domingo, 18 de abril de 2010

coca-cola, negócio e arte

Do Portal Luís Nassif

Por Fernando dos Santos Curi

Veja mais fotos como esta em Portal Luis Nassif

quarta-feira, 14 de abril de 2010

a locomotiva sem trilhos

Estou numa campanha heroica para destruir o insensato mito "São Paulo, locomotiva do País". Nada mais oportuno do que falar de transporte sobre trilhos.

Esta saiu no jornal de hoje:

Obra do Metrô descobre trilho de bonde na zona sul

Antes de os automóveis reinarem absolutamente em nossas ruas, e ai de você se ficar na frente deles, o transporte público era realizado por trens, ou por bondes. Uma das justificativas (?) para a aposentadoria dos bondes foi justamente a de atrapalharem o trânsito. O que a prefeitura fez então, à época? Jogou asfalto por cima dos trilhos. Os de Santo Amaro não são os primeiros e nem serão os últimos a serem "reencontrados".
Os últimos anos do bonde, aliás, coincidiram com a construção de diversas avenidas, como a 23 de Maio e as marginais, as freeways, caminhos livres para os automóveis.
Anos depois, o governo acordou para a vida e resolveu expandir a malha ferroviária da cidade, ainda que bem-len-ta-men-te. Ora, tivesse havido algum planejamento naqueles, os pequenos bondes teriam sido substituídos por trens de superfície, e hoje não teríamos de esperar a boa vontade dos nossos atuais governantes para que, por favor, façam com que não percamos uma vida no trânsito e de quebra, sermos transportados com um mínimo de conforto.
Mas na época acharam que asfalto é que era progresso. Ainda tem quem ache...
E se eu for falar do ramal da Cantareira de trem, da qual fazia parte a estação Jaçanã do samba do Adoniran, aí o sangue ferve de verdade. Não é que me asfaltaram uma ferrovia?
Você aí, preso no trânsito, respirando essa coisa tóxica do escapamento do seu carrão, continua achando São Paulo sensacional? Vai fundo. Ou melhor, fique aí nesse anda-para.

sábado, 3 de abril de 2010

ninguém deve seguir esse exemplo

Olha que vexame...Não ligo para futebol, mas não se pode negar que no nosso país os profissionais desse esporte são muito mais representativos como pessoas públicas que muito "formador de opinião" por aí. Não por acaso, estão sempre na mídia. E todo mundo vai saber desse gesto feio. Assino embaixo de tudo que a Luiza escreveu. Escolher a quem ajudar? A vida escolheu vocês, Robinho e compannheiros de time, para se realizarem financeiramente com algo que vocês gostam. E olha a sua retribuição.



Por Luiza Costa de Oliveira


Matéria do jornal ESTADO DE SÃO PAULO de hoje.

Ação beneficente vira estopim de crise no Santos

Recusa de jogadores em presentear deficientes pode ter por trás mais do que motivos religiosos: há problemas no clube





Isso é uma coisa que eu repito muito, esses jogadores de futebol - inclusive do meu time também, devo dizer (e digo, sem problema algum) - devem pensar no que virá na vida deles posteriormente a toda fama e glamour da profissão. Serão gordos barrigudos falando de futebol, como grandes (ou não) comentaristas?? Com sorte vão ficar bem jogando e parando quando quiserVão manter a fama de antes?? Serão esquecidos??


Fisica e mentalmente falando, pois nós que lutamos de outras formas, estudando, ralando, trabalhando - boa parte das vezes em coisas que não gostamos - pra sobreviver e - longe de mim, subestimar o esforço deles, senão não seria uma entusiasta do futebol, não torceria pro meu time, etc. - mas é preciso que eles conheçam, saibam e estudem, inclusive a própria religião mais profundamente. Estudem e no máximo, serão mais esclarecidos.


Antes de tudo, repudio esse tipo de comportamento, socialmente falando, e mais do que católica (que todo mundo sabe que eu sou), eu SOU CRISTÃ, e isso não é uma atitude cristã. Onde foi parar: "Fora da caridade não há salvação"? Tá na Bíblia não tá?? Tá em São Francisco de Assis e nas palavras do Chico Xavier... Qual é o problema?? Jesus não desprezou ninguém, não é???


É ridículo isso, não penso se é problema no clube, imagem, dinheiro, sei lá... o que penso é nas pessoas que estavam lá esperando por seus ídolos (Robinho e cia - CREDO !!!). Isso não é legal, é desrespeitoso - no mínimo. O que esses caras pensam??


Fico muito triste e indignada, por isso mando a mensagem. Desculpem-me a chatice...

os simpsons - o peixe de três olhos


Os episódios dos Simpsons que fizeram a fama do seriado e realmente merecem ser lembrados estão lá atrás, nas primeiras temporadas. Este de que falarei agora é do segundo ano do show.
Bart fisga um peixe de três olhos nas proximidades da usina nuclear da cidade, propriedade do sr. Burns. O fato ganha a mídia e motiva uma inspeção do governo do estado-onde-fica-Springfield. Devido à série de normas de segurança que a usina ignora, Burns é obrigado a reformá-la. Para se livrar da conta, ele tem uma ideia, estranhamente inspirada por Homer: candidatar-se ao governo. Mas é preciso livrar-se do episódio do peixe, coisa que Burns consegue, graças a sua equipe de campanha. O bicho ganha até um apelido carinhoso, Piscadela.
Na campanha, Burns é o típico candidato de uma nota só: brada contra "o que está aí" e na realidade seu único "projeto" são seus objetivos pessoais. Sob a imagem cuidadosamente construída por seus assessores, ele é um plutocrata que odeia os próprios eleitores de quem quer o voto. Nem mesmo ele engole suas próprias histórias, como dito no episódio.
Uma peça fantástica, que muito mostra sobre política em pouco mais de vinte minutos de exibição. Temas como construção e destruição da imagem de pessoas públicas, critério de escolha de candidatos - fará por mim ou fará por todos? - estão lá. (Só faltou a mídia tomar partido...)
Simpsons em excelente forma é televisão em excelente forma. Uma pena o seriado estar longe de seus grandes dias.
Assista antes de votar, e cuidado sempre com o "sr. Burns" da vez.







sábado, 27 de março de 2010

ghost bike




Minha habitual pedalada de final de semana teve destino certo esta manhã: uma homenagem a mais um ciclista morto (assassinado!) nas ruas desta cidade. O sr. Manoel Pereira Torres atravessava na faixa com sua bicicleta, com o sinal aberto para os pedestres, próximo ao viaduto Vereador José Diniz. Um motociclista que passava em alta velocidade no corredor exclusivo de ônibus o atingiu em cheio. Com o impacto, a bicicleta foi lançada contra um poste de aço e dobrou ao meio. Já seu Manoel foi arremessado foi arremessado contra o semáforo, a três metros de altura. Morreu na hora.
A ghost bike é uma bicicleta pintada de branco instalada no local da morte do ciclista. Foram também pintados nos dois lados da avenida os dizeres "devagar vidas", tudo como ação em nome de uma maior tolerância no trânsito e, por extensão, em nossas vidas.
Leia mais a respeito da morte de seu Manoel e desta ghost bike (e de outras) neste post do Vá de Bike. E aprendamos alguma coisa.

terça-feira, 23 de março de 2010

o anjo esquerdo da história

Novamente cito no blog este coro, composto por Gilberto Mendes sobre poema de Haroldo de Campos.
Ocorre-me que já se vão quase dez anos desde que o ouvi pela primeira vez (ah, o tempo passa). Foi numa apresentação do coral Gilberto Mendes, de Valinhos, antes que eu me tornasse parte dele, e tivesse a honra de cantá-la, para grande espanto do coralista iniciante que eu era então. Foi a primeira música que aprendi na nova "casa", e importante demais em muitos sentidos. Divulgar grandes autores brasileiros e passar uma forte mensagem política e humana se revelou um envolvente desafio e cantar cada vez melhor foi aos poucos adquirindo uma importância muito grande, como se eu estivesse percorrendo um caminho que eu estava destinado a traçar...(algo que preciso recuperar atualmente, mas essa é outra história)
Achei uma gravação do Madrigal Ars Viva, do qual o próprio Gilberto Mendes (o compositor, claro) participou, da música. A versão deles tem algumas coisas de que não gosto, umas mudanças de andamento estranhas, mas no geral é boa, e serve para mostrar a todos esta música sobre a qual tenho muito orgulho de dizer que fez parte de minha carreira de coralista - e de minha própria história.


segunda-feira, 22 de março de 2010

Voltaram à mochila lápis, caneta e agenda para notas. Falta apenas a inspiração para voltar a escrever. Virá, se tiver de vir.

sábado, 6 de março de 2010

luiza erundina


Antes de abrir a boca para soltar a confortável máxima "político é tudo igual", conheça um pouco sobre Luiza Erundina. Uma boa oportunidade passou hoje, numa entrevista da deputada federal e ex-prefeita de São Paulo ao programa Provocações.
Por defender o direito a greve de motoristas e cobradores de ônibus em anúncios publicados nos jornais da capital, foi acusada de gastar dinheiro público de forma irregular. Um advogado entrou com ação pública contra Erundina, e ela perdeu. Para quitar a dívida, teve um apartamento e um carro penhorados, e ainda teve de contar com a ajuda de amigos políticos, que organizaram eventos para arrecadar a quantia restante.
Políticos são realmente todos iguais? Em uma cidade que já foi governada por gente como Paulo Maluf e Celso Pitta, Luiza Erundina foi a única prefeita condenada judicialmente.
No programa, Erundina comentou o caso, relembrando sua passagem pela prefeitura da maior cidade do país. Fez questão de frisar as dificuldades que enfrentou sendo o que é - mulher, nordestina e de esquerda. A deputada falou também de suas convicções e perspectivas políticas e pessoais.
Além da íntegra do programa no site da TV Cultura, selecionei mais uns links interessantes. Clique aqui para ler a chamada para a entrevista de Erundina no site da TV Cultura e aqui para saber mais sobre o caso arbitrário que gerou sua condenação.
Também destaco a íntegra de sua participação no programa Roda Viva, em 1988, após a confirmação de sua candidatura a prefeitura de São Paulo. O programa também é excelente exemplo de como a imprensa se comporta com políticos de esquerda, como Erundina, ou que simplesmente a incomodem por algum motivo. Destaco os momentos em que Boris Casoy (tinha de ser ele) questiona se a então candidata acredita em deus e em que a acusa de promover o que chama de invasões urbanas.
A imprensa que demonizou a ex-prefeita desde sua campanha e especialmente durante seu mandato tem muito em comum com a justiça que a sentenciou: ambos selecionam os desvios que querem coibir. Por sua trajetória, por sua orientação política, devido a essa perseguição explícita à sua pessoa empreendida por representantes de um pensamento retrógrado e elitista, Luiza Erundina é uma figura política digna de respeito e confiança. E de voto.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

O carnaval parece a época perfeita para uma boa "limpeza" no blog. Vamos lá.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

ônibus executivo, transporte especial...e o que temos hoje

Falemos com franqueza, o transporte coletivo em São Paulo é ruim. Ruim demais. E piora a olhos vistos. No caso específico de ônibus e lotações, pagam-se absurdos R$ 2,70 para andar feito sardinha em lata - a menos que o passageiro tenha a felicidade de escapar dessa sina nas pouquíssimas linhas não superlotadas da cidade. Mas das ruas congestionadas e das faixas exclusivas e corredores ineficientes, dessas não há como fugir.
Creio que o transporte público sempre tenha sido problemático, com a possível exceção, talvez, da época em que os saudosos bondes circulavam por uma área urbanizada muito, mas muito menor que a de hoje. Algumas soluções de um passado não tão distante cuja lembrança simplesmente me surgiu poderiam dar algumas ideias para atacar o problema.
Trata-se de um tipo de transporte diferenciado, mais confortável que o ônibus ou a lotação comum. Ele ainda existe em longos trajetos intermunicipais. Para transporte específico na cidade de São Paulo, houve no mínimo duas encarnações desse modelo.
(Eu queria enriquecer este post com algo mais que minhas lembranças sobre o assunto, mas não achei nada na internet sobre esses coletivos. Nada.)
Dos ônibus executivos não me lembro muito bem, acredito que não cheguei a entrar em algum deles. Circularam em meados ds anos 80. Recordo-me de uns carros amarelos, com uma única porta e assentos diferenciados, possivelmente de couro. Havia a linha 7192 (Jardim São Luiz-Praça Ramos), que saía das proximidades do Centro Empresarial (conjunto de escritórios mais antigo que qualquer prédio da Berrini), passando pelas avenidas Giovanni Gronchi e Morumbi e seguindo para o centro acessando a avenida Cidade Jardim e seguindo quase em linha reta até a rua Augusta.
Em substituição ao modelo executivo, surgiu na gestão de Luiza Erundina o transporte especial. Na época, ônibus comuns passaram a ser brancos com um "M" cuja cor variava de acordo com a região onde a linha tinha seu ponto inicial. Os "especiais" eram sempre bicolores - verde e cinza - e tinham um E grande. Eram ônibus como os utilizados em viagens turísticas que percorrem longas distâncias, semelhantes aos atuais fretados - cuja circulação Gilberto Kassab restringiu meses atrás. A tarifa era quase o do dobro da cobrada em um ônibus comum. Havia linhas saindo do terminal Tietê que chegavam aos bairros mais distantes da zona sul. A linha que fazia o trajeto do Valo Velho até a rodoviária fazia percurso semelhante ao antigo executivo, com os óbvios complementos para atingir os extremos de seu percurso. Foi também uma das primeiras a ser extinta. Acredito que em 2000 já não havia mais nenhum nas ruas.
Em seu lugar, nada. O espaço desses ônibus nas ruas (e muito mais) foi tomado por automóveis. E quem dirige não abre mão de andar num ônibus superlotado. Fica realmente difícil convencer alguém de abrir mão do carro sob esse ponto de vista, mas andar sozinho em veículos de passeio cada vez maiores está longe de resolver a questão. Serve mais para o ego.
E ideias, há. Vans mais confortáveis para pequenos trajetos, interligando, por exemplo, bairros do centro expandido, aqueles em que estão os empregos e a adesão ao transporte público por parte dos moradores é quase zero. Pelo maior conforto em relação ao transporte comum, poderia ser praticada uma tarifa maior. Ainda assim, sairia mais barato que a gasolina do carro. E com uma boa aprovação do modelo, as ruas ficariam mais seguras e o trânsito, menos caótico. Com as grandes avenidas mais tranquilas, os ônibus diferenciados poderiam voltar, sejam fretados, sejam sob a gestão da SPTrans. Nada disso anularia o investimento nos coletivos tradicionais, com a readequação de corredores de ônibus e melhoria na frota. Até os sofridos trólebus teriam sua vez, com a manutenção e ampliação de sua rede (ônibus elétrico é silencioso e não polui). Falando em menos trânsito e menos poluição, mais estações e terminais de ônibus poderiam ter bicicletários seguros.
Tudo muito bonito e hipotético, infelizmente. Pois a palavra-chave que acompanha os (raros) discursos sobre transporte público é megaobra. Grandes negócios para quem constrói e quem manda construir. Metrô é ótimo, rápido, porém caro e de construção demorada. O caminho da dignidade para os trens metropolitanos também parece longo. E volta e meia surgem as ideias mirabolantes. O grande exemplo é o antigo Fura-Fila, depois Paulistão, hoje Expresso Tiradentes, e que já mereceria nome novo, pois o corredor elevado de ônibus não chegará mais à distante Cidade Tiradentes, na zona leste. O que foi implantado fica como está; o resto será uma linha de VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), a nova febre dos gestores paulistas. No embalo da Copa do Mundo de futebol no Brasil, anunciou-se até a construção de um trem leve (ou bonde moderno, para alguns) que ligasse o Aeroporto de Congonhas ao estádio do Morumbi. A conferir se os endinheirados vizinhos do campo aceitam. Outras linhas substituiriam corredores de ônibus implantados e outros que só ficaram no papel.
Enquanto isso, o transporte coletivo sobre rodas segue em sua situação de quase abandono, lembrado pelas autoridades somente em época de aumento de tarifa, como o de dias atrás, ou quando se aumentam os subsídios para as viações urbanas, ação política que antes premia as empresas por seus péssimos serviços. E o trabalhador da periferia distante que conta somente com os desprezados coletivos para chegar ao trabalho ou a algum equipamento de lazer sofre um tanto mais a cada dia.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

adeus, jornalões

A cada semana eu levava o jornal de domingo com mais gosto para forrar o chão onde o cachorro faz suas necessidades. O número de páginas de seus cadernos aumentava periodicamente não porque havia mais pautas, e sim mais anunciantes. Da mesma forma, ele encolhia em feriados. Em vez de trazer mais matérias para o leitor com tempo livre, ocorria exatamente o oposto, como se o país e o mundo tirassem férias. Os anunciantes também rareavam, haveria alguma misteriosa relação? E mais: estávamos levando menos papel para casa, mas o preço era o mesmo de um domingo sem folga.
É que o negócio não é mesmo informar. Ou as manchetes não seriam tendenciosas, nem os colunistas despejariam opiniões tão irrelevantes. Melhor nem comentar os editoriais, diga-se apenas que se tratam de um bom reflexo do todo. O jornal inteiro parece um grande editorial, na realidade...quem dera os amores e frustrações de quem escreve ficassem restritos ao espaço delimitado para tal. E é tudo mal escrito: os erros de português incomodam pela quantidade, deixam uma impressão de coisa malfeita, amadora.
Decidi valorizar mais meu dinheiro, ainda mais em se tratando de algo tão precioso como a informação, que, aliás, encontro de qualidade e de graça na internet. E se leio alguma bobagem, pelo menos não mexi no bolso. O duro vai ser encontrar um substituto à altura para forrar o chão. Há muita semelhança entre o que o cachorro faz e as folhas impressas em que ele se aliviava.

domingo, 24 de janeiro de 2010

paulistana

Se a aniversariante de amanhã pudesse soprar velinhas, arrisco-me a dizer que seu pedido secreto seria o de pararem de chamá-la terra da garoa. Certamente muitos usam o apelido sem a menor noção de seu porquê, e nem pensam que ele já não faz o menor sentido. A chuvinha fina que não falhava nos outrora agradáveis finais de tarde paulistanos remontam a uma época sem ilhas de asfalto e concreto, em que a periferia braba ainda era zona rural. Pertence ao passado, como os bondes e os cursos d'água limpos e não canalizados e, da mesma maneira que estes, só existem hoje na memória de quem os viu, pois a ganância de uns assim o quis. Alcunha mais adequada seria terra das tempestades, ou dos contrastes absurdos. Mas seria péssimo marketing. A Califórnia é lembrada por suas praias, não pelos terremotos.

domingo, 17 de janeiro de 2010

o direito de não dirigir

Minha carteira de motorista venceu na última semana e não tenho a menor pressa em pedir por sua renovação. Houvesse ainda algo em mim do adolescente que teve aulas de direção com o pai e mal podia esperar para pilotar quando quisesse, a coisa seria diferente. Cresci, amadureci e notei que não há nada de romântico em guiar um automóvel. Já devo ter cansado meus (poucos) leitores com minha posição crítica a esse respeito, mas lá vou eu retomar a temática "anticarro" novamente.
Dirigir bem consiste em evitar o próximo acidente. Impossível contar com a prudência alheia, ao se verificar o flagrante desrespeito às leis e as estatísticas assustadoras de acidentes de trânsito. E ainda há o tráfego intenso. Perde-se tempo e paciência como nunca em nossas ruas e avenidas, com óbvias consequências sobre nossa qualidade de vida. Mesmo quem não dirige sofre. A poluição nas grandes cidades hoje é causada principalmente pela fumaça emitida por automóveis. É dinheiro queimado, e assim chegamos ao ponto.
Os carros que tanto queremos dirigir, o combustível que os faz andar - boa parte de seu preço consiste em impostos. Nosso país tem uma das maiores cargas tributárias do mundo. E é fato que essa enorme quantidade de dinheiro não é bem aplicada. Por exemplo: mesmo com todo a receita gerada pelo imposto sobre propriedades de veículos, muitos adotam como solução mágica para a conservação de estradas a sua concessão à iniciativa privada. Já quanto às cidades, o mesmo governo que incentiva a expansão de crédito para a compra de carros e motos não investe o suficiente em transporte público, como se movido por uma lógica de mercado que em absoluto cabe a quem deveria agir pelo bem comum. Pagamos e pagamos (inclusive na renovação de nossas preciosas carteiras de motoristas) para manter uma situação que não melhora. Pagamos para pagar mais, às vezes com vidas.
Não tenho interesse em voltar a esse jogo tão cedo, então, adio a renovação da bendita CNH o mais que puder. Já que não há pressa, planejo-me para, em meus deslocamenteos, ir mais devagar. E ao longe. Se há escolha, não se deve desperdiçar.

sábado, 16 de janeiro de 2010

for the bible tells me so

O preconceito pode ser definido como uma reação de horror ao desconhecido, ao que não se pensa a respeito. Uma ideia repetida à exaustão pode ser tomada como verdade absoluta, dada a "autoridade" de quem a profere.
O documentário For The Bible Tells Me So mostra como algumas igrejas fomentam a intolerância aos homossexuais e como pais criados de acordo com a doutrina dessas congregações lidaram com o fato de seus filhos se revelarem gays. Entre os depoimentos, figura o de Gene Robinson, primeiro bispo anglicano assumidamente homossexual.
Altamente recomendado, o filme aparentemente não foi lançado no Brasil, mas encontrá-lo na internet, inclusive com legendas em português, não é tarefa difícil.

domingo, 10 de janeiro de 2010

aeronaves cruzam o céu. o som de seus motores encobre o de meu coração se partindo. o meu céu não tem estrelas.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O melhor golpe aos capitalistas seria a redução de seus lucros. Mas isso não vai acontecer. Não contaminados que estamos pelo vírus do consumismo. Maior e mais avassaladora das pragas, consome-nos vivos, e nos quer bem vivos para gastar mais. E, com isso, despertar em outros a vontade de gastar mais. Não vamos parar nem com um planeta pedindo ajuda.

sábado, 12 de dezembro de 2009

mansão matarazzo (ou, a força da grana)

Hoje acompanhei meu pai numa ida rápida (exceto pelo trânsito) à Avenida Paulista. Como estávamos de carro, foi necessário procurar os serviços de um dos estacionamentos praticantes de preços abusivos da região. Paramos naquele na esquina da avenida com a Rua Pamplona. Muitos que passam por ali não devem saber, mas naquele terreno árido, sem interesse ao público, existiu a residência de uma das mais influentes famílias paulistanas do seculo passado. Daí veio a motivação para a pesquisa e o texto que se segue.
Francisco Matarazzo veio da Itália, como tantos outros imigrantes em busca de nova vida no Brasil no final do século XIX e começo do século XX. Com o tempo, o "conde" construiu o maior império industrial da América Latina. Como residência para sua família, mandou erguer uma mansão na Avenida Paulista, então endereço de outros aristocratas paulistanos. A construção ficou pronta em 1941.
A partir da década de 1960, as grandes construtoras voltaram seus olhos para a avenida, então puramente residencial, e a região à sua volta jamais foi a mesma. Os palacetes foram vendidos e derrubados um a um, para a construção de edifícios, em sua maioria, comerciais. Surgia a Paulista cosmpolita que conhecemos. Poucas das antigas mansões prevaleceram e, até o final dos anos 1980, a propriedade dos Matarazzo era uma delas.
A então prefeita Luiza Erundina queria que o local abrigasse um centro cultural. para o trabalhador. O imóvel chegou a ser tombado pelo Conpresp, responsável pela preservação do patrimônio municipal. Mas a família Matarazzo se opunha a essa destinação para o casarão, atenta à especulação imobiliária que fazia do metro quadrado na região o mais caro da cidade à época. Tentaram mesmo implodi-lo, sem sucesso. Na mídia, muito se discutiu sobre a validade de um tombamento numa região já descaracterizada - valeria a pena manter a mansão como um dos poucos resquícios da antiga Avenida Paulista, contrastando com todos aqueles prédios modernos? Argumentos pró e contra surgiram aos montes, e a ideia do espaço cultural não vingou.
Em 1993, Paulo Maluf assumiu a Prefeitura. Ele suspendeu o tombamento da mansão. O órgão nacional de patrimônio (Iphan) chegou a manifestar-se a favor do tom]bamento. Em 1995, porém, na calada da noite, tratores contratados pelos próprios Matarazzo avançaram contra a casa e a puserram abaixo. O poder da família há muito declinara, e um dos seus poucos símbolos desapareceu pelas mãos de quem deveria ter mais interesse em preservá-lo.
Desde a demolição, funciona no terreno o atual estacionamento. Em 2007, finalmente a família Matarazzo concretizou sua venda. Duas gigantes do mercado imobiliário arremataram-no por R$ 125 milhões. As megaempresas pretendiam construir no espaço mais um grande empreendimento comercial para São Paulo. Até agora, nada se fez.
Restam quatro casarões na Avenida Paulista. Um deles, a Casa das Rosas, é tombado e utilizado como espaço cultural. A região não tem mais o metro quadrado da cidade; as grandes construtoras hoje fazem seus melhores negócios junto à Marginal Pinheiros. Porém, quase todo ponto da cidade está apto a receber novos empreendimentos, desde que não haja legislação em contrário. A história pregressa do local não importa.
Mansão Matarazzo, de possível casa de cultura a estacionamento, ao menos até que se decida que a hora mais rentável para construir chegou. Mais um conto de "Sampa".

Um pouco da história dos Matarazzo conta-se aqui, e pode-se ver o terreno da mansão enquanto ela ainda estava em pé aqui. Nas duas páginas, textos que serviram de base à minha pequena pesquisa. E nesta foto, a antiga entrada do casarão, tudo o que sobrou dele.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

divulgando: natal itaú personnalité (avenida paulista)

A visualização está prejudicada no link abaixo, então copiei e colei aqui no blog o email que recebi com a divulgação. Tenho amigos que vão cantar lá!


fonte: http://ww28.itau.com.br/ImprensaNet/midia/lernoticia.asp?trilha=0,6&menu=10&id_noticia=4767

Natal Itaú Personnalité terá coral e chuva de neve

Tradicional decoração da agência Trianon, na Av. Paulista, incluirá show de luz e apresentação musical

SÃO PAULO - No próximo sábado, dia 28 de novembro, será inaugurada a tradicional decoração de Natal da agência Trianon do Itaú Personnalité, na Avenida Paulista (SP), tendo como tema “Natal Personnalité de Música e Luz”. Pela primeira vez, a agência terá um coral adulto de 12 vozes, com shows abertos ao público de quinta a domingo que incluem espetáculo de luzes e chuva de neve.

No dia 28, perto das 18h, luzes e sons de sinos vindos da Praça Mário Covas, ao lado da agência, vão anunciar o início do espetáculo na agência Itaú Personnalité Trianon, que terá um show sincronizado de luzes e músicas natalinas. O público que visitar o local ainda poderá se encantar com uma chuva de neve. As apresentações serão diárias, de 20 em 20 minutos, das 18h às 21h40. A participação especial do coral ocorrerá de quinta a domingo. Há 12 anos, a agência faz parte do roteiro de turismo da cidade, num passeio que leva aos mais belos pontos decorados com motivos natalinos da capital paulista.

Os visitantes devem se surpreender mais uma vez com a riqueza e o cuidado dos detalhes. Sinos e notas musicais enfeitam a fachada da agência. Um Papai Noel animado eletronicamente tocará órgão e conduzirá o show– todos os movimentos de fala são sincronizados. Dois ursinhos farão a interação com o coral, cantando as músicas natalinas. Um total de 28 pinheiros decorados circundará a agência, a árvore principal terá 5,8 metros, decorada por bolas e notas musicais. Haverá ainda um Papai Noel mecânico de 3 metros na fachada da agência. Tudo para proporcionar ao público uma experiência única de cuidado, proximidade e encantamento.

Outros recursos tecnológicos e detalhes artesanais farão parte da decoração, como:

- trenó do Papai Noel, com quatro renas, duendes e boneco de neve;

- seis conjuntos de tubos dourados de órgão, para os quais foram usados 600 metros de tubos de PVC;

- 65 franjas de luz com 9 km de microlâmpadas brancas na testeira do prédio, e pautas musicais aplicadas à frente;

- 25 laços vermelhos de 1,5 m, 1,0 m e 0,45 m;

- 6.000 bolas decorativas, 3.000 notas musicais, 750 m de guirlandas;

- 400 m de mangueira luminosa (flexlight) nos contornos das janelas, vitrines e porta da agência;

- 12 mil metros de microlâmpadas de fio verde

Uma central de programação DMX comandará todos os sistemas de animação dos bonecos, som e luz.

Decoração semelhante será encontrada na agência do Itaú Personnalité Nossa Senhora da Paz, em Ipanema (esquina das Ruas Visconde de Pirajá e Joana Angélica, no Rio).

Nos últimos finais de semana do ano, um Papai Noel distribuirá pirulitos em frente à agência para as crianças que visitarem os espetáculos.

Uma decoração especial destacará ainda o mais novo espaço verde da capital, a Praça Mário Covas, que será entregue reformada e decorada também no próximo dia 28, com patrocínio do Itaú Unibanco. A praça fica na esquina da Avenida Paulista com a Alameda Ministro Rocha Azevedo e é de lá que partirão os sinos e luzes a anunciar o show na agência Itaú Personnalité.

Outras ações

Neste ano, o Itaú Unibanco vai patrocinar a decoração da Avenida Paulista, em uma parceria com a Prefeitura de São Paulo no projeto “Natal Iluminado”. Idealizado pelo cenógrafo Juarez Fagundes e produzido pela Playcorp, o projeto trará o clima do centro antigo para a moderna avenida, ocupando os postes do canteiro central com faixas, guirlandas, iluminação especial, festão em espiral e duendes. Três papais noéis cenográficos, feitos em fibra de vidro em tamanho real, estarão presentes em cada uma das extremidades e no centro da avenida. Mensagens de “Feliz Natal” e “Boas Festas” estarão em nove idiomas, felicitando tanto a população da cidade quanto os turistas que circulam na região.

O banco promoverá ainda uma apresentação especial da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo no Parque Villa Lobos, no dia 13 de dezembro. O evento, tradicionalmente realizado pelo Unibanco no início da primavera, foi incluído na programação de Natal da instituição. A OSESP é um dos fortes símbolos da cidade, admirada pela população, e a apresentação gratuita em um espaço público como o Parque Villa Lobos é mais um grande presente para a cidade neste Natal.

SERVIÇO
Natal Itaú Personnalité
Onde: Agência Trianon – Av. Paulista, 1.811, esquina com Al. Ministro Rocha Azevedo.
Quando: de 28 de novembro de 2009 a 2 de janeiro de 2010.
Apresentações diárias das 18h às 21h40, de 20 em 20 minutos, com a participação de coral de quinta a domingo.


Fonte: Relações com Imprensa - 23/11/2009

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

metrô

Surpreendente a notícia divulgada esta semana de que 56 por cento dos usuários de Metrô em São Paulo possuem carro. É a confirmação de que existe um bom número de pessoas que se convenceu de que o "conforto" do automóvel no uso diário é ilusório e, tendo a oportunidade de utilizar um transporte coletivo mais eficiente, embora em vias de saturação, fazem-no sem pestanejar. Dá a esperança de que um bom número de veículos pode sim deixar as ruas quando a expansão do Metrô sair da propaganda. E a coisa poderia melhorar ainda mais se houvesse esperança de revitalização das linhas de ônibus e trólebus.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

(se você não era viciado em games no começo dos anos noventa, pule este post)


Aquilo de dar não sei quantas mil voadoras no começo da última fase do Double Dragon do Master System pra ganhar continue infinito era uma boa balela, não? Para evitar o Game Over, só mesmo na habilidade e na sorte. Mas a gente fazia mesmo assim e ia com as mãos doloridas tentar chegar naquele chefão miserável. Antes, muita gente pra derrubar e cuidado com as pedras que empurravam para um fosso. Ah, e o final boss aparecia primeiro por trás da janela de um salão, enquanto você distribuía sopapos a valer em inimigos que pareciam não acabar. Aí a música silenciava...só se ouviam socos e chutes. Finados os subalternos, as portas se abriam e chegava a hora do confronto final. Ou ao menos era o que se pensava, pois quando se jogava em dois, somente um podia salvar a menininha, raison d'étre dessa epopéía, e é claro que o herói era decidido na porrada. E o companheirismo de quatro longas missões ia pelo ralo por tão pouco.