(Esta imagem veio daqui)Será que se adivinha do que vamos falar? Não? Bem, vamos lá...
Não há nenhum casal LGBT entre os citados. Pior é que a gente sabe que não vai ter, mas ainda assim fica olhando curioso até o final, para ter certeza...da certeza.
Vi o comercial ontem, mas guardei o pensamento só para mim, este é nosso mundo, nosso Brasil, paciência. Mas, no Twitter, o @BuleVoador lançou a provocação: cadê casal gay?



Os tweets geraram reações variadas no microblog, a favor e contra. E acabaram por gerar este post também.
Insisto: o vídeo é bacana. Mas deve-se dizer também que é válido notar a ausência de casais gays, sim. Não se trata de patrulhamento. Ora, a exclusão está em toda parte. Será que todo lugar a que vamos está preparado para receber deficientes físicos? Você já imaginou a situação de um deficiente visual ou auditivo numa escola? Da mesma forma para o público LGBT (que não é portador de deficiência por ser público LGBT, POR FAVOR): não existe uma heteronormatividade que, alheia ou não à nossa vontade, impõe comportamentos e juízos de valor? Pois é...
(Percebam que não falei em preconceito, mas em exclusão, que é o que de fato ocorre na propaganda. Seria leviano falar em homofobia, não houve insulto ou ofensa moral de nenhuma espécie no filme.)
Mas alguém deve estar aí dizendo, "mas a música é Eduardo e Mônica, por que você acha que tem de ter um casal de homens ou de mulheres aí?" Em partes. Primeiro, não acho que tem de ter, e sim que poderia ter, como ação afirmativa, de inclusão. Prossigo invertendo a pergunta: por que você acha que não tem de ter? O mundo hoje está um tanto diferente do que era nos anos 80. E não só por causa dos celulares 3G e demais gadgets bacaninhas. Devagar, mas bem devagar mesmo, nossa sociedade vem se tornando mais sensível à questão da diversidade sexual. São tantos gays/lésbicas assumidos/as hoje, você certamente conhece algum. Ou alguns. Ou muitos. Isso era mais difícil no passado. Não que hoje as coisas sejam um mar de rosas, ainda temos de suportar Bolsonaros e Malafaias estimulando o ódio que ainda mantém o Brasil como detentor do triste título de país que mais mata LGBTs. Nem leis antihomofobia a gente consegue ver aprovadas. Mas, enfim, vocês pegaram a ideia de devagar. As coisas caminham num sentido de maior aceitação das sexualidades.
Aí a Vivo decide que não vai entrar nessa.
A Vivo não entra nessa, mesmo com o momento favorável para um posicionamento humanitário. Mesmo com tantos homossexuais confiantes para dizer o que são - e, com certeza, tantos outros querendo muito ter coragem para juntar-se a eles. Mesmo com o fato de que um dos compositores de Eduardo e Mônica, o falecido Renato Russo, era bissexual (aquela outra música, que diz "gosto de meninos e meninas", lembra?) e certamente ADORARIA ver a menção de outros casais, não-heteros, numa peça escrita sobre uma obra sua.
Então, por que a Vivo não entrou nessa?
Voltemos a primeira frase deste post, mais precisamente a um trechinho dela: campanha da Vivo para o dia dos namorados. Aí está a resposta. Capitalismo. Negócios. Estamos falando de uma propaganda. Propagandas divulgam produtos. Produtos que têm de vender. Se eu quero vender, não posso correr riscos. E associar sua marca de alguma forma à homossexualidade, numa peça publicitária de tão grande alcance (o vídeo tem quase 2 milhões de visitas em dois dias), pelo jeito, é visto como um risco, sim. Talvez tenha ocorrido a alguém do staff do filme colocar, digamos, uma Luana e Renata ali, mas, se ocorreu, a ideia deve ter sido imediatamente abortada. Para que correr o risco? Pelo menos não seremos ofensivos, porque isso também seria um tiro no pé (ainda maior? quem sabe).
Então, que gays e lésbicas em relacionamentos se sintam de alguma forma incluídos entre os "outros tantos casais" citados no final do clipe. Pelo menos até que alguma empresa brasileira decida que vale correr o "risco" de tirar o amor entre iguais da invisibilidade que lhes foi imposto. Qual se habilitaria? Na França, o McDonalds - entre tantas outras - já chegou lá. Este é o comercial que o @BuleVoador citou:













