semanas, este país vai parar. As pessoas vão deixar seus locais de trabalho, juntando-se as que sequer saíram de suas casas, dispensadas de suas tarefas. Uma vez que todas cheguem a seus destinos - um lugar aconchegante com televisão, para a maioria -, as ruas estarão praticamente desertas, e os únicos ruídos serão os de cornetas e vozes estridentes, uma delas particularmente irritante e que será ouvida por todo o país...eu odeio o Galvão Bueno.
Vem mais jogo do Brasil por aí. Motivo suficiente para suspender todo tipo de atividade, ao que parece. Mas não para mim. Creio que todos saibam minha opinião sobre esse fanatismo que acomete boa parte dos brasileiros em intervalos de quatro anos, inclusive já escrevi a respeito aqui mesmo no blog. Estou, portanto, sendo repetitvo em minhas críticas. Mas este espaço é meu e nele posso tudo que quiser. :P
Além disso, uma conversa que tive ontem à tarde reacendeu minha indignação por nosso país faminto de bola. Não somos uma nação séria. Ou não daríamos tanto valor a esse esporte, convenhamos, cada vez mais medíocre. Ou o ano de Copa não coincidiria com as eleições presidenciais. Em pouco mais de três meses, escolhemos a pessoa que, teoricamente, representará toda a população brasileira, dentro e fora do país, aliado a deputados e senadores responsáveis pelas leis que regem nossa sociedade - veja só, este ano iremos às urnas também para decidir quem serão esses políticos.
Mas, por enquanto, isso parece não ter importância. Notícias não relacionadas à Copa ficam em segundo plano. Nos meios de comunicação, as principais manchetes mencionam futebol: que time jogou hoje, quais serão os jogos das oitavas de final, quanto pesa tal jogador. Eu pergunto: e daí? Qual a importância disso tudo? Para mim, é a mesma de saber como vai acabar tal seriado, qual gibi vai estar na banca este mês, que música vai estourar e desaparecer das rádios em três meses. Entretenimento puro. Mas aqui neste país vale tudo pelo futebol. Afinal de contas, para que se importar tanto com eleições? "Político é tudo ladrão mesmo. O esporte pelo menos dá alguma alegria a nosso povo." Como eu não agüento ouvir isso! Bem, se o time do Brasil fosse derrotado pela Argentina numa final de Copa, poderia-se então esperar que o povo se levantasse em armas. Tudo pela dita paixão nacional.

Em tempo: hoje quase saí de casa usando uma camiseta com a palavra"Japan". Mudei de idéia pois achei que seria radical demais.

domingo, 18 de junho de 2006

"não condene o que você não entende"



Essa frase eu retirei de um livro que estou lendo. Veio a calhar que eu a tenha encontrado hoje. Achei tão significativa que a coloquei mesmo como mensagem pessoal em meu MSN. E olhe que eu odeio frases prontas.
"Não condene o que você não entende"...parece ser algo que muitas pessoas precisam ouvir. Bem, não somente ouvir, mas também compreender e aplicar em seu dia-a-dia. Pelo bem daqueles que os cercam e apenas querem viver dignamente, de acordo com suas mais profundas convicções.
Certos acontecimentos nos oferecem a chance de uma reflexão mais profunda sobre o diferente. Sinto que hoje ocorreu algo assim, e até me vi fazendo parte disso. Filtrando as coisas que não fazem falta, bem como as que definitivamente poderiam ficar de fora, aproveita-se ainda uma boa lição para viver melhor com o próximo. Mas nem todo mundo aprende, e dá vontade de tratar com cada uma dessas pessoas em particular, tomando por lema a citação que intitula o post.

sábado, 17 de junho de 2006

fato e boato em época de Copa

Para ciência...e também porque fazia um tempão que eu não postava nada.
A casa de meus pais fica muito próxima ao Jardim Irene, aquele que ficou mundialmente famoso por quinze minutos quatro anos atrás, por obra de seu cidadão mais conhecido: o Cafu da seleção brasileira. Os familiares do jogador ainda moram no referido bairro, e a historinha que vou contar agora tem a ver com eles.
Todas as noites neste feriado prolongado, alguém vem ligando um rádio em volume altíssimo, tocando as piores e mais barulhentas músicas possíveis dentre aquilo que o povo gosta. Minha mãe ouviu dizer que os responsáveis pela algazarra seriam familiares do lateral canarinho. Eles fecham a rua onde moram, diz-se, e fazem o pancadão rolar até altas horas da madrugada, ouve-se.
Se a informação procede, eis uma bela maneira de comemorar a presença do parente famoso nesta Copa. Perturbando o sossego alheio. Eles devem se sentir bem acima de todos na redondeza para fazerem isso. Mas, como dito antes, ninguém sabe ao certo, talvez sejam outros os barulhentos. O que não deixa de ser um problema, também relacionado à Copa, se me permitem o palpite. Torcedor brasileiro é tão empolgado...

sexta-feira, 9 de junho de 2006

um tema obrigatório



Sinto que estou devendo umas palavrinhas sobre a Copa do Mundo neste blog. Sabe como é, sou brasileiro, não posso me manter calado sobre um assunto que causa tanta comoção país afora, apesar de não dar a mínima para o desempenho da seleção brasileira na competição. Creio que acabei de dar uma pista quente, por assim dizer, sobre meu ânimo para o torneio. Estou alheio a toda essa expectativa que o país está vivendo.
Apenas agora há pouco fui buscar um mínimo de informções sobre o Mundial na Internet, para confirmar se o primeiro jogo aconteceria hoje - vejam, estou tão afastado desses assuntos que mesmo essa informação básica eu não a tinha com precisão. Enquanto isso, muita gente já deve estar com suas tabelas à mão, conjecturando possíveis resultados de jogos, apontando equipes "zebras", azarando os argentinos. E, sobretudo, torcendo pelo sucesso da equipe montada em nosso país.
Isso não me pega mais. Afirmo com a mão no peito, numa clara provocação aos mais fanáticos.
Fatos: nunca fui grande fã de futebol. Mais por uma conjunção de fatores externos em meus tenros anos que qualquer outro motivo, tornei-me são-paulino e anti-corintiano, e creio que sempre serei. Posso falar sobre isso algum dia, mas este não é o momento.
Acompanhei a seleção brasileira na infância e na adolescência, como até então me parecia que todos à minha volta, pelo simples fato de serem brasileiros, o faziam. Os tropeços do time me chateavam, suas conquistas eram minhas também. Chorei pelo tetracampeonato de 1994 como se este fosse a realidade mais emocionante que me tivesse sido permitida vivenciar - bem, dado o que eu era, talvez isso fosse verdade na época. Assisti a todas partidas da seleção com ceticismo. Para mim o tetra ainda não viria. Mas ele aconteceu, ainda por cima no ano em que o esporte brasileiro havia perdido um grande ídolo, Ayrton Senna. A trágica morte do piloto também me fez derramar algumas lágrimas e creio que, para o brasileiro médio, com a vitória no futebol surgiram novos heróis, que substituíam aquele que tragicamente havia partido. O que dizer, então, de um moleque bobo de catorze anos que vivia grudado na frente da televisão? Tudo fazia parte de um grande contexto - se me permitem o neologismo - prantístico. Daí em diante, foi um salve a seleção atrás de outro.
Então veio a Copa da França, em 1998. Mais uma vez, jogos emocionantes até a grande final contra os anfitriões do torneio. Um grande fracasso, como todos sabem. O que teria acontecido aos nossos heróis? Por que haviam lutado tão vorazmente se não mostraram nem sombra da garra e da determinação vista nos jogos - batalhas! - anteriores.
Logo surgiram os rumores que a Copa havia sido entregue. O resultado já estaria decidido em favor dos donos da casa. Foi o fim do mito, ao menos para mim. Dei-me conta de que tudo que experimentava relacionado a futebol era influência do meio: das pessoas, por sua vez influenciadas pela mídia, por vezes tão ufanista, exceção feita a Galvão Bueno, sempre ufanista, sempre exaltando a "chamada" pátria de chuteiras. Meu ódio pelo comentarista da Rede Globo começou aí.
A paixão incondicional foi suprimida pela racionalização. E daí que a seleção tivesse perdido, ou mesmo entregue, uma Copa? Em que isso me torna uma pessoa pior, melhor, o que seja? E se tivesse ganho, em que consistiria a alegria da taça conquistada? Seria sensato dizer que se trataria de algo nosso? Uma vitória do Brasil, enquanto nação soberana, República Federativa? Mesmo? Pois é como às vezes fazem parecer.
Por que tanta exaltação por um mísero esporte, que no final das contas não passa de um grande negócio, no qual não temos participação alguma como investidores? Apenas pagamos para ver um espetáculo de qualidade discutível - mais ainda para quem não gosta de futebol - e enchemos os cofres de emissoras de televisão, bem como o de seus anunciantes, e de entidades diretamente relacionadas a esses eventos. Estou sendo frio demais? Apresente-me, então, um único ser movido por meras paixões ao tratar de assuntos mercantis. Caso apareça alguém, garanto que o pobre coitado não dura muito. O mercado é mais hostil que uma selva. Não creio mesmo que algum jogador, ao perder um jogo, pense mais na decepção que causa a um país que no que deixa de ganhar em dinheiro ou em prestígio (que por fim se traduz em mais dinheiro).
É isso. A impossibilidade de dissociar finanças e futebol e a cobertura da imprensa, especialmente a televisiva, de eventos esportivos, normalmente variando entre o pedante e o ultranacionalista, foram responsáveis por meu afastamento em relação a assuntos ligados à seleção. Não torço contra, mas os contornos de drama com que pintam a trajetória da equipe em todo torneio de grande porte me levam a abandonar a habitual indiferença e divertir-me com suas eventuais derrotas.
Ao que parece, eu tinha mais a dizer sobre Copa do Mundo do que podia imaginar. Nada dentro do que normalmente se esperaria de alguém nascido num país onde se respira futebol, mas creiam-me, vivo muito bem assim. Torçam à vontade, se isso lhes apetece. Seu interesse pelo desempenho do time do Brasil ou pela vida social dos jogadores durante sua estada no país sede da competição - relaxem, eu sei que é a Alemanha - não me ofenderá, a menos que me julguem menos brasileiro por não não dar a mínima para tais tópicos. Bem ou mal, meus motivos foram expostos aqui, e eles são bastante fortes para que minha opinião não mude novamente.

terça-feira, 6 de junho de 2006

ora vejam...

Em pleno dia 6/6/2006, o Vaticano lança um documento afirmando que certas medidas recentemente adotadas ao redor do mundo, recebidas como avanços significativos por diversos setores de nossa sociedade, são sinais do "eclipse de Deus".

Alguém ai crê em coincidências?

segunda-feira, 5 de junho de 2006

a página de diário que foi parar no blog.

(Leia e tente entender por quê.)

5/6/2006

Madrugada. Quatro da manhã, para ser mais exato.
Acordo, e uns pensamentos meio mirabolantes me levam (jogam?) para fora da cama, motivando-me a fazer algo que já foi um hábito meu, mas que esta abandonado há tempos: escrever em forma de diário.
Se não faço mais isso, a culpa é do blog. Desde que minha página está no ar, concebo meus textos tortos já pensando em sua publicação virtual. Não totalmente isento de certas pretensões literárias, cabe admitir. Mas isso não é problema, ou antes, não é o grande problema. A questão é que as anotações de teor mais íntimo ficaram esquecidas após o surgimento do blog.
Ou será que elas não são mais tão necessárias, como no passado recente, quando tudo parecia me afligir e tinha que ir para o papel? No caso dessa última hipótese ser verdadeira, o parágrafo anterior se torna meio inútil. E olha que me meti a escrever bonito nele.
Mas estou embromando demais. Logo o sono volta e acabo não falando do que me tirou da caminha.
Estranhamente, neste exato momento, isso já não me parece mais tão imperativo. E então? Fico por aqui mesmo? Creio que sim.
A verdade é que já tenho uma questão satisfatória para o drama íntimo e pessoal que me perturbava. Ela já estava em minha cabeça quando me levantei. Só poderei colocá-la em prática no próximo final de semana, se tudo correr bem, mas não importa. Não preciso anotá-la, seja sob o risco (remoto) de esquecimento, seja para me sentir livre de uma angústia que, sinceramente?, já passou.
Se for o caso, posso conversar com alguém sobre essa maluquice toda depois.
Só uma coisa pode contribuir para meu bem-estar agora (04:53h). Voltar a dormir.

quinta-feira, 1 de junho de 2006

bruto

Não me agüento mais. Sinto vontade é de pular em cima de você. Quemmanda ser tão atraente, chamar tanto a minha atenção? Assim não posso resistir. Queria era pegar você de jeito, lamber seu corpo e sentir seu cheiro invadindo minhas narinas. Você querendo ou não. Pouco me importa se logo em seguida você vai me empurrar, perguntar se estou louco, me chamar por todos os nomes feios que você já ouviu por aí. Não estou nem aí...
Se eu ligasse pra isso não teria te agarrado. Foi um gesto maluco, sim, cedi a meus instintos, sim. Admito meu ato absurdo e as motivações estranhas que me levaram a tal. E você não entendeu nada. Nem tenta. Só fica aí me olhando feio. Ao diabo com seu olhar. Ao diabo com tudo. Ao diabo com o que acabei de fazer, que no final das contas não me adiantou de nada. Foi só meu desespero vindo à tona. Fazendo com que eu me sentisse ainda pior.
Agora vá embora. Vá correndo contar pra todo mundo o que aconteceu com você. Não é preciso que eu peça, mas não deixe de contar a quem mais lhe entende. Quem diz que tudo já passou, e tudo passará mesmo, com abraços e beijos.
A menos vocë tem quem lhe faça isso.

terça-feira, 30 de maio de 2006

Stones, parem de tocar, diz líder do Pink Floyd

David Gilmour disse que os Rolling Stones deveriam parar de fazer turnês e se dedicar a ter uma vida de verdade. Para o guitarrista do Pink Floyd, a música não é mais o interesse do grupo de Mick Jagger, cujos melhores trabalhos pertencem ao passado e jamais foram superados.
"De quanto dinheiro mais precisam? Acho que o que mais buscam é o aplauso", disse Gilmour, para quem o aplauso "é uma droga poderosa".
Assino embaixo! Musicalmente, os Rolling Stones não ultrapassam a linha da mediocridade há muito tempo. O que mantém a banda até hoje são as megaturnês. Apenas discordo do sr. Gilmour em um único detalhe: não acredito que somente a badalação dos fãs justifique os grandes shows dos Stones. O fator dinheiro certamente fala alto na decisão dos velhinhos do rock em adiarem suas aposentadorias.

cinema atual: imagens belas, música pobre?

Li ontem uma matéria sobre a queda de qualidade nas trilhas sonoras especialmente escritas para o cinema. O autor afirma que os filmes de hoje não trazem mais os temas marcantes de outrora: tudo se tornou extremamente burocrático e similar. Os grandes trabalhos têm sido apenas pontuais.
Ele chega a chamar a trilha de O Senhor dos Anéis de pouco digna de um filme nesse estilo, coisa de que discordo até a morte. Para mim, tanto a trilogia quanto as belíssimas composições de Howard Shore entraram para a história. Mas vamos em frente.
O crítico apresenta em seu texto o atual critério de escolha de compositores para produções cinematográficas hoje em dia. Alguns dos problemas apontados na seleção, afirma, são o conhecimento musical restrito de compositores e arranjadores em comparação ao de grandes nomes do passado - são citados mestres como Ennio Morricone e "até mesmo" (palavras do autor) John Williams. Os músicos atuais acabam sendo escolhidos não tanto por seu currículo, mas por sua capacidade de estabelecer contatos com os grandes produtores hollywoodianos. Vale mesmo é a indicação. Como conseqüência, boa parte do trabalho dos profiisionais acaba se traduzindo em "correr atrás" do emprego; só depois disso se pensa em notas e acordes.
Mais um sério problema apontado é o intervalo relativamente curto para o compositor realizar seu trabalho. Fica complicado fazer algo especial com a pressäo de um diretor, este por sua vez pressionado por um punhado de produtores, todos insistindo para que tudo esteja pronto para que o filme chegue aos cinemas numa data estabelecida por motivos mercadológicos. Para piorar, normalmente é passada uma trilha temporária juntamente com o filme, sobre as quais espera-se que os músicos trabalhem, colaborando ainda mais para a padronização.
É triste vincular a arte a um sistema tão capitalista de produção, onde se prioriza o cumprimento de prazos e detalhes que certamente pesam mais sobre o retorno financeiro de um filme. Deve-se admitir que imagens marcantes, e não necessariamente belas, vendem melhor que uma canção mais bem elaborada ou que fuja do lugar comum. Fica difícil nos dias de hoje citar um tema musical que tenha emplacado após ter surgido para o público na tela grande, mas é extremamente simples se lembrar de batalhas, explosões e sangue derramado nas produções de sucesso atuais - cenas embaladas por músicas comuns, cuja presença é quase imperceptível em meio aos ruídos.

segunda-feira, 29 de maio de 2006

o confronto final


Ótimo filme, X-Men 3! Assisti domingo, num estado de excitação que só se dissipou quando começaram a rolar os créditos finais...aliás, acabei de lembrar, com muita decepção, que eu devia ter continuado no cinema até o final deles, para conferir uma última cena...droga.
Mas enfim...o filme foi muito divertido, tenho muita coisa para dizer sobre ele, mas preciso de um tempo para pôr tudo num único post. Mas digo desde já que cumpriu minhas expectativas. Ótimo encerramento para a trilogia. Será que vem mais por aí?

sexta-feira, 26 de maio de 2006

estou bem...o que há comigo?

Me recordo de ter lido, tempos atrás, um texto cuja idéia principal era a seguinte: muitas pessoas simplesmente não acreditam, recusam-se a acreditar, que podem se sentir felizes, ou que são capazes de atingir seu ideal de felicidade. Pessimistas por excelência, parecem fazer questão de procurar em algum detalhe, mínimo que seja, uma razão para dizer a si mesmas e a quem mais tiver paciência para ouvi-las que as coisas ainda não estão bem, ou que algo pode ocorrer a qualquer momento para por um fim a essa calmaria aparente.
Creio que eu seja uma dessas pessoas...no momento estou de ótimo humor - não por um acontecimento específico, mas basicamente por ter decidido não me deixar abater - e isso parece errado, ilógico. É como se eu não estivesse acostumado a me sentir de bem com a vida. Uma péssima impressão, jä que dela pode-se concluir que estou, durante a maior parte do tempo, dominado por sentimentos negativos, ou simplesmente não sentindo coisa alguma.
Pensando bem, isso seria capaz de me derrubar, se eu permitisse. Mas não. Sou um depressivo consciente, não um fanático!* A ordem agora é manter-se alegre, até o momento em que não der mais. Felicidade duradoura, ainda não sei se é possível para mim, mas não pretendo mais me deixar corroer por incertezas. Com sorte, não me apanharei fazendo questões como a que dá título a este post novamente.

*Sim, falei isso pensando em Chaves. Sim, foi uma piada. Ainda duvidam do meu estado de espírito?

quarta-feira, 24 de maio de 2006

1 comentário

De certa maneira, uma continuação do post de ontem, no qual eu queria ter escrito tanta coisa, mas nenhuma frase decente ou não-clichê saía. Então achei a imagem da Fênix e me dei por satisfeito com o que ela comunicava.
Agora umas palavrinhas vieram. O que é bom, pois o blog não é dirigido apenas à minha pessoa.

Quando uma paixão nos consome a ponto de toda esperança se acabar, e em seguida conseguimos superar esse vazio...é como se estivéssemos renascendo.

Espero que, em breve, eu possa dizer isso de alguém que hoje sofre.

terça-feira, 23 de maio de 2006

fogo e vida



Estou de volta.

quinta-feira, 18 de maio de 2006

o mesmo

Violência ainda em pauta...

Uma entrevista do governador Cláudio Lembo. O partido dele, lembrem sempre, é o PFL, ex-Arena, aquele que faz de tudo para se manter no poder e certamente não é nada responsável pela situação atual de nosso país.
Mais belíssimas palavras de quem pouco se importa com a miséria até que os marginalizados resolvam ameaçar seu patrimônio - a quem ele quer convencer afirmando que não pertence ao grupo que diz criticar?
Reparem que o sr. Lembo se permite o uso da ironia em alguns momentos da entrevista. Credibilidade zero, mas a pose está lá, inabalável.

quarta-feira, 17 de maio de 2006

save a prayer

Há uma música do Duran Duran chamada Save A Prayer. Lançada em 1982, é um dos maiores sucessos da banda. Talvez seja até a melhor música deles...mas nem sempre pensei desse jeito. Até algum tempo atrás, eu simplesmente os odiava. Para mim, eles não eram dignos de figurar na lista de grandes bandas surgidas na década de oitenta. Com o tempo aprendi a gostar de algumas coisas deles, especialmente da música em questão, que sempre me soava tão estranha aos ouvidos.
Pois bem. Digo agora que Save A Prayer sozinha serve para colocar Duran Duran entre os maiores nomes da música pop do período.
Ouvi a música hoje de manhã na Kiss FM (classic rock? acho que não...) e a gravação me pareceu, sabe, perfeita. Desde a introdução com o indispensável sintetizador - anos 80, gente! - até o última vez em que os vocalistas dizem "save a prayer 'til the morning after...", já perto do fade out. Não posso esquecer de quem conduz tudo isso: a espetacular linha de baixo, que eu adoro. Nem preciso ser especialista no instrumento para sentir que ela é muito bem sacada.
Save A Prayer é daquelas melodias envolventes, marcantes, para não esquecer mais.
O clipe (veja aí embaixo) foi gravado no Sri Lanka e possui belíssimas imagens. Praias, o mar, esculturas enormes e antigas, os elefantes...tudo muito bonito e, o que é melhor, combinando perfeitamente com a canção. Também é engraçado ver os ingleses branquelos da banda no meio dos habitantes locais...

terça-feira, 16 de maio de 2006

diário de guerra - segunda-feira

Saí da casa de meus pais em São Paulo por volta das sete e meia da manhã. Os terminais Capelinha e João Dias estavam fechados. Nenhum carro da SPTrans nas ruas. Vans e ônibus intermunicipais operavam normalmente, bem como a Linha Lilás do Metrô. Eu nunca havia visto a Estação Capão Redondo tão lotada.
O primeiro ônibus municipal apareceu somente quando eu estava chegando à Estação São Judas, e nem sei dizer se ele estava atendendo normalmente ou indo para a garagem. Da referida estação, segui caminho para o Terminal Tietê. Em São Bento, um anúncio: o metrô em que eu estava seria recolhido por "motivos logísticos". Foi a segunda vez em pouco menos de um mês em que isso me aconteceu. Desci e tomei o segundo trem que passou.
Cheguei a Campinas sem novos contratempos. Mesmo o fluxo na Marginal Tietê, eu já a bordo do "Cometão", era normal.
Deixei as malas em casa e passei um dia normal na Unicamp até pouco antes das seis da tarde. Foi quando eu soube que o expediente noturno no campus havia sido suspenso. Nem o Bandejão abriria. Pus-me caminho de casa. Felizmente, saí a tempo de ainda apanhar um circular. Seria duro voltar a pé sozinho, o céu já escurecendo.
Ah, sim: pelo que entendi, as aulas foram suspensas devido à possibilidade de um ataque criminoso à universidade. Estou falando sério. Considerei a hipótese de bandidos ameaçando estudantes absurda. Quando o medo toma conta, porém, as pessoas não costumam ser muito racionais.
Não sei o que será das atividades acadêmicas amanhã.
Uma última nota: uns bandidinhos assaltaram alguns estudantes perto de casa. Sempre há quem quer tirar proveito de crises. Certos estão os chineses...

domingo, 14 de maio de 2006

mar adentro


Uma pessoa decide morrer. A questão natural para nós ao ouvir algo parecido é "por quê?" Há que se tentar explicar, portanto: é um homem que ainda na juventude lançou-se ao mar, e em suas muitas viagens conheceu lugares excitantes, pessoas interessantes e viveu grandes paixões. Mas no mar aconteceu também a grande tragédia: um dia ele saltou de uma pedra para um mergulho, mas como a maré estava baixa, chegou ao fundo mais cedo do que imaginava, e chocou-se contra a areia. Certamente teria morrido afogado logo em seguida, mas foi resgatado, apenas para descobrir que ficara tetraplégico. Dependente de sua família para o resto da vida, jamais teria sua tão prezada liberdade de volta. Esse homem viveu assim por vinte e oito anos. Sua vida não passa de uma dolorosa obrigação - é o que ele pretende provar aos juízes para obter o direito de morrer com dignidade.
Em Mar Adentro, e apresentada a história (real) da batalha de Ramon Sampedro para dar cabo de sua vida. Nâo faltarão pessoas a lhe perguntar "por quê?", usando de toda sorte de argumentos para dissuadi-lo - entre elas familiares, amigos, e mesmo Julia, a advogada contratada para auxiliá-lo em sua apelação ao Judiciário. Julia faz mais que isso: auxilia Ramon na publicação de suas memórias e se torna muito próximo dele devido a problemas que ela mesma é obrigada a enfrentar - sim, o filme mostra mais de uma tragédia.
Destaque para o encontro de Ramon com um padre, também tetraplégico, e por isso duas vezes mais disposto que um eclesiástico normal estaria para convencê-lo a não renunciar ao mais precioso dos dons. Excelentes diálogos e a hilária presenca de um "mediador" tornam a cena memorável.
Atuação espetacular de Javier Bardem como Ramon, o homem mais que convicto em sua decisão, salvo por um breve, e emocionante, momento de dúvida e delírio. Seu humor é por vezes marcado por uma ironia dura, de quem considera tudo perdido mas não se desespera com isso. Ainda assim, o personagem cativa a todos em sua volta, de modo que é dificil entender por que ele pretende acabar com a vida.
Mesmo o espectador pode chegar a esse questionamento em certos momentos do filme. Por que Ramon não procura outro motivo para continuar vivo? Estaria ele realmente considerando todos os lados da questão? Em casos desse tipo, em que se recorre a eutanásia, talvez o melhor seja respeitar o livre arbítrio da pessoa. Não que essa atitude nos permita, como por milagre, encarar os fatos com pleno otimismo e certeza de que se fez o correto. No final da história, tem-se a sensação de que as coisas se passaram conforme seu próprio destino, mas tal atenuante não torna a situação menos trágica. Pode-se pensar que nos acostumamos tanto com a morte como fonte de sofrimento e dor que fica dificil aceitar que alguém a busque conscientemente para se livrar de seu fardo.
Belo filme, dirigido por Alejandro Amenábar: o homem que me pregou os maiores e mais legítimos sustos numa sala de cinema em Os Outros traz aqui uma obra sensível sobre pessoas obrigadas a lidar diretamente com a morte e ainda faz pensar sobre ela, coisa que habitualmente não fazemos sem um certo pânico. Um comportamento que talvez devêssemos aprender a evitar.

sábado, 13 de maio de 2006

collegiate singers

Calma, este não é mais um dos meus posts em inglês...quero é falar um pouquinho da oportunidade que tivemos de prestigiar esse coral dos Estados Unidos - e farei isso em meu idioma ;)
Na quinta e na sexta (11 e 12), o Coral Zíper na Boca abriu duas apresentações do Collegiate Singers, coro na Brigham Young University-Idaho. Sim, trata-se de um coral universitário, também. Durante este mês, eles estão fazendo uma turnê pelo Brasil. Já cantaram em São Paulo e tem compromissos no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, entre outras cidades.
A apresentação de quinta aconteceu no Auditório da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Ontem, os dois coros cantaram num templo mórmon na Vila Industrial, também em Campinas. A BYU é ligada à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Dois membros do coro passaram alguns anos no Brasil em missões religiosas. Por isso, sabiam se expressar bem em português. As duas apresentações foram muito boas, mas quem pôde conferir o coral na quinta viu um concerto mais rico em termos de quantidade de músicas, quinze ao todo. No concerto seguinte, o coro enfatizou as músicas religiosas de seu repertório. Uma das poucas canções profanas presente nos dois dias foi a tradicional Muié Rendera (bastante comum em nossos encontros de corais), interpretada, como não poderia ser diferente, com um simpático sotaque "gringo".
Simpatia, aliás, era algo que não faltava aos coralistas, dispostos a interagir com os membros do Zíper, em inglês ou usando algumas palavras em português que foram capazes de aprender. Era uma forma de reafirmar o que já mostravam através do canto: a alegria que sentiam por estar em nosso país.
Vale conferir a página do coro para mais informações a respeito dele e de outros atividades relacionados ao canto coral realizadas na universidade. Em inglês, claro.

Editado em 17/5: Dêem também uma olhada nessa página, bem mais completa, falando mais especificamente sobre a turnê brasileira.

terça-feira, 9 de maio de 2006

eternos...e o oposto

O disco Dark Side of the Moon, a obra mais conhecida do Pink Floyd, lancado em 1973, acaba de atingir a marca inédita de 1500 semanas na parada da revista americana Billboard. O disco praticamente nunca deixou a lista dos 200 titulos mais vendidos da publicação americana e contabiliza mais de 40 milhões de cópias comercializadas - cerca de oito mil sao vendidas semanalmente até hoje.

O link da notícia, que por sinal acabei de ler, para os incrédulos...

http://obaoba.uol.com.br/noticias/9116_uol.htm



É o meu disco preferido. Ou, dizendo de outra maneira, minha obra musical do século XX favorita. ;)
Não preciso de paradas de sucesso para me dizer o que é bom, mas aqui se trata do registro de algo que é considerado música de qualidade há mais de trinta anos. E que, acredito, jamais deixará de ser tratado como tal.
Me diga o nome de UM artista recente, no topo das paradas de sucesso neste momento, que seria capaz de se manter por tanto tempo na lembrança dos ouvintes.

Só pra terminar...Dark Side em versão jamaicana? Nunca ouvi, mas tremo só em pensar que existe.

segunda-feira, 8 de maio de 2006



No fim, tudo acaba.
Deixamos de ser crianças, terminamos os estudos, mudamos de endereço, mudamos de emprego. Passamos a conviver com pessoas novas e aquelas do estágio anterior vão ficando para trás: de maneira brusca ou sumindo aos poucos, para ver nunca mais ou matar as saudades em reencontros esporádicos marcados por frases contendo a expressão "lembra quando?..." ou algo parecido.
Dentre as pessoas em nossa vida, algumas são, evidentemente, mais significativas que outras. Porque nos ensinaram algo importante, porque pudemos contar com elas em maus momentos; enfim, porque nos deram algo de que muito precisávamos, mesmo que em uma única ocasião.
Mas elas se vão mesmo assim. Alguns de nossos maiores amigos seguirão caminhos diferentes dos nossos quando a vida assim o exigir. Amizades são laços que jamais se rompem, mas afrouxam com a distância e o tempo.
Um dia, nossos pais partirão para sempre, e seu amor incondicional jamais encontrará substituto. Duro é pensar que aqueles que nos deram tanto simplesmente porque existíamos serão apenas lembranças em nossos corações.
Amores. Ah, amores, irão e virão de maneira descontrolada. Aquela primeira grande paixão parecerá única e avassaladora até que seu final nos "liberte", talvez substituída por um novo amor. Mais me deteria sobre o assunto se maior fosse minha vivência: quem viveu seus amores, por favor, remonte às suas próprias experiências e relacione-as ao tema central deste pequeno texto.
Se tivermos filhos, naturais ou de criação, eles um dia deixarão nossos lares de amor - como aquele em que nós crescemos, lá atrás no tempo - e farão suas vidas, guiados por suas próprias escolhas, com as quais talvez não concordemos. E vamos querer, mais que tudo no mundo, acreditar que aquilo que lhes tenhamos oferecido seja um diferencial em sua trajetória rumo ao sucesso em tudo o que fizerem.
Mas talvez não nos seja permitido testemunhar o sucesso de nossas crianças. Pois nós deixaremos de existir também, mais dia, menos dia, e será a nossa vez de nos tornarmos nada além de lembranças na mente daqueles cuja vida tocamos. E quando eles também se forem...e não houver mais quem se lembre de nós...é que chegou o fim.


Observação IMPORTANTE: Eu NÃO escrevi este texto num momento de profunda depressão, e não gostaria que ninguém se matasse por causa dele...são apenas reflexões minhas a respeito da vida. Tudo nela acaba mesmo, não é verdade? Mas percebam que eu não digo em nenhum momento, oh, nada adianta, vamos todos dar um fim nisso imediatamente para sofrer menos! Não! O melhor e mais lógico é aproveitar tudo ao máximo, da melhor maneira possível, enquanto ainda estamos aqui. Opções não faltam. Estamos vivos, fique feliz com isso!

sexta-feira, 5 de maio de 2006

Corintianos fanáticos...
Eles se alegraram com as contratações custeadas pelo dinheiro do novo parceiro de seu clube sem se importar com a origem duvidosa desses fundos.
Se acostumaram a chamar um argentino de ídolo, deixando de lado a eterna e estúpida rixa que alguns fãs de futebol teimam em cultivar.
Sonharam com a vinda de uma era gloriosa, repleta de conquistas.
Até o momento ela não chegou.
E enquanto não vem, se é que um dia virá, assistimos às vergonhosas conseqüências de uma verdade imutável.



Eles não sabem perder.

quarta-feira, 3 de maio de 2006

review: superpowers 1


Nada como um feriado para dedicar-se a leituras descompromissadas. E se o negocio é ler por diversão, gibi é algo imbativel.
A revista da vez foi Superpowers 1, de maio de 1986 (tem exatos vinte anos, portanto), estrelada pela Legião dos Super-Heróis, apresentando a conclusão da Saga das Trevas Eternas. Não li os capítulos anteriores da série, publicados em revistas do Super-Homem que evidentemente não possuo. Acho que posso acrescentar um "ainda" ao final desse último periodo, pois achei a Legião um grupo bem bacana e me interessei em ler outras coisas deles - pelo menos mais histórias escritas por Paul Levitz e Keith Giffen, um sucesso da DC pré-Crise.
Sobre o que li...no princípio, encontrei algumas semelhanças entre a saga e a maxissérie Crise nas Infinitas Terras, que estaria nas bancas pouco tempo depois: um terror desconhecido ameaça o Universo e a cada investida revela-se mais mortífero, os atacantes são espectros sombrios, uma criança de crescimento acelerado é a chave para a derrota do vilão, heróis são convocados às centenas a fim de oferecer alguma resistência aos bandidos. Neste último item, uma diferença marcante: na saga que li agora, os quaquilhões de mocinhos envolvidos são todos legionários. A equipe é enorme! Há os vários membros principais, reservas aos montes e ainda a Legião de Herois Substitutos. Há (havia? haverá??) muita gente superpoderosa no século trinta da DC.
Mesmo seguindo algumas das "receitas" básicas de histórias cósmicas, dentre as quais uma ou outra que citei anteriormente, a Saga das Trevas Eternas evolui de maneira diferenciada em relação à já citada Crise. Está certo que não li muitas coisas do gênero em todos os meus anos de fã de quadrinhos, mas a história, embora não possa ser considerada a mais original do mundo, não deixa aquela sensação chata de "mais do mesmo".
O interesse pela trama se mantem até a conclusão: o leitor acompanha os quebras - aos não iniciados em HQs, falo das batalhas entre superseres - com gosto e quer porque quer saber como tudo se resolve. Mérito dos autores, que também demonstram habilidade em contar uma história com tantos protagonistas. Uma ponta solta aqui ou ali, mas nada diretamente relativo à saga. Pode-se tratar de um plot que viria a ser trabalhado posteriormente, ou, menos provável mas não impossível, de algum corte na edição da Abril, coisa tão comum para a editora.
Outro ponto positivo da história é poder acompanhá-la sem ter que se preocupar com a complicada cronologia da DC, sem pensar em Terra-1, 2, infinito. Na própria edição de Superpowers esta tudo o que é necessario para a leitura: um resumo do que se passou na saga até o momento e pequenas fichas sobre a vida dos principais legionários. E só sentar e curtir.
No geral, gibi de super-herói de alto nivel, divertido como deve ser. Vale procurar nos sebos, como eu fiz para comprar meu exemplar. O difícil vai ser encontrar esse volume vendido a apenas R$ 1,50, como consegui. Tive muita sorte.
Só me resta uma dúvida...a frase "um épico para o nosso tempo", na capa da revista, se refere à conclusão da saga ou ao lançamento de Superpowers? As duas possibilidades parecem razoáveis.

um pouco de minha história como leitor e pretenso escritor

Quando eu era pequeno, eu queria ser escritor.
Aos oito anos de idade, cheguei a pedir uma máquina de escrever como presente de Natal. E fui atendido! Aposentei a coitada há tempos, não sem antes passar bons momentos com ela.
Adoro quadrinhos. Aprendi a ler com eles. Leio até hoje - algumas das histórias sao as mesmas com as quais me iniciei há mais de vinte anos.
Já criei muitos personagens para possiveis histórias, mas a grande maioria delas jamais foi para o papel - apenas passearam pela minha mente sem serem registradas. Logo, boa parte de minhas criações está esquecida. Tudo bem. As tramas ou eram bobinhas demais, ou meras cópias de coisas nos gibis que eu tinha. As tramas variavam de acordo com minhas próprias leituras da época. Por exemplo, quando eu era viciado em revistas de super-heróis, meus personagens também salvavam o mundo com poderes especiais.
Hoje em dia tenho alguns personagens envolvidos em uma grande história na qual estou "trabalhando" ja há mais de um ano. Os protagonistas sao três adolescentes que estudaram juntos no colegial. Um deles faz uma descoberta que, direta ou indiretamente, muda a vida dos três em muitos aspectos, e isso numa época já normalmente tão conturbada para qualquer pessoa. Sigo contando (a mim mesmo) a história deles como num seriado gigante. Dois deles já estão terminando a faculdade - o outro abandonou um curso no primeiro ano e ainda não decidiu o que, e se, pretende estudar - e inúmeros personagens novos foram integrados à trama.
Histórias. Sempre gostei delas. Sempre fui fascinado pela idéia de vê-las contadas no papel, mesmo tendo lido tão poucos livros ate o colegial. Eu preferia os quadrinhos, que meus pais tanto me compravam quando eu era garoto. Questão de costume, portanto.
Como era bom ser criança e ganhar gibi novo! Era meu pai quem os trazia, ao voltar do trabalho. Não tenho mais nenhuma revista daquela época, mas com a coleção O Melhor da Disney estou recuperando as melhores histórias em quadrinhos de minha infância, e encontrando algumas que me eram inéditas. O deslumbramento de outrora revive.
De tanto ler, veio o gosto pela escrita. Redações de escola (sempre gostei delas), uns quadrinhos que bolei ainda moleque e estrelados por mim mesmo (!), dissertações "jornalísticas" de meus dezenove, vinte anos - não me lembro de ter escrito alguma coisa nos meus duros anos de adolescente - , diário para aprender a me encarar de frente já praticamente adulto, e o blog para os outros enfim poderem me ler. Uma via de expressão que "sei" utilizar. Melhor que minha manifestação artistica favorita, a musica, paixão mais recente, sobre a qual ainda há muito a aprender. Bem como falar a respeito em outra ocasião.

quinta-feira, 27 de abril de 2006

da sul...

Legal falar sobre coisas novas da região onde eu cresci...principalmente quando não têm nada a ver com violência urbana ;)
A primeira foi de manhã, quando eu descobri que as margens do Rio Pinheiros, mais precisamente as áreas próximas à Represa do Guarapiranga, são habitadas por...favelados? Sim, também, mas quero é chamar a atenção para moradores mais insuspeitos: capivaras. Diz que elas vieram atraídas pelas árvores frutíferas que o Projeto Pomar trouxe à região. O problema é que os bichões vêm sendo caçados, ou por moradores, ou por pessoas trabalhando nas proximidades (sabe, sempre tem obras naquela região, é impressionante), e talvez isso os venha espantando de modo a fazê-los atravessar a Marginal Pinheiros. Sim, algumas capivaras já foram atropeladas, imaginem.
A outra tem a ver com Metrô e futebol. Existe já há algum tempo uma estação chamada (ECA!!) Corinthians-Itaquera. Hoje vi que a estação Barra Funda será rebatizada para Palmeiras-Barra Funda - o Parque Antarctica fica ali pertinho. Agora é possível dizer que a linha 3 do Metrô une Palmeiras e Corinthians...credo.
Aí, eu fiquei inconformado porque esses dois timecos recebiam essas homenagens e, para o Tricolor, nada. Mas em seguida fiquei sabendo: a futura linha 4 possuirá uma estação São Paulo-Morumbi, próxima ao Estádio Cícero Pompeu de Toledo e que se chamava (chamaria? ah, o futuro me confunde) apenas Morumbi até o fim do ano passado, quando o nosso então governador Picolé de Chuchu fez a mudança. Isto, meus amigos, é justiça! E meu time, claro, tem seu nome associado ao bairro mais chique.

sexta-feira, 21 de abril de 2006

chato. eu.

Mensagem em um outdoor de desodorante Rexona Men...

"Os jogadores têm que transpirar.
A torcida, não."

Alguém quer um produto que impeça a transpiração? Imagine...se isso fosse possível...quando fizesse bastante calor, a pessoa que usasse essa coisa derreteria.
Pois é. Em época de Copa do Mundo, a regra é tentar deixar todo mundo mais burro.

quarta-feira, 19 de abril de 2006

já postou hoje? não??

Um achado, dedicado aos blogueiros viciados...

http://www.gapingvoid.com/zzzzzz7654191.jpg

Claro que isto veio de um blog...um bem bacana, por sinal, o gapingvoid.com. Espiem!

oh no.




What to say
when someone says something
you didn`t expect him to say
but somehow you know
it would be said?

If you're a Portuguese speaker and answer me "num sei", I say you lots of ugly names.

This is serious and funny at the same time.

terça-feira, 18 de abril de 2006

apenas uns pensamentos...

Como sofre aquele que ama...e não sabe o que fazer desse amor.
Ao seu redor, as pessoas seguem vivendo, sonhando, buscando a plenitude, a felicidade. Mas quem ama só...mal vive! Para ele, a existência é uma miríade de "ses"...se a vida me sorrisse...se eu tivesse coragem...se eu tivesse tido coragem...
O momento em que ele se sente pior e quando ele se depara com uma pessoa que tem uma vida similar aquela que ele gostaria de viver. Que descobriu seu amor e lutou por ele, e não esconde de modo algum a felicidade contida em sua vitória. Vitória do próprio amor.
Nessa hora, o amante frustrado chora, mesmo que suas lágrimas não sejam visíveis. Mais uma vez, ele não é capaz de mostrar o que sente. Pena. Se sua vida tivesse sido diferente, as pessoas que o conhecessem associariam uma unica palavra, ao dizer seu nome: sentimento.


Isso começou, é claro, com uma canção. A ela seguiram-se outras, mas esta foi a primeira.

D'une Prison (composição de Fauré)

Le ciel est, par-dessus le toit, si bleu, si calme...
Un arbre, par-dessus le toit, berce sa palme...
La cloche, dans le ciel qu'on voit, doucement tinte,
Un oiseau, sur l'arbre qu'on voit, chante sa plainte
Mon Dieu, mon Dieu! La vie est là simple et tranquille,
Cette paisible rumeur là vient de la ville...
Qu'as-tu fait, ô toi que voilà pleurant sans cesse
Dis! qu'as-tu fait, toi que voilà, de ta jeunesse?

terça-feira, 11 de abril de 2006

bitter A.


Bitter A. !!!
Bitter A. !!!
She complains a lot!!
She gets "stressed"
and depressed
for no aparent reason!!
Bitter A. !!!
Bitter A. !!!
She has a list of people
she doesn't like
just because
she knows they exist!!!
Oh, Bitter A. !!!
But all she wants is
a different life for herself
so the others
won't bother her
with their behavior.
Bitter A. !!!
That's Bitter A. !!!

segunda-feira, 10 de abril de 2006

metrô interrompido

Aconteceu hoje de manhã, no meu trajeto São Paulo-Campinas.
Peguei o metrô na estação habitual, São Judas. Nada fora do comum na Saúde, também. Chegamos então à terceira, Praça da Arvore. As portas não se abriram - o trem parou como que de vez, tudo foi desligado, motor, ar condicionado. Mesmo algumas luzes se apagaram. Um breve instante de perplexidade - o que estaria acontecendo? - logo foi sucedido pela alegria de encontrar tudo silencioso por um instante. Aproveite o sossego enquanto pode, disse a mim mesmo. Mais algum tempo se passou e nada aconteceu. Por que o trem havia parado? Sem resposta. A única "voz" que se levantou veio aparentemente de meu próprio ser, me lembrando de minha claustrofobia, descoberta tempos atrás. Eu iria entrar em pânico? Não, não havia por quê, eu não estava sozinho desta vez, havia várias pessoas ao meu redor, experimentando as mesmas dúvidas, os mesmos temores, mesmo que alguns não o demonstrassem - como um engravatado diante de mim, os olhos grudados num jornal. Era preciso falar com alguém. Procurei alguém que me parecesse simpático à idéia de conversar. Quando o encontrei, movimentação do lado de fora do metrô. Funcionários andavam apressados em direção à entrada do túnel que se segue à estação. Burburinho dentro do vagão. Mais alguns segundos. Mais funcionários podiam ser vistos, agora correndo. Logo surgiu alguém com uma maca nas mãos. Algo grave tinha acontecido, não restava dúvida. Outra voz, agora audível para todos, soou dentro do vagão. Era o operador. Ele esclarecia que estávamos parados devido à presença de "um usuário nos trilhos". Logo a situação estaria normalizada, prosseguiu a voz. Como teria acontecido? A menção à presença de alguém nos trilhos do trem me fez lembrar por um instante de atentados ocorridos na Europa, e logo agradeci pelo fato de nosso país não ser alvo de ataques terroristas. Mais uma vez ouvimos a voz do operador, dizendo que em dois minutos o serviço voltaria ao normal. Se foram mesmo dois minutos de espera, não sei dizer, mas de fato andamos de novo passado algum tempo...apenas para chegar a estação seguinte e lá deixarmos o trem, seguindo a instrução do operador. Aquele em que estávamos foi recolhido (como se recolhe um metrô?)
Embarquei no terceiro trem que passou. Os que vieram antes estavam muito lotados.
Acaba assim o relato sobre meu incidente no metrô. Procurei agora há pouco matérias sobre o assunto na Internet e não encontrei nada. Qualquer novidade, posto novamente.

domingo, 9 de abril de 2006

not the champions

Paulistão? Deu a lógica: o Santos levou a taça. Pudera. O Peixe só precisava ganhar da fraca Portuguesa, em casa, para se sagrar campeão e acabar com um jejum de vinte e um anos sem título estadual. O único time com chances de estragar a festa santista era...o meu. Mas o São Paulo não dependia apenas de si mesmo: era necessário ganhar o jogo contra o Ituano - o que de fato aconteceu - e torcer para que o Santos não ganhasse. Sim, contar com um resultado não favorável ao time da
casa contra uma equipe ruim. Seria muito mais fácil ao São Paulo ter garantido em seus próprios jogos uma vantagem em relação ao Santos - ah, por que ficamos no empate com o Noroeste?
Por isso mesmo, eu não tinha a menor esperança de que as coisas acabassem diferente do modo que aconteceu. O curioso é que, aqui em casa - estou escrevendo em São Paulo - todos pareciam contar com um milagre. Acho que torcer pela seleção deixou meus pais assim. Lamento, mas campeonato não se decide na sorte, pelo menos não apenas com a ajuda dela. Como tudo na vida, não é mesmo? No fim, uma pessoa só pode contar consigo mesma: ela tem que fazer sua parte para alcançar seus objetivos. Um time de futebol também...mais força em 2007, São Paulo Futebol Clube.

***

É no mínimo curioso que eu escreva regularmente sobre futebol, mesmo que de modo tão superficial. Eu mal acompanho as partidas...

***

Só mais uma nota relacionada...
Quando o Santos marcou o primeiro dos dois gols do título, as câmeras registraram, como sempre, a comemoração de alguns torcedores no estádio. A reação de um deles me chamou muito a atenção. Eu via em seu rosto que se tratava de uma emoção intensa, aquela típica alegria que faz chorar. É como normalmente as pessoas se sentem em momentos realmente importantes da vida, como formatura, casamento, nascimento de um filho etc. Mas aqui a felicidade descabida era causada pela proximidade de um título do time preferido. Algo que, convenhamos, é pra lá de efêmero, diante de tudo que essa vida pode nos oferecer. Aí pensei de novo: quão sofrida deve ser a vida de uma pessoa para o qual assistir a partida na qual seu time favorito conquista a faixa de campeão. Como deve ser seu dia-a-dia? Certamente algo de que ela prefira nem se lembrar, e que deve ficar ainda mais distante a cada grito de gol saído se seu peito.
É provável que eu esteja falando demais; evidentemente nem todo torcedor é assim. Mas eu não podia deixar de registrar estas breves impressões.

terça-feira, 4 de abril de 2006

enéas sem barba e no meu orkut




No momento em que eu vi a foto do Enéas sem barba, achei que ela seria uma boa substituta pra foto do meu perfil no Orkut, que estou louco pra mudar há tempos. Pelo menos enquanto não providencio uma melhorzinha de mim mesmo. Quase simultaneamente, este pequeno, bizarro texto me surgiu como uma terrível e inprevista tempestade. Cheguei a pensar em usá-lo como resposta padrão a quem perguntasse "o que aconteceu com sua foto?"; em vez disso, ele está aqui. Talvez assuste menos assim.



Cansei da foto antiga, sabe...A verdade é que cansei da minha aparência. Não quero mais ser do jeito que sou. Quero ser extremamente atraente e másculo - pois alto e bem-dotado já sou. Quero ter milhões de pretendentes. Quero todos babando ao meu redor. Quero todos implorando para ouvir minha voz e sentir meu corpo. Quero ser belo. Quero ser querido. Quero ser desejado. Quero ser notado por todos. Ninguém deve ficar indiferente a minha presença.

Que medo de mim mesmo!


PFL no poder: o novo governador do nosso Estado (ainda que por poucos meses) e o novo prefeito de São Paulo. Lembo e Kassab. Bati o olho na foto e de cara me veio à cabeça a Imperial March. É, aquela do Darth Vader.
Que dupla assustadora...

segunda-feira, 3 de abril de 2006

sunspot



Está lá...agindo.

quinta-feira, 30 de março de 2006

ilustrada

Algumas notas do "show biz" que li hoje:

- Lima Duarte se desculpou à Rede Globo pela entrevista concedida domingo passado em que fez duras críticas a emissora, sem poupar nem mesmo a novela em que atua hoje. Por algum motivo, o ator deve ter se arrependido de sua coragem...
- O Ministério da Justiça reclassificou o Pânico na TV como sendo impróprio para menores de doze anos. Desse modo, o programa, atualmente veiculado ao final das tardes de domingo, só poderia ser exibido após as oito da noite. Se a Rede TV não cumprir a determinação, o Ministério Público pode entrar com uma representação que pode tirar o show do ar, como aconteceu com as "atrações" de João Kléber tempos atrás, no mesmo canal. A emissora, claro, vai recorrer da decisão. A mudança de horário implicaria na queda de audiência do Pânico e, conseqüentemente, das receitas geradas pelo mesmo.
- Prince volta ao topo das paradas americanas depois de dezessete anos! Os anos noventa foram fracos, em termos comerciais, para o artista anteriormente conhecido como o artista anteriormente conhecido como Prince (sempre sonhei poder escrever isso!), e agora ele voltou a emplacar. Seu novo álbum estreou em primeiro lugar no top 200 da Billboard. Alguém aí não sabe quem é Prince? Nos anos oitenta, ele só perdia em popularidade para Michael Jackson e Madonna - complicado competir com esses dois, não? E duvido que as pessoas até o momento incapazes de ligar o nome à pessoa não tenham ouvido, no mínimo, seu megahit Kiss. Outros sucessos dele são 1999, When Doves Cry, Batdance - trilha do primeiro filme do Homem-Morcego de Tim Burton - e Purple Rain, faixa-título do filme do cantor. Sabe, na década de oitenta música pop era geralmente boa e divertida.
- Milo Manara, o mestre das HQs eróticas, desenhará a graphic novel Women of the X-Men, dedicada, claro, às beldades da equipe mutante. As "X-mulheres" nunca serão retratadas de modo mais voluptuoso. Os nerds punheteiros* não podem perder...

*peço perdão pela expressão acima, mas é algo que sempre quis escrever - também - e agora tive como! Viva o blog...

terça-feira, 28 de março de 2006




"Davide con la testa di Golia", da possível autoria de Bartolomeo Manfredi. Eu gostei e tá aqui...
Começa amanhã uma exposição de pintura renascentista e barroca na Pinacoteca do Estado. Tintoretto, El Greco e outros. Programa legal pro meu próximo fim de semana em SP.
Devo admitir que, quando vi o quadro acima pela primeira vez, a expressáo do Davi me chamou a atenção de tal modo que levei algum tempo pra reparar na cabeça do gigante.

sexta-feira, 24 de março de 2006


Monday finds you like a bomb
That’s been left ticking there too long
You’re bleeding
Some days there’s nothing left to learn
From the point of no return
You’re leaving

Hey hey I saved the world today
Everybody’s happy now
The bad things gone away
And everybody’s happy now
The good thing’s here to stay
Please let it stay

There’s a million mouths to feed
And I’ve got everything I need
I’m breathing
And there’s a hurting thing inside
But I’ve got everything to hide
I’m grieving

Hey hey I saved the world today
Everybody’s happy now
The bad things gone away
And everybody’s happy now
The good thing’s here to stay
Please let it stay

Doo doo doo doo doo the good thing

Hey hey I saved the world today
Everybody’s happy now
The bad things gone away
And everybody’s happy now
The good thing’s here to stay
Please let it stay

Everybody’s happy now...



Mais uma da série "músicas que vem a cabeça"...esta é do Eurythmics e se chama I Saved The World Today. Eu adoro.
Curioso que ela tenha me surgido agora. Dá pra pensar em relacionar a canção e o (péssimo, péssimo) momento que estou vivendo agora. Na música, mencionam-se certos sofrimentos mas, de acordo com o refrão, tudo deu certo, a pessoa que "conta" a história diz que conseguiu resolver tudo e não consegue esconder a satisfação - sua e a de quem a cerca - diante do fim dos problemas.
Preciso encontrar alguma maneira de salvar o meu mundo. Talvez isso deixe um bocado de gente feliz, além de mim mesmo.


segunda-feira, 20 de março de 2006

André, o claustrofóbico

Eu tinha acabado de entrar na biblioteca e, como de costume, tomei o elevador para chegar ao último andar. Uma outra pessoa subiu comigo; ela ficou no último piso. Assim que ela saiu, as portas do elevador se fecharam, mas ele não subiu imediatamente. Fiquei alguns segundos ali, parado, isolado de tudo. Tempo mais que suficiente para entrar em pânico. Apertei quase todos os botões do painel à minha frente, implorando em meus pensamentos que o elevador se mexesse. Por fim, as portas se abriram novamente. Saí sem hesitar e cheguei ao último andar pela escada.
Foi como descobri meu pavor a ambientes fechados.

Nota: Escrevi este texto originalmente em 30 de setembro do ano passado, quando de fato vivi a situação descrita acima. Semana passada o reencontrei, e hoje o transcrevo no blog após uma breve revisão.

quinta-feira, 16 de março de 2006

durval discos



1995. Durval mora com a mãe e possui uma loja de discos, a do título do post e do filme. São discos mesmo: ele não trabalha com CDs. Nem adianta dizer a ele que o vinil está nas últimas. Ele resolve contratar uma empregada, pois sua mãe, já idosa, não está mais dando conta dos serviços de casa. As coisas vão bem até o dia em que a mulher diz que precisa sair e volta no dia seguinte. Ela desaparece e, no quartinho em que ela dorme, Durval e a mãe encontram uma garotinha e um bilhete da empregada, pedindo que os dois cuidem da criança enquanto ela está ausente. O tempo passa...até o momento em que Durval descobre, pela televisão, a verdade sobre a menina e a ex-empregada.
Nada mais posso contar. É assistir pra saber o que acontece. E acreditem, tudo acontece.
Filme que merece ser conferido. Os nomes mais conhecidos do elenco são Marisa Orth e Letícia Sabatella. Rita Lee faz uma participação especial engraçadissima como uma cliente da Durval Discos. A trilha sonora também é muito bacana.

quarta-feira, 15 de março de 2006

verme de ouvido

Ponho a letra desta música no blog porque ela - a canção - desde ontem me vem à cabeça de tempos em tempos. Pelo que entendi por meio de minha leitura, fala-se do dia seguinte após uma transa sem compromisso. Por essa eu jamais esperaria...


Summer '68 Lyrics
Artist(Band): Pink Floyd

Would you like to say something before you leave
Perhaps you'd care to state exactly how you feel
We said goodbye before we said hello
I hardly even like you, I shouldn't care at all
We met just six hours ago, the music was too loud
From your bed I gained a day and lost a bloody year
And I would like to know how do you feel
How do you feel

Not a single word was said, the night still hid our fears
Occasionally you showed a smile but what was the need
I felt the cold far too soon in a room of ninety-five
My friends are lying in the sun, I wish that I was there
Tomorrow brings another town, another girl like you
Have you time before you leave to greet another man
Just you let me know how do you feel
How do you feel

Goodbye to you...
Charlotte Pringle's due
I've had enough for one day


Ah, esta música tão um trecho instrumental magnífico perto de seu final. Queria ter um conhecimento musical mais apurado que me permitisse descrevê-lo.

famosos

Esta semana, o principal assunto dos veículos especializados em celebridades - ou fofoqueiros, como o leitor preferir - é certamente a notícia de que o casal formado pela modelo Isabelli Fontana e o modelo-que-virou-ator Henri Castelli recorreu à fertilização in vitro para realizar o sonho de ter uma menina.
Essa é a informação oficial, da qual se pode depreender que o par de famosos serviu-se de sua condição financeira favorável para que o milagre da concepção, acessível a todos os seres dotados de sexualidade reprodutiva, atendesse a um desejo íntimo dos futuros pais.
É o que parece...
Eu provavelmente não escreveria nada a esse respeito se não tivesse acabado de ler uma matéria do Blog Quero Ser Mãe sobre a ética em escolher o sexo dos filhos. Nela, questiona-se o que aconteceria se toda a população tivesse acesso a esse método de concepção, além de informações sobre os casos em que a gravidez assistida é recomendada. Ela normalmente não é feita no simples intuito de atender a um "capricho" dos pais, como se refere o blog ao caso dos dois artistas.
Mas, como sabemos, aconteceu: o casal pôde custear o tratamento em questão e agora está grávido. E se algo além da informação oficial foi ponto decisivo para a inseminação artificial? Não quero eu mesmo parecer um fofoqueiro. Contudo, entre as muitas notas, em sua maioria fúteis, à nossa disposição sobre a vida dos artistas, não é de modo algum impossível que verdades permaneçam encobertas, ou que se comentem sem jamais serem confirmadas, ou mesmo desmentidas. Se há alguma "moral" nisso tudo, é que não deveríamos dar muita atenção à vida de quem está tão distante. Pois nem mesmo o que está diante de nossos olhos em revistas e câmeras de TV pode corresponder à realidade.

terça-feira, 14 de março de 2006

(en)cargo

A proposta veio na semana passada. Disseram-me para pensar a respeito, quando na realidade não havia muito o que refletir. Trata-se de um "poder" que tenho vontade de experimentar há algum tempo, e ainda por cima ligado à atividade que me dá mais prazer na vida toda - pudesse eu dedicar-me somente a ela...mas dizem que é preciso ganhar dinheiro também.
Apesar disso, quando afirmei que não havia muito o que refletir a respeito, minha resposta óbvia deveria ser, na realidade, uma recusa. Trata-se de um comprometimento muito grande com algo que, como disse antes, gosto imensamente, mas que na prática não me serve de muita coisa. Não vou ser pago por isso, eis o que quero enfatizar. Agora tenho que estar à disposição do coro de um modo que jamais estive, e isso pode não ser tão bom para quem, em tese, teria que se ocupar de coisas mais práticas. Mas aceitei, não deixei de aceitar ser representante de naipe. Creio que não podia deizar de cantar em coral - sei que um dia vou fazer isso - sem assumir um compromisso tão grande.
Talvez eu me arrependa por isso, mas é melhor que lamentar-se por uma coisa que se tenha deixado de fazer.

quinta-feira, 9 de março de 2006

oscar



Sábado eu sai apressadamente de casa para assistir Crash no SP Market. Decidi ver o filme de última hora. Até perdi os trailers. Mas o passeio valeu a pena. Não passei o dia inteiro dentro de casa, como tem acontecido nos últimos finais de semana, e ainda gostei bastante do que vi.
Na noite seguinte, a cerimonia do Oscar. A festa acabou mais cedo que o usual. Antes de uma e meia da madrugada o premio de Melhor Filme já havia sido entregue. E o Oscar foi para...Crash! Achei curioso, o filme que eu havia assistido na noite anterior ser aclamado dessa maneira. E ele nem era o favorito da noite. Todos acreditavam na vitória do campeão de indicações, Brokeback Mouontain - eram oito, ao todo. No fim, cada filme levou três estatuetas para casa. O prêmio máximo do "filme dos cowboys gays" foi o de direção, para Ang Lee.
Quando sai do cinema sábado, tinha a certeza de ter assistido a um ótimo filme, mas que a meu ver não seria escolhido o melhor do ano. Falou-se tanto de Brokeback Mountain que eu achei, mesmo sem tê-lo assistido, que ele tinha mais "pinta" de vencedor, com polêmica e tudo. Agora, estou mais ansioso do que nunca para conferir o trabalho de Ang Lee. Quero comparar os dois filmes e ver se a escolha da Academia bate com a minha.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2006

som baixo, pensamentos profundos

É péssimo esse título, eu sei. Mas foi a primeira coisa que me veio à cabeça quando me dei conta do que estava fazendo esta noite: ouvindo músicas baixinho no quarto. Isso não é um convite à introspecção, mas uma intimação.
Cheguei meio murcho do meu passeio vespertino. Teria escrito muito sobre meu estado de ânimo, se não tivesse surgido a idéia da notinha sobre o Carnaval aí embaixo. Eu a redigi ouvindo as músicas "tristes" de minha coleção que julguei adequadas para o momento. Quando acabei, fui obrigado também a desligar o som. Foi quando vi que não tinha necessidade de escrever mais nada, eu já estava melhor. Bem, estou melhor. É como se as músicas tivessem falado por mim.

carnavais?

Estava assistindo o Jornal do SBT enquanto jantava. Acompanhei o noticiário até o inevitável bloco tratando do Carnaval pelo país: desfiles de escola de samba, trios elétricos e outros festas. Foi quando mudei de canal. Coloquei na Record, onde também estava no ar um jornal - o novo, clone do Jornal Nacional. O assunto era Carnaval também, mas nem parecia. Nada de carros e fantasias multicoloridas e foliões dando seus pulinhos ao sons de sucessos da musica baiana. Uma reportagem denunciou o envolvimento de escolas de samba do Rio com o tráfico de drogas. Logo em seguida, foram noticiados assassinatos em Salvador durante a passagem de trios elétricos. Enquanto isso, Carnaval nas outras emissoras é sinônimo apenas de alegria - bem, exceto quando se anuncia o número de mortos nas estradas durante o feriado. Mas as festas em si parecem imaculadas para quem acompanha os outros telejornais. Aliás, duvido que teríamos o "outro lado" da folia na TV se a Record não fosse a emissora do bispo...

sábado, 25 de fevereiro de 2006

é Carnaval...de novo

Pô, todo ano tem Carnaval...podia ser ter só algumas vezes, que nem Copa do Mundo e outras tontices.
Mas sabe o que eu mais lamento nessa época do ano? Não são as ruas e estradas perigosas, ou os sambas enredo, ou os trios elétricos. É um texto que escrevi anos atrás e está perdido pra sempre. Nele, eu acabava com a festa da carne - como eu mesmo já a chamei no passado.
Em 2000, as chamadas de Carnaval da Globo começavam com um pequeno texto exaltando essa festa.
No auge dos meus vinte aninhos, fiquei inconformado com essa bobagem. Fiz questão de decorar as palavras daquele reclame e começar com elas minha crítica. Infelizmente não me lembro exatamente do que escrevi, mas logo que acabei, senti que aquele era o meu melhor texto até o momento. Como ele não está mais aqui, não tenho como compará-lo com o que escrevi posteriormente.
Como perdi o texto? Bem, ele estava no meu computador, que meses depois sofreu uma pane violenta e teve que ser formatado. E eu não tinha mais nenhuma cópia. Vou lamentar isso pra sempre...pelo resto de meus carnavais.

sábado, 11 de fevereiro de 2006

Do conteúdo de meu último post e do fato de eu não ter escrito mais nada aqui até agora, alguém poderia imaginar que eu havia morrido, suicídio a causa mais provável. Bem, estou aqui, de verdade, não como escritor fantasma.
Tá, eu sei que essa foi péssima.

sábado, 4 de fevereiro de 2006

vazio

É como me sinto hoje.
Tem dias em que não consigo evitar de pensar que a minha vida está perdida e sem sentido algum. Simplesmente não agüento mais as coisas como elas estão e as mudanças que tento fazer não têm efeito algum.
Acordei cedo e bastante disposto hoje, com vontade de sair de casa e fazer coisas bacanas. Não pude sair na hora em que eu queria - tinha que fazer qualquer coisa aqui em casa - e, quando me vi mais livre e mais tranqüilo, já era tarde para o meu passeio. Pra piorar, estou sozinho, sem ninguém pra conversar. Estou tão murcho que nem música quero ouvir.
Comecei o dia fazendo planos e chego ao fim da tarde cabisbaixo, esperando que a máxima "amanhã é outro dia" se aplique a mim.

terça-feira, 31 de janeiro de 2006

um post perdido, lamentoso, invejoso até

Eu queria muito ser um escritor mais profílico...acordar mais vezes com coisas maravilhosas na cabeça e passá-las para o papel, como parece ocorrer com tanta gente, ou mesmo me sentir mais disposto para discorrer sobre assuntos, pelo menos na aparência, banais.
Semana passada, mencionei minha leve adoração pela Jennifer Aniston - até postei uma foto dela, deixei ou não deixei o blog mais bonito? Me propus a fazer com que tal comentário me levasse a reflexões, por assim dizer, mais profundas. Isso era para acontecer no dia seguinte. Não escrevi nada. Seis dias depois, perdi o pique para voltar ao assunto, evidentemente.
Num dia preguiçoso como este, em que eu trouxe minha folga a Campinas, bem que podia vir uma inspiração que me fizesse escrever algo digno de milhões e milhões de page views (eu nem estou pedindo um Pulitzer...hahahah). Mas só saem as coisas de sempre.
Ah, estou me cobrando novamente...

quinta-feira, 26 de janeiro de 2006

querido diário...

O poder hipnótico do computador faz com que eu ainda esteja acordado, ainda que o sono que sinto neste momento esteja quase me derrubando sobre a cama a meu lado. Bem, sr. Morfeu, juro que só vou escrever um bocadinho e em seguida me recolher ;)
Feriado chocho...o calor absurdo que sufocou desde as primeiras horas da manhã me deu uma preguiça tremenda. Mal pus os pés para fora de casa o dia todo. Pra matar o tempo, tevê, videogame, livros e um bom cochilo vespertino - dormindo o calor não é tanto.
Eu disse a mim mesmo que ia ligar hoje pra um amigo meu com quem não falo há anos e não liguei. Me senti um idiota por isso. Por que me acovardei? Não sabia o que dizer, não quis incomodar, algum outro motivo tosco. Nem a tarifa promocional de hoje me fez vencer o receio. Uma vez tímido...
Sou um espectador tardio de Friends. Há quem diga que estou viciando. Bobagem. Me divirto assistindo, mas não vou ver os mesmos episódios por toda a minha vida, como deve fazer quem compra os DVDs.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2006

esclarecimento (?)

Queria dizer que não me considero de maneira nenhuma responsável pelo último texto que postei. Está certo, fui eu que escrevi aquilo, mas eu definitivamente estava...como direi...agindo sob condições totalmente adversas. Imagine: acordei às quatro horas da manhã e, sem nada para fazer, liguei o computador, entrei na Internet e resolvi escrever...uma cartinha de amor a alguém que, com os diabos, não amo - mal conheço! - e que decididamente não...por que ainda estou a falar disso?
Uma bela porcaria esse esclarecimento que não deixa nada claro. Seria muito mais fácil apagar o post e ignorar todo esse desvario. Mas não, opto por deixá-lo aí. Sou panaca mesmo, e o destinatário da "carta" é mais panaca ainda, porque não permite que eu simplesmente esqueça tudo. Saco.

terça-feira, 24 de janeiro de 2006

eu...amo?

Essa é pra você, a quem não posso me dirigir diretamente. Na realidade, pouco adiantaria se eu o fizesse.Acabei de ver uma foto sua muito por acaso, e não pude deixar de me deter um pouco nela e pensar em você. Em como eu gostaria de ter você ao meu lado.
Você não faz idéia do quanto mexeu comigo desde que te vi pela primeira vez. Sério, bati o olho e simpatizei logo de cara. Sua simpatia, sua evidente paixão pela vida, sua beleza caivante. Ah, sua beleza. Já fiquei namorando você de longe algumas vezes e acho que jamais vou esquecer do seu rosto lindo, nem do seu sorriso. Como eu queria te ter por perto e ser capaz de mostrar o quanto você me cativa. Sentir teu cheiro, te abraçar, te beijar com toda a ternura.
De vez em quando, e notoriamente é o caso agora, fica difícil segurar todos esses sentimentos. Como eu queria te amar...mas na certeza de que isso é impossível, nem ao menos te chamo pelo nome. De qualquer modo, você já tem seu amor, até onde sei. Seja feliz...seja feliz. É tudo que posso lhe pedir.

sábado, 14 de janeiro de 2006

search, download, listen...

Se me encontrarem na Internet altas horas da madrugada, ou no final de semana à tarde, pelo menos uma coisa estou fazendo com certeza: baixando músicas. Quem inventou o mp3 é digno e bendito por todas as gerações! Pois com ele é possível ouvir de novo na íntegra aquela música que você nunca esqueceu, apesar de nunca mais ter tocado em nenhum lugar que não a sua cabeça.
Com a música em formato digital surgiram também as ferramentas fantásticas que são os softwares de compartilhamento de arquivos. É só digitar o nome da música, conferir os resultados da busca e aguardar o fim do download - pra quem tem Internet discada, como eu, a pior parte da brincadeira - pra música estar lá, no seu HD, pra ouvir quando você tiver vontade. Comprar CD por causa de uma única canção quando se pode tê-la de graça em alguns minutos? Oh, por favor.
A coisa fica um pouco mais complicada quando você não lembra o nome da música, o que é fácil de acontecer, até para musicomaníacos do meu naipe. Você só lembra uma parte da letra da música, ou que ela tocava em algum programa de TV ou comercial...o que fazer? Apelar para o mestre Google, claro: jogue as informações que achar pertinentes sobre a canção desejada no oráculo da Net e torça para que elas o levem ao tão desejado título. Dificilmente falha.
Hoje mesmo, eu queria baixar uma música e tudo o que eu sabia era que tocava numa propaganda da Hollywood. Ora, na época em que reclames de cigarros eram permitidos, havia dezenas deles, cada qual com sua música. Como achar a correta? Felizmente, o grande Google me direcionou um site no qual encontrei uma listagem com todas, eu disse todas, as músicas utilizadas em propagandas da Hollywood. Era apenas uma questão de tentar vários downloads até aparecer a música que eu queria. Acertei na terceira. Era Did It All For Love, do grupo Phenomena. Uma dessas "baladas metal" dos anos 80. Eu gosto, tá?
E ainda estou online.

terça-feira, 10 de janeiro de 2006

floreios...

André hoje acordou antes das oito horas, um horário mais do que estranho para uma pessoa em férias sair da cama. Nem fome ele tinha ao se levantar. André pensou consigo: o que fazer a esta hora, enquanto não sinto vontade de tomar café da manhã? Resolveu assistir a um DVD que havia tomado emprestado de um amigo na noite anterior.
No disco, Sin City. Já fazia tempo que André queria ver esse filme. Hoje, finalmente, foi possível. Sin City é baseado numa série de quadrinhos homônima escrita e desenhada por Frank Miller, talvez um dos maiores quadrinistas americanos. Nela se narram histórias passadas na violenta e fictícia Basin City, que não por acaso é conhecida como a Cidade do Pecado. Os protagonistas são policiais, matadores, prostitutas, mafiosos, poderosos corruptos. Na adaptação cinematográfica, tudo foi fielmente reproduzido. A fotografia é em preto e branco. As cenas são idênticas aos quadros de Miller. A violência é abundante e, em alguns momentos, perturbadora. Ótimo programa.
André adorou ver Jessica Alba e Clive Owen na tela, por motivos diferentes e ao mesmo tempo semelhantes.
Hoje, ainda, André concluiu a leitura do Silmarilion. Agora ele pode ler os textos referentes à Primeira Era publicados em Contos Inacabados sem se sentir tão perdido. Por vezes, André acredita que deveria ter comprado o primeiro livro na época em que adquiriu o outro. Ele deveria ter ignorado aquela promoção e preferido os relatos completos sobre os tempos antigos a uma coleção de...contos inacabados, que poderiam ser lidos depois, apenas como curiosidade.
O mesmo amigo que emprestou a André o DVD de Sin City sugeriu-lhe que sua próxima leitura deveria ser o megasucesso Código da Vinci. André se recusa a ler esse livro, por enquanto. Na verdade, as vendas extraordinárias do título o fazem duvidar da qualidade do mesmo. André prefere assistir primeiro ao filme, a ser lançado este ano, para decidir se a história compensa ser lida. Isso quando não acredita que seu único interesse na película é a presença do sempre ótimo Ian McKellen.
Em lugar do best-seller de hoje, André preferiu um campeão de vendas mais antigo. Tirou da prateleira seu exemplar de O Nome da Rosa - com o qual o Código vem sendo comparado - e começou a lê-lo, no final da tarde. Com dicionário do lado e tentando apreender o significado de expressões latinas que apareciam aos borbotões nas páginas iniciais.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2006

conheci Henfil!

O bom de passar um tempo em São Paulo é ter a chance de fazer aqueles passeios que eu não tenho a menor disposição de fazer quando visito meus pais em finais de semana porque a viagem me deixa morto de preguiça.
Hoje, por exemplo, fui ao Centro Cultural Banco do Brasil pra ver uma exposição do Henfil. Eu não conhecia praticamente nada do trabalho dele e achei que essa seria "a" oportunidade de conferir alguma coisa. Achei que só iria ver um ou outro desenho, mas que nada...havia inúmeras tiras. Estive no local da exposição por quase duas horas e não consegui ver tudo, simplesmente porque já estava cansado de tanto ler.
Henfil era mesmo muito talentoso. Impossível ler alguma coisa dele e ficar indiferente. Um leve sorriso, uma gargalhada sonora, surpresa, uma pausa para reflexão. Ou simplesmente não saber o que fazer, no caso específico do humor negro das tiras dos Fradinhos.
O traço dele é quase sempre simples, beirando o tosco em alguns momentos, mas é bastante funcional. Há tiras com traço mais elaborado, mais raras, e curiosamente nunca em seus personagens principais.
Quanto ao conteúdo, o cartunista abordava temas variados, mas predominava em seu trabalho a crítica velada ao regime ditatorial da época. Às vezes, nem tão velada assim: algumas tiras eram tão cáusticas que eu ficava me perguntando, "cara, como os militares deixaram isso ser publicado?" De um modo geral, é possível separar os trabalhos em dois tipos: aqueles que precisavam de um pequeno texto explicativo (p.ex. se a tira tratava de algum fato) e as que permanecem atuais e talvez continuem assim sempre. Ah, mas por melhor que seja o material, não dá pra ler tudo de uma vez, como eu disse antes. O ideal seria possuir uma coletânea com os trabalhos mais significativos do autor - daquelas bem completas, com textos informativos - para guardar e ler quando puder. Alguma editora podia publicar isso.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2006

Primeiro post de 2006. Gostaria de começar desejando um ótimo ano a todos os meus possíveis leitores. Não que eu queira um péssimo ano a quem não me lê (praticamente toda a população mundial). Trata-se de mera formalidade. Pensando bem, tem outra coisa, sim...queria que as pessoas que por acaso passam pelo blog me deixassem saber de alguma forma que o fizeram. Acho que isso ia me fazer bem, mesmo que apareça alguém dizendo que eu só escrevo merda.
Ok, ok...chega de divagações, viagens e afins. Estou aqui porque estou a fim de falar sobre minha passagem de ano. (Gozado, isso me fez lembrar dos tempos de primário e das redações sobre as férias que eu era obrigado a escrever naqueles dias. Enfim, chega de firula!)
No dia 31 viajei com os meus pais e meu irmão para Salto Grande, uma cidadezinha na divisa com o Paraná onde existe uma colônia de férias da Caixa Econômica Federal. Em princípio, eu não queria ir, por não me sentir disposto a fazer uma viagem tão longa - mais de quatrocentos quilômetros - para ficar só com a minha família num lugar pequeno e sem muitas opções de lazer. Fui meio a contragosto, mas acabei curtindo. Talvez tenha sido melhor do que ficar em São Paulo, onde dificilmente eu encontraria tamanha tranqüilidade e, por conseqüência, um mais que bem-vindo descanso para a mente. Uma pena ter chovido tanto, senão o passeio teria sido ainda mais prazeroso.
Eu não ia à colônia há anos, mas ela não me pareceu muito diferente após todo esse tempo. Uma reforma iria bem. As diferenças que notei não tinham muito a ver com a colônia em si, mas com os bichos que vivem lá. Não ouvi cigarras, que me intrigaram - e irritaram! - bastante em visitas anteriores. Antes, havia muitas delas. Sapos também, ou pelo menos eu achava que eles tinham sumido. Só vi um, enorme, ontem à tarde. E, para me contrariar de vez, vários deles estavam cantando à beira do rio, quando eu fui para a cama.
Como passei o tempo? Bom, saímos pela cidade algumas vezes, meus pais mais do que eu. Passamos a virada do ano no centro, onde vimos uma queima de fogos. A cidade inteira devia estar lá. Pouco a dizer sobre isso: todo revéillon deve ser igual em lugarejos como Salto Grande. Na colônia, havia uma piscina, na qual eu entrei quandonão chovia ou não fazia frio, e alguns cachorros com quem brincar. Quando chegamos, havia outras duas casas ocupadas. Mas eu não tive quase nenhum contato com essas pessoas: apenas falei, muito rapidamente, com um homem extremamente gordo, à beira da piscina, e a conversa não foi além do banal.
Fiquei mais tempo dentro da casa mesmo, assistindo TV, ouvindo música, jogando baralho e, principalmente, lendo.
Aproveitei a viagem para tentar retomar meu ritmo de leitura habitual. Levei três gibis do Demolidor e li a história do personagem-título de cada um deles. Mas o meu companheirão de viagem foi mesmo O Silmarion, de Tolkien. A criação do mundo, a revolta de Morgoth, o surgimento dos elfos e dos homens, a confecção das Silmarils, o amor de Beren e Lúthien. Muitas belas histórias, muito anteriores à agora tão conhecida Guerra do Anel. Eu lia de manhã, à tarde, à noite; na casa, em frente ao rio, no carro. Simplesmente encantador. Ainda não li tudo, e quando acontecer, sentirei saudade.
À noite, esperava o sono chegar sozinho no quarto, ao som de músicas eruditas ou Led Zeppelin - este último acabou me acompanhando na viagem por acaso e foi bastante providencial ontem, quando eu percebi que não queria mais ouvir pianos ou orquestras.
Um dado interessante sobre a viagem também tem a ver com música. Eu descobri uma rádio evangélica, a BBN Internacional (acho que é isso). Normalmente eu me manteria muito afastado de sua freqüência, em 96,1 MHz, mas dessa vez não foi assim. É que o repertório da rádio era diferente: havia as típicas músicas "gospel" brasileiras, mas o que tocava a maior parte do tempo eram hinos de louvor a duas, três, quatro vozes, com arranjos bonitos, capazes de emocionar até não-cristãos. Sabe, quando a música é boa, ela me pega de tal modo que deixo a letra em segundo plano. Não foi exatamente o caso aqui. Não ignorei o fato de as músicas falarem de Deus, muito pelo contrário. Até cheguei a pensar que a música seria a melhor maneira de entrar em contato com uma entidade superior. Ler o Silmarilion certamente me ajudou a formar essa opinião: conta-se, no livro, que tudo o que existe foi criado a partir da música. Lindo demais! Aí eu pensei que somente a música me faria voltar a crer, de verdade, num deus. Será que, um dia, deixarei de ser agnóstico para, como consta no Orkut, ter "um lado espiritual independente de religiões"?
Chegamos em São Paulo às quatro e meia da tarde. Como disse antes, gostei da viagem, mas não agüentaria ficar mais tempo. Há um momento em que é necessário voltar à vida habitual. O ano tem que começar de verdade. E eu tenho muito a fazer.