domingo, 20 de junho de 2010

zíper na boca e o primo do bach

Para relembrar o meu tempo no Coral Unicamp Zíper na Boca, que fez um concerto especial para comemorar seus 25 anos de atividades (e que eu fiquei morrendo de vontade de assistir...)
Em tempo, Johann Ludwig Bach foi primo de Johann Sebastian Bach, e não um dos seus muitos filhos, como eu havia dito anteriormente. #fail


Por Danilo Demori

achei esses dois links de duas peças maravilhosas de outros tempos do Zíper.
Para os Ziperianos novos e antigos, curtam bastante...


Johann Ludwig Bach - Das ist meine Freude



Johann Ludwig Bach - Unsere Trübsal (nota minha: esta saiu do repertório do coro antes de eu começar lá. uma pena!)


sexta-feira, 4 de junho de 2010

nur wer die sehnsucht kennt (tchaikovsky)



Música de Pyotr Illyich Tchaikovsky
Peoma de Johann Wolfgang von Goethe


(Ficamos devendo o nome do solista...)


Nur wer die Sehnsucht kennt

Nur wer die Sehnsucht kennt,
Weiss,was ich leide!
Allein und abgetrennt
Von aller Freude,
Seh ich ans Firmament
Nach jener Seite.

Ach!der mich liebt und kennt
Ist in der Weite.
Es scwwindelt mir,es brennt
Mein Eigenweide.
Nur wer die Sehnsucht kennt,
Weiss,was ich leide!

Só quem já sentiu saudade

Só quem já sentiu saudade,
Quanto sofro há de entender:
Sozinha aqui, longe vivo
De todo e qualquer prazer.
Nos céus meu olhar fixado,
Um só lado quer rever.
Ai! Quem me ama e de mim sabe
Mui distante foi viver.
O tempo todo estonteada,
As entranhas a me arder:
Só quem já sentiu saudade,
Quanto sofro há de entender!

quinta-feira, 3 de junho de 2010

leonel brizola vs. rede globo

Infelizmente, não tivemos ainda grandes homens públicos que se manifestassem de maneira tão clara e sem restrições ao poder de manipulação da Rede Globo quanto o falecido Leonel Brizola, político que, não por acaso, tem péssima reputação entre o público mais conservador, ou simplesmente não muito bem informado.

Brizola havia sido exilado pelo regime militar. De volta ao Brasil, foi candidato ao governo do Estado do Rio de Janeiro, em 1982. Seu favoritismo era inegável, menos para a Globo, que apontava a vitória do candidato pró-regime militar. A empresa que apurou os votos na eleição tinha em seus quadros pessoas ligadas ao regime, e os resultados quase foram fraudados. No fim, a farsa foi descoberta, e Leonel Brizola foi eleito. A Globo foi acusada de participar do caso. (*)

A perseguição da emissora a Brizola prosseguiu por muitos anos. Mas o político não fugiu da luta, e durante seu segundo mandato como governador do Rio, conseguiu um direito de resposta contra a Globo por um ataque particularmente feroz. O direito de resposta foi lido durante o Jornal Nacional, por ninguém menos que o próprio Cid Moreira, a voz mais marcante que já passou pelo JN. E a Globo foi obrigada a proferir a verdade a respeito de si mesma e de seu dono, Roberto Marinho em rede nacional - pela primeira e, até então, única vez.







(*) Saiba mais: leia sobre o caso Proconsult e confira o trabalho de apuração dos fatos, muitos anos depois.

expansão sp: cada vez melhor?

Ah, resolvi compensar a falta de posts por aqui trazendo o texto que publiquei no blog desabafo_sp para cá.


Expansão SP: cada vez melhor?


O Expansão SP é, segundo o próprio governo do Estado, o maior programa de investimento em transporte público jamais realizado em São Paulo. Prometia novas estações, novas linhas e renovação da frota, tanto no Metrô quanto na CPTM.

Os esforços para promovê-lo foram expressivos. Cada novo trem em circulação era anunciado com alardes em todas as estações. Até agoora, porém, somente algumas linhas receberam s novos desde então, mais destacadamente a linha 2 do Metrô, que cruza a Avenida Paulista, e a linha 9 da CPTM, paralela ao Rio Pinheiros. (Esta última teve estação reformada sendo inaugurada como nova, dias atrás.)

Não parou por aí. Linhas e estações cujas obras sequer haviam começado a ser construídas eram anunciadas, não só em grandes cartazes nos trens, mas na televisão. Conexões entre trem e metrô que mal haviam deixado a fase de projeto eram alardeadas como solução próxima.

A realidade é bem outra. O ritmo das obras é lento, marcado por constantes atrasos. Na linha 4 do Metrô houve, no mesmo ano de 2007, um grave acidente, que matou sete pessoas, e um erro de cálculo no projeto que fazia com que túneis não se encontrassem. A linha teve o início de operações prometido para o início deste ano, mas ainda não há previsão para o início do transporte de passageiros. Mesmo assim, só duas estações seriam abertas, em princípio.

E a linha 5, que deveria ligar bairros do zona sul de São Paulo a linhas que cruzam o centro, está empacada desde 2002, data de inauguração de seu trecho inicial (Capão Redondo-Largo 13). A primeira estação a ser entregue em anos deve ficar pronta em 2011, segundo o Metrô, que já chegou a prometer a linha inteira operando em 2012. Até lá, na zona sul só se expandem os congestionamentos.

Desnecessário dizer que a situação nos trens continua bastante problemática. O metrô de São Paulo é o mais lotado do mundo. Que o digam os usuários da Linha 3, que atende a superpopulosa zona leste, onde o Expansão SP só chegou em anúncios e um programa chamado “Embarque Melhor”, totalmente indigno do nome. Nada muito diferente se observa na CPTM: trens antigos, superlotados e constantes atrasos de partidas, mesmo em finais de semana.

O que o governo de São Paulo tem feito ainda é muito pouco para os moradores de São Paulo e cidades vizinhas se deslocarem a trabalho ou lazer com alguma velocidade e um mínimo de conforto.

A propaganda paga pelo contribuinte engana e quer vencer pela insistência.

jornal nacional

Já se vão mais de quarenta anos desde que a primeira edição do Jornal Nacional foi ao ar. Desde então, outras opções de noticiários se apresentam na televisão e fora dela e mesmo a audiência do telejornal está em constante queda. Ainda assim, o noticiário da Globo ainda constitui a fonte de informação mais familiar a grande parte dos brasileiros.

O fato de uma única emissora ter a "preferência" - moldada pelo simples costume - de tantos espectadores como principal fonte de informação e, de forma consciente ou não, formadora de opinião já é extremamente chamativo por si só. Em se tratando de um canal de TV com o histórico da Rede Globo, que apoiou o regime militar e tantas outras forças ligadas ao que há de mais atrasado no país, o caso é realmente de assustar.

Assim como a Globo está longe de "sobrar" em qualidade em relação a outras emissoras, o Jornal Nacional não é em nada superior ao que é apresentado em matéria de jornalismo na TV aberta. Sob sua fachada séria e respeitável, em poucos instantes de transmissão revela-se um jornalismo fraco e repleto de vícios.

Os âncoras lêem as notícias de maneira rápida. A assimilação de todas elas exige extrema atenção e boa vontade do telespectador: um movimento em falso e perde-se algo. Na verdade, a sobreposição de manchetes, sem maior aprofundamento, compromete em muito sua assimilação.

(Não é de admirar que a mudança no penteado da apresentadora repercuta mais que qualquer notícia.)

Também não há uma sequência lógica de apresentação das notícias: à menção ao último incidente na política internacional, pode se suceder uma manchete digna de um Planeta Bizarro.

Mas ainda é jornal, ao menos no nome, então sempre há matérias de maior destaque. São, via de regra, temas que permitem a exploração sentimentalista, como crimes e tragédias naturais, mas há outras opções. Tentaremos falar um pouco de cada uma delas.

O jornal carrega no melodrama em casos que rendem comoção do público. Se alguém morre, veremos choro. Se foi assassinato, veremos alguém clamando por justiça. E tome extensa cobertura, repórteres e repórteres falando, mesmo sem nada acrescentar ao assunto, por dias a fio, até o fim ou completo esquecimento do caso. O dito padrão Globo só não permite mostrar sangue.

Quando o JN permite a "discussão" de temas controversos, ele o faz de forma rasa e manipulativa. Um lado tem mais voz que outro, e a opinião do telespectador menos atento ao fim da matéria é aquela que a Globo quer que ele tenha.

Há espaço para o denuncismo, também. O jornal não hesita em repercutir acusações publicadas na revista Veja, que está longe de merecer qualquer crédito em matéria de isenção e seriedade. Tais denúncias quase sempre carecem de confirmação (ora, é a Veja). Ao fazê-lo, a Globo se firma como a grande representante da mídia conservadora e tendenciosa, já que jornais e revistas semanais têm público bem mais restrito.

Neste ano eleitoral, uma sucessão de "crises" e "escândalos" sem fundamento já foi ventilada, em tentativa desesperada de emplacar ao menos um fato negativo que pudesse afetar os rumos da campanha, levantando o moral de seu candidato preferido.

Grande é o destaque do jornal para competições cuja transmissão é monopólio da emissora, como a Fórmula 1 e grandes campeonatos de futebol locais ou aqueles em que a seleção brasileira venha a participar. Na cobertura desta Copa do Mundo, a pieguice e o ufanismo elevados à última potência; o sucesso nesse torneio se torna questão de vida ou morte.

Via de regra, o futebol tem espaço garantido no último bloco. O único espaço realmente definido no jornal vai para o efêmero entretenimento. Enquanto isso, no Brasil e no mundo...bem, tente se lembrar de algo relevante visto no JN depois que ele termina e a novela começa.

Raso, sensacionalista, parcial, alienante: eis os adjetivos que descrevem o Jornal Nacional. Que sua audiência mantenha a tendência em queda e ele seja relegado à insignificância que merece. Por um horário "nobre" mais digno do nome, e pela maior diversidade de visões sobre nós mesmos.

Para encerrar de vez o assunto, aqui vai: um jornal que tenha tornado o nascimento da filha de Xuxa a manchete do dia não inspira a menor credibilidade. E tenho dito.

domingo, 23 de maio de 2010

cantique de jean racine (fauré)

Para um bom domingo: a belíssima Cantique de Jean Racine, de Gabriel Fauré, na interpretação do Cambridge Singers.

Tem até a partitura para aprender a cantar junto, na sua voz ;)





A sugestão foi da Tatiane Olsen, mais uma vez.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

loyola brandão e a falação

Um dos livros cuja leitura mais me arrebatou é brasileiro. Ele se chama Não Verás País Nenhum e foi escrito por Ignacio de Loyola Brandão. A história se passa numa São Paulo de um futuro tão aterrador quanto possível: a especulação imobiliária tomou todo o espaço disponível e destroçou a vida nos bairros, os carros foram proibidos de andar nas ruas porque eles simplesmente não saíam mais dos congestionamentos, o clima é sufocante mesmo à noite. O apocalipse se estende ao país inteiro: a Amazônia se tornou um grande deserto, os governantes mentem, oprimem, matam. E tudo aconteceu basicamente porque deixamos...
É livro para comentar e citar pelo resto da vida. Destaco agora palavras sobre a "falação" que se forma em torno de certos assuntos de relevância, no mínimo, discutível e na qual às vezes embarcamos sem nos dar conta, até o momento em que simplesmente não conseguimos mais ouvir falar sobre o caso e constatamos que tanta discussão não fez a menor diferença...


"Um país onde há séculos se deita falação. Desde a carta de Pero Vaz de Caminha. A falação foi uma característica que os Esquemas souberam capitalizar, introduzindo na psicologia popular. Fizeram com que a falação se transformasse numa cortina de fumaça, encobrindo tudo que fosse possível.

O processo de falação obedece a uma seqüência invariável. Um primeiro momento, o da chamada denúncia. Alguém levanta o problema. Em seguida, uma fase delicada. A das vozes indignadas, governamentais ou não, que se erguem exigindo providências. O terceiro momento requer habilidade.

É a fase das promessas. Garante-se a formação de comissões de inquérito, promovem-se passeatas controladas, editoriais consentidos na imprensa, entrevistas categóricas. Este período é essencial, exige uma avalanche de falação contínua, exacerbada, exasperante. Falar até o total sufoco.

Não deixar ninguém raciocinar. Repisar indefinidamente o assim, até o ponto de completa saturação. Falar, falar até o esgotamento. E então, de repente, ninguém mais pode ouvir sequer comentar as tais denúncias. Elas se esvaziam. (...)

Os sistemas de governo se sucederam, as noções políticas se modificaram, menos a falação. Esta prosseguiu, como tara hereditária.(...)

Veio a Falação. (...) surgiram os protestos, artigos, e falatório contra tudo o que parecia errado para eles. Lutavam, denunciavam, protestavam, organizavam manifestações de rua, assembléias, cortejos, comícios, atos.

(...)

Quando a falação se iniciava, o poder se calava. Por um tempo. Depois, se indignava. Lentamente seus membros passavam a engrossar a fileira dos que contestavam. Até que todos, absolutamente todos, estavam falando.

Enquanto falavam, deixava-se a esperança de que providên­cias seriam tomadas. Era a nuvem de fumaça. As pessoas se esgo­tavam na falação. Cansavam o assunto, esvaziavam. Morria."



Pergunte-se qual é a falação do momento. E por favor, leia Não Verás País Nenhum.



domingo, 16 de maio de 2010

dia do gari

Hoje, dia 16 de maio, é o dia do gari. Foi por acaso que descobri a data, mas é uma informação que vem bastante a calhar.

O gari, esse profissional de vida dura, com a difícil tarefa de manter um pouco mais limpas as ruas da cidade que, por vezes, nós mesmos ajudamos a sujar. Você, que esteve no centro de São Paulo neste final de semana, imagine o trabalho que os varredores não terão ao final de mais esta Virada Cultural. Ainda temos muito a aprender, principalmente no que se trata de respeitar o serviço de uma categoria que muitas vezes tratamos como invisível e do qual só lembramos na hora de criticar.

Ou, pior ainda, para nos colocar acima de um pedestal imaginário, porque não somos aqueles que fazem o "desprezível" trabalho manual, cuja má fama alguns acreditam remontar aos tempos da escravidão.

E o mau exemplo já veio da boca de um conhecido "formador de opinião". Num descuido na parte técnica da Rede Bandeirantes, Boris Casoy mostrou sua verdadeira face, em frases escancaradamente preconceituosas, vergonhosas.

Relembre (ou conheça) o caso agora:







A lição? Sejamos mais humildes e vamos nos policiar para que nossas opiniões não reflitam ideias ofensivas - ainda que o preconceito não esteja tão "na cara" quanto na fala do senhor aí em cima.

Parabéns aos garis por seu dia, e minhas sinceras saudações a todos que realizam seu trabalho de maneira digna.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

duas demolições. só uma é notícia

O metrô de Santo Amaro, a lenda, está de volta à pauta...
O Metrô já vem desapropriando e desocupando alguns imóveis aqui na região. A companhia "escolheu" para suas futuras obras um terreno onde se situava um imóvel grande na avenida Santo Amaro, onde até um tempo atrás funcionava uma casa noturna, para sermos bem eufemistas.
Só para variar, o Metrô fez as coisas meio lentamente, e o imóvel acabou invadido. Moradores da região ficaram incomodados, não sem razão. Seguem links para matérias da imprensa que permitem acompanhar o caso.



E, por fim, foi ao chão.
Outro imóvel foi derrubado, do outro lado da avenida. Esse vinha sendo utilizado como residência já há algum tempo. Eram pessoas pobres, que talvez tivessem elas mesmas invadido a casa, abandonada, por não ter para onde ir. Que terá sido feito delas, agora que o Metrô decidiu tomar seu pedaço de chão para suas obras sem prazo de entrega? Foram para um casa nova? Cabe a pergunta, pois, evidentemente, isso não virou notícia. Talvez não se tratasse de algo que tirasse o sono da "opinião pública".

sexta-feira, 7 de maio de 2010

ubi caritas

Por Tatiane Olsen


Ubi Caritas cantada pelo coro The King's College, Cambridge, é lindo de mais.

Onde há caridade e amor, Deus lá está

Unamo-nos em um único amor em Cristo

Exultemo-nos e alegremo-nos

Temamos e amemos o Deus vivo

E que nosso coração ame ao próximo sinceramente



bom fim de semana

segunda-feira, 3 de maio de 2010

gabriel's oboe

Aqui temos um dos meus coros favoritos, daqueles que tenho muito orgulho em dizer que pude cantar.
O filme A Missão tem trilha sonora composta por Ennio Morricone, músico italiano. A canção mais conhecida do filme é Gabriel's Oboe, posteriormente arranjada para coro a quatro vozes pelo maestro brasileiro Paulo Rowlands, que iniciou a trajetória no canto de muita gente, inclusive deste blogueiro. O texto cantado é uma oração em latim, o Angele Dei (anjo de Deus).
A seguir, a interpretação do coral Rondo Histriae, da Croácia (!) Assista e deslumbre-se. Não deixe de conferir mais do trabalho de Paulo Rowlands em sua página pessoal.


domingo, 2 de maio de 2010

andré fala do expansão sp no blog do @desabafo_sp

Que tal ler um post meu em outro blog?

Clique aqui para ver minha contribuição (que venham mais! rs) ao blog do @desabafo_sp, pessoal de olho na qualidade (?) do transporte nessa São Paulo caótica, caótica. No texto, busquei confrontar a propaganda maciça do Expansão SP com a realidade.

sábado, 1 de maio de 2010

Walt Disney + Salvador Dali

(decidi postar aqui no blog as coisas bacanas que recebo, via email, por exemplo. uma boa ideia pra ter sempre post novo)

Em 1946, Salvador Dalí e Walt Disney decidiram trabalhar juntos em um curta de animação chamado Destino. Infelizmente o projeto foi abandonado com menos de 20 segundos de animação pronta.

Mas, alguém dos estúdios Disney decidiu terminar o projeto baseando-se nos storyboards de Dalí.
O resultado:



Fonte:
http://pepsi.gizmodo.com.br/conteudo/o-encontro-de-disney-e-dali

domingo, 18 de abril de 2010

coca-cola, negócio e arte

Do Portal Luís Nassif

Por Fernando dos Santos Curi

Veja mais fotos como esta em Portal Luis Nassif

quarta-feira, 14 de abril de 2010

a locomotiva sem trilhos

Estou numa campanha heroica para destruir o insensato mito "São Paulo, locomotiva do País". Nada mais oportuno do que falar de transporte sobre trilhos.

Esta saiu no jornal de hoje:

Obra do Metrô descobre trilho de bonde na zona sul

Antes de os automóveis reinarem absolutamente em nossas ruas, e ai de você se ficar na frente deles, o transporte público era realizado por trens, ou por bondes. Uma das justificativas (?) para a aposentadoria dos bondes foi justamente a de atrapalharem o trânsito. O que a prefeitura fez então, à época? Jogou asfalto por cima dos trilhos. Os de Santo Amaro não são os primeiros e nem serão os últimos a serem "reencontrados".
Os últimos anos do bonde, aliás, coincidiram com a construção de diversas avenidas, como a 23 de Maio e as marginais, as freeways, caminhos livres para os automóveis.
Anos depois, o governo acordou para a vida e resolveu expandir a malha ferroviária da cidade, ainda que bem-len-ta-men-te. Ora, tivesse havido algum planejamento naqueles, os pequenos bondes teriam sido substituídos por trens de superfície, e hoje não teríamos de esperar a boa vontade dos nossos atuais governantes para que, por favor, façam com que não percamos uma vida no trânsito e de quebra, sermos transportados com um mínimo de conforto.
Mas na época acharam que asfalto é que era progresso. Ainda tem quem ache...
E se eu for falar do ramal da Cantareira de trem, da qual fazia parte a estação Jaçanã do samba do Adoniran, aí o sangue ferve de verdade. Não é que me asfaltaram uma ferrovia?
Você aí, preso no trânsito, respirando essa coisa tóxica do escapamento do seu carrão, continua achando São Paulo sensacional? Vai fundo. Ou melhor, fique aí nesse anda-para.

sábado, 3 de abril de 2010

ninguém deve seguir esse exemplo

Olha que vexame...Não ligo para futebol, mas não se pode negar que no nosso país os profissionais desse esporte são muito mais representativos como pessoas públicas que muito "formador de opinião" por aí. Não por acaso, estão sempre na mídia. E todo mundo vai saber desse gesto feio. Assino embaixo de tudo que a Luiza escreveu. Escolher a quem ajudar? A vida escolheu vocês, Robinho e compannheiros de time, para se realizarem financeiramente com algo que vocês gostam. E olha a sua retribuição.



Por Luiza Costa de Oliveira


Matéria do jornal ESTADO DE SÃO PAULO de hoje.

Ação beneficente vira estopim de crise no Santos

Recusa de jogadores em presentear deficientes pode ter por trás mais do que motivos religiosos: há problemas no clube





Isso é uma coisa que eu repito muito, esses jogadores de futebol - inclusive do meu time também, devo dizer (e digo, sem problema algum) - devem pensar no que virá na vida deles posteriormente a toda fama e glamour da profissão. Serão gordos barrigudos falando de futebol, como grandes (ou não) comentaristas?? Com sorte vão ficar bem jogando e parando quando quiserVão manter a fama de antes?? Serão esquecidos??


Fisica e mentalmente falando, pois nós que lutamos de outras formas, estudando, ralando, trabalhando - boa parte das vezes em coisas que não gostamos - pra sobreviver e - longe de mim, subestimar o esforço deles, senão não seria uma entusiasta do futebol, não torceria pro meu time, etc. - mas é preciso que eles conheçam, saibam e estudem, inclusive a própria religião mais profundamente. Estudem e no máximo, serão mais esclarecidos.


Antes de tudo, repudio esse tipo de comportamento, socialmente falando, e mais do que católica (que todo mundo sabe que eu sou), eu SOU CRISTÃ, e isso não é uma atitude cristã. Onde foi parar: "Fora da caridade não há salvação"? Tá na Bíblia não tá?? Tá em São Francisco de Assis e nas palavras do Chico Xavier... Qual é o problema?? Jesus não desprezou ninguém, não é???


É ridículo isso, não penso se é problema no clube, imagem, dinheiro, sei lá... o que penso é nas pessoas que estavam lá esperando por seus ídolos (Robinho e cia - CREDO !!!). Isso não é legal, é desrespeitoso - no mínimo. O que esses caras pensam??


Fico muito triste e indignada, por isso mando a mensagem. Desculpem-me a chatice...

os simpsons - o peixe de três olhos


Os episódios dos Simpsons que fizeram a fama do seriado e realmente merecem ser lembrados estão lá atrás, nas primeiras temporadas. Este de que falarei agora é do segundo ano do show.
Bart fisga um peixe de três olhos nas proximidades da usina nuclear da cidade, propriedade do sr. Burns. O fato ganha a mídia e motiva uma inspeção do governo do estado-onde-fica-Springfield. Devido à série de normas de segurança que a usina ignora, Burns é obrigado a reformá-la. Para se livrar da conta, ele tem uma ideia, estranhamente inspirada por Homer: candidatar-se ao governo. Mas é preciso livrar-se do episódio do peixe, coisa que Burns consegue, graças a sua equipe de campanha. O bicho ganha até um apelido carinhoso, Piscadela.
Na campanha, Burns é o típico candidato de uma nota só: brada contra "o que está aí" e na realidade seu único "projeto" são seus objetivos pessoais. Sob a imagem cuidadosamente construída por seus assessores, ele é um plutocrata que odeia os próprios eleitores de quem quer o voto. Nem mesmo ele engole suas próprias histórias, como dito no episódio.
Uma peça fantástica, que muito mostra sobre política em pouco mais de vinte minutos de exibição. Temas como construção e destruição da imagem de pessoas públicas, critério de escolha de candidatos - fará por mim ou fará por todos? - estão lá. (Só faltou a mídia tomar partido...)
Simpsons em excelente forma é televisão em excelente forma. Uma pena o seriado estar longe de seus grandes dias.
Assista antes de votar, e cuidado sempre com o "sr. Burns" da vez.







sábado, 27 de março de 2010

ghost bike




Minha habitual pedalada de final de semana teve destino certo esta manhã: uma homenagem a mais um ciclista morto (assassinado!) nas ruas desta cidade. O sr. Manoel Pereira Torres atravessava na faixa com sua bicicleta, com o sinal aberto para os pedestres, próximo ao viaduto Vereador José Diniz. Um motociclista que passava em alta velocidade no corredor exclusivo de ônibus o atingiu em cheio. Com o impacto, a bicicleta foi lançada contra um poste de aço e dobrou ao meio. Já seu Manoel foi arremessado foi arremessado contra o semáforo, a três metros de altura. Morreu na hora.
A ghost bike é uma bicicleta pintada de branco instalada no local da morte do ciclista. Foram também pintados nos dois lados da avenida os dizeres "devagar vidas", tudo como ação em nome de uma maior tolerância no trânsito e, por extensão, em nossas vidas.
Leia mais a respeito da morte de seu Manoel e desta ghost bike (e de outras) neste post do Vá de Bike. E aprendamos alguma coisa.

terça-feira, 23 de março de 2010

o anjo esquerdo da história

Novamente cito no blog este coro, composto por Gilberto Mendes sobre poema de Haroldo de Campos.
Ocorre-me que já se vão quase dez anos desde que o ouvi pela primeira vez (ah, o tempo passa). Foi numa apresentação do coral Gilberto Mendes, de Valinhos, antes que eu me tornasse parte dele, e tivesse a honra de cantá-la, para grande espanto do coralista iniciante que eu era então. Foi a primeira música que aprendi na nova "casa", e importante demais em muitos sentidos. Divulgar grandes autores brasileiros e passar uma forte mensagem política e humana se revelou um envolvente desafio e cantar cada vez melhor foi aos poucos adquirindo uma importância muito grande, como se eu estivesse percorrendo um caminho que eu estava destinado a traçar...(algo que preciso recuperar atualmente, mas essa é outra história)
Achei uma gravação do Madrigal Ars Viva, do qual o próprio Gilberto Mendes (o compositor, claro) participou, da música. A versão deles tem algumas coisas de que não gosto, umas mudanças de andamento estranhas, mas no geral é boa, e serve para mostrar a todos esta música sobre a qual tenho muito orgulho de dizer que fez parte de minha carreira de coralista - e de minha própria história.


segunda-feira, 22 de março de 2010

Voltaram à mochila lápis, caneta e agenda para notas. Falta apenas a inspiração para voltar a escrever. Virá, se tiver de vir.